<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673</id><updated>2012-02-04T18:24:30.496-08:00</updated><title type='text'>Ailton Krenak</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>69</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-4310083147702387654</id><published>2011-09-21T09:09:00.001-07:00</published><updated>2011-09-21T09:09:40.663-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-JJQt_J6PrgI/TnoMO0q7JcI/AAAAAAAAAQQ/4kzN88X97cg/s1600/300355_2410072008804_1161334206_2958555_1783848237_n%2B%25281%2529.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 234px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-JJQt_J6PrgI/TnoMO0q7JcI/AAAAAAAAAQQ/4kzN88X97cg/s320/300355_2410072008804_1161334206_2958555_1783848237_n%2B%25281%2529.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654845730913461698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-4310083147702387654?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/4310083147702387654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=4310083147702387654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4310083147702387654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4310083147702387654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2011/09/blog-post.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JJQt_J6PrgI/TnoMO0q7JcI/AAAAAAAAAQQ/4kzN88X97cg/s72-c/300355_2410072008804_1161334206_2958555_1783848237_n%2B%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-7387508776531522217</id><published>2011-08-25T11:34:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T11:36:04.056-07:00</updated><title type='text'>AILTON KRENAK NOS EUA - 12/10/1986</title><content type='html'>http://programadeindio.org/index.php?s=pi&amp;n=programa&amp;pid=60&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa sobre a participação de Ailton Krenak na Conferência dos Cidadãos, em Washington, nos Estados Unidos, onde foram abordados problemas causados ao meio ambiente por projetos com financiamento do Banco Mundial e BIRD (Banco Interamericano de Desenvolvimento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Músicas: Povos Guajibo, Waiãpi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: programadeindio.org&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-7387508776531522217?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/7387508776531522217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=7387508776531522217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7387508776531522217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7387508776531522217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2011/08/ailton-krenak-nos-eua-12101986.html' title='AILTON KRENAK NOS EUA - 12/10/1986'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1696672891664239059</id><published>2011-08-09T11:29:00.000-07:00</published><updated>2011-08-09T11:30:03.522-07:00</updated><title type='text'>Exposição Séculos indígenas no Brasil é inaugurada nesta terça-feira</title><content type='html'>Foram necessários 19 anos de pesquisa e 45 horas de filmagens para Frank Coe e Álvaro Tukano chegarem à versão final da exposição Séculos indígenas no Brasil. A partir desta terça-feira (9/8), a mostra leva ao Memorial dos Povos Indígenas um conjunto de filmes e imagens idealizados para facilitar o acesso de professores e alunos ao universo dos povos nativos brasileiros. Coe e Tukano conceberam a exposição de maneira didática como um exemplo para estimular a execução da Lei 11.645, que desde 2008 tornou obrigatório o estudo das culturas afro-brasileira e indígena nas escolas de ensino médio e fundamental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira versão de Séculos indígenas no Brasil é de 2005, quando a lei ainda não estava em vigor. Desde então, o acervo do projeto cresceu e as origens indígenas do povo brasileiro passaram a ser tema obrigatório nos currículos escolares, um detalhe que fez os coordenadores da exposição incrementarem o programa educativo. A maioria dos mediadores selecionados para guiar os visitantes são indígenas e a versão brasiliense da mostra tem documentário inédito, montado a partir das 45 horas de imagens recolhidas durante três meses de viagem por mais de 30 mil km². No total, a equipe visitou 20 etnias escolhidas por Tukano e Aílton Krenak, também líder indígena. "Nossa proposta é educar pela arte e o público prioritário será de professores e alunos das redes pública e privada. A exposição é uma experiência multimídia com três vértices", explica Coe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aproximar o público do universo indígena, o Memorial foi preenchido com uma enorme cobra construída em bambu. No interior, chão de terra batida ajuda a ambientar o espaço expositivo, que traz o acervo do próprio museu e reproduções de obras pertencentes a instituições como o Museu de Etnologia de Genebra (Suíça), o Museu do Índio do Rio de Janeiro, o Instituto Socioambiental e o Museu Dahlem (Alemanha). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Audiovisual &lt;br /&gt;A parte mais consistente e importante da mostra será exibida no auditório em formato audiovisual. Mescla de documentário e animação, o inédito Maíra, de Darcy Ribeiro: um deus mortal? é uma adaptação parcial do livro Maíra, publicado pelo antropólogo em 1976. "Na verdade, diz respeito a sete capítulos em que Darcy trata dos mitos dos povos indígenas. Ele conta a origem do mundo segundo os indígenas", conta Coe, diretor do documentário. Intercaladas à animação estão cenas de arquivo e imagens filmadas ao longo do projeto, além de uma entrevista inédita com o antropólogo gravada em 1995. "É uma entrevista na qual ele faz uma apresentação do texto A invenção do Brasil", diz o diretor. Além do longa, os visitantes poderão conferir os curtas Reflexões e Reflexões do curumim, destinados ao público infantojuvenil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vertente educativa e didática da mostra é um dos aspectos mais importantes do projeto para Rosane Kaingang, presidente da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul e consultora de Coe. "Temos que trabalhar a capacitação dos professores e subsidiá-los para fazerem um trabalho nas escolas não indígenas", explica. "Para nós é importante que a Lei 11.645 seja executada para que os indígenas não sejam discriminados em sala de aula." Além de oficinas programadas para o fim da visita, a exposição conta com uma ação paralela. Durante o 3º Módulo do Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas, professores das redes pública e privada poderão realizar curso de formação para mais tarde trabalhar o conteúdo em sala de aula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Coe, a característica fundamental da mostra é o fato de ter sido concebida em parceria com os indígenas. "As diretrizes foram definidas pelas lideranças indígenas", garante. "A ideia era fazer um trabalho de documentação diferente do que vinha sendo feito, em que os indígenas tivessem a oportunidade de definir essa informação." Por isso, foi importante incluir o acervo do Memorial dos Povos Indígenas, uma coleção doada por Darcy Ribeiro, coletada durante mais de três décadas e hoje avaliada em R$ 850 mil. "As peças de artesanato passam uma imagem do indígena concebida pelo indígena sem a intermediação de não indígenas", repara Coe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://divirta-se.correioweb.com.br/materias.htm?materia=13386&amp;secao=Programe-se&amp;data=20110809&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1696672891664239059?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1696672891664239059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1696672891664239059' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1696672891664239059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1696672891664239059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2011/08/exposicao-seculos-indigenas-no-brasil-e.html' title='Exposição Séculos indígenas no Brasil é inaugurada nesta terça-feira'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-799595295622942963</id><published>2011-08-09T11:27:00.000-07:00</published><updated>2011-08-09T11:28:48.356-07:00</updated><title type='text'>Projeto Séculos Indígenas no Brasil abre exposição no Memorial dos Povos Indígenas</title><content type='html'>Horário: Ver programação | Local: Memorial dos Povos Indígenas do DF Endereço: Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.seculosindigenasnobrasil.com&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No próximo dia 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas decretado pela ONU (Organização das Nações Unidas), será aberta ao público a III Edição do Projeto Séculos Indígenas no Brasil, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. A Exposição “Séculos Indígenas no Brasil” é composta por três vértices que acontecem simultaneamente:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1) exposição: apresenta o material artístico e documental produzido ao longo dos 19 anos de existência do projeto “Séculos Indígenas no Brasil”, composto por fotografias, desenhos, gravuras, objetos de arte indígena do acervo de Darcy e Berta Ribeiro, filmes, vídeos, animações e textos. O conteúdo da exposição apresenta diferentes aspectos da vida cotidiana em várias comunidades indígenas brasileiras, além de trazer, em forma de depoimentos inéditos, a visão de figuras referenciais indígenas e da luta ambiental no Brasil, como Darcy Ribeiro, José Lutzenberger e os líderes Ailton Krenak e Álvaro Tukano, num diálogo plural e múltiplo.  A exposição reúne um conteúdo que  disponibiliza grande acervo informativo e educativo acerca das culturas indígenas brasileiras. O material artístico e documental foi produzido por Frank Coe ao longo de quase 20 anos de pesquisa. A exposição Séculos Indígenas no Brasil aborda o processo de realização da série documental do mesmo nome, utilizando pinturas, desenhos, fotografias e meios eletrônicos, que tentam dar conta da pluralidade das culturas indígenas. Frank Coe, Álvaro Tukano, Paulo Metz e Piotr Jaxa são os responsáveis pelo acervo – cerca de 3 mil fotografias, tiradas ao longo de suas viagens pelo Brasil. Ilustrações históricas Jean de Léry, Hans Staden, e Jean-Baptiste Debret também compõem a exposição com algumas das primeiras imagens feitas dos índios brasileiros. A mostra será montada dentro de uma grande estrutura de bambu em forma de cobra que será erguida no Memorial dos Povos Indígenas. A estrutura em forma de serpente está sendo confeccionada em bambus trançados e terá cerca de 110 metros de comprimento. Sua largura varia entre quatro e 11 metros e a altura entre 2,80m e 6,80m.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2) eventos culturais: buscando promover um (re)conhecimento maior entre as culturas indígena e juruá (não indígena), durante a exposição, em diferentes dias, serão realizados eventos que contarão com a presença de representantes de, pelo menos, 15 etnias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3) ação educativa: aproveitando este potencial e identificando a carência de conhecimento da comunidade escolar acerca da história e da realidade contemporânea dos povos indígenas brasileiros, surgiu a proposta de se criar uma Ação Educativa na III Edição da Exposição “Séculos Indígenas no Brasil”, a fim de oportunizar o diálogo entre estes universos, que coexistem isoladamente em nosso país. O "III Módulo do Fórum de atualização sobre culturas indígenas", curso de formação dos professores do DF será realizado nos dias 9 e 11 de agosto de 2011 e a formação continuada dos Mediadores, estudantes indígenas e não indígenas, será entre os dias 5 e 8 de agosto de 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A III Edição fica no Memorial dos Povos Indígenas até o dia 10 de outubro. Esta edição da exposição conta com o apoio formal do Ministério da Justiça, através da FUNAI - Fundação Nacional do Índio, Secretaria de Cultura do Distrito Federal, Secretaria de Educação do Distrito Federal, Gabinete do Senador Cristovam Buarque, Universidade de Brasília, PUCRS, Fundação Darcy Ribeiro, Ministério da Cultura e a Sociedade Indígena Nheengatu, entre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas primeiras edições desta exposição aconteceram no Fórum Internacional Povos Indígenas, nos dias 11 a 14 de agosto de 2005, no Centro de Eventos PUCRS em Porto Alegre/ RS e no Espaço Furnas Cultural - Rio de Janeiro/RJ, nos dias 07 de outubro a 07 de novembro de 2005.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Projeto Séculos Indígenas no Brasil  - Histórico&lt;br /&gt;Eram dias de junho de 1992 quando na capital alemã, Berlim, dava-se o encontro a partir do qual viria a ser desenvolvido um projeto pioneiro de registro sobre a realidade, a riqueza e a diversidade das culturas e da espiritualidade indígena no Brasil. A ocasião uniu as intenções éticas e estéticas do cineasta Frank Coe e a experiência política e espiritual do líder indígena Álvaro Tukano, a partir de uma intenção comum: oferecer à opinião pública uma visão crítica da realidade dos povos indígenas no Brasil, privilegiando a iniciativa de seus próprios protagonistas. A atmosfera que os animava era a mesma que, no Rio de Janeiro, abrigava a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a ECO-92. Grandes eventos marcando o fim de um século e dando ocasião a outros, os Séculos Indígenas no Brasil. &lt;br /&gt;O Projeto Séculos Indígenas no Brasil tem suas raízes em um momento significativo de nossa história cultural e política recente. Despertava então, principalmente através dos meios de comunicação de massa, uma visão ecologicamente sensível em várias esferas da cultura globalizada. De proteção do meio ambiente, passava-se a um discurso de sustentabilidade da vida planetária. Vozes proféticas se faziam ouvir, anunciando mudanças climáticas, denunciando a inviabilidade ética de monoculturas em detrimento dos avanços tecnológicos para tal, alertando contra o reducionismo da natureza pela cultura capitalista, e rechaçando a noção de desenvolvimento calcado na pilhagem do planeta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Considerados radicais na época, hoje estes temas exigem atenção de todos os setores da sociedade. Contudo, o tom de denúncia visava um aprendizado do qual ainda carecemos: encontrar meios criativos, de forma pública e democrática, para um desenvolvimento integral e sustentável que alcance a todas as dimensões da vida, em vista do futuro de diferentes sistemas de vida – entre os quais as culturas humanas. Nesse histórico, a liderança de diferentes etnias e comunidades indígenas tem sido presença significativa. Homens e mulheres de diferentes regiões do país, que insistem em afirmar que sua cultura, sua sabedoria e sua visão de mundo não apenas podem ajudar a reconhecer os pontos críticos desse amplo debate, mas fornecer meios para superar vários desses desafios. Contudo, para que fossem ouvidos, tinham de se tornar antes visíveis para a sociedade brasileira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Projeto Séculos Indígenas no Brasil nasce dessas motivações. Sua originalidade está na consistência de seu conteúdo: bocas que falam sua própria língua, olhos que sustentam um olhar autônomo, corpos que narram a si. Uma visão que anima quase duas décadas de atividades dedicadas à sensibilização para o direito à diversidade étnica no Brasil.&lt;br /&gt;Seguiram-se os passos para viabilizar o que já ganhava contornos de um projeto de produção audiovisual e fotográfico. Os caminhos se fizeram na busca de apoio técnico, recursos e, principalmente, novos encontros com pessoas que ajudassem a animar e – não menos – a dar corpo ao projeto. O encontro com Ailton Krenak determinou os rumos do projeto, a partir de sua experiência como fundador do Centro de Pesquisa Indígena (CPI). O Centro, na ocasião, já somava uma rica experiência de formação de jovens indígenas de diferentes regiões do Brasil. O projeto visava torná-los mediadores de um conhecimento que capacitasse suas comunidades a desenvolver práticas sustentáveis de manejo de seus recursos culturais e naturais. Na definição de Krenak:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- O Centro de Pesquisa Indígena não é um lugar. É o caminho que liga a memória da criação do mundo, presente nas narrativas tradicionais, no conhecimento antigo, com o conhecimento sobre o novo, no trabalho do cientista e do pesquisador. &lt;br /&gt;Surgia, então, o itinerário de viagem, cenários, personagens e, finalmente, o argumento do projeto: o retorno desses jovens formados pelo Centro as suas comunidades de origem, sua adaptação nelas e o desdobramento da aliança, por vezes ruptura, que se dava, através deles, entre um novo conhecimento e a tradição recebida de seus ancestrais. Uma cuidadosa discussão sobre os temas mais relevantes a serem trabalhados levou a considerar a preocupação de expressar da melhor forma possível os traços particulares do universo que se revelava em cada comunidade indígena visitada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sob essas orientações, o projeto se desenvolveu em duas fases: a primeira, entre 1993 e 2004, é marcada pelos esforços de seus protagonistas, sem qualquer tipo de apoio institucional, o que sugere algo do desinteresse político que havia na época pelas questões indígenas. Entrementes, em 1997, a Fundação Darcy Ribeiro é criada, tornando-se importante motivadora do projeto, a partir do apoio que o próprio instituidor lhe dedicara. Em 2004, efetiva-se uma parceria com a Fundação em torno da realização do filme Maíra. A partir de 1999, o projeto alcança maior repercussão, graças  especialmente ao apoio da então Senadora Marina Silva que, ministra do Meio-Ambiente, em 2002, possibilitou o apoio do Governo Federal ao projeto, sobretudo, através do Ministério da Cultura.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Alcançadas as primeiras metas, passo seguinte foi tornar público o acervo produzido através de duas exposições, em 2005, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Uma rede de instituições apoiadoras se constituía, fornecendo o suporte ao desenvolvimento do projeto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Da parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Cultura Indígena, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, através de Édison Hüttner, em 2008, foi publicado o Catálogo descritivo das imagens. A partir dessas parcerias consolidadas, o Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, DF, abriu caminhos de aproximação a Secretaria da Educação e a Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal, através de Marcos Terena. Também o apoio do Congresso Nacional, através do Senador Cristovam Buarque foi firmado, formando o atual cenário de um novo ciclo de trabalho, com os olhos voltados à realização da terceira edição da exposição, prevista para 2011, em Brasília, DF.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopses dos filmes exibidos durante a exposição:&lt;br /&gt;Durante a exposição serão exibidos dois documentários em longa: "Maíra, de Darcy Ribeiro: um Deus Imortal?" com 75 minutos de 2010 e "Lutzenberger", com 52 minutos, de 2007. Haverá ainda dois documentários em curta: "Reflexões" com 15 minutos de 2009 e "Reflexões do Curumin" com cerca de 15 minutos de 2011.&lt;br /&gt;Os filmes deverão servir para a formação dos professores em geral, mas podem servir também como instrumento de trabalhol com os alunos em sala de aula. Os curtas utilizam imagens utilizadas no filme "Maíra", editadas do material bruto com cerca de 45 horas de imagens registradas nas aldeias visitadas de cerca de 20 etnias espalhadas em todo o território nacional e trechos dos depoimentos de Darcy Ribeiro, José Lutzenberger, Álvaro Tukano e Ailton Krenak. Há ainda o desenho animado com a adaptação parcial do romance Maíra, com a mitologia dos Povos Indígenas segundo Darcy Ribeiro e animação de recortes. No filme "Reflexões do Curumin", utilizamos um material farto em imagens com crianças indígenas no cotidiano das aldeias, com uma narração mais visual e poucas falas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutzenberger: For Ever Gaia - documentário de 52 min.&lt;br /&gt;Perfil do cientista e ambientalista gaúcho José Lutzenberger (1926-2002) e de seu trabalho para a criação de alternativas de desenvolvimento sustentável, apresentando formas viáveis para um aproveitamento menos predatório e mais equilibrado da natureza. Sua infância é contada através da animação do cineasta Otto Guerra, que toma como ponto de partida os desenhos feitos pelo pai do cientista, um arquiteto alemão&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Maíra, de Darcy Ribeiro: um Deus Mortal?” – 75 min.&lt;br /&gt;Documentário histórico, com depoimentos do antropólogo Darcy Ribeiro, cujo objetivo principal é uma reflexão a cerca da identidade brasileira, da criação e da manipulação da “imagem”.&lt;br /&gt;O filme abrange grande parte do território nacional, sendo que essas imagens já foram realizadas ao longo de 16 anos, registradas pelo cinegrafista e fotógrafo polonês Piotr Jaxa e conta também, com uma parte complementar feita em formato animação, realizada pelo renomado Otto Guerra, onde serão ilustrados alguns depoimentos e imagens não ficcionais o que facilitará a comunicação com todos os tipos de público, especialmente o público jovem e comunidades indígenas.&lt;br /&gt;Maíra de Darcy Ribeiro: Um Deus Mortal? assume então, um importante caráter inédito e pedagógico através do uso do papel histórico da imagem e aos seus contornos educacionais, não somente com informações, mas, principalmente com técnicas metodológicas que sinalizem para a formação humanista dos indivíduos, garantindo uma didática que faça contraponto à pasteurização e homogenização das representações massificantes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;PROVOCAÇÕES&lt;br /&gt;A abertura das vídeo instalações se apresentam por um vídeo pôster, que convida os expectadores a entrar em um universo de reflexões e sensações oferecido pela Exposição Séculos Indígenas no Brasil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Trata-se de uma composição videográfica, de um minuto e meio, composta de uma animação de recorte, com os temas retratados na imagem título da exposição, uma pintura feita pelo artista plástico Hélio Coelho, coordenador de arte da Exposição. Através desta peça, propõe-se uma mescla das linguagens visuais do vídeo e do cartaz, compondo uma peça que premie as duas, provocando a sensação de se olhar para um cartaz cujas as imagens se movem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFLEXÕES&lt;br /&gt;O documentário, Reflexões, é um curta metragem construído basicamente com depoimentos. A construção da narrativa se dá a partir de alguns elementos, quais sejam: a visão de dois antropólogos (Darcy Ribeiro e Beto Ricardo) com seus diálogos e dialéticas particulares, que abre espaço para as  intervenções dos próprios indígenas. Por fim, o dialogo se expande para abraçar a universalidade e isenção da visão do ambientalista José Lutzenberger, visão histórico filosófica, de um lado profundamente cientifica, mas ao mesmo tempo, generosa e poética sobre a cosmovisão dos Povos Indígenas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com a própria intervenção dos líderes indígenas, ao subverter o academicismo de qualquer discussão filosófica, nasce o convite para o expectador  refletir, formatando sua própria visão e opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFLEXÕES DO CURUMIM&lt;br /&gt;O documentário voltado ao público infantil. Como seu análogo voltado ao publico adulto, conteúdo de reflexão. Construído em linguagem lúdica, apresenta os elementos que constituem a cosmovisão do indígena a partir de sua infância , com o elemento mitológico mostrado através de cenas animadas de fragmetos do  longa metragem Maíra .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Busca despertar no pequeno expectador o sentimento de alteridade, pelo reconhecimento das diferenças e o direito a estas diferenças, ao mostrar as crianças indígenas não só no seu cotidiano, nas aldeias, mas também dentro da escola, em suas brincadeiras, na relação de aprendizagem e troca com o universo dos adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FRUIÇÕES&lt;br /&gt;Vídeo instalação que por estar locada ao final da Exposição, não apresenta o mesmo caráter informativo das outras peças, mas antes, convida o visitante a um último trânsito pelo conjunto de sons, imagens e palavras que compõem o singular universo exposto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Neste caso a edição de vídeo, por si só não se apresenta suficiente, interagindo de forma sincronizada com a cenografia, a luminotécnica e principalmente, com as pinturas  do artista Hélio Coelho, coordenador de arte da Exposição. Esta vídeo instalação será montada dentro de uma estrutura especifica, em forma de geodésica, denominada Geodésica da Lua.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A oferta de imagens não obedece a uma seqüência narrativa linear, tratando-se, antes, de um conjunto de estímulos sensoriais que convida o visitante a alinhavar de forma particular as impressões, percepções e fruições.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;**Horário de visitação: De terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Telefone: (61) 3342-1157 / 3344-1154 / 3342-1156&lt;br /&gt;E-mail: mpi@sc.df.gov.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://cerradomix.maiscomunidade.com/evento/exposicoes/5740/SECULOS-INDIGENAS-NO-BRASIL.pnhtml&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-799595295622942963?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/799595295622942963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=799595295622942963' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/799595295622942963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/799595295622942963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2011/08/projeto-seculos-indigenas-no-brasil.html' title='Projeto Séculos Indígenas no Brasil abre exposição no Memorial dos Povos Indígenas'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6538941385771780216</id><published>2011-05-23T11:36:00.001-07:00</published><updated>2011-05-23T11:38:55.430-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-mPdMWFW7X4E/TdqpX_gs7CI/AAAAAAAAAPk/DFAv3_RfJXg/s1600/248075_2068555551106_1161334206_2545784_3424053_n.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 210px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-mPdMWFW7X4E/TdqpX_gs7CI/AAAAAAAAAPk/DFAv3_RfJXg/s320/248075_2068555551106_1161334206_2545784_3424053_n.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609982515494054946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-dF8Q02ceBXM/TdqpQ0Td_hI/AAAAAAAAAPc/ROdD-5hZZUw/s1600/227985_2068556631133_1161334206_2545786_2318508_n.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 173px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-dF8Q02ceBXM/TdqpQ0Td_hI/AAAAAAAAAPc/ROdD-5hZZUw/s320/227985_2068556631133_1161334206_2545786_2318508_n.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609982392226676242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6538941385771780216?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6538941385771780216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6538941385771780216' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6538941385771780216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6538941385771780216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2011/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-mPdMWFW7X4E/TdqpX_gs7CI/AAAAAAAAAPk/DFAv3_RfJXg/s72-c/248075_2068555551106_1161334206_2545784_3424053_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-5821760558122013451</id><published>2011-03-10T08:52:00.000-08:00</published><updated>2011-03-10T08:54:01.191-08:00</updated><title type='text'>OAB/MS divulga programação para Semana do Índio 2011</title><content type='html'>Quarta, 02 de Março de 2011 - 09:54&lt;br /&gt;Fonte: Da redação, com informações da OAB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, divulga, por meio da Comissão Especial de Assuntos Indígenas (CEAI), a programação para a Semana do Índio, que acontece de 26 a 28 de abril de 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tema “Os guarani de Mato Grosso do Sul e seus direitos”, o evento traz palestras e apresentações culturais que serão realizadas na sede da OAB/MS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a presidente da CEAI, Samia Roges Jordy Barbieri, o objetivo é levar informação para todos os ramos da sociedade e, desta forma, reduzir o preconceito que ainda existe em relação a cultura indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Queremos divulgar uma cultura de paz. Essa é a função social do advogado, da OAB”, ressalta Samia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia (26), às 16h30, o assunto será “A situação atual dos guarani de MS - A solução dos conflitos e a busca por uma cultura de Paz”, com os convidados indígenas Otoniel Ricardo, Edna Guarani e Tonico Benites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 27 de abril, a Semana do Índio conta com a presença da presidente da CEAI, Samia Roges Jordy Barbieri, e dos convidados Francisco das Chagas Lima Filho, desembargador Federal do TRT da 24ª Região, e Paulo Douglas Almeida de Moraes, procurador do Trabalho da 24ª Região. Eles vão abordar “O Direito Indígena e a questão laboral nas usinas de açúcar e de álcool de MS”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último dia de evento (28) começa às 16h, com a apresentação da peça de teatro “TEKOHA - Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno”, inspirada em Marçal de Souza, encenada pelo Teatro Imaginário Maracangalha e dirigida por Fernando Cruz .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, o tema “O Direito Indígena e os povos indígenas : uma visão do futuro” será apresentado pelos convidados indígenas Marcos Terena e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ailton Krenak&lt;/span&gt;. Às 22h, terá a “Noite Cultural”com artesanato, música e comida guarani. O encerramento acontece com a Leitura da Carta da II Semana do Índio na OAB/MS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&amp;id=33765&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-5821760558122013451?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/5821760558122013451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=5821760558122013451' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5821760558122013451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5821760558122013451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2011/03/oabms-divulga-programacao-para-semana.html' title='OAB/MS divulga programação para Semana do Índio 2011'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-4247673539165697581</id><published>2010-12-27T08:11:00.000-08:00</published><updated>2010-12-27T08:26:25.312-08:00</updated><title type='text'>VÍDEO / ENTREVISTA</title><content type='html'>Entrevista do fundador da ONG Núcleo de Cultura Indígena, Aílton Krenak, para o www.producaocultural.org.br —Produção Cultural no Brasil &lt;br /&gt;Esta entrevista faz parte do projeto Produção Cultural no Brasil. Alguns direitos reservados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aílton Krenak&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundador da ONG Núcleo de Cultura Indígena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íntegra da entrevista, gravada no dia 24 de junho de 2010 no estúdio Cine &amp; Vídeo, em São Paulo (veja a entrevista em vídeo clicando em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;http://www.producaocultural.org.br/slider/ailton-krenak/)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TRi8KNkS2EI/AAAAAAAAAOc/DDZRAWG-8dU/s1600/imagem.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 208px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TRi8KNkS2EI/AAAAAAAAAOc/DDZRAWG-8dU/s320/imagem.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555397023988111426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome é Aílton, Aílton Krenak. Este Krenak é o nome da minha família indígena de lá do Vale do Rio Doce, Minas Gerais. Os krenaks são um grupo de aproximadamente umas 100 famílias que sempre viveram ali na região do médio Rio Doce e o meu trabalho tem sido sempre, de alguma maneira, de vincular esta cultura extremamente local de lá do médio Rio Doce com os nossos vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de uma coisa que nós temos chamada Núcleo de Cultura Indígena, que é uma iniciativa que nós começamos há 20 anos atrás - a de apropriar novas tecnologias, tipo internet, Ponto de Cultura, para algumas regiões na floresta -, nós estamos concluindo agora uma ação legal que é a de formatar junto com pessoas de diferentes culturas, de diferentes lugares da Amazônia, pegando o Mato Grosso, Rondônia, Acre, Roraima, formatar com eles espaços que vão estar localizados dentro destas aldeias, onde as pessoas locais, na sua própria língua, na sua cultura local, vão poder interagir numa rede chamada Rede Povos da Floresta. Tem desde meninada, assim, de 15 anos, 16 anos, que estão começando a pegar uma câmera, máquina fotográfica, ou estes meios digitais todos, e que já estão editando, estão começando a saber o que é uma ilha de edição. Tem oportunidade de todos juntos, numa espécie de feira de cultura, de ir mostrar a produção que essa rapaziada, esse pessoal está fazendo em 30 localidades diferentes da Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O secretário de Cultura do Estado de Minas Gerais me chamou em julho, agosto do ano passado: "Krenak, o governo vai iniciar uma série de ações agora de promoção da cultura e tem um segmento aí que a gente quer abordar, que são as comunidades indígenas, sei lá, fazer um seminário, chamar os antropólogos...". Eu peguei e falei com ele assim: "Sei lá, este papo de seminário, chamar um antropólogo, chamar não sei o quê, isso me parece uma visão tão clínica, tipo assim: 'Ah, estou com uma dor aqui, vou no médico para perguntar o que eu tenho'". Quando você pensa no caso, digamos, que é a minha praia, que é a dos índios, o meu sentimento é que a conversa é com um por um. Os krenaks não são iguais aos xavantes, nem igual aos bandeirantes, nem igual aos ianomâmis. Eu sou krenak, mas eu não posso achar que eu sei o que é legal para os guaranis, entendeu? Pergunta para os guaranis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a minha guerreira cultural tiver que reconhecer alguma capacidade local, alguma potência numa ação local, a primeira coisa que ela vai fazer é procurar saber se aquela ação local é capaz de produzir o pão de cada dia. O pão de cada dia pode ser dançar, cantar, mas, na minha percepção, na minha apropriação da palavra, a guerrilha cultural significa só que você não está enquadrado. E como você não esta enquadrado, você não tem, digamos, um programa que pode ser adaptado para política pública da cultura, você não quer subsidiar um programa de política pública de cultura, o que você quer é continuar alimentando a capacidade infinita de reinventar, de revolucionar, de virar um negócio ao avesso - que tem que ser a expressão da cultura porque senão vira acomodação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE:http://www.producaocultural.org.br/wp-content/themes/prod-cultural/integra/integra-ailton-krenak.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-4247673539165697581?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/4247673539165697581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=4247673539165697581' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4247673539165697581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4247673539165697581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/12/video-entrevista.html' title='VÍDEO / ENTREVISTA'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TRi8KNkS2EI/AAAAAAAAAOc/DDZRAWG-8dU/s72-c/imagem.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-913337203144902642</id><published>2010-12-06T04:33:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T04:34:34.719-08:00</updated><title type='text'>Cinema feito por índios cresce e se consolida no Brasil</title><content type='html'>Diretores falam sobre o trabalho, que só é possível graças ao projeto Vídeo nas aldeias, de Vincent Carelli&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter Sebastião - EM Cultura &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um cinema novíssimo: os filmes feitos pelos cineastas indígenas. São documentários sobre o cotidiano das aldeias, memórias das comunidades, eventos importantes das tribos. Que vêm recebendo prêmios no Brasil e no exterior. Movimento que, no Brasil, data do fim dos anos 1990 e teve como berço o projeto Vídeo nas aldeias. Mas, no mundo, surgiu a partir do fim dos anos 1970, com trabalhos na Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Alasca, México, Bolívia, realizados basicamente pela primeira geração de índios que frequentou a escola, a cidade e a universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kene Uxi, As voltas do Kene acaba de ganhar menção honrosa no Forumdocbh, importante mostra mineira dedicada ao cinema documental. O diretor do filme é Zezinho Yube, de 27 anos, da comunidade huni kui, território indígena Praia do Carapanã, aldeia Mibayã, no Rio Tarauacá, Acre. Agente agroflorestal, ele já realizou, desde 2005, quatro outros filmes: Novos tempos; Manã Bai, A história do meu pai; Katxa nawa, Festa da fertilidade; Já me transformei em imagem. Em dezembro, começa a edição de A festa da iniciação. Todos com trechos no YouTube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEIA MAIS&lt;br /&gt;Projeto Vídeo nas aldeias registra a memória de olho no futuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O prêmio é reconhecimento do nosso trabalho. Temos muitos cineastas e filmes de qualidade. Está crescendo o espaço para realizadores indígenas”, conta Zezinho Yube. O cinema, para ele, é ferramenta de comunicação e expressão, com significado político, que tem proporcionado intercâmbio entre as aldeias. “Estamos fazendo trabalho de revitalização cultural”, afirma, satisfeito em ver revalorizadas festas e pinturas corporais, além do orgulho de ser índio, entre outras coisas. Sua obra é toda documental e já foi exibida em Nova York, no Museu do Índio, e em Washington (EUA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zezinho conta que, às vezes, pensa em realização de obra de ficção baseada na história de seu povo. Está trabalhando com o irmão em projeto de criação de ponto de cultura, visando à aquisição de equipamentos. Desafio posto aos cineastas, para o diretor, “é resistir, com a nossa cultura, a nossa língua, do jeito que somos, a um entorno que quer nos dominar, nos manipular”, explica o fã de Glauber Rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Missões Ariel Ortega tem 24 anos, é guarani, nasceu em Missiones (Argentina). Mora em Jacuí (RS), é professor bilíngue, tem trabalho com jovens. Já dirigiu o curta Nós e a cidade e um média-metragem premiado: Duas aldeias, uma caminhada. Está realizando mais dois filmes, um sobre a espiritualidade (que, observa, é característica de seu povo) e outro sobre as missões jesuítas, onde existe uma grande aldeia que, além do Brasil, chegava ao Paraguai e à Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os filmes trazem nosso ponto de vista, a sabedoria dos guaranis e fortalecem a nossa cultura”, observa Ariel. Conta que, desde criança, está acostumado a ver brancos filmarem índios – “é sempre tudo feito rápido”. Avisa que as crianças precisam ver os filmes dos cineastas indígenas até para não chegarem à aldeia imaginando que se vive hoje como há 200 anos. Sonhos? “Um grande filme sobre a criação do mundo segundo os guaranis”, conta. Superprodução? “Sim”, responde, contando que vários, nas aldeias, têm jeito de ator. A obra teria narração do avô Dionísio Duarte, até hoje, aos 82 anos, considerado o cacique geral dos Mbya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Coleção de DVDs Cineastas indígenas: antologia da produção de autoria indígena dos últimos 10 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Índios do Brasil : Dez programas para TV, apresentados por Ailton Krenak, mostrando como vivem e o que pensam os índios de nove povos (entre eles os maxacalis, de Minas, disponíveis para download.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• O programa A’Uwe exibe filmes de vários núcleos de produção indígenas. Domingo, às 18h30, na Rede Minas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_8/2010/12/05/ficha_cinema/id_sessao=8&amp;id_noticia=31967/ficha_cinema.shtml&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-913337203144902642?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/913337203144902642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=913337203144902642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/913337203144902642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/913337203144902642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/12/cinema-feito-por-indios-cresce-e-se.html' title='Cinema feito por índios cresce e se consolida no Brasil'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3449703339896428187</id><published>2010-11-10T01:41:00.000-08:00</published><updated>2010-11-10T01:42:36.651-08:00</updated><title type='text'>Criação brasileira em foco</title><content type='html'>O Tempo, Magazine, em 08/11/2010&lt;br /&gt;Carlos Andrei Siquara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conteúdo inédito e abrangente sobre a produção cultural no país, ou como diz o organizador Fábio Maleronka, “uma bibliografia quente”, é o que está próximo de ser lançado até o fim deste mês, na internet e em livros gratuitos.&lt;br /&gt;Reunindo cem nomes de peso, o projeto Produção Cultural no Brasil traz depoimentos de pessoas de diferentes setores culturais de alguns Estados de todas as regiões. A finalidade é traçar um panorama geral do que vem sendo criado no país, sob múltiplos pontos de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O projeto surgiu de uma constatação de que não havia um material, no Brasil, sobre produção cultural, realizada por pessoas que trabalham na área. Nós partimos dessa ideia, mas não sabíamos como fazer uma curadoria capaz de abarcar tantas manifestações em um país com proporções continentais. Quase optamos por dissolver o conceito de curadoria, e uma solução encontrada foi fazer cem entrevistas com algumas personalidades que consideramos representativas. Mas poderiam ter participado muitas outras pessoas”, conta Fábio Maleronka, produtor cultural, idealizador e coordenador dessa iniciativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais de um mês no ar, o site do projeto (www.producaocultural.org. br) já tornou acessível alguns vídeos. No final, quando todos os depoimentos estiveram na rede vão somar cerca de seis horas de entrevistas. São falas de artistas, gestores culturais e técnicos. Cada um dos convidados apresenta a sua opinião sobre o momento atual, além de apresentar pensamentos sobre o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nós buscamos levar em conta as territorialidades, a importância histórica de alguns produtores, como Thomaz Farkas, Maurício de Souza, Fernando Faro, Hermínio de Carvalho, Inezita Barroso. Nós olhamos também para a trajetória das políticas culturais, então convidamos os ex-ministros da Cultura Francisco Weffort e Gilberto Gil, e, o atual, Juca Ferreira. Tentamos assim, contemplar as diferentes esferas da cultura, desde produtores, gestores até técnicos, como o serralheiro, o engenheiro de cinema,  o luthier”, explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciadas em fevereiro deste ano, as entrevistas foram realizadas em dois formatos. Uma menor, com edição em média de cinco minutos, e outra mais extensa, que vai ser transformada em livro, o qual também vai estar liberado no site, para ser consultado e reproduzido por qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todo o projeto é feito sob a licença ‘creative commons’. O objetivo é democratizar o acesso e permitir que as informações sejam baixadas pela internet. Dessa forma, elas podem ser compartilhadas de muitas maneiras, seja na sala da aula, ou em qualquer outra forma de consulta. O importante é fazer circular. Nós vamos também tentar fazer um esforço para traduzir esse conteúdo para outras línguas. Assim, os livros poderão ser capturados com facilidade pelo resto do mundo”, conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estendido pelas redes sociais, como Twitter, Facebook e Cultura Digital, o endereço eletrônico se estabelece como uma plataforma digital capaz de agregar interessados em discutir. O conteúdo veiculado nele visa não só tornar acessível as histórias, mas incentivar o diálogo, as trocas e o debate sobre políticas públicas. “O site é um banco de conteúdo, mas a gente acha que deve ser muito mais. Ele abre a oportunidade para surgirem debates. Hoje em dia, as pessoas interagem bastante pelas redes sociais. Usamos isso a nosso favor. E há uma conversa de que na área cultural todo mundo se conhece, o que não é verdade. Pensamos, então, na possibilidade, de por meio do site, os organizadores se encontrarem. Tomando conhecimento uns dos outros, os festivais de literatura, música e dança, todas as linguagens poderiam interagir”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunindo diferentes comentários sobre a cultura, o projeto também conta um pouco da história da política cultural do país. Curiosidades se revelam como a mudança do Ministério da Cultura para Secretaria da Cultura, no governo Collor, posteriormente revertida. Os realizadores que trabalharam na época anterior a década 80 também dão notícias do contexto da produção cultural na ditadura militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É possível conhecer por parte de cada um dos convidados, com suas particulares posturas ideológicas, várias histórias do passado. Mas não fica apenas nisso. As perspectivas sobre o que devemos fazer, quais são os próximos passos que aparec e m na fala de grande parte dos produtores, apontando alguns caminhos possíveis de serem seguidos”, diz Maleronka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Ceará a Minas Gerais, são destacados trabalhos realizados por pessoas que encaram e valorizam a cultura pelo seu potencial transformador. E, em um comum, compartilham a ideia de que para alcançar mudanças é preciso propor alternativas  capazes de gerar outros rumos, a partir de novas escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A consciência da importância da cultura aumentou, mas, por outro lado, precisa crescer muito mais, porque estamos atrasados em relação a outros países no mesmo patamar que a gente. Alguns preconceitos precisam ser quebrados. A CULTURA não deve ser encarada como marketing cultural por parte das empresas, mas deve ser entendida como desenvolvimento estratégico, feito com linhas de crédito, para que o Brasil não seja sempre um vendedor de ‘commodities’, e possa competir com ideias e criações mais interessantes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Minas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colaboradores de um trabalho em processo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Andrei Siquara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a proposta do projeto Produção Cultural no Brasil, sete envolvidos com atividades culturais em Minas Gerais foram convidados para participar do ciclo de entrevistas. Dentre os escolhidos, nomes que se destacam pela realização de um trabalho específico. São eles: Ailton Krenak, escritor, jornalista e fundador da ONG Núcleo de Cultura Indígena; Allen Roscoe, fundidor de bronze de esculturas ; Bruna Christófaro, diretora de arte e cenógrafa; Cao Guimarães, artista plástico, cineasta e fotógrafo; Jochen Volz, curador artístico do Instituto Inhotim; Tindaro Silvano, coreógrafo; e Vergilio Lima, luthier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A abrangência do projeto é fundamental. Entre os entrevistados tem profissionais das mais diversas áreas da cultura, e assim os documentos resultantes disso prometem servir como excelente base para um rico acervo bibliográfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, seria importante dar continuidade a essa ideia para que ela possa crescer com o tempo”, opina Jochen Volz, cujo depoimento vai estar disponível no site (www. producaocultural.org.br), em breve.&lt;br /&gt;Da mesma opinião do curador do Instituto Inhotim, o artista mineiro Cao Guimarães também observa um diferencial na abordagem da curadoria. “O que achei interessante foi chamar as pessoas que produzem de maneira não oficiosa. E o meu jeito de fazer as coisas é um pouco assim. Eu faço um tipo de cinema mais barato, que eu chamo de cinema de cozinha. Acho relevante mostrar essas outras possibilidades”, afirma Guimarães, que atua na produção de filmes em interface com as artes plásticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 36 anos de experiência dedicados à dança, o professor e coreógrafo do Ballet Jovem do Palácio das Artes, Tindaro Silvano acrescenta como essa ideia de reunir diferentes formas de produção, sem ser apresentada sob um único viés, contribui para os realizadores se conhecerem melhor. “Nesse projeto, todo mundo pode ver o que as pessoas estão fazendo, e cada artista pode conhecer melhor o trabalho e o ponto de vista do outro. Tenho notado como, de uma maneira geral, todos os convidados parecem estar, pelo menos aparentemente, despojados de ego. Você não fica vendo os artistas falando especificamente da obra dele, sentados no próprio umbigo”, conta Silvano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No campo da dança, o coreógrafo nota como a partir dessa iniciativa algumas discussões poderiam surgir para promover ações, como a urgente necessidade de se ampliar o acesso à informação, uma vez que no Brasil são poucas publicações sobre esse tema específico. “A gente vive em meio a um certo amadorismo, não existe nenhum LIVRO sobre dança produzido no Brasil. Eu também sou professor e, quando um aluno me pergunta de um livro sobre a história da dança, eu noto a dificuldade de encontrar um material em nossa língua. Por isso, oriento a todos a buscar aprender outro idioma para conseguirem ter acesso às edições estrangeiras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.cultura.gov.br/site/2010/11/09/criacao-brasileira-em-foco/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3449703339896428187?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3449703339896428187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3449703339896428187' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3449703339896428187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3449703339896428187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/11/criacao-brasileira-em-foco.html' title='Criação brasileira em foco'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1291479602540825643</id><published>2010-10-22T02:58:00.000-07:00</published><updated>2010-10-22T03:20:23.766-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Aos seguidores do blog:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi este email do Mauro Andriole. Achei muito interessante e resolvi compartilhar com vocês. Estou incluindo um texto e belas imagens, todos de sua autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vim a conhecer o blog destinado a fazer conhecer a pessoa e personalidade de Ailton Krenak, com quem tive o prazer de dialogar, no Nucleo de Cultura Indígena no bairro do Butantã, e mais algumas outras poucas vezes, quando coincidentement nos encontramos em locais públicos há anos atrás. Da conversa que tive na ocasião, as impressões foram tão significativas que reorientei todo o meu trabalho em artes - sou artista plástico - para vir a expor as ideias que Ailton generosamente me disse.&lt;br /&gt;Tão significativo foi este encontro, que desde então trabalhei num projeto visual chamado "Dança para segurar o Céu" - composto por centenas de obras, pinturas, gravuras e esculturas. Além disso, anos depois dessa nossa conversa, vim a ingressar na Universidade de São Paulo, onde concluí o curso de Filosofia, tendo incluído depoimentos de Ailton em uma das disse rtações que fiz na disciplina "Contatos interétnicos" - ministrada pela antropóloga Dominique Gallouis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí eu entrar em contato para, não só deixar meu agradecimento a Ailton, que em verdade nem sabe sobre o impacto de suas ideias em minha obra, com também enviar o texto que fiz questão de escrever, registrando este encontro.&lt;br /&gt;Envio em anexo também três imagens da série " Dança para segurar o Céu", ao todo são mais de 300 monotipias que criei sobre o tema.&lt;br /&gt;Se for de interesse a publicação do texto e imagens das obras, autorizo desde já. É uma forma de agradecer a Ailton por sua generosidade e empenho na construção de uma relação fraternal entre os povos. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TMFiE5LU7wI/AAAAAAAAAN8/sU2SrYQSMco/s1600/Musica+do+Vento.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TMFiE5LU7wI/AAAAAAAAAN8/sU2SrYQSMco/s320/Musica+do+Vento.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530809653595008770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Música ao Vento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TMFiXstycNI/AAAAAAAAAOE/lM1_erHZFaw/s1600/o+presente+do+fogo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TMFiXstycNI/AAAAAAAAAOE/lM1_erHZFaw/s320/o+presente+do+fogo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530809976667402450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O presente do fogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TMFkacojbkI/AAAAAAAAAOM/1f1ss1CwCyQ/s1600/Os+filhos+cantam+para+nascer.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 218px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TMFkacojbkI/AAAAAAAAAOM/1f1ss1CwCyQ/s320/Os+filhos+cantam+para+nascer.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530812222913343042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os filhos cantam para nascer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEXTO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Certa vez uma visão, aparentemente comum, se apresentou como se fosse inédita para o que até então eu conhecia acerca da natureza. Isto se deu pela generosidade de Ailton Krenak, um índio brasileiro com quem conversava na ocasião. &lt;br /&gt;Através de sua vivência infinitamente mais integrada à natureza do que a minha, ele me desocultou o óbvio. Assim, olhando por uma janela de uma pequena casa em São Paulo, eu vi as árvores dançando para segurar o Céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram árvores antigas ali na praçinha, estavam resguardando o pouco do silêncio que chegava do trânsito da avenida que corria apressada. Parecia, no  entanto, que a "cidade" estava longe dalí. Um vento de final de dia soprava leve, arranhando um zum zum de fundo, feito música. Às vezes a folharada se esbarrava mais forte e matracava uma alegria qualquer. &lt;br /&gt;Nada era aparentemente diferente de tudo o que sempre esteve ali para mim, uma praça, como tantas outras perdidas pela cidade, mas, no entanto, agora havia mais do que eu percebia antes daquele instante mágico. &lt;br /&gt;Havia agora, ali naquela mesma praça, claramente uma correspondência entre as coisas que as tornavam agentes de um só propósito. A realidade espacial pouco importava, estava dissolvida a distância técnica e lógica que distingue o eu do outro, já não havia sentido em pensar sobre dualidades, bastava uma só verdade para o sentido de ser. &lt;br /&gt;Percebi que eu também fazia parte da mesma dança, apenas estava inconsciente disso até o Ailton Krenak me mostrar. Daí veio o desocultamento: o aqui tudo era só o lá daquela Dança para segurar o Céu. Não havia um porque não ser aquilo, na verdade, de sempre ter sido assim, e na visão tudo revelava-se no movimento mudo dos galhos acompanhando o vento que cantava uma música vinda do sublime milagre da existência. &lt;br /&gt;A rua canalizava esse fluxo ventania que o mato da praça amansava, e com isto, o libertava momentaneamente das definições plausíveis, da pressa e das finalidades científicas, atmosféricas, mas também, não o confiscava,ao contrário disto, integrava este fluxo vento a um Todo. Porém, isto foi só por um instante, que logo se desvaneceu em seguida, deixando este ciclo sem fim oculto, mais uma vez como a mera passagem entre a realidade urbana e o Cosmo. &lt;br /&gt;Já se perdia então para mim a vivência da Dança, eu voltei à individualidade, o passante ligeiro, compromissado compulsoriamente pela sociedade onde cresci. A música silenciando, tudo assumindo uma invisibilidade imaculada,e em mim resta agora, depois de divagar livremente nela, apenas uma memória, que me dá este pretexto para um discurso que é só a menor parte de tudo que foi vivido. &lt;br /&gt;Permanece, no entanto, agora em mim a busca pelo retorno a esta realização espiritual, mas também, sinto algo a mais na sensação de reviver aquele sentido, ecoando em minha Alma,algo imanente que, ao rememorá-lo, ainda que de outro modo, ecoa o pulsar típico do artista, um desejo de pintar a Dança para segurar o Céu. &lt;br /&gt;Ficou assim, retido na memória, esse sonho verdade, que agora se manifesta nas imagens reorganizadas neste outro Cosmo que é Arte. Mas sempre há a chance de deixar-se levar pelo vento e dançar com ele neste Céu aberto que nos ampara desde sempre."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AUTOR: Mauro Andriole&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1291479602540825643?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1291479602540825643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1291479602540825643' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1291479602540825643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1291479602540825643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/10/aos-seguidores-do-blog-recebi-este.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TMFiE5LU7wI/AAAAAAAAAN8/sU2SrYQSMco/s72-c/Musica+do+Vento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-5063792198658197104</id><published>2010-10-05T10:12:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T10:14:01.389-07:00</updated><title type='text'>Seminário Patrimônio Cultural Imaterial – Salvaguarda de saberes e fazeres tradicionais</title><content type='html'>Reza a lenda que, quando o folclorista e etnógrafo brasileiro Luís da Câmara Cascudo nasceu, sua mãe derramou na água do primeiro banho um cálice de vinho do Porto, com a intenção de lhe conferir saúde, enquanto o pai teria mergulhado um patacão de prata do tempo do império para garantir fortuna ao filho. Dona Ana Maria da Câmara Cascudo era, como se diz hoje, mãe e esposa full time, e o Coronel Francisco Justino de Oliveira Cascudo, além dos ofícios do coronelado, acumulava a função de comerciante. A história de Câmara Cascudo, provavelmente, não difere tanto da de outros meninos de mesma classe social de sua época. No entanto, um olhar mais acurado para o episódio narrado mostra que na casa dos Cascudo a tradição popular estava inserida nos rituais do cotidiano. As histórias que Câmara Cascudo viria a contar anos depois em diversos livros-registros da memória popular já estavam semeadas na meninice vivida em Natal (RN), entre a beira-mar e o sertão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Câmara Cascudo é para a tradição popular brasileira uma espécie de griô, um inventariador e participante ativo, capaz de transmitir de geração a geração os saberes e fazeres culturais que, de outra feita, teriam sido esquecidos. “Andei e li o possível no espaço e no tempo. Lembro conversas com os velhos que sabiam iluminar a saudade. Não há um recanto sem evocar-me um episódio, um acontecimento, o perfume duma velhice. Tudo tem uma história digna de ressurreição e de simpatia. Velhas árvores e velhos nomes, imortais na memória”, diz Cascudo no livro Província, de 1968.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, verificamos a partir de diversas experiências no campo da cultura que a tradição permanece viva enquanto tem significado para determinado grupo, que transmite seus saberes e fazeres por gerações. Sem a anuência e iniciativa do grupo, a tradição perde a razão de ser e se esgarça até o completo esquecimento. É, justamente, com o intuito de evitar essa perda que instituições governamentais trabalham em conjunto com a sociedade para a identificação e salvaguarda do patrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo concreto dessa união é o caso do jongo no Sudeste. Aos poucos, a manifestação foi desaparecendo das comunidades descendentes de escravos da região, por razões diversas que, na maioria das vezes, tinham raízes socioeconômicas. Colaboraram para o esquecimento a migração de seus praticantes e os processos de urbanização; o preconceito contra as práticas culturais afro-brasileiras; e a superposição de expressões de maior apelo no mercado de bens simbólicos. No entanto, ainda havia uma chama mantida por comunidades jongueiras que valoram o jongo como elemento de construção e afirmação de sua identidade, como “conjunto de saberes ancestrais, testemunhos de sofrimento, mas também de determinação, criatividade e alegria dos afro-descendentes”, conforme explica o prefácio do livro Dossie_Jongo, editado pelo IPHAN. Foram essas comunidades que deram ensejo para a ocorrência do Inventário Nacional de Referências Culturais – InrC, desenvolvido pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CnfCp do IPHAN, que balizaria a posterior proclamação, em 2005, do jongo como Patrimônio Cultural Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o Superintendente do IPHAN no Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade, a mobilização e organização dos praticantes do jongo, com especial atenção para o Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu, foram de suma importância para a salvaguarda do patrimônio. “O jongo ainda é uma prática malvista em determinadas regiões. Mas a mobilização popular e o trabalho desenvolvido no Ponto de Cultura têm contribuído muito para o fortalecimento da própria manifestação, além de elevar a auto-estima de seus praticantes”. As palavras do Superintendente completam o editorial do livro Jongo no Sudeste, assinado pelo Presidente do IPHAN, Luiz Fernando de Almeida, sobre a função do IPHAN. “Ao tornar públicos processos e resultados desse trabalho, o IPHAN contribui para o reconhecimento e o respeito a esse patrimônio pela sociedade brasileira. Pedindo licença ao jongueiro velho, com este livro saudamos a todos os jongueiros novos. Saravá!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação ao Inventário Nacional de Referências Culturais, a cientista social do IPHAN-MG, Corina Moreira, alerta: “o inventário atua como um poderoso instrumento para a mobilização social, mas requer cuidados por parte dos especialistas responsáveis pela pesquisa. Quando lançamos um olhar sobre os bens de natureza imaterial, interferimos na comunidade detentora do saber. Por isso, é preciso seguir metodologias que garantam o equilíbrio entre as demandas da comunidade e as ações de reconhecimento”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a salvaguarda, também é importante ressaltar que não se trata apenas do congelamento de tradições como mero instrumento de memória. Enquanto fizerem sentido para seus praticantes, as manifestações culturais se mantêm vivas e em constante evolução, se adaptando aos novos tempos, o que permite a manutenção da identidade e da resistência cultural, além da renovação do universo simbólico dos grupos sociais envolvidos. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Essa ideia é muito bem concretizada pelo jornalista e representante da tribo indígena Krenak, Ailton Krenak, que traz à tona a memória de uma cantiga de sua infância. “Meninos e meninas se reuniam no terreiro, no fim do dia, para cantar os versos ‘o meu pai mandou dizer que se eu não achar essa agulha vai levar você. Pra trás, pra trás, uma agulha que se perde não se acha mais’. A história da agulha é simbólica e faz a gente se perguntar sobre as perdas culturais que tivemos, sobre as perdas de memória que tivemos. A possibilidade da tradição nos religar ao futuro só acontece quando nos reconhecemos nela”, afirma Krenak.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, selecionamos um trecho autoral de Câmara Cascudo, publicado no livro Província:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nasci na Rua das Virgens e o Padre João Maria batizou-me no Bom Jesus das Dôres, Campina da Ribeira, capela sem tôrre mas o sino tocava as Trindades ao anoitecer. Criei-me olhando o Potengi, o Monte, os mangues da Aldeia Velha onde vivera, menino como eu, Felipe Camarão. Havia corujas de papel no céu da tarde e passarinhos nas árvores adultas, plantadas por Herculano Ramos. Natal de noventa e seis lampiões de querosene. Santos Reis da Limpa em janeiro. Santa Cruz da Bica em maio. Senhora d’Apresentação em novembro. Farinha de castanhas e carrossel. Xarias e Canguleiros. Natal que se apavorou com o holofote, enchendo as igrejas de bramidos e arrependimentos. Auta de Souza embalou-me o sono. Pedro Velho pôs-me na perna. Vi Segundo Wanderley declamar. Ferreira Itajubá cantando. Alberto Maranhão passeando a cavalo, manhã do domingo. Tinha treze anos quando veio a luz elétrica. Festas no Tirol. Violão de Heronides França. Livros. Cursos. Viagens. Sertão de pedra e Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca pensei em deixar minha terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria saber a história de todas as cousas do campo e da cidade. Convivências dos humildes, sábios, analfabetos , sabedores dos segredos do Mar das Estrelas, dos morros silenciosos. Assombrações. Mistérios. Jamais abandonei o caminho que leva ao encantamento do passado. Pesquisas. Indagações. Confidências que hoje não têm preço. Percepção medular da contemporaneidade. Nossa casa no Tirol hospedou a Família Imperial e Fabião das Queimadas, cantador que fora escravo. Intimidade com a velha Silvana, Cebola quente, alforriada na Abolição. Filho único de chefe político, ninguém acreditava no meu desinteresse eleitoral. Impossível para mim dividir conterrâneos em cores, gestos de dedos, quando a terra é uma unidade com sua gente. Foram os motivos de minha vida expostos em todos os livros. Em outubro de 1968 terei meio século nessa obstinação sentimental. Devoção aos mesmos santos tradicionais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Fernandes / blog Acesso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://www.blogacesso.com.br/?p=3319&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-5063792198658197104?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/5063792198658197104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=5063792198658197104' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5063792198658197104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5063792198658197104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/10/seminario-patrimonio-cultural-imaterial.html' title='Seminário Patrimônio Cultural Imaterial – Salvaguarda de saberes e fazeres tradicionais'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-5120350944226347476</id><published>2010-10-05T10:01:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T10:11:57.846-07:00</updated><title type='text'>Semana do Índio na OAB/MS -  Abril 2010</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fotos retiradas do site: http://ceaioabms.blogspot.com/2010/09/iii-edicao-do-premio-culturas-indigenas.html&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TKtb1XfG6tI/AAAAAAAAAN0/G5GokUXl7Yg/s1600/Recep%C3%A7%C3%A3o.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 275px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TKtb1XfG6tI/AAAAAAAAAN0/G5GokUXl7Yg/s320/Recep%C3%A7%C3%A3o.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524610340295731922" /&gt;&lt;/a&gt; Recepção do Presidente da OAB/MS, Dr. Leonardo Avelino Duarte ao palestrante da noite, o índio Ailton Krenak&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TKtbcEE1I3I/AAAAAAAAANs/4mMGDPbfnmY/s1600/%C3%ADndios+locais.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TKtbcEE1I3I/AAAAAAAAANs/4mMGDPbfnmY/s320/%C3%ADndios+locais.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524609905588511602" /&gt;&lt;/a&gt; Índios locais, funcionária da OAB e a presidente da CEAI/OAB/MS recebendo o índio palestrante Airton Krenak&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TKtbBVIKmII/AAAAAAAAANk/KwD905Qxtho/s1600/%C3%ADndio+ailton+com.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 243px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TKtbBVIKmII/AAAAAAAAANk/KwD905Qxtho/s320/%C3%ADndio+ailton+com.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524609446309435522" /&gt;&lt;/a&gt; Airton Krenak com a Drª Adriana de Oliveira Rocha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-5120350944226347476?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/5120350944226347476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=5120350944226347476' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5120350944226347476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5120350944226347476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/10/semana-do-indio-na-oabms-abril-2010.html' title='Semana do Índio na OAB/MS -  Abril 2010'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/TKtb1XfG6tI/AAAAAAAAAN0/G5GokUXl7Yg/s72-c/Recep%C3%A7%C3%A3o.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3501494180094079048</id><published>2010-08-17T05:44:00.000-07:00</published><updated>2010-08-17T05:47:16.797-07:00</updated><title type='text'>Ciclo de debates inédito discute a questão étnica no Brasil atual</title><content type='html'>Para produzir e disseminar conhecimento sobre grupos étnicos no país, a Associação Ocareté, em parceria com o Changemakers da Ashoka, a Rede Puxirão e o Núcleo Oikos, realiza o debate ENTREMUNDOS – Povos e Comunidades Tradicionais no Brasil, de 23 a 26 de agosto, em Registro (SP), no Vale do Ribeira. O projeto foi selecionado pelo programa Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura, no edital 2009/2010. A participação é gratuita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliando métodos da educação popular ao debate, o ciclo ENTREMUNDOS vai reunir pesquisadores, estudantes, lideranças tradicionais e gestores para uma discussão plural sobre o tema. Durante as manhãs, haverá a exposição dos debatedores seguida de discussão coletiva. Já as tardes serão reservadas para os Círculos de Cultura, uma metodologia de trabalho em que se apresentam, em roda, casos e situações para problematização e se pensam em desafios e soluções em plenária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dos debatedores presentes são empreendedores sociais da Rede Ashoka, como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;AILTON KRENAK&lt;/span&gt;, Jô Brandão e Beto Ricardo. O Changemakers terá papel importante na divulgação dos produtos da discussão com representantes do Brasil, Peru e Estados Unidos cobrindo o evento via Twitter. Também soma a este evento a divulgação de um concurso global inédito – a ser lançado em 18 de agosto deste ano – com oportunidades de financiamento de projetos que trabalham com a temática de direitos territoriais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais sobre o evento e se inscrever, acesse: www.ocarete.org.br/entremundos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais sobre o Changemakers: www.changemakers.com/pt-br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.ashoka.org.br/blog/2010/08/10/ciclo-de-debates-inedito-discute-a-questao-etnica-no-brasil-atual/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3501494180094079048?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3501494180094079048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3501494180094079048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3501494180094079048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3501494180094079048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/08/ciclo-de-debates-inedito-discute.html' title='Ciclo de debates inédito discute a questão étnica no Brasil atual'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1161415140005409730</id><published>2010-08-02T06:17:00.000-07:00</published><updated>2010-08-02T06:18:53.911-07:00</updated><title type='text'>Índio na mídia é tema de debates em MS</title><content type='html'>Cultura - 29/07/2010 - 12:12 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campo Grande recebe, de 1º a 7 de agosto, o Seminário “A Imagem dos Povos Indígenas no Século 21”. A cidade sede do Projeto “Vídeo Índio Brasil” (saiba mais sobre este projeto, clicando aqui) discute as novas tecnologias da comunicação e o espaço que o índio tem na mídia brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os debates são na sala do CineCultura, que fica Pátio Avenida, na Avenida Afonso Pena, 5.420, Bairro Chácara Cachoeira, sempre às 14h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é necessário fazer inscrição para participar do seminário e a entrada é gratuita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a programação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º de agosto (domingo) – Debate “A Imagem do Índio no Brasil: das Caravelas ao Século 21”, com as presenças de: Cristino Wapichana do Instituto Indígena para a Propriedade Intelectual (DF); Beatriz Landa, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems); com mediação de Edna Guarani. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – Painel “Ava Marandu – Os Guarani Convidam”, com a presença de: Belchior Cabral, coordenador do projeto Ava Marandu; e os indígenas participantes Ismael Morel, Alfredo Garay, Eliel Benites, Ambrósio Vilhalva, Eliane Juca, Ademilson Concianza, todos do Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – Mesa-redonda “A Televisão Brasileira e o Espaço para a Difusão de Conteúdos Audiovisuais Indígenas”, com: Beto Almeida, da TeleSur (DF); e mediação da jornalista Margarida Marques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique na imagem para acessar a galeria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projeto "Vídeo Índio Brasil" começou em 2008, em Campo Grande. Filmes feitos pelo próprio indígena, mostram seu olhar sobre o mundo&lt;br /&gt;Foto: Divulgação&lt;br /&gt;4 – Debate “A Televisão Digital e a Ampliação do Espaço da TV Pública e Comunitária: Perspectivas de Promoção da Diversidade Cultural Brasileira”, com Moysés Corrêa da Associação Brasileira de Canais Comunitários (RJ) e Gisele Dupin da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (DF), com mediação de Eliel Benites do Ponto de Cultura Teko Arandu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – “O Papel da Mídia Impressa e o Espaço Reservado às Questões Indígenas”, com a participação de: Patrícia Bandeira de Melo, da Fundação Joaquim Nabuco (PE); Ailton Krenak, jornalista (MG); e Antônio Brand, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB); com mediação de João Terena, jornalista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – “A Internet e o Audiovisual: Ferramentas de Fortalecimento, Registro e Difusão Das Culturas Indígenas”, com as presenças de: Jaborandy Tupinambá do Índios On-Line (BA); Devanildo Ramires do Ponto de Cultura Teko Arandu (MS); e Ronaldo Duque da TV Intertribal (DF). A mediação será de Divino Tserewahú, cineasta indígena (MT). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 (sábado) – Painel “Vídeos nas Aldeias”, com: o coordenador do projeto, Vincent Carelli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também é diretor de dois filmes que serão exibidos durante o Vídeo Índio Brasil: “De Volta à Terra Boa”, documentário sobre os índios Panará; e “Corumbiara”, que entre outros prêmios, conquistou o Kikito de Melhor Filme no Festival de Cinema de Gramado em 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançamento de livros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto à programação do seminário também serão lançados dois livros no dia 7, às 14h30: “O Homem Algodão: Uma Etnohistória Nambiquara”, de Anna Maria Ribeiro da Costa, pesquisadora da Fundação Nacional do Índio e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (MT); e “Os Direitos Constitucionais dos Índios e o Direito à Diferença, Face ao Princípio da Dignidade da Pessoa Humana”, de Samia Roges Jordy Barbieri, escritora, advogada e presidente da Comissão Especial de Assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.capitalnews.com.br/ver_not.php?id=96943&amp;ed=Cultura&amp;cat=Not%C3%ADcias&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1161415140005409730?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1161415140005409730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1161415140005409730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1161415140005409730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1161415140005409730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/08/indio-na-midia-e-tema-de-debates-em-ms.html' title='Índio na mídia é tema de debates em MS'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-4428214115011601401</id><published>2010-04-23T04:35:00.000-07:00</published><updated>2010-04-23T04:37:27.760-07:00</updated><title type='text'>Semana do Índio inicia com palestra de Ailton Krenak e a luta pela causa indígena</title><content type='html'>Extraído de: OAB - Mato Grosso do Sul  -  15 de Abril de 2010 &lt;br /&gt;FONTE: http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2154911/semana-do-indio-inicia-com-palestra-de-ailton-krenak-e-a-luta-pela-causa-indigena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A construção da cultura e da memória indígena ainda terá que passar pelo reconhecimento da sua própria identidade enquanto povo. A afirmação é do jornalista &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ailton Krenak&lt;/span&gt;, durante palestra ministrada no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul, e que marcou o início do ciclo de debates sobre a Semana do Índio, organizada pela Comissão Especial de Assuntos Indígenas da OAB/MS. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solenidade de abertura contou com a presença do presidente da OAB/MS, Leonardo Duarte, do conselheiro federal, José Sebastião Espíndola, da presidente da CEAI, Sâmia Roges Jordy Barbieri, do vice-presidente, Wilson Capistrano, do secretário, Marcus Ruiz e do escritor, pensador e comunicador indígena, Marcos Terena. Logo após, Nito Nelson, representante dos Guarani Kaiowá fez uma oração evocando proteção e fortalecimento, "como forma de enfrentar os inimigos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua palestra, Ailton Krenak fez um retrocesso de sua militância nas causas indígenas. Além de jornalista e produtor gráfico ele atualmente trabalha como assessor especial de assuntos indígenas do governo de Minas Gerais. Segundo ele, a luta em defesa dos índios começou há muitos anos, ainda criança, após ter sido retirado de suas terras, começou a entender que os costumes e hábitos de sua tribo estavam perdendo a essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Krenak, o Brasil tem vergonha de ter índios e negros e não reconhece que esses setores da sociedade deveriam servir de base para desenvolvimento de uma nação, como acontece na Bolívia, onde 40% da população é indígena, e no Equador, que tem o índice ainda maior, chegando a 60%. No Brasil, os indígenas representam apenas 1%. Ele ressaltou a importância que os índios tiveram no avanço desses países e defendeu a idéia de que, mesmo sendo minoria, a sociedade precisa aprender a respeitá-los. "Temos que reconhecer nossas origens para empreendermos um projeto próprio como reconhecimento da nossa identidade", conclui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conflitos agrários - Segundo o presidente da OAB/MS, Mato Grosso do Sul além de ser o segundo estado com maior população indígena é também, depois de Rondônia, o que possui grande número de conflitos agrários. Ele afirmou, também, que o estado lidera o ranking da falta de discussão sobre a questão indígena. "É fundamental que a OAB discuta o tema, pois sabemos que a ignorância é o pior mal do mundo e o objetivo desse evento é acabar com esse mal", disse Leonardo, lembrando que "lutar contra a ignorância é um dever de todos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presidente da CEAI, Sâmia Roges Jordy Barbieri destacou que uma das finalidades da Comissão é buscar o reconhecimento dos indígenas junto a sociedade. "Fomentar o estudo e debate da questão indígena de forma madura e harmoniosa promovendo a paz social é nossa tarefa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Semana do Índio segue nesta quinta (15), no auditório da OAB/MS, a partir das 19 horas, com as palestras "Os Conhecimentos Tradicionais e a Cultura Indígena" e "O Direito Indígena em Nosso Estado" proferidas, respectivamente, por Marcos Terena e por um representante da Procuradoria Geral da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor: Claudia Sampaio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-4428214115011601401?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/4428214115011601401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=4428214115011601401' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4428214115011601401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4428214115011601401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/04/semana-do-indio-inicia-com-palestra-de.html' title='Semana do Índio inicia com palestra de Ailton Krenak e a luta pela causa indígena'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-8703765208927334565</id><published>2010-03-25T11:23:00.000-07:00</published><updated>2010-03-25T11:24:24.228-07:00</updated><title type='text'>KRENAKS- OS ULTIMOS BOTOCUDOS DO LESTE</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=iZP2djIn8NA&amp;feature=related&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;video cultural que mostra um pouco do povo krenak e sua luta por direitos vilependiados.Produzido por Haroldo e Sheila Gramelick G. Pereira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-8703765208927334565?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/8703765208927334565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=8703765208927334565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8703765208927334565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8703765208927334565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2010/03/krenaks-os-ultimos-botocudos-do-leste.html' title='KRENAKS- OS ULTIMOS BOTOCUDOS DO LESTE'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1079013661132230436</id><published>2009-12-26T04:37:00.000-08:00</published><updated>2009-12-26T04:38:49.276-08:00</updated><title type='text'>Minas tem mais uma etnia indígena reconhecida pela Funai: os Aranã</title><content type='html'>O Assessor Especial para Assuntos Indígenas do Governo Minas, Aílton Krenak, comemorou o reconhecimento dos Aranã, ocorrido no último dia 5, como mais um testemunho de que Minas - como sempre destaca o governador Aécio Neves - continua na vanguarda das grandes decisões nacionais. A audiência final que pôs um fim a uma luta de quase um século dos remanescente dos Aranã aconteceu em Belo Horizonte, no Ministério Público Federal, quando o Estado ganhou sua oitava etnia indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dez anos, além do crescimento das etnias reconhecidas, também se registrou o aumento populacional das nações indígenas no Estado. Ao contrário de outras regiões do País, onde os conflitos e o preconceito permanecem. “Em Minas vigora a harmonia e, bem ao estilo das tradições mineiras, representa a vitória da superação, da luta, da liberdade e igualdade”, destaca Aílton Krenak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Minas, antes dos Aranã, sete grupos já eram reconhecidos pela Funai: Xakriabá, Maxakali, Krenak, Pataxós, Pankararu, Xukuru-kariri e o Kaxixó. Ao todo são oito mil índios no Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Aranã vivem nos municípios de Coronel Murta e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, em famílias. Foram décadas de persistente trabalho que envolveu estudos e pesquisas, inclusive na Itália, principalmente através do Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes), com sede em Contagem, e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O próximo passo, agora, é a identificação das terras, entre Capelinha e Coronel Murta, invadidas num processo iniciado no século XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os índios Aranã terão a partir de agora uma política pública com atenção especial para assistência à saúde e educação, o que não vinha ocorrendo”, declarou à imprensa, logo após a audiência, o procurador da República Adaílton Ramos do Nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção do governo mineiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As comunidades indígenas recebem o reconhecimento e cuidados específicos em Minas Gerais. O governador Aécio Neves criou assessoria especial para cuidar dos assuntos relacionados aos índios, nomeando um dos líderes nacionais na luta pelos direitos indígenas, Aílton Krenak, descendentes dos Krenak, de origem baiana, mas que sobreviveram no Vale do Rio Doce, Nordeste de Minas. Entre as suas atribuições, ações relacionadas à assistência à saúde, educação e saneamento nas comunidades indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através do Instituto de Terras de Minas Gerais (Iter), o Governo de Minas, antes mesmo do reconhecimento da etnia, investiga imóveis na região em que vivem os Aranã. A partir do histórico dos terrenos foram ajuizadas ações que tramitam no judiciário, sob a responsabilidade da Procuradoria Geral do Estado. O objetivo é recuperar e devolver as terras aos legítimos proprietários, os índios. A idéia é tentar uma solução por adjudicação de áreas que estão sendo executadas pela Fazenda Pública Estadual, na Comarca de Araçuaí, Vale do Jequitinhonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luta pelo reconhecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhada por 13 representantes da etnia, a líder da comunidade Indígena Aranã Pedro Sangê, Maria Rosa Índia fez, durante a audiência, emocionante relato sobre a luta dos índios para conseguir o reconhecimento. Ela informou que já foram identificados pouco mais de cem integrantes dos Aranã, mas acredita que mais de 150 estão vivendo em outras regiões do Estado. “Somos a única comunidade com o sobrenome de Índio e agora estamos confiantes que vamos conseguir recuperar as terras de onde fomos expulsos nas últimas décadas”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma origem - na história dos Botocudos - a saga dos Aranã também se assemelha à dos Krenak. Assim como estes foram confinados pelos missionários capuchinhos em 1873, no Aldeamento Central de Nossa Senhora da Conceição do Rio Doce, onde epidemias e a escravidão dizimaram a população. De acordo com a líder Maria Rosa Índia, seus ancestrais também foram entregues ou vendidos a fazendeiros pelos padres italianos. Daí a necessidade de pesquisa, também na Itália, no processo de reconhecimento da etnia. Alguns sobreviventes migraram para o Aldeamento de Itambucuri. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE:http://www.agenciaminas.mg.gov.br/component/controlemultimidia/noticia?id=3814%3Aminas-tem-mais-uma-etnia-indigena-reconhecida-pela-funai-os-arana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1079013661132230436?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1079013661132230436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1079013661132230436' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1079013661132230436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1079013661132230436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/12/minas-tem-mais-uma-etnia-indigena.html' title='Minas tem mais uma etnia indígena reconhecida pela Funai: os Aranã'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6252804766881254004</id><published>2009-12-03T10:35:00.000-08:00</published><updated>2009-12-03T10:37:14.513-08:00</updated><title type='text'>Diagnóstico mostra situação nutricional dos povos indígenas</title><content type='html'>Agência Minas -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicação: 01/12/2009 20:05&lt;br /&gt;O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (Consea), em seminário realizado nesta terça-feira (1º) na Escola do Legislativo, em Belo Horizonte, apresentou o Diagnóstico Politransdimentasional sobre Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Indígenas de Minas Gerais, a ser encaminhado aos órgãos públicos de todos os níveis de governo (federal, estadual e municipais) afinados com a causa indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o presidente do Consea-MG, dom Mauro Morelli, que abriu o encontro, essa pesquisa oferece “a base para o diálogo como forma de promover a alimentação adequada, saudável e solidária nas comunidades indígenas”. O assessor especial do governador para Assuntos Indígenas, Ailton Krenak, destacou a relevância da pesquisa e informou que, depois de analisado, o estudo será encaminhado aos órgãos que podem promover ações complementares no atendimento ao indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Clenice Pankararu, que apresentou os resultados da pesquisa e as propostas delineadas referentes a “Território, Meio Ambiente e Hábitos Alimentares”, as atividades de campo foram feitas em 51 comunidades de todos os povos indígenas do Estado: Pataxó, em Itapecerica, Carmésia e Araçuaí; Xacriabá, em São João das Missões; Caxixó, em Martinho Campos; Krenak, em Resplendor; Maxacali, em Bertópolis, Santa Helena de Minas, Ladainha e Topázio; Aranã, em Araçuaí, Coronel Murta e Belo Horizonte; Pankararu, em Araçuaí; Xukuru-Kariri, em caldas; Mocuriñ, em Campanário; e Pataxó Hã Hã Hãe, em Bertópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cacique Mesaque Pataxó destacou, em sua apresentação, que o maior problema dos indígenas é a terra. “A natureza não é para nós, ela é parte de nós”, disse, “daí a necessidade de ações articuladas para a demarcação de terra e dos cuidados ambientais”, completou ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Práticas Produtivas, Produção de Alimentos, Renda e Políticas Públicas foram tema da apresentação da segunda parte do seminário, também seguida de debates, com apresentação das propostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fórum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou decidida a criação de um fórum com os vários parceiros para encaminhamento do diagnóstico e das propostas reunidas no documento. A expectativa é de que esse fórum já se reúna na semana que vem, informou o secretário-executivo do Consea-MG, Edmar Gadelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Diagnóstico Politransdimentasional considerou a diversidade dos povos e de seus sistemas culturais. O estudo faz parte das ações do Centro de Referência de Segurança Alimentar e Nutricional (Cresans), vinculado ao Consea-MG, e foi desenvolvido pelo Instituto Felix Guatarri, sob a coordenação e supervisão da antropóloga Myrtô Áurea de Lima Sucupira e da socióloga Rodica Weitzan, com a participação de lideranças indígenas para a articulação dos trabalhos e apoio logístico. Segundo Rodica Weitzan, “esse documento vivo priorizou as dimensões Território e Questões Ambientais, Acesso e Disponibilidade de Alimentos, Produção de Alimentos; Qualidade da Alimentação e os hábitos alimentares; e Políticas Públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As várias ações do Governo de Minas desenvolvidas em benefício das populações indígenas no Estado são de caráter complementar, já que tais políticas são de competência do governo federal, conforme o Estatuto do Índio (Lei Federal 6001, de 19 de fevereiro de 1973). “A questão da terra é também de competência da União. Já a de reconhecimento de etnia é baseada na Convenção Internacional 169, informou Ailton Krenak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Edmar Gadelha, a ideia de fazer esse diagnóstico da situação nutricional dos índios em Minas nasceu em Carmésia, no Vale do Aço, em julho do ano passado, durante o 1º Seminário de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Indígenas, promovido pelo Consea-MG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participaram do encontro desta terça-feira representantes do Conselho de Povos Indigenistas de Minas Gerais (Cimi), dos institutos Felix Guatarri e Dom Luciano Mendes de Promoção da Causa Indígena, lideranças indígenas e representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), da Emater, da Delegacia da Funai em Belo Horizonte e do Consea, dentre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apresentação de ritual indígena encerrou o seminário.&lt;br /&gt;Postado por Daniel Munduruku às Quarta-feira, Dezembro 02, 2009&lt;br /&gt;0 comentários:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postar um comentário&lt;br /&gt;Links para esta postagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar um link&lt;br /&gt;Postagem mais recente Postagem mais antiga Início&lt;br /&gt;Assinar: Postar comentários (Atom)&lt;br /&gt;DM-Projetos Especiais&lt;br /&gt;DM-Projetos Especiais&lt;br /&gt;Quem sou eu&lt;br /&gt;Minha foto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Munduruku&lt;br /&gt;    Escritor indígena com 35 livros publicados. Doutorando em Educação na USP. Diretor presidente do INBRAPI-Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República e Pesquisador do CNPq. Membro da Academia de Letras de Lorena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visualizar meu perfil completo&lt;br /&gt;Sejam Bem Vindos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem vindos a este Blog que deseja ser um elo entre meus amigos e eu.Atualizarei sempre para que possamos, juntos, formar uma parceria intelectual, tornando-nos melhores humanos.Considerações serão sempre bem vindas. Mandem noticias dos eventos que irão ocorrer, especialmente os ligados ao mundo indígena.Espero vocês por aqui.Recebam meu abraço carinhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique na imagem para ter acesso às notícias do mercado editorial&lt;br /&gt;Clique na imagem para ter acesso às notícias do mercado editorial&lt;br /&gt;FLIMT-FEIRA DO LIVRO INDÍGENA DO MT&lt;br /&gt;6º ENCONTRO NACIONAL DE ESCRITORES E ARTISTAS INDÍGENAS&lt;br /&gt;1 Usuário Online&lt;br /&gt;Visitas desde Julho de 2009&lt;br /&gt;Contador visita&lt;br /&gt;Crônicas e Opiniões&lt;br /&gt;SOBRE TEMPO E TRABALHO&lt;br /&gt;Artigo semanal do Daniel Munduruku&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Índio é preguiçoso”, reza a lenda popular calcada numa visão de trabalho tipificada pela revolução industrial que defendia a máxima “tempo é dinheiro”.&lt;br /&gt;Embora seja óbvio o viés etnocêntrico – teoria que preconiza a superioridade de um povo sobre o outro se colocando como referência para tudo – o ocidente construiu um olhar sobre o trabalho colocando-o como o centro da vida, da realização e da dignidade da pessoa humana. E jogou por terra outros pensamentos, outras teorias, outras práticas que não levavam em consideração uma visão de tempo centrada na produção.&lt;br /&gt;Por que, dizem, que o índio é preguiçoso – embora já tenha explicado que esse “índio” não exista – fazendo as pessoas criarem um estereótipo perigoso de povos tão diversos e distintos entre si?&lt;br /&gt;Para o indígena existem dois tempos: o passado e o presente. O passado é memorial. Serve para nos lembrar quem somos, de onde viemos e para onde caminhamos. Um povo sem memória ancestral é um povo perdido no tempo e no espaço. Não sabe para onde caminha e por isso se preocupa tanto aonde vai chegar. O passado é a ordenação de nosso ser no mundo. É ele que nos obriga a sermos gratos, a cantar e dançar ao Espírito Criador. É ele que nos lembra o tempo todo que somos seres de passagem.&lt;br /&gt;O outro tempo é o presente. Para estes povos o tempo que importa é o presente. Meu avô afirmava sempre: “se o momento atual não fosse bom, não se chamaria presente”. Os indígenas são, portanto, seres do presente. Só sabem viver o e no presente. “A cada dia basta sua preocupação”, disse um certo pajé chamado Jesus.&lt;br /&gt;Viver o presente quer dizer que é preciso significar cada momento. Desde o acordar pela manhã até o momento do sonho tem que ser vivido com intensidade. Isso obriga o indígena a estar inteiro numa ação sem desviar-se dela. Uma caçada será frutífera a medida em que o caçador estiver envolvido nela, caso contrário não levará nada para casa.&lt;br /&gt;Viver o presente é olhar para si a cada dia e saber a necessidade daquele momento para o bom andamento da comunidade e fazer o que for bom para ela e não para si. É dar mais atenção ao coletivo do que ao individual. E isso exige um esforço e treinamento do corpo e da mente tão intensos que torna o jovem indígena uma pessoa integral.&lt;br /&gt;O mais importante, no entanto, do que quero dizer é que quem vive o presente não tem necessidade de planejar. Planejamento é a tentativa de congelar os acontecimentos que virão. É ter a ilusão de que se está prevendo o futuro. E o futuro é pura ilusão.&lt;br /&gt;Quando, em tempos antigos, os portugueses tentaram escravizar os indígenas esses não aceitaram aquela imposição. Trabalhar, para o português colonizador, era acumular. Acumulação é uma das dimensões do futuro. Acumula-se, poupa-se, guarda-se com a intenção de utilizar depois, amanhã. Os indígenas não sabem o que é o amanhã. E fugiram da escravidão. Os portugueses inventaram, então, que eles eram preguiçosos demais para aquela função nobre. E assim ficou.&lt;br /&gt;Tempo e trabalho não são sinônimos. Trabalho e dinheiro também não. Trabalho não dignifica se ele escraviza. Trabalho demais nos dá tempo de menos. E tempo de menos tira da gente a alegria do encontro com os pais, com os filhos, com os amigos. Só o presente é um presente. O futuro é uma promessa que pode nunca chegar. Os indígenas sabem disso. Por isso vivem o momento.&lt;br /&gt;Daí depreende-se também muitas explicações sobre a essência do ser indígena. Quem tem sensibilidade saberá distinguir diferentes pensamentos presentes em nosso mundo e descobrirá que a diversidade nos torna ainda mais coloridos.&lt;br /&gt;E queria dizer que é muito mais difícil viver o presente. Exige muito mais de cada um. O sonho – o futuro – nos desobriga a olhar para o lado e ver a necessidade diária do outro. O futuro nos torna egoístas e mesquinhos. Só o presente nos compromete.&lt;br /&gt;Pense nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TATUAPÉ – O CAMINHO DO TATU&lt;br /&gt;Uma das mais intrigantes invenções humanas é o metrô. Não digo que seja intrigante para o homem comum, acostumado com os avanços tecnológicos. Penso no homem da floresta, acostumado com o silêncio da mata, com o canto dos pássaros ou com a paciência constante do rio que segue seu fluxo rumo ao mar. Penso nos povos da floresta.&lt;br /&gt;Os índios sempre ficam encantados com a agilidade do grande tatu metálico. Lembro de mim mesmo quando cheguei a São Paulo. Ficava muito tempo atrás desse tatu, apenas para observar o caminho que ele fazia.&lt;br /&gt;O tatu da floresta tem uma característica muito interessante: ele corre para sua toca quando se vê acuado pelos seus predadores. É uma forma de escapar ao ataque deles. Mas isso é o instinto de sobrevivência. Quem vive na mata sabe bem lá dentro de si, que não se pode permitir andar desatento, pois corre um sério perigo de não ter amanhã.&lt;br /&gt;O tatu metálico da cidade não tem este medo. É ele que faz o seu caminho, mostra a direção, rasga os trilhos como quem desbrava. É ele que segue levando pessoas para os seus destinos. Alguns sofrem com a sua chegada, outros sofrem com sua partida.&lt;br /&gt;Voltei a pensar no tatu da floresta, que desconhece o próprio destino, mas sabe aonde quer chegar. Pensei também no tempo de antigamente, quando o Tatuapé era um lugar de caça ao tatu. Índios caçadores entravam em sua mata apenas para saber onde estavam as pegadas do animal. Depois eles ficavam à espreita daquele parente, aguardando pacientemente sua manifestação. Nessa hora – quando o tatu saía da toca – eles o pegavam e faziam um suculento assado que iria alimentar os famintos caçadores.&lt;br /&gt;Voltei a pensar no tatu da cidade, que não pode servir de alimento, mas é usando como transporte para a maioria das pessoas poder encontrar seu próprio alimento. Andando no metrô que seguia rumo ao Tatuapé, fiquei mirando os prédios que ele cortava como se fossem árvores gigantes de concreto. Naquele itinerário eu ia buscando algum resquício das antigas civilizações que habitaram aquele vale. Encontrei apenas urubus que sobrevoavam o trem que, por sua vez, cortava o coração da Mãe Terra como uma lâmina afiada. Vi pombos e pombas voando livremente entre as estações. Vi um gavião que voava indiferente por entre os prédios. Não vi nenhum tatu e isso me fez sentir saudades de um tempo em que a natureza imperava nesse pedaço de São Paulo habitado por índios Puris. Senti saudade de um ontem impossível de se tornar hoje novamente.&lt;br /&gt;Pensando nisso deixei o trem me levar entre Itaquera e o Anhangabaú. Precisava levar minha alma ao principio de tudo.&lt;br /&gt;(Texto extraído de Crônicas de São Paulo – um olhar indígena. Callis Editora. SP, 2004)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Munduruku e Beth Serra - Presidente da FNLIJ&lt;br /&gt;Agenda Munduruku&lt;br /&gt;Setembro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 – São Paulo&lt;br /&gt;Mesa redonda na Primavera do Livro.&lt;br /&gt;11 – São Paulo&lt;br /&gt;Reunião com representante da Embaixada da Noruega&lt;br /&gt;11 – Lorena&lt;br /&gt;Lançamento do livro do Acadêmico Olavo Rubens Leonel.&lt;br /&gt;12 -13 – Lorena&lt;br /&gt;15-18 – São Paulo&lt;br /&gt;19-21 – Lorena&lt;br /&gt;22 a 25 – São Paulo&lt;br /&gt;29-30 – Ipatinga – MG&lt;br /&gt;Mesa redonda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Munduruku em ação&lt;br /&gt;GALERIA DE VÍDEOS&lt;br /&gt;Novo Livro de Daniel Munduruku - Clique na imagem para saber como adquirir&lt;br /&gt;Novo Livro de Daniel Munduruku - Clique na imagem para saber como adquirir&lt;br /&gt;Karú Tarú - O pequeno Pajé&lt;br /&gt;Feira do Livro de Bento Gonçalves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Munduruku e Maurício de Souza&lt;br /&gt;Notícias de viagens e eventos&lt;br /&gt;Neste espaço você encontrará pequenos relatos das viagens e eventos que irei participar por este mundão afora.&lt;br /&gt;Direto de Cuba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em Cuba no final de outubro. Foi uma experiência muito gratificante conhecer a Ilha que alimentou toda uma geração. Sei que muitas pessoas de minha idade – pra lá dos 40 – foram seduzidas pelas idéias do socialismo revolucionário que prometia mudar o mundo para melhor. Pensávamos num mundo sem fome, sem pobreza, sem classes sociais, sem desigualdades sociais. Era um mundo que seria partilhado com todos e todos seriam muito melhores porque não teriam que pagar para viver ou morrer.&lt;br /&gt;Muitos de nós ainda alimentamos esse sonho apesar do que vemos acontecer nos meandros da política nacional e local. Talvez seja isso que nos mantenha vivo!&lt;br /&gt;O que vi em Cuba foi algo extraordinário. Não digo isso apenas por ser um sonhador, mas por saber que é um povo que resiste. E toda resistência exige criatividade. E o povo é sempre muito criativo. Cuba tem um povo assim. Sei que alguém irá dizer que não vale o sacrifício por conta da falta de liberdade. Concordo. Nada pode ser mais gratificante que a liberdade! Mas há que se considerar o fato de que a liberdade é, também, uma conquista do espírito. Liberdade sem ritualizacão também escraviza.&lt;br /&gt;Vi um povo resistente e empobrecido. Vi carros que circulam como se estivessem num filme da década de 1950. Para o tempo de hoje parecem ultrapassado. Me disseram que preferem pensar que um carro antigo é algo mais permanente por não fazerem parte de uma sociedade de consumo exagerado. Acho que têm certa razão.&lt;br /&gt;Vi também que o acesso aos bens é precário e as pessoas abordam os turistas – que não são poucos – para lhes pedir coisas simples como sabonete, creme, roupas ou calçados. O que ganham não dá para comprar tudo. São pessoas que vivem com o mínimo e sentem falta de algo mais. Acho que mereciam.&lt;br /&gt;O sistema econômico cubano está falido. O político é o que sabemos que é. Ideologicamente o povo ainda parece crer na revolução e não se sentem desejosos de mudar abruptamente. Querem mudanças, claro. Mas que sejam graduais e ofereçam maiores condições de acesso. De certa maneira estas mudanças já estão acontecendo. Há toda uma reestruturação arquitetônica dando forma a um país cheio de belezas naturais. Turistas chegam aos montes e ali deixam significativas quantias em dólares e euros. A tendência, penso, é continuar.&lt;br /&gt;O socialismo está ruindo enquanto o capitalismo arruína nossas ideologias. Precisamos de um caminho do meio que será a garantia de sobrevivência àqueles que sonham diferente. Tenho dito.&lt;br /&gt;Daniel Munduruku e Ariano Suassuna&lt;br /&gt;Daniel Munduruku e Ariano Suassuna&lt;br /&gt;Direto de Bogotá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em Bogotá de 06 a 11 de outubro. Fui participar de um Simpósio de Literatura. Ali pude discorrer sobre o movimento literário que acontece por todo o Brasil protagonizado por autores indígenas. Minha fala está registrada neste blog.&lt;br /&gt;A cidade de Bogotá me impressionou. Tinha ouvido falar da violência que por ali acontece devido o tráfico de drogas. Realmente há um grande comércio que acaba acontecendo nas ruas, mas de uma forma muito discreta. O que vi foi uma cidade muito bem organizada, limpa, movimentada. Vi imensos parques que foram construídos ao longo dos últimos 10 anos para oferecer melhores condições de vida à população. Foi impressionante ver a quantidade de gente perambulando por estes parques!&lt;br /&gt;O que me deixou extremamente maravilhado foi a rede de bibliotecas que funcionam dentro destes parques. No total são 19 bibliotecas sendo que quatro delas são verdadeiros colossos de arquitetura e freqüência. Visitei duas das grandes. O resultado disso foi a diminuição espantosa da criminalidade. A comunidade toda participa e se sente dona dos prédios que são muito bem cuidados.&lt;br /&gt;Todos os serviços são gratuitos e a população tem acesso a todos eles. Quase nunca fecham e algumas funcionam 24 horas por dia, todos os dias da semana, durante o ano todo. Quem precisa de biblioteca ali está uma pronta a acolher. Isso é espantoso. Não precisa dizer que o serviço é perfeito!&lt;br /&gt;Confesso que fiquei com inveja. Queria ver em Lorena a biblioteca pública ficar aberta a noite para acolher as pessoas que não podem freqüentá-la durante o dia. Também queria ver uma biblioteca funcionando em cada bairro da cidade, sem burocracia. Queria muito ver uma biblioteca na Praça Principal onde as pessoas pudessem ser integradas ao passeio público.&lt;br /&gt;O segredo de Bogotá: a administração é particular. A iniciativa privada banca financeiramente o cuidado com o acervo. Em Lorena a iniciativa privada nada faz e a administração municipal está de costas para a necessidade de preparar nosso povo para o futuro.&lt;br /&gt;Ao chegar aqui o que ouço? Venda de peça de caminhões por funcionário da prefeitura; desvio de dinheiro público por funcionária; compra de ex-vereadores para mudar de legenda com cheques da prefeitura; reclamações diversas sobre a atuação de vereadores e prefeito; um folder enganoso convidando as pessoas a conhecerem uma Lorena que os moradores desconhecem; um centro de informações turísticas que nunca é inaugurado e uma cruz fincada na entrada da cidade como a me lembrar que “Deus nos acude”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistas de Daniel Munduruku&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência da TV no universo indígena&lt;br /&gt;Daniel Munduruku - Rio Mídia - por Marcus Tavares 02.05.2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor de mais de 30 livros que abordam a temática indígena, Daniel Munduruku é o diretor-presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi), ONG voltada para a proteção dos conhecimentos tradicionais das aldeias. Em entrevista ao RIO MÍDIA, Daniel analisou de que forma a mídia impacta a realidade dos índios brasileiros. Segundo ele, a televisão está presente em muitas comunidades, trazendo novos padrões de comportamento e influenciando os modos de ser e de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que forma a mídia pode contribuir para a promoção da cultura do povo indígena?&lt;br /&gt;Daniel Munduruku - Penso que a mídia, tal como se apresenta nos dias de hoje, pode contribuir muito na criação de uma consciência social de respeito à diversidade, sem homogeneizar as diferentes tradições, sem tratar os povos como se fossem únicos e iguais. Somos cerca de 230 povos indígenas que falam mais de 180 línguas. Essa riqueza e diversidade precisam ser mostradas na sua originalidade. Do contrário, a mídia continuará tratando os índios de uma forma, talvez, desonesta, sem dar aos povos o verdadeiro papel que eles têm. Reduzir a cultura indígena a uma só cultura é uma redução perigosa que compromete nosso passado, presente e futuro. Acho que todo tipo de mídia tem um dever cívico de promover as diversas culturas. Os povos indígenas têm muito a ensinar, mas estão sendo esquecidos e mal compreendidos nos lugares onde vivem.&lt;br /&gt;De que forma a mídia vem influenciando a cultura e o cotidiano dos índios?&lt;br /&gt;Daniel Munduruku - A influencia da TV é tão forte na aldeia quanto na casa de qualquer outro cidadão. Nas tribos, os padrões de comportamento veiculados pela TV afetam, muitas vezes, o modelo de ser dos índios, principalmente dos jovens que acabam questionando suas tradições e identidades. A mídia traz desejos e anseios que, na prática, não fazem parte do nosso cotidiano. Ela traz também o barulho da cidade. Quem vive da tradição oral, quem tem na tradição oral sua base, a base de sua vida e cultura, convive muito com o silêncio. A TV traz, portanto, uma outra linguagem, mais rápida e ágil, cheia de luzes, vozes e falas. Isso cria um outro barulho que, aos poucos, repercute no silêncio das aldeias, enfraquecendo as tradições.&lt;br /&gt;De que forma as crianças e os jovens assimilam estas informações?&lt;br /&gt;Daniel Munduruku - As crianças e os jovens indígenas têm muita dificuldade de entender este mundo. Muitos jovens se perguntam: devemos ficar na aldeia ou devemos viver na cidade? Os padrões de comportamento que chegam até eles, via televisão, rádio e internet, geram conflitos internos, questionamentos e incertezas. Por sua vez, as crianças não querem mais sentar em torno da fogueira para ouvir nossas histórias. Elas preferem o brilho, a fogueira da televisão. Elegeram a TV como a nova contadora de histórias. Isto faz com que os velhos percam o papel de narradores da tradição indígena, jogando por terra toda a identidade que vem sendo constituída ao longo de, pelo menos, 10 mil anos.&lt;br /&gt;Neste sentido, o que está sendo feito para interromper este processo?&lt;br /&gt;Daniel Munduruku – Acredito que seja necessário preparar os índios para trabalhar com a linguagem da mídia. Isto já vem sendo feito. Jovens indígenas estão trabalhando como operadores da mídia. Atualmente, existem rádios e emissoras de TV indígenas, como a do Parque Nacional do Xingu. Há também um trabalho muito interessante sendo realizado por uma ONG (Vídeo nas Aldeias) que capacita nossos povos no uso dos equipamentos midiáticos. São tecnologias que não conhecemos, mas que precisamos dominar. É preciso tomar posse dessa tecnologia, produzindo coisas que sejam interessantes para a nossa cultura, a partir do nosso ponto de vista. Os jovens produtores estão tentando criar uma linguagem própria da nossa gente para que toda a sociedade tenha uma visão real sobre quem somos. Por meio da mídia, podemos promover um encontro de culturas. A narrativa indígena é importantíssima para a sociedade brasileira, assim como a narrativa da sociedade brasileira, da qual também fazemos parte, é importante para os povos indígenas se enxergarem dentro do contexto nacional. Os indígenas querem interagir, mas querem que a sociedade diga que eles são bem-vindos. As duas narrativas são ricas e belas. Todos têm a ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://danielmunduruku.blogspot.com/2009/12/diagnostico-mostra-situacao-nutricional.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6252804766881254004?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6252804766881254004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6252804766881254004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6252804766881254004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6252804766881254004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/12/diagnostico-mostra-situacao-nutricional.html' title='Diagnóstico mostra situação nutricional dos povos indígenas'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-7209915035718701414</id><published>2009-12-01T10:43:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T10:44:55.959-08:00</updated><title type='text'>"O ETERNO RETORNO DO ENCONTRO"</title><content type='html'>Como link não está funcionando, transcrevo o artigo do blog: http://itaquatiara.blogspot.com/2007/10/ailton-krenako-eterno-retorno-do.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esta é uma boa oportunidade para reportar algumas das narrativas antigas de muitas das nossas tradições, das diferentes tribos que vivem hoje nesta região da América que identificamos como o Brasil mas que, naturalmente, bem antes de identificarmos como essa região geográfica do Brasil, já vinha fazendo história. Os registros dessa memória, dessa história, estão tomados de falas, de narrativas em aproximadamente 500 línguas diferentes, só daqui da América do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas narrativas são narrativas que datam dos séculos XVII, XVIII, na língua de alguns povos que nem existem mais. Desde o século XVIII, já eram escritas em alemão, inglês, e distribuídas na Europa, narrativas muito importantes falando da criação do mundo, falando dos eventos que deram origem aos sítios sagrados, onde cada um dos nossos povos antigos viveu na Antiguidade e continua vivendo ainda hoje. Fico admirado de reconhecermos que em mais de 500 línguas e durante aproximadamente 300 a 400 anos são divulgados textos, como o texto muito importante que tem o título de XilãBalã. O XilãBalã é um texto sagrado, que tem tanta importância para os Maya quanto os textos sagrados da cultura do Ocidente, como a Bíblia ou o Alcorão. São textos que fundam a tradição e a memória - útero da cultura que cada uma dessas antigas tradições tem do ser social, da história, do mundo, da realidade circundante, e a minha admiração é que esses textos maravilhosos já tenham sido divulgados há tanto tempo, e mesmo assim a maioria das pessoas continue ignorando essas fontes de nossa história antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como essa história do contato entre os brancos e os povos antigos daqui desta parte do planeta tem se dado? Como temos nos relacionado ao longo desses quase 500 anos? É diferente para cada uma das nossas tribos o tempo e a própria noção desse contato? Em cada uma dessas narrativas antigas já havia profecias sobre a vinda, a chegada dos brancos. Assim, algumas dessas narrativas, que datam de dois, três, quatro mil anos atrás, já falavam da vinda desse outro nosso irmão, sempre identificando ele como alguém que saiu do nosso convívio e nós não sabíamos mais onde estava. Ele foi para muito longe e ficou vivendo por muitas e muitas gerações longe da gente. Ele aprendeu outra tecnologia, desenvolveu outras linguagens e aprendeu a se organizar de maneira diferente de nós. E nas narrativas antigas ele aparecia de novo como um sujeito que estava voltando para casa, mas não se sabia mais o que ele pensava, nem o que ele estava buscando. E apesar de ele ser sempre anunciado como nosso visitante, que estaria voltando para casa, estaria vindo de novo, não sabíamos mais exatamente o que ele estava querendo. E isso ficou presente em todas essas narrativas, sempre nos lembrando a profecia ou a ameaça da vinda dos brancos como, ao mesmo tempo, a promessa de ligar, de reencontrar esse nosso irmão antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto nos textos mais antigos, nas narrativas que foram registradas, como na fala de hoje dos nossos parentes na aldeia, sempre quando os velhos vão falar eles começam as narrativas deles nos lembrando, seja na língua do meu povo, onde nós vamos chamar o branco de Kraí, ou na língua dos nossos outros parentes, como os Yanomami, que chamam os brancos de Nape. E tanto os Kraí como os Nape sempre aparecem nas nossas narrativas marcando um lugar de oposição constante no mundo inteiro, não só aqui neste lugar da América, mas no mundo inteiro, mostrando a diferença e apontando aspectos fundadores da identidade própria de cada uma das nossas tradições, das nossas culturas, nos mostrando a necessidade de cada um de nós reconhecer a diferença que existe, diferença original, de que cada povo, cada tradição e cada cultura é portadora, é herdeira. Só quando conseguirmos reconhecer essa diferença não como defeito, nem como oposição, mas como diferença da natureza própria de cada cultura e de cada povo, só assim poderemos avançar um pouco o nosso reconhecimento do outro e estabelecer uma convivência mais verdadeira entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fatos e a história recentes dos últimos 500 anos têm indicado que o tempo desse encontro entre as nossas culturas é um tempo que acontece e se repete todo dia. Não houve um encontro entre as culturas dos povos do Ocidente e a cultura do continente americano numa data e num tempo demarcado que pudéssemos chamar de 1500 ou de 1800. Estamos convivendo com esse contato desde sempre. Se pensarmos que há 500 anos algumas canoas aportaram aqui na nossa praia, chegando com os primeiros viajantes, com os primeiros colonizadores, esses mesmos viajantes, eles estão chegando hoje às cabeceiras dos altos rios lá na Amazônia. De vez em quando a televisão ou o jornal mostram uma frente de expedição entrando em contato com um povo que ninguém conhece, como recentemente fizeram sobrevoando de helicóptero a aldeia dos Jamináwa, um povo que vive na cabeceira do rio Jordão, lá na fronteira com o Peru, no estado do Acre. Os Jamináwa não foram ainda abordados, continuam perambulando pelas florestas do alto rio Juruá, nos lugares aonde os brancos estão chegando somente agora! Poderíamos afirmar, então, que para os Jamináwa 1500 ainda não aconteceu. Se eles conseguirem atravessar aquelas fronteiras, subirem a serra do divisor e virarem do lado de lá do Peru, o 1500 pode acontecer só lá pelo 2010. Então eu queria partilhar com vocês essa noção de que o contato entre as nossas culturas diferentes se dá todo dia. No amplo evento da história do Brasil o contato entre a cultura ocidental e as diferentes culturas das nossas tribos acontece todo ano, acontece todo dia, e em alguns casos se repete, com gente que encontrou os brancos, aqui no litoral, 200 anos atrás, foram para dentro do Brasil, se refugiaram e só encontraram os brancos de novo agora, nas décadas de 30, 40, 50 ou mesmo na década de 90. Essa grande movimentação no tempo e também na geografia de nosso território e de nosso povo expressa uma maneira própria das nossas tribos de estar aqui neste lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Territórios Tradicionais&lt;br /&gt;O território tradicional do meu povo vai do litoral do Espírito Santo até entrar nas serras mineiras, entre o vale do rio Doce e o São Mateus.&lt;br /&gt;Mesmo que hoje só tenhamos uma reserva pequena no médio rio Doce, quando penso no território do meu povo, não penso naquela reserva de quatro mil hectares, mas num território onde a nossa história, os contos e as narrativas do meu povo vão acendendo luzes nas montanhas, nos vales, nomeando os lugares e identificando na nossa herança ancestral o fundamento da nossa tradição. Esse fundamento da tradição, assim como o tempo do contato, não é um mandamento ou uma lei que a gente segue, nos reportando ao passado, ele é vivo como é viva a cultura, ele é vivo como é dinâmica e viva qualquer sociedade humana. É isso que nos dá a possibilidade de sermos contemporâneos, uns dos outros, quando algumas das nossas famílias ainda acendem o fogo friccionando uma varinha no terreiro da casa ou dentro de casa, ou um caçador, se deslocando na floresta e fazendo o seu fogo assim - auto-sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa simultaneidade que temos tido a oportunidade de viver é uma riqueza muito especial e um dos maiores tesouros que temos. O professor Darcy Ribeiro costumava dizer que a maior herança que o Brasil recebeu dos índios não foi propriamente o território, mas a experiência de viver em sociedade, a nossa engenharia social. A capacidade de viver junto sem se matar, reconhecendo a territorialidade um do outro como elemento fundador também da sua identidade, da sua cultura e do seu sentido de humanidade. Esse entendimento de que somos povos que temos esse patrimônio e essa riqueza tem sido o principal motivo e a principal razão de eu me dedicar cada vez mais a conhecer a minha cultura, conhecer a tradição do meu povo e reconhecer também, na diversidade das nossas culturas, o que ilumina a cada época o nosso horizonte e a nossa capacidade como sociedades humanas de ir melhorando, pois se tem uma coisa que todo mundo quer é melhorar. Os índios, os brancos, os negros e todas as cores de gente e culturas no mundo anseiam por melhorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contato anunciado&lt;br /&gt;Na história do povo Tikuna, que vive no rio Solimões, na fronteira com a Colômbia, temos dois irmãos gêmeos, que são os heróis fundadores desta tradição, que estavam lá na Antiguidade, na fundação do mundo, quando ainda estavam sendo criadas as montanhas, os rios, a floresta, que nós aproveitamos até hoje... Quando esses dois irmãos da tradição do povo Tikuna, que se chamam Hi-pí - o mais velho ou o que saiu primeiro e Jo-í - seu companheiro de aventuras na criação do mundo tikuna, quando eles ainda estavam andando na terra e criando os lugares, eles iam andando juntos, e quando o Jo-í tinha uma idéia e expressava essa idéia, as coisas iam se fazendo, surgindo da sua vontade. O irmão mais velho dele vigiava, para ele não ter idéias muito perigosas, e quando percebia que ele estava tendo alguma idéia esquisita, falava com ele para não pronunciar, não contar o que estava pensando, porque ele tinha o poder de fazer acontecer as coisas que pensava e pronunciava. Então, Jo-í subiu num pé de açaí e ficou lá em cima da palmeira, bem alto, e olhou longe, quanto mais longe ele podia olhar, e o irmão dele viu que ele ia dizer alguma coisa perigosa, então Hi-pí falou: "Olha, lá muito longe está vindo um povo, são os brancos, eles estão vindo para cá e estão vindo para acabar com a gente". O irmão dele ficou apavorado porque ele falou isso e disse: "Olha, você não podia ter falado isso, agora que você falou isso você acabou de criar os brancos, eles vão existir, pode demorar muito tempo, mas eles vão chegar aqui na nossa praia". E, depois que ele já tinha anunciado, não tinha como desfazer essa profecia. Assim as narrativas antigas, de mais de quinhentas falas ou idiomas diferentes, só aqui nessa região da América do Sul, onde está o Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela, nos lembram que os nossos antigos já sabiam desse contato anunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Tikuna têm suas aldeias parte no Brasil e outra na vizinha Colômbia. Os Guarani partilham o território dessas fronteiras do sul entre Paraguai, Argentina, Bolívia. Em todos esses lugares, áreas de colônia espanhola, áreas de colônia portuguesa, inglesas, os nossos parentes sempre reconheceram na chegada do branco o retorno de um irmão que foi embora há muito tempo, e que indo embora se retirou também no sentido de humanidade, que nós estávamos construindo. Ele é um sujeito que aprendeu muita coisa longe de casa, esqueceu muitas vezes de onde ele é, e tem dificuldade de saber para onde está indo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso que os nossos velhos dizem: "Você não pode se esquecer de onde você é e nem de onde você veio, porque assim você sabe quem você é e para onde você vai". Isso não é importante só para a pessoa do indivíduo, é importante para o coletivo, é importante para uma comunidade humana saber quem ela é, saber para onde ela está indo. Depois os brancos chegaram aqui em grandes quantidades, eles trouxeram também junto com eles outros povos, daí vêm os pretos, por exemplo. Os brancos vieram para cá porque queriam, os pretos eles trouxeram na marra. Talvez só agora, no século XX, é que alguns pretos tenham vindo da América para cá ou da África para cá por livre e espontânea vontade. Mas foi um movimento imenso. Imagine o movimento fantástico que aconteceu nos últimos três, quatro séculos, trazendo milhares e milhares de pessoas de outras culturas para cá. Então meu povo Krenak, assim como nossos outros parentes das outras nações, nós temos recebido a cada ano esses povos que vêm para cá, vendo eles chegarem no nosso terreiro. Nós vimos chegar os pretos, os brancos, os árabes, os italianos, os japoneses. Nós vimos chegar todos esses povos e todas essas culturas. Somos testemunhas da chegada dos outros aqui, os que vêm com antigüidade, e mesmo os cientistas e os pesquisadores brancos admitem que sejam de seis mil, oito mil anos. Nós não podemos ficar olhando essa história do contato como se fosse um evento português. O encontro com as nossas culturas, ele transcende a essa cronologia do descobrimento da América, ou das circunavegações, é muito mais antigo. Reconhecer isso nos enriquece muito mais e nos dá a oportunidade de ir afinando, apurando o reconhecimento entre essas diferentes culturas e "formas de ver e estar no mundo" que deram fundação a esta nação brasileira, que não pode ser um acampamento, deve ser uma nação que reconhece a diversidade cultural, que reconhece 206 línguas que ainda são faladas aqui, além do português. Então parabéns, vocês vêm de um lugar onde tem gente falando duzentos e tantos idiomas, inclusive na língua borum, que é a fala do meu povo, é uma riqueza nós chegarmos ao final do século XX ainda podendo tocar, compartir um elemento fundador da nossa cultura e reconhecer como riqueza, como patrimônio. O encontro e o contato entre as nossas culturas e os nossos povos, ele nem começou ainda e às vezes parece que ele já terminou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a data de 1500 é vista como marco, as pessoas podem achar que deviam demarcar esse tempo e comemorar ou debaterem de uma maneira demarcada de tempo o evento de nossos encontros. Os nossos encontros, eles ocorrem todos os dias e vão continuar acontecendo, eu tenho certeza, até o terceiro milênio, e quem sabe além desse horizonte. Nós estamos tendo a oportunidade de reconhecer isso, de reconhecer que existe um roteiro de um encontro que se dá sempre, nos dá sempre a oportunidade de reconhecer o Outro, de reconhecer na diversidade e na riqueza da cultura de cada um de nossos povos o verdadeiro patrimônio que nós temos, depois vêm os outros recursos, o território, as florestas, os rios, as riquezas naturais, as nossas tecnologias e a nossa capacidade de articular desenvolvimento, respeito pela natureza e principalmente educação para a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje nós temos a vantagem de tantos estudos antropológicos sobre cada uma das nossas tribos, esquadrinhadas por centenas de antropólogos que estudam desde as cerimônias de adoção de nome até sistemas de parentesco, educação, arquitetura, conhecimento sobre botânica. Esses estudos deveriam nos ajudar a entender melhor a diversidade, conhecer um pouco mais dessa diversidade e tomar mais possível esse contato. Me parece que esse contato verdadeiro, ele exige alguma coisa além da vontade pessoal, exige mesmo um esforço da cultura, que é um esforço de ampliação e de iluminação de ambientes da nossa cultura comum que ainda ocultam a importância que o Outro tem, que ainda ocultam a importância dos antigos moradores daqui, os donos naturais deste território. A maneira que essa gente antiga viveu aqui foi deslocada no tempo e também no espaço, para ceder lugar a essa idéia de civilização e essa idéia do Brasil como um projeto, como alguém planeja Brasília lá no Centro-Oeste, vai e faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa capacidade de projetar e de construir uma interferência na natureza, ela é uma maravilhosa novidade que o Ocidente trouxe para cá, mas ela desloca a natureza e quem vive em harmonia com a natureza para um outro lugar, que é fora do Brasil, que é na periferia do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra margem, é uma outra margem do Ocidente mesmo, é uma outra margem onde cabe a idéia do Ocidente, cabe a idéia de progresso, cabe a idéia de desenvolvimento. A idéia mais comum que existe é que o desenvolvimento e o progresso chegaram naquelas canoas que aportaram no litoral e que aqui estava a natureza e a selva, e naturalmente os selvagens. Essa idéia continua sendo a idéia que inspira todo o relacionamento do Brasil com as sociedades tradicionais daqui, continua; então, mais do que um esforço pessoal de contato com o Outro, nós precisamos influenciar de maneira decisiva a política pública do Estado brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses gestos de aproximação e de reconhecimento, eles podem se expressar também numa abertura efetiva e maior dos lugares na mídia, nas universidades, nos centros de estudo, nos investimentos e também no acesso das nossas famílias e do nosso povo àquilo que é bom e àquilo que é considerado conquista da cultura brasileira, da cultura nacional. Se continuarmos sendo vistos como os que estão para serem descobertos e virmos também as cidades e os grandes centros e as tecnologias que são desenvolvidas somente como alguma coisa que nos ameaça e que nos exclui, o encontro continua sendo protelado. Tem um esforço comum que nós podemos fazer que é o de difundir mais essa visão de que tem importância sim a nossa história, que tem importância sim esse nosso encontro, e o que cada um desses povos traz de herança, de riqueza na sua tradição, tem importância, sim. Quase não existe literatura indígena publicada no Brasil. Até parece que a única língua no Brasil é o português e aquela escrita que existe é a escrita feita pelos brancos. É muito importante garantir o lugar da diversidade, e isso significa assegurar que mesmo uma pequena tribo ou uma pequena aldeia guarani, que está aqui, perto de vocês, no Rio de Janeiro, na serra do Mar, tenha a mesma oportunidade de ocupar esses espaços culturais, fazendo exposição da sua arte, mostrando sua criação e pensamento, mesmo que essa arte, essa criação e esse pensamento não coincidam com a sua idéia de obra de arte contemporânea, de obra de arte acabada, diante da sua visão estética, porque senão você vai achar bonito só o que você faz ou o que você enxerga. Nosso encontro - ele pode começar agora, pode começar daqui a um ano, daqui a dez anos, e ele ocorre todo o tempo. Pierre Clastres, depois de conviver um pouco com os nossos parentes Nhandevá e M'biá, concluiu que somos sociedades que naturalmente nos organizamos de uma maneira contra o Estado; não tem nenhuma ideologia nisso, somos contra naturalmente, assim como o vento vai fazendo o caminho dele, assim como a água do rio faz o seu caminho, nós naturalmente fazemos um caminho que não afirma essas instituições como fundamentais para a nossa saúde, educação e felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os primeiros administradores da Colônia que chegaram aqui, a única coisa que esse poder do Estado fez foi demarcar sesmarias, entregar glebas para senhores feudais, capitães, implantar pátios e colégios como este daqui de São Paulo, fortes como aquele lá de ltanhaém. Nossa esperança é que o desenvolvimento das nossas relações ainda possa nos ajudar a ir criando formas de representação, formas de cooperação, formas de gerenciamento das relações entre nossas sociedades, onde essas instituições se tornem mais educadas, é uma questão de educação. Se o progresso não é partilhado por todo mundo, se o desenvolvimento não enriqueceu e não propiciou o acesso à qualidade de vida e ao bem-estar para todo mundo, então que progresso é esse? Parece que nós tínhamos muito mais progresso e muito mais desenvolvimento quando a gente podia beber na água de todos os rios daqui, que podíamos respirar todos os ares daqui e que, como diz o Caetano, alguém que estava lá na praia podia estender a mão e pegar um caju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma música do Caetano, tem uma poesia dele que fala disso, o nativo levanta o braço e pega um caju. As pessoas estão preferindo em nome do progresso instalar aquelas casas com aquelas placas luminosas e distribuir Coca-Cola na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À margem do Oriente&lt;br /&gt;No norte do Japão tem uma lha que se chama Hokaido, lá vive o povo Ainu, tem um porto nessa ilha que se chama Nibutani, é uma palavra ainda que dá nome para esse lugar, assim como aquela montanha bonita lá em Tóquio, no Japão, o monte Fuji, também reporta a uma história muito antiga do povo Ainu, uma história muito bonita, de uma mãe que ficou sentada esperando o filho que foi para a guerra e que não retornava, passou o inverno, passaram as estações do ano e ela ficou cantando, esperando o filho voltar e o filho demorava demais, então ela chorava de saudade do filho; as lágrimas dela foram formando aquela montanha e o lago, e toda aquela paisagem linda é dessa mãe que ficou com saudade do filho que saiu para a guerra e que não voltou, então ficou chorando por ele. Os Ainu estão lá em Hokaido há mais ou menos uns oitocentos anos, talvez mais um pouco, porque eles foram tendo que subir lá para cima, que é o lugar mais gelado, liberando aqueles territórios cá de baixo para a formação desses povos que vieram subindo. O Japão agora no final do século XX é uma das nações mais tecnológicas, digamos assim, do mundo, mas eles não puderam negar a existência dos Ainu, eles negaram isso até agora. Na década de 70 alguns Ainu conseguiram chegar à comissão da ONU que trata desses assuntos e apresentaram uma questão para o governo do Japão: querem reconhecimento e respeito pela sua identidade e cultura. Quinhentos anos não é nada."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-7209915035718701414?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/7209915035718701414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=7209915035718701414' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7209915035718701414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7209915035718701414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/12/o-eterno-retorno-do-encontro.html' title='&quot;O ETERNO RETORNO DO ENCONTRO&quot;'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-5346990297694115445</id><published>2009-11-20T01:26:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T01:28:39.711-08:00</updated><title type='text'>Povos da floresta aprovam anistia a multas ambientais de pequenos agricultores</title><content type='html'>A Rede Povos da Floresta e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) se posicionaram a favor de um Projeto de Lei (PL)&lt;br /&gt;Fabíola Munhoz - 2009-11-16 - 10:57:00 - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rede Povos da Floresta e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) se posicionaram a favor de um Projeto de Lei (PL) apresentado ao Congresso Nacional pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que defende a anistia de todas as multas ambientais aplicadas aos povos da floresta - ribeirinhos, seringueiros, pescadores e pequenos produtores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Krenak, representante da Rede Povos da Floresta, diz esperar que o projeto da deputada Perpétua seja votado e isente a agricultura familiar de ser punida por infração do Código Ambiental. Ele explica que cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social fornecer assistência técnica e apoio para que a agricultura familiar se torne sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não pode tratar todos que estão no campo com a mesma norma. Temos que apoiar o encaminhamento e a votação desse PL", afirmou. De acordo com Krenak, muitas das multas impostas a pequenos agricultores da Amazônia não dizem respeito ao uso da terra para o cultivo agrícola, mas sim, a práticas de pesca e caça para subsistência, que são vistos como crimes ambientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirceu Fumagalli, da coordenação nacional da CPT, diz que a justificativa da deputada para o projeto é referendado pela comissão. "O tratamento é aparentemente justo, mas, na verdade, é desproporcional. Os pequenos agricultores foram empurrados para pequenas áreas e há falhas na legislação ambiental atual, que é homogênea e não percebe as peculiaridades dos povos tradicionais e pequenos produtores", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A deputada Perpétua justifica sua proposta pelo fato de existirem multas cujo valor ultrapassa mais de duas vezes o preço da propriedade sobre a qual elas incidem, inviabilizando o desenvolvimento da família que produz no local, e fazendo com que o agricultor venda sua terra por baixo custo aos empresários do agronegócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Numa área onde o acesso à tecnologia não existe, onde a vida e a sobrevivência têm que ser conquistadas diariamente, os pequenos produtores estavam sendo multados porque desmataram um pedaço de terra para fazer um roçado, plantar o que comer ou tirar madeira para consertar a casa que já estava quase caindo", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A deputada diz que chegou a debater com os órgãos ambientais a possibilidade de se criarem mecanismos para remediar essa situação, mas infelizmente alguns não se mostraram abertos ao diálogo, tornando necessária a criação do seu projeto de lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Precisamos de um tempo para respirar, para dar uma trégua à produção familiar. A proposta é isentarmos o que já foi praticado e rediscutir a realidade e as punições da lei. Se mais de 70% dos pequenos produtores e proprietários da Amazônia estão sendo multados, há algo de errado", disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também diz que, daqui para frente, será preciso construir outros parâmetros, para que a defesa ambiental, a preservação de espécies e a sustentabilidade sejam garantidas com rigor, mas sem esquecer que temos a obrigação de dar garantias de vida aos menos favorecidos. "Não estamos dando fim às multas, estamos propondo uma anistia por um período e repensarmos o modelo que garanta a sobrevivência no campo, na floresta", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anistia para quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perpétua diz que seu projeto pretende anistiar as comunidades locais, populações tradicionais e outros grupos humanos, organizados por gerações sucessivas, com estilo de vida relevante à conservação e à utilização sustentável da diversidade biológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, segundo Krenak, da Rede de Povos das Florestas, caso aprovada, a lei beneficiará o agricultor familiar, mas não trará efeito aos indígenas e populações extrativistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O projeto não vai incidir sobre essas comunidades, já que elas vivem em terras da União - Reservas Extrativistas (Resex) ou Terras Indígenas (TIs) - e, portanto, não sofrem a aplicação de multas ou taxas pela prática de desmatamento", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com ele, também há, na região, ribeirinhos e pequenos agricultores que ainda não tiveram as terras onde vivem regularizadas e são ameaçados por uma movimentação existente hoje no governo para que essas áreas sejam suprimidas e dêem lugar à agricultura industrial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As últimas três legislaturas brasileiras têm sido contrárias à demarcação de Tis e à criação de Unidades de Conservação (UCs) e Resex nos Estados, por serem espaços que se tornam indisponíveis à expansão do agronegócio. No meio dessas áreas, ainda há comunidades extrativistas, ribeirinhos, assentados, que precisam ser respeitados", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, Krenak destaca que a definição da agricultura familiar no Código Florestal Brasileiro é importante, não por se tratar de questão técnica, mas política. "Desse conceito depende a ação do governo para impedir que todas as terras do país sejam ocupadas pelo agronegócio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com ele, há hoje uma ação dentro do governo para suprimir o conceito de pequenos produtores do Código Florestal Brasileiro, para abrir espaço para que os 24,3% de áreas cultivadas hoje ocupadas pela agricultura familiar sejam incorporadas por grandes produtores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirceu, da CPT, destaca que os 13 artigos do projeto de Perpétua são genéricos e abrem espaço para regulamentação e identificação de categorias da agricultura familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É preciso políticas públicas de financiamento, cooperação, tecnologia e garantia de qualidade de vida para que o pequeno agricultor extraia da terra sua subsistência, dialogando com a mata, sem precisar derrubá-la". De acordo com o militante, tornar irregular o pequeno produtor dificulta o seu acesso a financiamento e não resolve o problema. Essa também é a opinião da autora do projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) foi procurada para comentar a proposta de lei e manifestar sua opinião sobre as declarações dos movimentos sociais, mas nenhum representante da entidade respondeu até o fechamento da reportagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brecha para grandes criminosos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o risco de que a norma legalize a impunidade a empresários de madeireiras e siderúrgicas que financiam a retirada ilegal de madeira por pequenos agricultores, Krenak diz que a lei ainda poderá ser regulamentada, estabelecendo a verificação das propriedades onde incidam multas por crimes ambientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Podemos ter instrumentos para monitorar o avanço da agricultura familiar, e as áreas de produção de subsistência devem ser inventariadas. Se não, não há nem como se aplicarem as multas. Há como, por exemplo, exigir uma declaração do produtor sobre por que ele ampliou sua área de produção. Qualquer motivo para o desmatamento que não seja a agricultura familiar teria punição", sugeriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A deputada Perpétua garante que seu projeto não vai legalizar a impunidade. "No projeto de lei está dito que o recurso da multa deve ser revertido diretamente para a recuperação da área degradada. Cobramos a presença do Estado, mas entendemos o tamanho do desafio. Por isso a proposta de ação conjunta, de dar a chance da recuperação", disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também diz que deve haver rigor na punição de madeireiras ilegais e da indústria que se beneficia da ilegalidade, mas destaca que, caso houvesse condições de desenvolvimento sustentável ao pequeno produtor, ele não iria praticar o desmatamento ilegal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os pequenos arrumam um jeito de plantar para comer e sobreviver economicamente. Esse processo é secular, desde a ocupação daquelas terras. Quem desmata são os grandes produtores, os madeireiros e agricultores. Essa foi a bandeira levantada por Chico Mendes quando começou os empates e reivindicou as reservas extrativistas", disse Perpétua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-5346990297694115445?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/5346990297694115445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=5346990297694115445' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5346990297694115445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5346990297694115445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/11/povos-da-floresta-aprovam-anistia.html' title='Povos da floresta aprovam anistia a multas ambientais de pequenos agricultores'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2389922917017098904</id><published>2009-11-10T09:51:00.001-08:00</published><updated>2009-11-10T09:54:15.692-08:00</updated><title type='text'>Projeto prevê perda de reserva para índios que cometerem crimes ambientais</title><content type='html'>Pela proposta, toda a comunidade ficaria sem terra em caso de crime.&lt;br /&gt;Advogada diz que essa sanção é punição coletiva e fere Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma proposta apresentada na Câmara dos Deputados prevê o cancelamento de terras indígenas onde ocorrerem crimes ambientais, como venda ilegal de madeira ou tráfico de animais. A ideia, segundo o autor do projeto, o deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), é que os próprios índios se fiscalizem. “O objetivo maior não é puni-los, mas que eles sejam responsabilidades por atividades para as quais hoje se faz vista grossa”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo projeto de lei, qualquer condenação em última instância – depois que são apresentados todos os recursos – por um crime ambiental cometido em uma terra indígena faria com que essa reserva fosse cancelada, e todas as pessoas que morassem ali perdessem o direito de viver no local. “Se você tiver uma exploração ilegal em uma área de uma determinada tribo, é quase certo que isso é do conhecimento de todos, e se eles ignoram, são coniventes”, diz Ubiali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SvmoRo0FP5I/AAAAAAAAAMc/WOG8r0gwEtA/s1600-h/0,,32714453-FMM,00.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 228px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SvmoRo0FP5I/AAAAAAAAAMc/WOG8r0gwEtA/s320/0,,32714453-FMM,00.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402534248974729106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mapa do Imazon mostra as terras indígenas (em laranja) e pontos da devastação ocorrida em setembro (em vermelho). Segundo o instituto, apenas 3% do desmatamento desse período ocorreu dentro de reservas indígenas, apesar delas ocuparem 21,6% da Amazônia. (Foto: Imazon/Divulgação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Punição coletiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a advogada Paula Souto Maior, do Instituto Socioambiental (ISA), o projeto fere a constituição, pois estabelece uma punição coletiva aos indígenas. “A pena não pode passar para a família da pessoa que cometeu o ato ilegal”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Ubiali, contudo, a punição à comunidade toda pode ser aplicada no caso dos índios. “É uma punição coletiva porque o crime é coletivo. Na tribo, você não tem um indivíduo cometendo um ilícito. Não há a figura do indivíduo dentro de uma tribo. A tribo tem um comportamento como um todo”, argumenta o parlamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O líder indígena &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aílton Krenak&lt;/span&gt;, conhecido por defender a Amazônia junto com Chico Mendes na década de 1980, discorda do deputado. Segundo ele, cada pessoa deve ser tratada separadamente e a própria legislação brasileira já prevê punição individual para índios que cometem crimes. “Como se pode dizer que crianças, velhos e outras pessoas da comunidade devam responder por quem cometeu um crime?”, questiona. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desmatamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de haver problemas ambientais dentro de terras indígenas, esse é o tipo de reserva em que há menos desmatamento. Segundo os dados de devastação de setembro de 2009, publicados pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), houve 216 km² de desmatamento nesse mês. Desses, apenas 5 km² (3%) teriam ocorrido dentro de terras indígenas, apesar desses territórios ocuparem 21,6% da Amazônia brasileira. Os parques e reservas estaduais, por sua vez, sofreram 15 km² de desmatamento, e ocupam 20% da Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As terras indígenas têm se mostrado mais eficazes para a conservação da floresta do que as unidades de conservação [parques e reservas] que se beneficiam do aparato do Ibama, das secretarias de meio ambiente dos estados, e que têm gente trabalhando fazendo a manutenção e monitoramento dessas unidades”, diz Krenak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propriedades privadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionado sobre a possibilidade de seu projeto ser aplicado também a propriedades privadas, Ubiali afirma que pretende apresentar uma emenda para que donos de terra também possam perder suas fazendas. De acordo com ele, a ideia será apresentada durante as discussões na Câmara para alterar o Código Florestal – lei que define, entre outras coisas, o quanto deve ser preservado dentro de cada terreno rural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta sobre terras indígenas tramita na Comissão de Meio Ambiente e, caso seja aprovada por essa e outras comissões, não precisará ir para votação no plenário para seguir ao Senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmatamentos, queimadas e notícias sobre toda a Amazônia Legal podem ser encontradas no mapa interativo Amazônia.vc, que também permite a internautas protestar contra a destruição da floresta. Saiba como utilizar o mapa . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE:http://g1.globo.com/Amazonia/0,,MUL1369857-16052,00-PROJETO+PREVE+PERDA+DE+RESERVA+PARA+INDIOS+QUE+COMETEREM+CRIMES+AMBIENTAIS.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2389922917017098904?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2389922917017098904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2389922917017098904' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2389922917017098904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2389922917017098904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/11/projeto-preve-perda-de-reserva-para.html' title='Projeto prevê perda de reserva para índios que cometerem crimes ambientais'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SvmoRo0FP5I/AAAAAAAAAMc/WOG8r0gwEtA/s72-c/0,,32714453-FMM,00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2116203974449077525</id><published>2009-10-19T03:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T03:07:50.471-07:00</updated><title type='text'>Povos indígenas re-colonizam o país, afirma Ailton Krenak</title><content type='html'>Ao participar da Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (Flimt), em Cuiabá, Ailton Krenak mostrou conteúdo, respeitabilidade que goza entre as diversas nações e poder de articulação com as demais culturas do mundo ocidental. Ele participou de debate sobre o tema Movimento indígena e educação. Sua reflexão foi apresentada no Caxiri Literário, realizado no dia 8 de outubro, no centro da capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Antonio Carlos Ribeiro&lt;br /&gt;Cuiabá, terça-feira, 13 de outubro de 2009&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate foi mediado por Daniel Munduruku, presidente do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (Nearin), que apresentou o cacique Estevão Taukane, do Mato Grosso, e o pajé Álvaro Tukano, do Amazonas, como lideranças combativas que estudaram, enfrentaram o regime militar dos anos 70, acumularam sabedoria histórica e tornaram-se referências para as novas gerações indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Brasil é um espaço de encontro, reconhecido mundialmente por sua diversidade cultural e étnica”, começou Krenak, ao elogiar a estrutura arquitetônica montada em madeira e plástico tomando toda a Praça da República e arredores, que proporcionou um “ambiente agradável, em contato com a natureza e sem as dificuldades que nós, indígenas, temos de estar num auditório fechado”, observou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado dessa percepção do efeito arquitetônico na estética do evento, Krenak mostrou-se alegre ao perceber como “os povos indígenas estão se apropriando dos recursos plurais, usando diversas tecnologias”, que ele vê como condizentes com os tempos atuais, sem perder de vista as imagens fundamentais que encantam a mística, a poesia, a ética e a estética indígenas: “os rios, as montanhas, as florestas e os vales, que são o nosso pano de fundo do mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O líder indígena mostrou como a caminhada antropológica das culturas indígenas é rebuscada nas histórias dos antepassados, “nas quais aprendemos nossa relação com o mundo. Daí trouxemos nossa história e os mitos da nossa cosmogonia, que buscamos em elementos como a água, o vento, o fogo, o sol, a lua e as estrelas”. O mergulho nesses elementos, explicou, “encontramos em nossa memória, que tem sido o roteiro da nossa vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura histórico-filosófica de Ailton Krenak chega à história republicana brasileira recente falando da sociedade em que “nos anos 70, o regime pretendia fundir as culturas indígenas, acabando com nossas especificidades e a diversidade das nossas culturas. Tivemos que lutar muito para que nossos campos sagrados não fossem transformados em área de plantio de soja e nem em complexos de produção industrial. Essa cultura ocidental, empresarial e militar imaginava que iríamos desaparecer em 30 anos, mas nós ainda estamos aqui”, bradou, sendo aplaudido pelo auditório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krenak frisou que povos indígenas estão fazendo “uma espécie de re-colonização do Brasil, através dos artistas, dos escritores, dos historiadores e dos educadores indígenas”. E agregou: “Nossas culturas já perceberam que a educação das crianças e o relacionamento com os velhos são fundamentais para serem perpetuadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O líder que viajou o mundo para falar da cultura indígena, das línguas e dos costumes, mencionou um sábio indígena que viveu um período num centro urbano para compreender a cultura branca e constatou que “essas pessoas têm abandonado os velhos e as crianças e passado a cuidar de cachorrinhos!” Ao ver isso, constatou “porque a cultura indígena já tinha compreendido que só subsiste se nutrir o amor pelos filhos, pelos pais e avós!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saudou a riqueza religiosa e cultural dos pajés, a sabedoria dos anciãos e o senso de decisão dos chefes que têm sido resgatados na literatura indígena, “especialmente a literatura infanto-juvenil, da qual nosso grande representante é Daniel Munduruku, seguido de diversos outros autores, dos muitos povos”. Essa produção literária, que “se desenvolveu nos últimos 20 anos, tem a maior parte de seus autores vivos e já aprendeu a dialogar, mesmo sendo jovem”, destacou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A força dessas culturas, presentes em eventos como esse, tem a capacidade de ligar o fluxo da memória, a criatividade e a linguagem, expressando esse sentimento”, avaliou. “Para nós, indígenas, é mais fácil fazer arte, imagino, do que para os brancos. É só se deixar levar pelos sentimentos. E é esse sentimento que propicia a transmissão do conhecimento, a busca de novas práticas pedagógicas e a interação com as culturas e os povos, sem deixar de ser quem somos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.alcnoticias.org/interior.php?codigo=15195&amp;lang=689&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2116203974449077525?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2116203974449077525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2116203974449077525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2116203974449077525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2116203974449077525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/10/povos-indigenas-re-colonizam-o-pais.html' title='Povos indígenas re-colonizam o país, afirma Ailton Krenak'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2724458668147997705</id><published>2009-10-01T03:21:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T03:27:50.201-07:00</updated><title type='text'>Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas em Brasília</title><content type='html'>Começou na manhã desta terça-feira (29/9), no auditório da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas – Ação Educativa da exposição Séculos Indígenas no Brasil. O secretário da Identidade e da Diversidade do Ministério da Cultura, Américo Córdula, esteve presente à cerimônia inaugural, que contou com a participação de cerca de 100 professores das redes pública e privada de ensino de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua segunda etapa, o Projeto, que recebeu recursos por meio da Lei Rouanet, visa a preparação dos profissionais de educação para a exposição Séculos Indígenas no Brasil e para a introdução da temática indígena em sala de aula. A primeira etapa, denominada Diálogos Indígenas - Roda dos Saberes, foi realizada em abril deste ano, durante a Semana Nacional dos Povos Indígenas, no Memorial dos Povos Indígenas, reunindo dezenas de educadores. A terceira e última etapa, prevista para fevereiro/março de 2010, será o Curso de Formação de Mediadores, juntamente com a inauguração da exposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idealizada pelas lideranças indígenas &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;AILTON KRENAK&lt;/span&gt; e Álvaro Tukano, a exposição Séculos Indígenas no Brasil foi possível graças à parceria estabelecida entre o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, do Governo do Distrito Federal, da FUNAI e da Fundação Darcy Ribeiro, e inclui contribuições de pensadores como Darcy Ribeiro e José Lutzenberger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 2010 deverá ser iniciado o processo de implantação de conteúdos ligados à questão indígena no currículo escolar das unidades da rede pública do Distrito Federal, atendendo às determinações estabelecidas na Lei nº 11.645/2008, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palestras do Fórum de atualização acontecem até 1º de outubro no auditório da FUNAI, SEPS, Quadra 702/902 Projeção A, Ed. Lex.Cada participante da Ação Educativa recebeu um exemplar do Catálogo do Prêmio Culturas Indígenas 2008 – Edição Xicão Xukuru, realizado pela SID/MinC em parceria com o SESC/SP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SsSDGHfLzJI/AAAAAAAAAL8/kL2hA_A5WKw/s1600-h/culturasindigenas1790.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 128px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SsSDGHfLzJI/AAAAAAAAAL8/kL2hA_A5WKw/s320/culturasindigenas1790.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387575195354254482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catálogo Prêmio Culturas Indígenas 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A publicação descreve as 729 iniciativas inscritas na segunda edição do concurso identificando a localização geográfica de cada povo, sua língua, população e, em alguns casos, a situação de suas terras e do ambiente em que vivem. Traz ainda outras informações, como as relações com os não-indígenas, as festas, lutas, histórias, projetos, desejos, entre outros aspectos. Na ordenação dos povos, as 21 divisões étnicas definidas levam em consideração a proximidade cultural e geográfica, assim como as alianças políticas que as pequenas e grandes organizações indígenas realizam para se fortalecer. Essas divisões foram concebidas em conjunto com representantes de organizações indígenas e deixam transparecer um critério importante para a vida desses povos: as bacias dos grandes rios. Esta publicação contribui para o conhecimento da diversidade cultural dos povos indígenas e é fonte de pesquisa para o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=8&amp;id_noticia=116652&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2724458668147997705?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2724458668147997705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2724458668147997705' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2724458668147997705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2724458668147997705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/10/forum-de-atualizacao-sobre-culturas.html' title='Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas em Brasília'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SsSDGHfLzJI/AAAAAAAAAL8/kL2hA_A5WKw/s72-c/culturasindigenas1790.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-415707800590849307</id><published>2009-09-30T05:08:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T05:09:30.727-07:00</updated><title type='text'>Feira do Livro Indígena terá Caxiri literário</title><content type='html'>Cuiabá / Várzea Grande, 29/09/2009 - 18:00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma semana da abertura da Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT), a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) apresenta uma programação variada e com novidades de encher os olhos e ouvidos. Um destes destaques são os “Caxiris Literários”, mesas de debates compostas apenas por escritores indígenas que servem para a discussão de temas ligados à área da literatura. Os “Caxiris” serão abertos ao público e, depois de cada debate, os componentes de cada mesa responderão aos questionamentos dos participantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Daniel Munduruku, coordenador indígena da FLIMT e diretor presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI), essas mesas têm temas variados, mas sempre debatendo sobre como a cultura indígena pode e deve ser tratada. “Nós falaremos sempre sobre assuntos ligados ao indígena. Trataremos da oralidade, da escrita, do movimento indígena na educação e de como ele pode ser aplicado na sala de aula. Os três “caxiris” serão norteados por esses assuntos”, explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização espera que cada mesa tenha em média duas horas de duração. “Cada escritor que estiver escalado para o “caxiri” terá 20 minutos para expor seu posicionamento sobre o tema em questão. Depois, o público poderá questionar os escritores”, descreve Daniel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “carixis literários” serão realizados nos dias 06 e 09, no período da tarde e no dia 08 pela manhã, sempre nos estandes externos, instalados na Praça da República. Para participar não será necessário fazer inscrições antecipadas. Os interessados devem estar no local, 30 (trinta) minutos antes de cada uma das atividades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira mesa será na terça-feira (06.10), às 15h, e trará o tema: “Literatura Indígena: o tênue fio entre escrita e oralidade”. Participam como expositores os escritores: Graça Graúna, Manoel Moura Tucano, Eliane Potiguara, Yaguarê Yamã e Anna Claudia Ramos. A mesa será mediada por Daniel Munduruku, coordenador indígena da FLIMT e escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta-feira (08.10) o “caxiri” debaterá “O Movimento Indígena e a Educação”, a partir das 09h da manhã. Fazendo considerações sobre “a importância do movimento indígena como instrumento na formação da consciência brasileira”, estarão os expositores &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;AILTON KRENAK&lt;/span&gt;, Estevão Taukane e Álvaro Tukano, mediados por Darlene Taukane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último debate está agendado para sexta-feira (09.10), às 14h30 com os expositores Edson Kayapó, Darlene Taukane e Chiquinha Paresi. O tema será “A temática indígena na Sala de Aula” e terá como mediador Jucélio Paresi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a programação completa no link: http://www.cultura.mt.gov.br/TNX/conteudo.php?cid=2989&amp;sid=54 (Esta programação ainda está sujeita a alterações) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.odocumento.com.br/noticia.php?id=310761&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-415707800590849307?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/415707800590849307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=415707800590849307' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/415707800590849307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/415707800590849307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/09/feira-do-livro-indigena-tera-caxiri.html' title='Feira do Livro Indígena terá Caxiri literário'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3410972014470041266</id><published>2009-09-03T03:39:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T03:41:01.386-07:00</updated><title type='text'>Participe ao vivo do programa com Povos da Floresta no canal saúde interativo</title><content type='html'>Em busca da própria sobrevivência, o ”homem branco” estabelece metas e cria planos mirabolantes para proteger a natureza. E os povos da floresta, o que eles têm a dizer sobre isso? O programa Sala de Convidados, do Canal Saúde/Fiocruz, de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;sexta (04), às 13h,&lt;/span&gt; escuta e debate a sabedoria dos povos da floresta em busca de soluções para a saudável convivência entre desenvolvimento e sustentabilidade socioambiental. Participe ao vivo. Veja o que pensam os representantes das populações ribeirinhas, extrativistas, quilombolas e indígenas sobre o futuro das florestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No programa Sala de Convidados, o público participa ao vivo pela WEB www.canalsaude.fiocruz.br, no chat, ou assistindo pela NBR e ligando 0800 701 8122. Se preferir, antecipe a participação pelo canal@fiocruz.br&lt;br /&gt;Convidados – para conversar sobre o tema com internautas e telespectadores estarão presentes o coordenador da Rede Povos da Floresta, Ailton Krenak; a pesquisadora da Universidade Federal do Pará, Camila do Valle; o vice-presidente da Associação de Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Rio de Janeiro, Damião Braga; e o representante do Conselho Nacional dos Seringueiros, Pedro Ramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saúde – O tema faz parte da 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA), que vai acontecer no fim do ano, em Brasília. Para os organizadores do evento, ”além dos riscos ambientais provocados pela ação humana, a permanência ou agravamento das desigualdades sociais e econômicas, nas várias regiões do planeta, especialmente as mais pobres, demonstram a insustentabilidade socioambiental decorrente do modelo de desenvolvimento econômico, bem como suas consequências sobre a saúde das populações.&lt;br /&gt;Alguns dos elementos deste cenário são: o esgotamento dos recursos naturais, como a água e as florestas; os processos acelerados de desertificação; a intensificação de eventos climáticos extremos; poluição química de ambientes urbanos e rurais; e a emergência e a reemergência de doenças”.&lt;br /&gt;A 1ª CNSA conta com o apoio do Canal Saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participe ao vivo com sua opinião. Até lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde ver – Para saber como assistir a NBR na sua cidade ou obter mais informações sobre a NBR, acesse http://www.ebcservicos.ebc.com.br/veiculos/nbr Para assistir no site do Canal Saúde, acesse , clique na TV com a inscrição “ao vivo” e participe a partir do chat associado à transmissão. Se preferir, antecipe suas perguntas: canal@fiocruz.br. O Sala de Convidados é apresentado por Renato Farias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado em: 2 setembro, 2009 por Reportagem &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.redenoticia.com.br/noticia/?p=10513&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3410972014470041266?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3410972014470041266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3410972014470041266' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3410972014470041266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3410972014470041266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/09/participe-ao-vivo-do-programa-com-povos.html' title='Participe ao vivo do programa com Povos da Floresta no canal saúde interativo'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2977507944500350072</id><published>2009-07-31T05:28:00.001-07:00</published><updated>2009-08-07T07:43:26.210-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;VALE A PENA CONFERIR&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SnLjkOQiwII/AAAAAAAAALM/dMl6HBqa_GU/s1600-h/logoRedePovosParSiteComSombra.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 197px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SnLjkOQiwII/AAAAAAAAALM/dMl6HBqa_GU/s320/logoRedePovosParSiteComSombra.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364600317593960578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "A Rede Povos da Floresta é um movimento social que reúne comunidades tradicionais e indígenas, unidas por um mesmo ideal de preservação do ambiente, de suas culturas tradicionais e de seus territórios originais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rede foi criada em 2003 como uma revitalização da Aliança dos Povos da Floresta - mobilização feita por índios e seringueiros liderada por Chico Mendes e Ailton Krenak, que durante a década de 90 fez as mudanças que resultaram na criação das reservas extrativistas e na correção das políticas do Banco Mundial para o financiamento de grandes projetos de impacto socioambiental nas regiões de florestas tropicais em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem como objetivo a preservação do ambiente e o que nele está inserido: a fauna, a flora, os recursos naturais e culturais e o morador tradicional. Assim como o registro da memória por meio das TIC's - Tecnologias da Informação e da Comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rede Povos da Floresta também é responsável pela Nanapini, iniciativa que estimula o reflorestamento através de ações ambientais conduzidas pelas próprias comunidades tradicionais da região amazônica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Link: http://www.redepovosdafloresta.org.br/&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2977507944500350072?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2977507944500350072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2977507944500350072' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2977507944500350072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2977507944500350072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/07/vale-pena-visitar-rede-povos-da.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SnLjkOQiwII/AAAAAAAAALM/dMl6HBqa_GU/s72-c/logoRedePovosParSiteComSombra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-8034290145187803738</id><published>2009-07-30T04:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T04:52:15.566-07:00</updated><title type='text'>Liderança indígena critica métodos convencionais de salvar línguas ameaçadas</title><content type='html'>Por: FLÁVIA MARTIN&lt;br /&gt;da Editoria de Treinamento DO SITE: "NOVO EM FOLHA"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como outras 44, a língua falada pela etnia crenaque corre perigo crítico de desaparecer, segundo os critérios da Unesco. O ithoc burum é falado por apenas nove pessoas, que atualmente moram em Minas Gerais e em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de a língua estar quase extinta, Ailton Krenak, 56, descendente dos falantes, questiona as tentativas convencionais de resgate dos idiomas ameaçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alguns acham que você pode pegar uma comunidade que não é mais falante de uma língua materna e reeducá-la à semelhança dos cursos de francês e de inglês. A minha compreensão é de que, se você aprender essa língua em um instituto de línguas, você não vai expressar a sua alma."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liderança indígena atuante --ao lado de Chico Mendes, fundou organização que deu origem à ONG Rede Povos da Floresta--, Ailton até consegue se comunicar com sua família em ithoc burum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sua geração não é considerada falante. Sua primeira língua, reconhece, é o português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os nove falantes já passaram dos 50 anos e não moram mais juntos. Laurita (mãe de Ailton), Maria Sônia, Deja, Eva, Júlia e Euclides --este último com mais de 80 anos-- estão no Vale do Rio Doce, no sudeste de Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terra indígena Vanuíre (SP), vivem os outros três: Gracinda, Jovelina e Antônio Jorge. Todos adotaram como sobrenome o nome da etnia grafado por eles, Krenak.&lt;br /&gt;Desintegração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A extinção dos crenaques e a dispersão de integrantes da etnia pelo país começaram, segundo a historiadora Maria Hilda Baqueiro Paraíso, da Universidade Federal da Bahia, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para resolver a crise econômica pela qual passava Portugal, a corte decretou o Estatuto da Guerra Justa contra os índios da região. O instrumento foi criado durante as Cruzadas para justificar, religiosa e moralmente, a decretação de guerra contra um povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome "botocudo" foi atribuído pelos brancos às etnias indígenas (dentre elas, os crenaques) que habitavam uma área que abrange o sul da Bahia, o leste de Minas Gerais e o norte do Espírito Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A denominação tem origem nos botuques, discos de madeira usados nas orelhas e nos lábios pelos homens com mais de sete anos como sinal de masculinidade, e, pelas mulheres adultas, apenas nas orelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 1950, segundo Ailton Krenak, os crenaques foram alvo de outra ação do governo. O Serviço de Proteção ao Índio, atual Funai (Fundação Nacional do Índio), transferiu alguns indígenas para aldeias de outros Estados brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o caso de Euclides, retirado da aldeia dos crenaques de Minas Gerais aos 20 anos, levado para o interior de São Paulo e, em seguida, para a aldeia dos guatós, no Mato Grosso, próxima à Bolívia. Ele só retornou para o convívio de sua família 50 anos mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agora ele voltou a viver com as primas que falam a língua. Elas desconfiam se ele ainda lembra mesmo como é a língua ou se fica tentando se comunicar com elas só para resgatar algum nível de confiança", contou Ailton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele diz também que essas pessoas testemunharam genocídios de membros de sua etnia durante a juventude, o que fez com que só na vida adulta pudessem falar a língua e expressar sua identidade sem medo de punições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SnGIQGoYHXI/AAAAAAAAALE/Y5OSCXig75Y/s1600-h/crenaque-foto.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 224px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SnGIQGoYHXI/AAAAAAAAALE/Y5OSCXig75Y/s320/crenaque-foto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364218441414221170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS: NO SITE HÁ UM VÍDEO COM ENTREVISTA DE AILTON KRENAK&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SITE: http://treinamento.folhasp.com.br/linguasdobrasil/lingua-crenaque.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-8034290145187803738?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/8034290145187803738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=8034290145187803738' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8034290145187803738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8034290145187803738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/07/por-flavia-martin-da-editoria-de.html' title='Liderança indígena critica métodos convencionais de salvar línguas ameaçadas'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SnGIQGoYHXI/AAAAAAAAALE/Y5OSCXig75Y/s72-c/crenaque-foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3829335227586876919</id><published>2009-06-16T04:06:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T04:07:47.327-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com Ailton Krenak</title><content type='html'>Genocídio e resgate dos "Botocudo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DURANTE trezentos anos, a região leste do Estado de Minas Gerais não podia ser devassada. A Coroa portuguesa impedia a passagem direta da região das minas até o litoral, para evitar o contrabando de ouro e diamantes. Criou-se, assim, o chamado "sertão do leste". Com o esgotamento das minas, no fim do século XVIII, tornou-se indispensável derrubar e explorar a Mata Atlântica e exterminar os chamados índios "botocudos", que enfrentavam os colonizadores. Houve, portanto, o genocídio dos índios. Atualmente, as comunidades indígenas estão renascendo e se fortalecendo, exigem respeito pela sua identidade étnica e o atendimento de suas necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista com Ailton Krenak, líder da comunidade Krenak e assessor para assuntos indígenas do governador Aécio Neves, foi concedida em setembro de 2008, em Belo Horizonte (MG), ao jornalista Marco Antônio Tavares Coelho, editor-executivo da revista estudos avançados, e também será publicada no livro Rio Doce – Contrastes e confrontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Antônio Tavares Coelho – Inicialmente, peço a você dados sobre sua vida, formação escolar, onde vive e o que faz como porta-voz mais autorizado da comunidade krenak em Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Krenak – Nasci em 1953, pois, do final de 1920 até a década de 1940, todas as famílias indígenas foram assentadas por Rondon na reserva do Posto Indígena Guido Marlière, que fica nos municípios de Resplendor e Conselheiro Pena, na margem esquerda do Rio Doce. Nasci do outro lado do rio, porque naquela época essa área começou a ser ocupada pelos criadores de gado. Eles enxotaram os índios dali, que fugiram para o Pankas, no Espírito Santo. Outros foram para o lado do Kuparak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele lugar houve um massacre causado pelos colonos. Incendiaram a aldeia, fuzilaram crianças e as mulheres e mataram muitos a facão. Isso ocorreu no final dos anos 1940 e 1950 e não havia ali nenhuma família instalada pacificamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até 1970, toda a minha gente permaneceu naquele lugar algum tempo – uns por três meses, por um ano e meio – quando da refrega com os colonos. Acabaram todos expulsos. As últimas famílias que persistiam em permanecer foram arrancadas de lá, amarradas em correntes em cima de caminhões e despejadas em outro sítio, que a Secretaria da Agricultura de Minas Gerais trocou com a Fundação Nacional do Índio (Funai) a fim de liberar terra indígena para a colonização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despejaram os índios em propriedades da Corregedoria da Polícia, numa Colônia Penal, ou coisa assim. A perspectiva era aniquilar mesmo com o resto das famílias dos índios. Nesse lugar chamado Fazenda Guarani, em Carmésia, foram despejadas algumas famílias. Outras foram para Goiás, porque tinham parentesco com pessoas que viviam na Ilha do Bananal e nunca voltaram. Andei junto com meu pai e com alguns tios e fomos para o interior de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um autodidata. Frequentei uma escola pública em São Paulo, de primeiro grau. Fiz um curso de artes gráficas no Senai, quando tinha dezenove anos. Esse aprendizado é que me deu habilitação para fazer todas as coisas que consegui fazer, inclusive obter de volta as terras que os colonos tomaram de minha família. Hoje é uma aldeia Krenak – o Posto Indígena Guido Marlière. O Estado de Minas respeita os limites dessa terra, pois é da União e o usufruto é dos Krenak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jacobino ao lado dos índios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Quando e como você começou a estudar a luta e a resistência dos "Botocudo" contra os colonizadores luso-brasileiros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Nos últimos vinte anos, conheci alguns dados que estavam escondidos sobre os "Botocudo", pois só eram publicados documentos do Arquivo Público Mineiro, apenas informando sobre as campanhas militares contra a minha gente. Depois disso, recentemente, passei a conhecer materiais que estavam fora do Brasil – na França e Portugal. Também tive a oportunidade de visitar um acervo sobre os "Botocudo" num museu em São Petersburgo, na Rússia. Foi um acaso, porque fui atrás de restos da cultura material de meu povo. Esses dados estão em meu texto "O baú do russo", uma historinha curtinha, onde relato a aventura dessa expedição científica.1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nela, há cem anos, no meio de um acampamento "Botocudo", baixaram alguns homens, remanescentes das campanhas do francês Guido Thomaz Marlière, um jacobino que defendeu minha gente. Marlière teve contato com aqueles guerreiros que conseguiam se articular, fechar os caminhos e dar uma surra nos brancos, desmantelados e sem coesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa ocasião, os "Botocudo" estavam desbaratados, jogados nos pés-de-serra. Muitos foram para o vale do Rio São Francisco, outros foram para o Rio São Mateus, e outros se refugiaram para o lado do vale do Rio Mucuri. Havia poucos assentamentos, pois os "Botocudo" dominavam poucos lugares. Ficavam escondidos, parecendo uma manada de gente assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrou em contato com os "botocudos", Marlière tentou rearticular um pedaço de gente dizimada, tentando concertar uma política lançada com a declaração de guerra de extermínio, assinada pelo príncipe regente, em 1808. Essa caçada brutal aos "Botocudo" durou duas décadas. Nesse período, chamava-se de "Botocudo" todo ajuntamento de índios, principalmente os apanhados nas matas do Rio Doce, ou até o Espírito Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas, quando se referem a "Botocudo", pensam nessa gente do Rio Doce e, no máximo, no massacre da cidade de Conceição do Mato Dentro. Os "Botocudo" não eram ribeirinhos, mas gente do sertão. Gostavam de ficar na beira dos rios porque os rios eram uma fonte de alimentação, além de uma orientação de rota. Na sua natural sabedoria, buscavam lugares saudáveis e com água limpa. Só quando a mata começou a ser infestada de brancos apareceram a malária e outras doenças. Então, os "Botocudo" ficaram com medo de beira de rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a lição contada por nossas avós, como ensina a memória de gente que tinha contato com os brancos. As mais velhas que nossas avós viveram duzentos anos atrás. Elas, quando contavam um caso, partiam do que era contado pelas avós delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Não havia doença no período anterior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Os "Botocudo" só começaram a sofrer com as epidemias quando os brancos entraram na mata. Depois do contato com os brancos é que apareceram as doenças, a mortandade de crianças e moléstias na pele. Males levados pelos brancos para famílias de índios. A ponto de os índios de um córrego não socorrerem índios de outros córregos em contato com brancos. Eles até evitavam receber esses índios nos acampamentos porque podiam trazer doenças. Os mais sabidos davam um jeito de ficar sempre pelados, porque tinham medo das roupas usadas pelos brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou contando essas memórias, desorganizadas no tempo, pois algumas são lembranças contadas em minha casa. Outras são coisas publicadas em trabalhos de pesquisadores, ou aprendidas em discussões em torno de questões fundiárias ou políticas, nas quais foram surgindo documentos para elucidar alguns casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o ocorrido, por exemplo, quando foi discutido o direito dos "Botocudo" sobreviventes de conflitos sobre a terra, em relação a territórios no médio Rio Doce. Isso porque houve pesquisas em documentos de diferentes fontes para analisar dados do impacto ambiental da hidrelétrica construída em Aimorés, quando foram contratadas consultorias especializadas para fazer o relatório do impacto ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, conseguimos uma bibliografia extensa sobre diferentes períodos, de 1700 até 1800, esclarecendo acontecimentos envolvendo a administração, o surgimento de vilas e de fazendas, inclusive os primeiros empreendimentos de modelos capitalistas consolidados mostrando como esse negócio foi mudando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Como posso conseguir esse material?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Vou juntar o material todo. Relatórios sobre a hidrelétrica de Aimorés, um relatório etnoambiental2 que vem desde o Von Martius até o príncipe Maximiliano. Esse publicou um vocabulário de palavras usadas pelos "Botocudo".3 Uma fonte interessante é um caderno de Teófilo Otoni, falando sobre a floresta, o rio e os "Botocudo" no Rio Doce. A Universidade Federal de Minas Gerais publicou um livrinho muito inteligente em que Teófilo Otoni relata o empreendimento do Projeto Mucuri e a briga dele com os índios.4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atuação de Teófilo Otoni&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Em geral, Teófilo Otoni teve uma relação boa com os índios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Na época, não podia fazer outra coisa. Foi mais ou menos como o Orlando Villas Bôas, pois esse também agiu como humanista no caso do Parque Nacional do Xingu. Se Teófilo Otoni tivesse sido ouvido e respeitado os "Botocudo", esses não teriam sido aniquilados. Além disso, ele tinha também a ambição de encontrar, no meio dos "Botocudo", uma gente chamada de aimoré – os tais índios Aimoré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Essa expressão aimoré é errada? Não havia esse povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – O Teófilo Otoni era um cara inteligente e honesto. Depois de ter brigado com os "Botocudo", continuava procurando os aimorés, porque acreditava que eram uma tribo muito valente e tinham um tipo de herança cultural diferente da dos "Botocudo". Acreditava serem um ramo na história dos "botocudos". Ora, aimoré é embaré, gente do mato, amba de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Então, os aimorés não eram uma etnia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Não, eles eram chamados de aimorés pelos Tupi do litoral, muito sabidos. Eles chamavam todos índios do mato de embaré, porque usavam esse nome no sentido de serem brutos. Eram jagunços dos brancos e chamavam as outras tribos de gente do mato. Assim, esse nome "aimoré" não nomeia um povo, era um apelido dados pelos Tupi. Teófilo Otoni procurou esses aimorés no meio dos "Botocudo". Não achou, mas encontrou fragmentos deles, rastros deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, há uns chamados, por exemplo, Naknanuk. Nak é terra; até hoje no dialeto burum (índio na língua dos Krenak). Kren é cabeça. Então, somos os cabeças da terra. Esse grupo nosso é remanescente dos cabeças da terra. Mas há também os outros, uns refugiados que foram sobrando no meio de nossas famílias. São, por exemplo, chamados de Nakrehé, e tem os outros Pojitxá e os Gutkrak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você vai observar esses nomes, entende uma coisa: tudo é nome de lugar. Seria equivalente chamar o pessoal da serra de serrano; o pessoal da beira do rio de ribeirinho; o pessoal de pântano de pantaneiro; e o pessoal da grota de groteiro. Naquele contexto, chamavam todos de "Botocudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive lendo o livrinho do Teófilo Otoni e vi como ele mostrou ser inteligente ao observar todo mundo falando desses aimorés, mas ninguém descreveu esses aimorés. Mas sobre os "Botocudo" há diversas referências e ordens sobre os quartéis espalhados, entre Espírito Santo e Minas. Informações sobre centenas deles presos, vigiados e impedidos de sair dos quartéis. Isso ocorreu no final do século XVIII, quando os administradores estavam apavorados e por isso pediram uma ordem de guerra contra os "Botocudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, esse fato coincide com a liberação do caminho das minas. É insistente essa informação de historiadores escrevendo sobre a liberação da passagem pela floresta do Rio Doce depois de haver se esgotado a extração de diamantes e ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só depois de liberaram a mata, viram como ela estava cheia de tribos. Até o final do século XVIII, os "Botocudo" ficaram à vontade na mata do Rio Doce. Durante uns cento e tantos anos ficaram ali e a Coroa não tinha nada a ver com aquilo. Depois os brancos decidiram descer o cacete. Antes somente se interessavam pela madeira existente na mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rondon e os krenaks&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Como foi a sobrevivência dos índios depois da guerra decretada pelo príncipe regente, em 1808; e posteriormente, como foi o relacionamento dos brancos com os índios? Atualmente, como é esse relacionamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Quero colocar uma questão-chave. Há muitas informações sobre o massacre ocorrido na guerra ofensiva. Mas não tenho clareza como terminou a guerra. A partir da pregação de Guido Marlière e de Teófilo Otoni, como os "Botocudo" se juntaram? A tradição oral, que chegou até a minha geração, diz que a guerra nunca cessou. Só diminuiu porque um dos lados não tinha mais contingente para combater. Mas os "Botocudo" continuaram sendo sangrados como galinhas, ao longo de todo o século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darcy Ribeiro apresentou esses índios como extintos. Uma vez, quando ele era secretário de Cultura, do governo Brizola, fui visitá-lo com um grupo de guaranis no Rio de Janeiro. Por coincidência, nesse dia havia caído um temporal. Fomos andando a pé, da rodoviária até a Secretaria. Parecíamos uns pintos molhados. O guarda da Secretaria estranhou e disse que o secretário não iria receber aqueles pedintes descalços, com calças e camisas molhadas. Mas, apesar disso, entramos no gabinete do Darcy para cumprimentá-lo e ele perguntou como é que estávamos. Respondi: "Como você disse que nosso povo está extinto, um fantasma veio lhe visitar. Porque, pelo seu livro, estamos mortos. Quem está extinto não dá notícia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darcy deu uma risada e perguntou: "Continua a matança em cima de vocês?". Falei: "Claro que continua. Vim aqui pedir sua intervenção junto ao governo para que a Funai e as outras agências do governo parem essa perseguição contra as restantes famílias de 'Botocudo'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu foi o seguinte: quando acabou a guerra, se é que houve o final dessa guerra, uma missão de capuchinhos estava tentando consolidar um assentamento onde viviam mais de 2.700 "Botocudo". Uns cacos de gente, no final do século XIX, lá num vilarejo em Itambacuri, no vale do Mucuri. Em 1893, houve uma rebelião. Os índios mataram os que chefiavam a missão dos capuchinhos e saquearam propriedades e sítios. De 1893 até 1910, 1915, havia muito ressentimento e ninguém queria ver aqueles índios que fugiram da missão, quase mansos, e que de novo viraram bravos. O problema é que nessa segunda rebelião os índios não estavam mais com arco e flecha, mas com carabina. Começaram a assaltar as tropas com rifle e munição. Tomaram as armas dos tropeiros e formaram uma jagunçagem. No meio dessa jagunçagem surgiu um capitão, um sujeito guerreiro, o capitão Krenak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses guerreiros deram muito trabalho na ocupação do Rio Doce, naquele lugar, que hoje tem o nome de Nanuk, palavra na língua dos "Botocudo". Nome de um cara rebelde, que comandava uma horda de bravos guerreiros, cercando as tropas. Seguiam pela rota de tropeiros que havia na região, tomando suprimentos de qualquer provedor. Alimentavam os grupos de seus guerreiros na Serra dos Aimorés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que o marechal Rondon, com o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), mandou seus bons indianistas/sertanistas, que saíam do Rio de Janeiro, de Cuiabá e de outras regiões, para pacificar os "Botocudo". Assim foram pacificados esses últimos guerreiros. Desses sertanistas, alguns eram oficiais. Eles atribuíram a patente de capitão a esse Krenak. Somos descendentes da família dele. Trocou o botoque dele, com um fotógrafo, por comida. Roquete Pinto fez uma foto dele quando ele já estava tuberculoso. Em troca de sua foto, ganhou os brincos e os anéis da orelha, que foram levados para o museu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse período de 1910-1925, são pequenas narrativas que contam os momentos de visita de autoridades, os momentos de namoro e depois os momentos de matar todo mundo. Até que, em 1922, por orientação do marechal Rondon e da turma dele que havia criado o SPI, houve a localização desses índios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rondon deu um jeito para arrumar um lugar para aqueles índios, demarcando uma reserva, um território para eles, e liberava o entorno dos assentamentos. Chamava trabalhadores nacionais e organizava uma colonização. Rondon dirigia, ao mesmo tempo, o Serviço de Proteção dos Índios e também a localização de trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O massacre permanente dos "botocudos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Como você vê esse problema do relacionamento hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Acompanhando a história do Brasil até a Constituinte de 1988, não só em Minas, mas no Brasil inteiro, a perspectiva do Estado brasileiro era acabar com índio. Só que na Constituinte houve uma grande pressão para mudar essa política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse negócio de a literatura dizer que os "Botocudo" eram antropófagos é um ato falho, é um truque da má consciência neobrasileira formadora do Brasil. Eles tinham de dizer que minha gente era antropófaga para nos aniquilarem. Participei na Constituinte de 1988 pintando a cara de preto no Congresso Nacional. Estava com 36 anos de idade quando fiz aquilo. Fui defender a emenda popular, pois não se defendia o artigo 231 da Constituição porque ele afirma que o Brasil precisa parar de matar índio e assegurar os direitos para os índios restantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo foi uma ruptura com o que havia acontecido no passado. Mudança que o Estado não conseguiu assimilar até hoje, pois o Estado ainda tem cacoetes. O Estado parece uma daquelas feras que ficam mansas, mas, de vez em quando, ainda comem alguém. Ainda agora há os pit bulls soltos lá em Roraima. Eles se esquecem de que há uma Constituição. Mas o ministro do Supremo Tribunal Federal lembrou muito bem em seu voto, dizendo: "Tirem os dentes, tirem as presas".5 O que aconteceu da Constituinte para cá foi um fenômeno fantástico, o surgimento de nova identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XX, em Minas Gerais, se dizia que não havia mais índios, ou que no máximo havia "Botocudo" sobreviventes e Maxacali (aqueles de Mucuri, de Santa Helena e Bertópolis). Esses Maxacali são um fenômeno impressionante, pois não se aculturaram. Você chega numa aldeia maxacali e eles estão falando a língua deles, vivendo na religião deles, vivendo no mundo deles. Pelo menos nos últimos duzentos anos ficaram isolados. Tempos atrás estiveram em Diamantina e em outras regiões, no Jequitinhonha. Mas, nos últimos duzentos anos, fizeram um movimento e se fixaram nessa região do Mucuri. Eram inimigos preferenciais dos "Botocudo". Quando não havia branco para brigar, os "Botocudo" brigavam com os Maxacali. O que resultava em roubo de mulheres de um lado e do outro. Logo, nós somos parentes, somos parentes porque nossos grupos guerreavam e tomavam crianças uns dos outros, e mulheres uns dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Quantos são os índios em Minas Gerais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Os maxacalis eram considerados as últimas famílias indígenas sobreviventes em Minas Gerais, quando, por volta de 1970/1980, houve o ressurgimento dos Xacriabá que estavam submersos na história e começaram a reivindicar terra, direitos e identidades. Hoje é a população indígena mais numerosa do Estado de Minas. São mais ou menos oito mil índios, enquanto os Krenak são duzentos e poucos. Numericamente nós não existíamos e eles existiam. Mas até o século XX não existiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje os Maxacali são uns 1.200 ou 1.300. Se juntar esses povos, que ficaram nesse lugar demarcado, atravessaram o século XX, eles são os Krenak, Maxacali e Xacriabá. Hoje, quando se olha o site da Secretaria de Governo encontram-se nove tribos em Minas. Que fenômeno é esse? Os Patachó, que fugiram lá da Bahia, perseguidos pela turma do Antônio Carlos Magalhães, se refugiaram em Minas, na década de 1960/1970. Os índios parentes de Graciliano Ramos, de Palmeiras dos Índios, Xukuru-Kariri, fugiam da miséria, do desmando político, da violência, e vieram para o sul de Minas, que os recebeu. Aqui há três grupos de famílias indígenas: Pataxó, Xukuru-Kariri e Pacararu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tão bom esse período de ressurgimento das comunidades indígenas que, quando o governador Aécio Neves me chamou, em 2003, e me perguntou como estavam os índios em Minas Gerais, respondi: "Estão muito mal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer pelas comunidades indígenas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – O que vocês têm feito pelos índios? Qual o resultado desse trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – O que dá resultado é tratar esse conjunto de famílias tribais, remanescentes desses povos – Xacriabá, Maxacali e inclusive dos que migraram para cá vindos do Nordeste, Pataxó, Xukuru-Kariri, Pacararu, além dos nativos Aranã e Kaxixó – como cidadãos que têm direito à proteção do Estado, sem discriminação. Eles têm direito às políticas públicas no sentido de atendimento às mães, quanto ao nascimento de seus filhinhos, o pré-natal e o acompanhamento dessas mães até que a criança faça cinco anos de idade. Têm direito à alimentação. Deve-se respeitar o direito dos índios de continuar morando em casa de palha que fizeram, dando a eles e elas a oportunidade de, se quiserem, ter uma habitação adequada. Porque não admito que arranquem um costume, que é próprio de uma família indígena, para botá-la num conjuntinho residencial do Banco Nacional de Habitação (BNH).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente não tem povo indígena vivendo num apartamento do BNH , em Minas Gerais, pois temos nos esforçado para arrecadar terras públicas, seja terra da União seja terra do Estado, para criar assentamentos adequados para atender às necessidades dessas famílias indígenas. Uma família indígena reduzida a 200 ou 300 indivíduos não quer viver nos fundos de uma fazenda, hostilizada por pecuaristas ou por garimpeiros. Ela sente a necessidade de estar num lugar mais parecido com essas unidades de conservação, num parque ou numa unidade biológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos argumentando no sentido de que os índios possam ter acesso a um lugar desse tipo e que o Estado crie os instrumentos para que eles possam viver desse modo, não agredidos pelo município ou pelos vizinhos. Isso deve ser feito através das secretarias de Estado, como as da Saúde, do Meio Ambiente, de Agricultura ou de Bem-Estar Social. Programas públicos para realizarem ações que atendam a questões como água potável, para eles pararem de beber água de córrego que está envenenada com agrotóxico, com esgoto, com detritos de todo tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água do Rio Doce está muito ruim. No meio dela há partículas de mercúrio, bauxita e outros minérios pesados, fora os resíduos jogados no Rio Doce pelos municípios, desde o Rio Piracicaba. Quando a gente toma banho, sai bronzeado, mineralizado. Num seminário no médio Rio Doce acusei os municípios de serem responsáveis por jogarem detritos no rio. Uma pessoa se levantou e disse: "Em Ipatinga não se faz mais isso, pois tratamos de nossa água, antes de jogá-la no Rio Doce". Ora, mas, em Governador Valadares, jogam restos de hospital, sofás velhos, televisões e até geladeiras dentro do rio. Todo mundo na beira do Watu (nome que os índios dão ao Rio Doce) acha que ele é o depósito de todos seus restos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ensino em língua indígena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Na educação primária as professoras ensinam a língua materna das comunidades indígenas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Temos um programa chamado Piei (Programa Estadual de Implantação das Escolas Indígenas). O Estado de Minas tem hoje duas mil crianças indígenas em sala de aula, com professor bilíngue da aldeia. Todas a aldeias têm uma escola indígena bilíngue, com professor nativo local, que foi habilitado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em oito módulos de quatro anos, para se tornar um professor habilitado em magistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desses professores, 140 deles estão fazendo licenciatura na Universidade e vão se graduar em 2010 como educadores em língua e literatura. Nossa população é de nove etnias diferentes. Dessas etnias, só três mantêm a língua materna. Mas mesmo aquelas que não têm a língua materna estão tendo subsídio e material didático de apoio a fim de trabalharem a reintrodução da língua materna. Estamos gerando esses materiais com apoio não só em programas estaduais, mas também em programas federais, porque o Ministério da Educação tem um comitê de educação indígena que foi implantado no governo de Fernando Henrique. Esse comitê tem se constituído num espaço bem democrático de pluralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O material didático é impresso em português e na língua materna, caso o grupo tenha memória da língua materna, porque não tem sentido mandar um texto escrito em língua tupi do tempo de Anchieta para uns remanescentes de índios tupis, mas que não conhecem mais essa língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição e a religião dos índios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Ainda há pressão da Igreja Católica para as comunidades indígenas aderirem à religião católica? Como você encara o problema da religião?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – A disputa religiosa atualmente foi incrementada pela chegada dos evangélicos. Antes, os missionários queriam só as almas dos índios, agora eles disputam com os evangélicos a governança dos índios. Se você catequiza o índio e o deixa seguir a vida dele, tudo bem. Mas se catequizá-lo e ficar mandando, fazendo a governança de suas vidas, organizando em comunidades, sindicatos, associações e coisa que o valha, isso eu acho grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disputa dos índios por católicos e evangélicos cria um agravamento da crise de identidade desses índios. Essas disputas são esvaziadoras do conteúdo cultural que os índios herdaram. Estou falando da Pastoral da Igreja Católica, mas os evangélicos também estão fazendo a mesma coisa. Querem ficar pau a pau com os católicos para ver quem controla o índio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Quer dizer que não há uma abertura da Pastoral desse ponto de vista de religião?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – Com aquelas mudanças do concílio dos anos 1960/1970, aquelas coisas de Leonardo Boff, da Teologia da Libertação, dizem que estão espalhando cultura ecumênica. Os missionários da Teologia da Libertação falam com os índios que estão encarnando a cultura indígena. Você pode encontrar um missionário dançando com o pajé, mas esse negócio do missionário dançar junto com o pajé é só conversa. Porque na verdade, quem prega, quem instala o bastão lá dentro, prega a cruz, marca a hora do catecismo, é o missionário, não é o pajé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que observo nessa virada do século XX para cá é que o fenômeno da globalização, junto com essas outras manifestações locais, como a disputa com os evangélicos, estão jogando os índios num liquidificador, indiferentemente se são índios tradicionais ou índios aculturados. Eles querem tirar daí médicos, técnicos, vereadores, políticos, administradores, educadores, professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, costumo dizer o seguinte: dois séculos de guerra bruta não conseguiram fazer o serviço que um pequeno período de democracia está fazendo – o de integrar de maneira absoluta essa diversidade cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Índios são uma generalização absurda, porque acaba com isso que nós estamos falando que é a possibilidade do menino na aldeia ensinar a seus irmãos, do avô ensinar a seus netos a sua história, ensinar na sua língua seus valores e a sua tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esvaziam tudo isso e enfiam lá um monte de representação e dizem: "Essa é do comitê de não sei o quê", "o conselho de mulher", "o de saúde", "de educação". Eles vão esvaziando a identidade desse índio e ele acaba virando uma espécie de uma figura parecida com sindicalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa novidade de todo mundo virar cidadão (de forma compulsória) tira também das pessoas a possibilidade de elas continuarem vivendo de alguma maneira a memória de sua tradição, de sua cultura. Daqui a pouco eles vão perder a possibilidade de ter um terreiro dentro da aldeia onde as pessoas ficam sentadas, calam a boca e escutam os velhos. E quando um velho vier e falar assim: "Esse mês nós vamos nos recolher numa ilha do Watu e vamos fazer os ritos de passagem dos que têm menos de onze anos de idade. Eles vão ficar afastados do convívio de suas mães e de suas famílias e vão ser iniciados na história dos velhos que não podem ser contadas publicamente. Quando não puder fazer mais isso não irá fazer diferença nenhuma ter língua diferente. Papagaio repete também língua diferente!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A importância de ser bilíngue e de ter liberdade para pensar é continuar uma narrativa, seja recebida no sonho, nos ritos, nisso que eles chamam de religião. Índio não tem religião. O mais autêntico que a gente pode identificar num núcleo de uma prática dessas famílias desse povo antigo é a continuação da tradição. Uma tradição que remonta aos mitos da criação do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, assim é muito bom quando os Krenak podem se recolher no taruandé, que é um rito que os Krenak guardaram na memória deles. Taru é o céu, taruandé é um movimento que o céu faz de aproximação com a Terra. No taruandé os meninos que ainda estão engatinhando, os homens, as mulheres, os mais velhos cantam e dançam juntos, como uma brincadeira de roda. Repetindo frases na sua língua materna que diz: "O meu avô é a montanha", "Você é meu avô e o rio", "Você é peixe pra eu comer", "Você me dá remédio para a minha saúde", "Você esclarece minha mente e meu espírito", então "O vento, o fogo, o sol, a lua".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam repetindo essas frases na sua língua ancestral, batendo o pé no chão, tocando maracá, acendendo fogo, pulando na água fria, buscando saúde, fazendo a terapia muito especial e afirmando a sua própria identidade diante do mundo avassalado por propaganda, consumo e besteiras de todo lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu valorizo é isso. É que ainda possa ter famílias que olham para si mesmas; não sintam vergonha de ser quem são; não têm vergonha de morar em casa de chão batido; não têm vergonha de cozinhar num fogareiro de cupinzeiro, em cima de pedra; não têm vergonha de comer carne moqueada, comer peixe moqueado assado na pedra, comer batata e mandioca tiradas de baixo das cinzas; não têm vergonha de fazer isso. Acham que fazer isso é um jeito de continuar sendo "Botocudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, os árabes, os judeus, os japoneses também batem tambor, comem de palitinho. É um jeito de eles continuarem sendo árabes, judeus, japoneses. Por que a gente não pode continuar sendo "Botocudo" em qualquer lugar? Essas pessoas têm que ter o direito de continuar ensinando para seus filhos os valores que até hoje eles trouxeram vivos consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta de um krenak&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. A. T. C. – Qual a sua atuação e sua relação com o governo de Minas Gerais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. K. – O governador Aécio Neves me perguntou: "O que dá pra fazer pelos índios?". Respondi: "Podemos fazer o que Guido Marlière fazia quando cuidou da questão dos índios, no gabinete militar do Império". Então, desde 2003, o governador me deu um mandato, de assessor especial para assuntos indígenas. Sou vinculado à Secretaria de Governo. Ele me disse então: "Você vai criar o programa para inclusão social dos que ainda restam de povo indígena no nosso Estado, porque não queremos que sejam aniquilados e desapareçam".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, de certa maneira, a guerra contra os índios em Minas Gerais só parou com o governador Aécio Neves. O governador me perguntou se teria sentido criar uma Secretaria de Assuntos Indígenas. Respondi que em Minas não há uma população indígena que justifique a criação de uma Secretaria de Estado. Assim, propus fazer meu trabalho no gabinete dele. Disse-me que, então, eu deveria trabalhar em nível de igualdade com qualquer secretário. Empossou-me e avisou aos demais secretários para colaborarem comigo, a fim de cumprir minha missão. O objetivo é trabalhar para que em Minas sejam respeitados os direitos humanos e sociais dos índios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho, portanto, o compromisso de agir assim até 2010. Nosso propósito é criar um Centro de Referência da Cultura Indígena e um Memorial Indígena, na Serra do Cipó, um sítio que se chamará Monumento Natural da Mãe D'Água. O Instituto Estadual da Floresta, junto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), está demarcando esse sítio. É cheio de grutas, cavernas e sítios arqueológicos da maior relevância. Dentro desse memorial vamos recolher o acervo que foi para a Rússia, a fim de resgatarmos cem anos da cultura material dos "Botocudo". Eles são os primeiros registros das escritas fonéticas de "Botocudo" gravados por essa expedição russa. Em torno desse acervo deveremos ter um espaço para a formação de jovens indígenas, a fim de administrar seus territórios, tendo em vista sua educação e saúde, além de outros objetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Uma documentação de Manizer, que se encontra no Museu de São Petersburgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 Etnozoneamento ambiental da etnia e terra krenak, elaborado pela Associação Indígena Krenak. Resplendor (MG), 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 Viagem ao Brasil, do príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied (Edusp; Itatiaia, 1989).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 Livro de Teófilo Otoni, Notícia sobre os selvagens do Mucuri, organização de Regina Horta Duarte (Editora da Universidade Federal de Minas Gerais, 2002).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 Voto do ministro Carlos Ayres Britto do Supremo Tribunal Federal, como relator no litígio sobre a Reserva Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40142009000100014&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3829335227586876919?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3829335227586876919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3829335227586876919' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3829335227586876919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3829335227586876919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/06/entrevista-com-ailton-krenak.html' title='Entrevista com Ailton Krenak'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-7555256028005643614</id><published>2009-06-04T06:37:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T06:44:25.015-07:00</updated><title type='text'>Realizada no Jardim Botânico reunião sobre os trinta primeiros Pontos de Cultura Indígena</title><content type='html'>Pontos de Cultura Indígenas: parceria entre Associação de Cultura e Meio Ambiente, Fundação Nacional do Índio e Ministério da Cultura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SifOkcYu-RI/AAAAAAAAAKI/OeExGlpv94g/s1600-h/R__MG_3995+baixa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 160px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SifOkcYu-RI/AAAAAAAAAKI/OeExGlpv94g/s320/R__MG_3995+baixa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343466608388929810" /&gt;&lt;/a&gt;De 5 a 8 de maio de 2009, aconteceu no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a reunião de imersão da equipe da Rede Povos da Floresta (RPF) no projeto de implantação dos trinta primeiros Pontos de Cultura Indígenas, uma parceria da Associação de Cultura e Meio Ambiente (ACMA) com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Ministério da Cultura (MinC).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A implantação dos Pontos de Cultura congrega as atividades de mobilizações locais, articulação e organização das Rodas de Conversa. Cada comunidade selecionada receberá um kit multimídia com três computadores com DVD embutido, uma câmera filmadora, uma câmera fotográfica digital, duas caixas de som e um microfone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Pontos serão implantados com a devida adequação dos espaços físicos e a instalação dos equipamentos. As comunidades receberão a devida formação e qualificação relacionada à operação dos recursos tecnológicos, desenvolvimento de produtos e serviços culturais, aprimoramento da infra-estrutura digital da Rede, ações de gestão, avaliação e comunicação de processos e resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião de imersão contou com a presença de toda a equipe da Rede Povos da Floresta e também Ailton Krenak, fundador da RPF e coordenador estratégico do projeto; João Augusto Fortes, representante da Associação de Cultura e Meio Ambiente (ACMA) e liderança da RPF; Moisés Ashaninka, da Associação Ashaninka Apiwtxa; Benki Ashaninka, do Centro Yorenka Ãtame, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros parceiros da RPF que atuarão no projeto também estiveram presentes. De São Gabriel da Cachoeira vieram Erivaldo Almeida Cruz, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e Andreza Andrade, jornalista do Instituto Sócio Ambiental (ISA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera Olinda Sena, coordenadora do setor de educação da Comissão Pró Índio do Acre e Gleyson de Araújo Teixeira, assessor da Associação Ashaninka Apiwtxa, vieram respectivamente de Rio Branco e de Cruzeiro do Sul, no Acre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Abreu, representante da Fundação France Liberté, parceira da Rede Povos da Floresta, Paulo Jobim, presidente da ACMA, e Rodrigo Baggio, do Comitê de Democratização da Informática (CDI), parceiro da Rede desde sua fundação, também marcaram presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada ponto implantado deve expressar a complexidade local&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a apresentação do encontro, o sempre inspirado Ailton Krenak ressaltou que o fato dos participantes serem de diferentes partes do Brasil, traz ainda mais originalidade a essa iniciativa e indica que todos os envolvidos estão participando de uma ação inovadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda expôs o que entende por atuar em rede - ser capaz de estabelecer uma dinâmica, interagir sem uma ordem de comando, mas respondendo aos estímulos e sinais que cada um consegue ler e responder. Para Ailton, isso cria um texto, uma narrativa, que vem a ser a própria vida. Poeticamente, associou a rede com cama de gato, rede de pesca, de balanço, de balaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Ailton, a floresta é a possibilidade de nossa civilização. Por isso é preciso proteger a floresta e dar governança para o povo que vive nela, independente das denominações que o governo lhe dá - indígenas, ribeirinhos, quilombolas ou populações tradicionais. Para ele, tais denominações têm o efeito paradoxal de "esconder" essas populações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre todos os assuntos tratados durante a reunião, ganhou destaque a Roda de Conversa, que será a primeira ação da RPF junto às comunidades. A Roda vai reunir as comunidades que serão beneficiadas em diferentes locais para uma conversa com os responsáveis pela implantação, nela o projeto será apresentado em detalhes e as comunidades terão a oportunidade de expressar seus pensamentos e anseios em relação a ele. Ailton afirmou que as rodas não são cartesianas e não têm fim, ao contrário, são circulares, platônicas, infinitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou claro para todos os presentes que em cada Roda de Conversa que se realizará, será definido o que é o ponto de cultura para aquela determinada comunidade e que cada ponto tem sua própria identidade, sem precisar reproduzir ou seguir uma norma. Cada um desses pontos deve expressar a complexidade local e para isso, cada comunidade dirá o que quer e o que não quer socializar. O projeto não pretende implantar réplicas, como numa linha de montagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da explanação sobre o projeto, a imersão também possibilitou que cada grupo de trabalho se reunisse para acertar as diretrizes e particularidades do que irá realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião foi orientada pelos profissionais da Giral, empresa social que oferece serviços baseados em técnicas de gestão, e nela houve o aprofundamento do que diz respeito à implantação em si, em como solucionar as questões de transporte, armazenamento e de toda a logística que envolve o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jornada de trabalho para a implantação dos 30 Pontos terá duração de dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entusiasmo e comprometimento foram elementos sempre presentes durante os dias de imersão. Serão essas as qualidades que acompanharão a turma na aventura que tem sua primeira viagem para a floresta marcada para o início do mês de junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SifOZF7079I/AAAAAAAAAKA/_HYu2Yv8f7I/s1600-h/R__MG_3933+baixa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 160px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SifOZF7079I/AAAAAAAAAKA/_HYu2Yv8f7I/s320/R__MG_3933+baixa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343466413383544786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matéria de:2009/mai/9 - Enviada por:Gal Rocha - Palavras-chave:Reunião - Pontos de Cultura Indígena&lt;br /&gt;Fotos de Alice Fortes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.redepovosdafloresta.org.br/exibePagina.aspx?pag=138&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-7555256028005643614?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/7555256028005643614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=7555256028005643614' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7555256028005643614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7555256028005643614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/06/realizada-no-jardim-botanico-reuniao.html' title='Realizada no Jardim Botânico reunião sobre os trinta primeiros Pontos de Cultura Indígena'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SifOkcYu-RI/AAAAAAAAAKI/OeExGlpv94g/s72-c/R__MG_3995+baixa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-8918524578667654934</id><published>2009-05-06T12:09:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T12:13:59.173-07:00</updated><title type='text'>(Arquivo 2007) entrevista de Ailton ao Site do Museu da Pessoa</title><content type='html'>Equipe:&lt;br /&gt;DIRETORIA&lt;br /&gt;Ely Harasawa&lt;br /&gt;José Santos Matos&lt;br /&gt;Karen Worcman&lt;br /&gt;Márcia Ruiz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUSTENTABILIDADE&lt;br /&gt;Pedro Corradino, coordenador&lt;br /&gt;Ana Paula Bastos, captação de recursos (Rio de Janeiro)&lt;br /&gt;Janaína Rossi, assistente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORTAL&lt;br /&gt;Heci Regina Candiani, editora de conteúdo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ACERVO&lt;br /&gt;Rosali Henriques, coordenadora de área&lt;br /&gt;Gustavo Ribeiro Sanchez, estagiário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RELAÇÕES INTERNACIONAIS E REDES SOCIAIS&lt;br /&gt;Joana Zatz Mussi, coordenadora da área&lt;br /&gt;Mariana Casellato, mobilizadora de redes&lt;br /&gt;Sarah Faleiros, mobilizadora de redes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROGRAMA CONTE SUA HISTÓRIA&lt;br /&gt;Eduardo Barros, coordenador de estúdio&lt;br /&gt;Adilson Moreira de Lima, técnico de vídeo&lt;br /&gt;Cláudia Leonor, coordenadora de projetos&lt;br /&gt;Gabriel Costa Monteiro, assistente de estúdio&lt;br /&gt;Thiago Belotto, estagiário&lt;br /&gt;Thiago Pereira Majolo, pesquisador&lt;br /&gt;Winny Choe, pesquisadora&lt;br /&gt;Julia Relva Basso, pesquisadora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROGRAMA DE FORMAÇÃO&lt;br /&gt;Sônia London, coordenadora de área&lt;br /&gt;Simone Alcântara, coordenadora de projetos&lt;br /&gt;Ana Carolina Carvalho, formadora&lt;br /&gt;Ana Paula Severiano, formadora&lt;br /&gt;Danilo Eiji Lopes, formador&lt;br /&gt;Fernanda Gomez Peregrina, formadora&lt;br /&gt;Giselle Vitor da Rocha, formadora&lt;br /&gt;Márcia Trezza, formadora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROGRAMA MEMÓRIA INSTITUCIONAL&lt;br /&gt;• Responsável&lt;br /&gt;Cláudia Fonseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Assistente&lt;br /&gt;Isaac Deluca Patreze, assistente de área&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Coordenadoras&lt;br /&gt;Denyse Emerich&lt;br /&gt;Márcia de Paiva (Rio de Janeiro)&lt;br /&gt;Maria Raccioppi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Pesquisadores/São Paulo&lt;br /&gt;Maurício F. Rivero&lt;br /&gt;Nádia Lopes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Pesquisadores/Rio de Janeiro&lt;br /&gt;Douglas Thomaz de Oliveira&lt;br /&gt;Inês Cordeiro Gouveia&lt;br /&gt;Morgana Mara Vaz da Silva Maselli&lt;br /&gt;Sergio Ricardo Retroz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Estagiário&lt;br /&gt;Ricardo Pedroni&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APOIO ADMINISTRATIVO&lt;br /&gt;Maria da Conceição Franco Pereira, recepcionista&lt;br /&gt;Keli Cristina Garrafa dos Santos, assistente administrativo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VOLUNTÁRIOS&lt;br /&gt;Amber Filgueiras, transcrição&lt;br /&gt;Andreza Tonasso Galli, eventos&lt;br /&gt;Anna Paula Cajeron Medrano, versão em inglês&lt;br /&gt;Carolina Viveiros de Souza, versão em inglês&lt;br /&gt;Caroline Alide Moschella Glöe, versão em inglês&lt;br /&gt;Daniela Moreno Zanon, versão em inglês&lt;br /&gt;Débora de Cássia Pinto, edição de textos&lt;br /&gt;Emanuele Nunes dos Santos, versão em inglês&lt;br /&gt;Florindo Katsushisa Enoki, versão em inglês&lt;br /&gt;Graciela Paparazo N. Felix, tradução de inglês&lt;br /&gt;Lívia Mara Ganzella, versão em inglês&lt;br /&gt;Maria Christina de O. Macedo, transcrição&lt;br /&gt;Marina Puoli Alves Bastos, revisão de inglês&lt;br /&gt;Nathália Pires Souto, versão em inglês&lt;br /&gt;Renata Barbosa Corrêa, versão em inglês&lt;br /&gt;Renato Ramalho Geraldes, versão em inglês&lt;br /&gt;Ricardo Soncini Cazarino, transcrição&lt;br /&gt;Samantha da Aparecida Pasoti, versão em inglês&lt;br /&gt;Sonia Ponzio de Rezende, versão em inglês&lt;br /&gt;Waléria de Almeida Coicev, versão em inglês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SgHg2GciGqI/AAAAAAAAAIU/-ZgKsQ_pXSk/s1600-h/Ailton+Krenak_bx.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SgHg2GciGqI/AAAAAAAAAIU/-ZgKsQ_pXSk/s320/Ailton+Krenak_bx.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332790653831223970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Então Ailton, boa tarde, Queria começar a entrevista pedindo pra você falar seu nome completo, data e local de nascimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Meu nome é Ailton e o meu nome completo é Ailton Alves Lacerda Krenak, esse Krenak é o nome da minha é família indígena, do povo Krenak, que vive numa região do Brasil, que é o Vale do Rio Doce divisa de Espírito Santo com Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – E e quando que você nasceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Eu nasci em 1953, eu nasci no século passado, e nasci nessa região que é um córrego. Que o pessoal da minha região se atribuía era falar o nome do córrego, do rio. Ah se você tava na margem do rio você falava no rio tal, se você tava na cabeceira do rio você dava o nome do córrego, que vinha da cabeceira do rio. Eu nasci num córrego que chama Córrego do Itabirinha. Esse Córrego do Itabirinha ele é da bacia do Rio Doce, ele vai jogar a água dele lá no Rio Doce e o Rio Doce depois leva todas as nossas idéias, nossos pedidos, lembranças, lamentações e despeja lá no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – E Ailton qual é o nome dos seus pais? Você podia falar um pouco dos seus pais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Eu posso. E meu pai e a minha mãe, desde pequeno, eu sempre achava que eles eram irmãos, porque o meu pai se chama Neném e a minha mãe Nesita. Aí eu ficava sacando eles, assim, quando eu era pequeno, eu falava assim: Pô, eles são os dois irmãos muito legal. A história deles dois é muito bacana mesmo, porque o meu vovô, pai da minha mãe, ele achou o meu pai numa num roteiro de viagem que ele tava fazendo, porque esse meu vovô Pedro, ele foi o guia da entrada dos colonos pra região de selva, aonde a gente vivia pra derrubar a mata. E tinha uma família de alemães, que migraram pro Brasil, é eles eram mais abilidosos com essa coisa das tecnologias e eles introduziram as serrarias. Não era só derrubar de machado era derrubar de serra. Tirar as toras grandes levar pra beira do rio e serrar. Eles precisavam de um camarada que conhecia aquelas montanhas e aqueles vales, que sabiam entrar onde tinha floresta pra dirigir eles. E o meu vovô Pedro pegou as a mulher dele e os as filhas, principalmente filhas, muitas filhas. A minha mãe ela tem as uma turma de “irmã”, tem a tia Leonisa, tem a tia Fifina, tem a tia Lurde, tem a tia Lidinha. E a minha mãe era uma menininha, quando o meu avô seguia com essa família levando uma grande tropa. Tropa de cavalos e de burros carregando aquelas aqueles aquelas coisas, que eles precisavam levar pro sertão pra implantar lá os os sistemas de serraria deles. Aí, meu avô passou num num vale aonde meu pai estava com alguns dos parentes dele ainda vivendo perto de um rio que chama Pancas, é a região do Pancas, é uma região que é mais Espírito Santo do que Minas. Mas essa zona toda era um contestado, nem os mineiros, nem os “capixaba”, governava aquela área não. Aquela área ali, era uma área de conflito in intertribal ali, de confli de conflito inter entre o o a jurisdição de Minas e do Espírito Santo. Isso é uma coisa importante de entender, porque como era um lugar onde o estado não tinha presença, as pessoas tinham muito mais autonomia, eram muito mais inventivos, aprontavam pra caramba. Então, tinham os comandantes, tinham os guerreiros, era um negócio meio Guimarães Rosa, assim, parecia aquele Sertão Veredas. Quem era mais quem era mais é criativo, quem era mais brabo, quem impressionava mais por alguma razão, tinha um governo, uma governança no meio daquela gente é complexa. Porque ali tinha os índios, os Botocudos, que são meus antepassados. Do lado do meu pai, veio do lado da minha mãe, só que tanto do lado do meu pai, quanto do lado da minha mãe, ocorreu uma coisa muito chocante, as aldeias deles foram dizimadas, quando eles ainda eram jovens e esses camaradas voltaram a se encontrar muito mais tarde, constituir família de novo. Entrar em todas as as as as contendas da daquela região do contestado da dis disputa de terra, as guerras que foram feitas, aquelas pequenas guerras regionais por terras. Eles participaram de tudo isso é acompanhando. O essa segunda descoberta do Brasil. O Brasil sempre tá se descobrindo. Descobre, descobre, descobre, segunda, terceira, quinta. E o meu pai acompanhou o meu avô, ele largou o grupo dele lá no Pancas e acompanhou o meu avô, o pai da minha mãe. E aí, como ele acompanhou o vovô ele ficou vendo a mãe e os dois já se entenderam, gostaram logo um do outro e virou casamento. O o o meu pai acompanhando o meu vovô materno. Casou com minha mãe e ficou ajudando o meu vovô, ajudando ele, aprendendo coisas, fazendo roça e aprendendo coisas. E uma das coisas que meu pai aprendeu, que eu acho que ficou muito influenciou muito minha meu relacionamento, minha relação com ele, com meus outros com o mundo também. O meu pai aprendeu a ser ferreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Ferreiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Então, todo mundo que precisava, por exemplo, botar um aro de ferro numa roda dum carro de boi, era o meu pai que sabia botar o ferro lá no fogo, derreter ele assim, e fazer o aro da roda de carro de boi. Então, naquela região, naquele sertão, os cavalos que precisavam de ferradura, quem precisava consertar uma arma de fogo, fazer uma foice, fazer um facão, fazer um machado. Então, quando eu tinha, assim, uns 6 anos, 8 anos, por aí, tinha um um lugar assim, onde o meu pai tinha a forja dele, tinha o fogo e meus irmãos, mais velhos do que eu, Benjamim o Assir eles escapavam, porque meu pai botava eles pra tocar o pra puxar uma cordinha de couro, aquela cordinha de couro que ele ficava puxando assim, era um uma um fole, um instrumento assim, que fazia vento e acendia o fogo no carvão, uma forja, bem assim antiga, não sei se vocês já viram? É um objeto parecendo uma sanfona, um trem grandão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Já, eu já vi, um fole claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Um fole, assim, aí num será que ainda tem um fole, por aí a fora funcionando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Interior aí tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Aí ficava tocando o fole assim, aonde tinha o fogo, o carvão ficava acendendo. Eu quando tinha, tipo, 6 pra 8 anos de idade, eu não alcançava a cordinha, porque ela era posta pros meus irmãos mais grandes puxar. Aí meu pai botou uma pedra, uma pedra de moinho, aquelas pedras de mó. Ele botou uma pedra de moinho aqui pra eu subir em cima da pedra de moinho e puxa o fole pra ele, pra ficar acendendo o fogo lá na na oficina. Aí o ele chamava de tenda. Tinha que puxar o fole pra acender o fogo pra ele ficar mexendo na tenda. Aí ele fazia aquelas coisas com ferro e carro de boi, os aros das carroças, as ferraduras dos cavalos. Eu ficava vendo o meu pai, eu eu ajudava o meu pai naquelas coisas, eu imendar correntes de aço, aquelas correntes grandonas, que eles usavam pra arrastar as toras que vinham da da da mata pra passar pra serraria. Então, na minha infância foi vendo o meu pai é moldando coisas, fazendo ferramentas, fazendo ferros virar é faca, facão, machado. E minha mãe e minhas ir minhas primas, minhas tias, esse povo meus tios, meus parentes que conviveram, que compartilharam esse tempo da gente, do meu pai junto com meus irmãos, com minha mãe, comigo é lá no Itaberinha. Eles acompanharam essa história nossa até lá pelos 11 até quando eles “tava” com 11 anos de idade, por aí, 11, 12 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Deixa eu te fazer uma pergunta difícil. Qual é a sua primeira lembrança, assim, que você tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – A minha primeira lembrança? Minha primeira lembrança é da gente é eu percebendo, assim, o lugar onde eu tava vivendo com meus parentes na beira de um um rio com barranco alto, o rio passando lá embaixo. E o lugar aonde a gente morava era o rio passava lá nos fundos do lugar aonde a gente morava, contornava aqui, assim, fazendo barrancos altos. Eu me lembro quando tinha enchente e vinha trazendo árvores. Lá em cima, aonde tinha floresta os o rio derrubava as árvores e vinha trazendo as árvores, derrubando barranco. Eu achava que aquilo era uma coisa fantástica, assim, que uma hora podia derrubar a nossa casa, levar todo mundo. Eu lembro disso é do gado passando, porque era uma rota de tropeiros e de gado. Eu lembro do gado, do assustando é o gado se assustava e os vaqueiros não conseguiam controlar o gado e aquela manada de boi saía invadindo pra todo lado, inclusive derrubavam casas, invadiam. Os bois invadiam os os lugares onde gente morava. São lembranças, que eu tenho, assim, mais antigas. E da matança dos bois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Ah, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Essa lembrança das matanças dos bois, assim, eu tenho ela muito forte. Ela me ela gravou muito forte na minha na minha memória, assim, é a coisa da matança dos bois. Porque nu num matava os boi os bois em lugar separado, matavam ele no meio das pessoas. Chegava numa árvore, prendia o boi e matavam o boi na árvore, assim, com um monte menino passando. Hoje eu fico imaginando, pô! Aqueles caras eram uns doidos. Matando os animais daquele jeito e as crianças ficavam totalmente Menino vendo aquela coisa toda ali, os caras matando os “boi”, matando com violência danada. Dava machadada na cabeça do boi, ou então, enfiava uma faca na cabeça do boi, depois sangrava o boi. Os meninos ali participando, alguns meninos até entravam junto pra pegar o boi ou eventualmente dando um tiro de carabina na cabeça do boi, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Nossa!&lt;br /&gt;R – É. Tudo quanto é tipo de crueldade. E minha infância eu convivi muito com isso que hoje eu vejo banalizado. No cotidiano, na vida das pessoas, que é isso que ganhou o título de violência. O nome. De violência. E quando eu era criança eu não ti eu não via essas coisas como violência, eu via isso como O rio trazia as árvores, derrubava tudo, saía arrebentando os barrancos, podia derrubar casa, o boi também podia derrubar casa, os homens matavam o boi, os meninos comiam o boi. Então, era tudo uma dança só, com a passagem do tempo, as pessoas começaram a me mostrar que tinha categorias de ocorrência. Que tem coisa que aquilo ali é violência, aquilo é matar o boi assim é violência é dá um tiro de carabina, essas coisas. Mas na na infância esse mundo foi muito criativo. Eu acho que ele me deu muita muito combustível pra eu ficar plantando pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – E você se lembra, assim, quando cê era pequenininho, você podia descrever como era o lugar que você morava? Com quem quê você morava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Oh, a minha a minha vida de menino foi cheia de aventura, porque eu tava no meio dos meus é, quantos irmãos? Eu tava no meio eu tava no meio de mais 6 irmãos meus. E no meio de mais uns 50 primos, 40, 50 primos e no meio de um monte de tias e de primos. Esses camaradas todos, essa gente toda, é era como nossos “parente” mais íntimos. A gente tava tudo perto um do outro, então, a gente não tinha lugar pra dormir. Cê podia dormir em qualquer lugar, se anoitecesse cê podia dormir na casa da sua tia Preta, cê podia dormir na casa da tia Maria, você podia dormir na casa de qualquer um. Cê podia dormir na casa dos seus primos, na casa da sua mãe, na casa da sua avó, na casa dos seus tios, cê na hora de comer, se você tivesse em trânsito, no lugar que você tivesse, você podia comer ali, não era estranho comer na casa dos seus parentes, era em casa também. Os meninos de lá andava, a gente andava, nós. O dia nem bem amanhecia a gente já tava a aproveitando as primeiras luzes do dia pra gente saía plantando, pegar boi, pegar cabrito, é pegar cavalo, ir pro curral aonde pessoas estavam tirando leite das “vaca” pra beber leite na hora que tirava no cane na caneca, é imitar os adultos agarrando aqueles boizinhos pequenos, os grandes pega homens grandes pegavam bois grandes, meninos pegavam bois pequenos. Então, juntava um monte de menino, um puxava o rabo do boi o outro puxava a perna do boi e outro montava no no pequeno, no bezerro e quebrava o braço, quebrava o pescoço, rachava a cabeça, quebrava a perna e toda hora tinha um moleque arrebentado. Assim, doideira mesmo e disparava montado num cavalo sem nada. O cavalo em pêlo, sem freio, sem nada. A gente tirava embira do mato, pegava a embira ia aliciando o animal, capturava ele, enfiava aquele cabresto na boca dele, amarrava na boca dele uma embira feita de fibra de de coisas do mato e um menino jogava o outro em cima do cavalo. Porque o menino não tinha altura pra montar num cavalo. Então, ele jogava o outro em cima do cavalo, o cara se agarrava lá com aquela embira e o bicho saía voando e o moleque em cima. A possibilidade desse moleque é se arrebentá num num debaixo duma árvore, passando com o cavalo, com ele em cima ou ele ficar pendurado num pau. A gente tinha que ter essas manhas. Pendurá num pau e deixar o cavalo ir embora ou meter a cara no pau e cair no chão ou esperar o cavalo passar dentro d’água pra você cair de cima dele dentro d’água. Se ele pegava um um um uma grota daquelas e subia pra uma pedreira daquela lá fugindo com você, você tinha que encarar essas aventuras. Então, assim, a coisa mais comum era os meninos tá com uma tala de bambú. É, pegava assim, bambú. Os tios já sabiam fazer isso. Os meninos quando ficavam grande, menino grande já sabia fazer aquilo. Se você tá andando com um cara e ele quebra o braço ou a perna, cê pega a tala de bambú, pega a tala de bambú, deixa o cara bem quetinho, esticadinho, põe a tala de bambú, quebra ovo, quebra o ovo, muito ovo, gema de ovo. E põe aquela coisa aqui, assim, de gema de ovo no cara, enrola ele e põe aquelas talas e deixa ele preso lá até ele tê uma salvação mais decente, mas por enquanto a salvação é aquilo ali. É tala, é botar aquelas coisas, enxofre, azeite é o que a gente desse na cabeça. Eventualmente passava algum feiticeiro por perto e mandava a gente socar uns coquinhos num aquela uma coquinho. Tô tentando lembrar o nome dele, porque usam pra tirar o óleo fazer sabão Cutieira! Cutieira! Aí pegava a cutieira, quebrava aqueles coquinhos, juntava aquele unguento lá, batia com folhas, umas ramas mágicas, enrolava tudo aquilo no camarada pra salvar ele. Geralmente o cara cresce a geralmente o cara sarava e as vezes o cara crescia e ficava, assim, com o braço meio torto Porque o médico não costurou direito Mas esses meninos, esses meninos, que creceram junto comigo é a maioria deles é viveu assim, aventuras incríveis mesmo e alguns deles ao longo do do do período assim, da adolescência, depois jovens e virar adulto; alguns deles foram morrendo. Os que foram morrendo quando era menino, antes de virar rapaz, eles morreram de doenças é tipo é extosomose ou eles morreram de doença essa doença, como é que chama? Chagas! O cara tava com 16 anos de idade e já tava com o baço, o fígado tava com a parte do organismo dele que podia ser atacado por essas doenças da água, beber água de rio, de lagoa, que a gente bebia água de tudo quanto é lugar. A gente não tava nem aí. A gente tava fugindo dos nossos pais, dos adultos que davam alguma controlada na gente. A gente bebia água de lagoa, bebia água de qualquer lugar e essas águas que a gente bebia ia dando uma envenenadinha no cara. Se ele não tinha é nenhuma medicina doméstica que cuidava dele, ele tava frito, porque a gente não conhecia medicina essa esses recursos médicos hoje, essa parafernália de SUS, de hospitais. Eu até o jovem, até quase adulto eu não sabia o quê que era uma estrutura dessas de médico, esse aparato de hospital essa coisa toda, e muitos daqueles moços nasceram e viveram sem nunca ter ficado sabendo o quê que era uma dessas medicações é de laboratório, sem tomar nenhuma vacina. Você cresce, a vida inteira sem nunca tomar uma vacina na vida. Nem vacina pra pra esse negócio de paralisia infantil, nem vacina pra pereba, nem vacina pra nada. Então, você cresce, incara totalmente bruto. E eu me lembro que da maior parte desses meninos, os que não morreram a bala, assim. Nas guerrilhas lá do sertão é os que não morreram doente, com doenças de vida é na natureza assim mesmo, no embate da natureza. Eles cresceram e estão hoje com suas alguns deles já tem neto, outros tão com seus filhos, assim, igual a eu que tem filhos tardios. Eu tenho uns meninos pequenos e já tenho neto também e é desse tempo a lembrança mais, assim, rica talvez, que eu tenha guardado da convivência com o meu pai e e da presença do meu pai e da minha mãe super, assim, mágica e maravilhosa é naquela naquela grande aldeia, assim, dos meus primos, primas, tios, daquela parentalha toda, porque a partir desse desse tempo, que deve ter sido aí por 11 anos, 12 anos de idade a região que nós que eu nasci, que nós vivemos. Que meu pai, minha mãe, essa minha parentalha pôde viver, assim, em vida selvagem mais ou menos. Ela começou a ser colonizada de uma maneira tão violenta, que as últimas matas. As últimas árvores mesmo frondosas, que tinha na nossa região, elas foram arrancadas em carretas e eu me lembro que foi a primeira vez na minha vida que eu senti cheiro de diesel, cheiro de graxa e de diesel e eu estranhava pra caramba, eu achava muito ruim o cheiro de graxa e do diesel, porque o diesel era o combustível que os caminhão, os caminhões grandão, que entravam pra tirar nossa mata, usavam e aquilo era assim, naquele calor, aquela poeira danada, aqueles caminhões passando levando a mata embora e eu não tinha uma percepção dessa coisa de meio ambiente, desses trem assim mais complexos, mas eu sabia que aqueles caras estavam roubando alguma coisa impagável. É tirando da gente alguma coisa de valor inestimável. Hoje eu sei que eles tavam acabando com o meio ambiente, eles tavam acabando com as nossas nascentes, com as nossas águas, com os pássaros, com os bichos que eu amo. Mas na minha na minha inocência o que eu sentia é que aqueles caras eram desagradáveis, que eles fediam diesel e graxa e que aqueles caminhão eram barulhento. Aí, com essa ocupação da nossa região por empreendedores. Madeireiras, serraria, colonos, criadores de gado, fazendas, nós saímos meio expulso dessa região, foi quando a gente fez a nossa primeira migração e saímos. Meu pai, meus tios, meu avô e uma renca de netos, sobrinhos e filhos, e vieram saíram com uma intenção, assim, meio difusa de ir pro Paraná. A gente saiu , assim, achando que aquele montinho de gente ia atravessar de Minas e ia até um lugar que era Paraná, porque na época, tinha gente saindo de lá da nossa região indo pro Paraná, porque o Paraná tinha floresta, o Paraná tinha bicho, tinha muita fartura, tinha rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Antes da migração eu queria só te perguntar ainda duas coisas lá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Aí a gente foi pra lá, a gente entrou numas de ir pro Paraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Que isso aí já vai ter uma ruptura grande. Que vocês mudam. Mas antes da mudança, eu queria que você recordasse um pouquinho. Quando uma adolescente, assim, ficando mais mocinhas vocês tinham essas aventuras aí? Que você vai poder contar um pouco mais. Quando você era uma criança menor, de quê que as crianças menores brincavam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Ah, as crianças menores brincavam de um monte de coisa rapaz. Uma das coisas que as crianças menores “brincava” era ficava perto do lugar aonde os mais grandes ficavam debulhando milho, tirando milho do sabugo e jogando aqueles sabugos no chão. Nós pegávamos aquele sabugo e pegava um palito, a gente ia pegava graveto de lenha enfiava o graveto no sabugo, botava perninha no sabugo pra fazer boizinho. Então, a gente fazia boizinho com o sabugo, fazia bichos com o sabugo, fazia o o a cerca com o sabugo e pegava aquelas coisinhas de mamona, aquelas bolinhas de mamona enfiando um eixo na em duas bolinhas de mamona, botando rodinha nele, pegando uma uma abóbora, alguma outra coisa. Tinha umas abóboras d’água umas sabe uma coisa parecida com essas buchas de tomar banho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Sei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Essas vegetal, aquela bucha de tomar banho, quando ela tá verde, ela é um ela é um legume. Sei lá. Ela é um legume, assim, compridinho parecendo uma abobrinha. Tinha umas dessas que era pra que depois virava bucha mesmo mas tinha umas outras eram umas pareciam umas abóboras é uma abóbora d’água que chama, umas compridinhas assim, é macia. Então, a gente furava ela com o palito, enfiava as rodinhas de mamona ali assim, e aí fazia uns inventava uns veículos super bacana. Imagina, uma abóbora voadora, uma moranga, um negócio assim. E brincando os artefatos as coisas que a gente ficava brincando assim. Hã e uma idéia mais Ah, claras! A gente vivia aprontando com os pobres dos peixes, a gente pegava a peneira, pegava a peneira, pegava balaio ía pra aqueles córreginhos e vinha um bando de moleque com varas na mão dando o maior cacete, assim, na cabeceira da água, assolando os bichinhos e os outros com o balaio ia ia re ia rede não, a peneira, uma peneira, assim, enfiada dentro d’água pegando os peixinhos. Eram lambarizinhos, piabinhas os minúsculos peixinhos, que aqueles moleques é maluquinhos agarravam ali, alguns mais exibidos ainda pegava o peixinho vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Comia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – E comia ele, pra mostrar com quanta vontade que ele tava de pescar e essa brincadeira de pescaria ela foi muito, muito boa. Foi muito importante, porque como tinha muitos corriguinhos, tinha muitos igarapészinhos com é com a natureza ainda. Abundante, a gente tinha o a oportunidade de tá o tempo inteiro fugindo do meio do mun um pouco, assim, do mundo dos adultos e mergulhando no mundo da da das crianças. Mundo da infância. E esse mundo da da das crianças, assim, mais independente mesmo é um mundo muito bacana, porque a gente podia tudo. A gente escutava de longe, assim, o carro de boi. O carro de boi vinha rasgando e aí a gente já ficava assim, falava assim: Vamo fugir. O carro de boi começava aquela cantiga dele assim, demorava, daqui umas duas, três horas é que ele ia passar perto ali, de onde a gente tava, mas a gente já ficava arrumando um jeito de fugir. Aí, quando podia, pulava em cima dum carro de boi daquele, se escondia. É tão maravilhoso. Menino. Porque menino acha que pode se esconder em qualquer lugar. Como é que você vai se esconder em cima de um carro de boi? Sabe? O cara do carro de boi só não via a gente, porque não queria, porque o carro de boi tava lá, assim. O carro de boi com a esteira grande, assim, de taquara, cheio de milho. Com palha e tudo. O menino achava que ele podia correr, pular no carro de boi e se esconder no carro de boi. E a gente fazia isso, a gente ía, pegava ponga no carro de boi, pendurava nele. Subia pra cima da sacaria de café, de milho ou do milho em palha mesmo e ficava lá aprontando. Viajava naquele carro de boi saía até saía mais fora da vila assim, pegando caminho já pra roça. E tem a história do menino da nossa turma que era meu primo. Edil! Ele foi a turma que pegou ponga em carro de boi, eu acho que ele era muito pequeno meio bobo assim, e todo mundo deitou em cima daqueles sacos de café que o carro de boi tava carregando gostoso. Esse menino dormiu e os outros pularam e ele foi embora. O carro de boi levou ele embora dormindo no carro de boi. Esse camarada apanhou muito quando ele foi pêgo de novo, porque o pai dele, a mãe dele, meus tios acharam que ele tava muito fujão. Mas ele, largaram ele num patrimônio, lá pra cima, e foi denunciado pra família, foi um caso grave. Então, os meninos aprontam pra caramba. Uma coisa que os meninos aprontavam, que deixava todo mundo, os adultos é em povorosa, em pânico mesmo, era quando ficava seco pra caramba, que os pastos tava tudo seco, demorava pra chover, igual a esse ano assim. Aí, os meninos metiam fogo naqueles pastos. Os meus meninos mais malucos. Mais assim, bagunceiros mesmo, eles pegavam um gato ou pegavam um cachorro, amarrava uma palha com fogo no rabo do gato ou do cachorro, dava um pau nele e ele fugia o bicho fugia pro mato espalhando fogo, espalhando fogo no pasto, espalhando fogo na roça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Nossa!&lt;br /&gt;R – Guerrilheiros. Bom, mas a gente nunca causou nenhum dano, assim, muito chocante, a não ser esses gatos e cachorros que agente botava fogo no rabo deles. Os cavalos a gente montava neles, eles davam coice na gente, essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Mas quais foram os primeiros animais, assim, que você conheceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Os primeiros bichos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Ah, o primeiro bicho que eu conheci foi porco, pato, galinha, cabrito, marreco, galinha de angola, paturi, aqueles pato da lagoa, pato d’água, marreco. Hã tatu, paca. Sem muita intimidade a gente ficou conhecendo o porco do mato, porque nossos pais, nossos tios traziam eles, caçavam pra trazer pra nós. Onça, aqueles pequenininhos viados do campo, viadinho do campo, quando eles conseguiam caçar. Cabrito! Carneiro não muito, carneiro eu sempre achei uns caras estranhos, mas cabrito. Cabrito subindo em pedra, aprontando pra caramba, a gente tava sempre juntos. Cachorro. Quais os outros animais? Burro, mula, tatu não é isso as as tropas, os animais de tropa eu conheci desde muito cedinho. Eu me lembro de eu dentro de um balaio, porque os os os os mula e burro são bons animais pra você carregar, botar peso em cima deles. Então, a mula, por exemplo, tem um balaio de taquara grandão assim, que fica pendurado um dum lado um outro do outro equilibrado em cima dela ali carrega numa boa. Eu me lembro que eu era bem pequeno, os nossos parentes quando iam visitar uns aos outros, nas roças, eles cançavam de controlar aqueles moleques e pegava o moleque enfiava ele dentro do balaio. Eu me lembro deu pequeno dentro dum balaio tava lá a mula andando, eu lá dentro do balaio lá. Aí, quando os meninos acordavam, dentro do balaio, os pais tinham que tirar eles de dentro do balaio, porque senão o cara podia assustar o burro ou levar um um tombo. Essa de dormir no balaio é bom pra caramba, viu? E essa de o balaio também me lembrou que no na lá em casa, eu, meus primos, essa turma da minha geração, nós não tínhamos cama. Então, quando a gente era pequenininho a gente ficava dentro de balaio mesmo. Era balaio, tinha os balaio dentro de casa. Não tinha esses objetos, esses móveis, cama. Então tinha esteira e tinha balaio e os meninos, lugar de menino ou era na esteira ou era no balaio é , principalmente menininho, nenezinho pequeno, nenezinho pequeno fica num balaio pendurado pros bicho não comer ele, porque senão vem um bicho e come. Vem um um cachorrro, um porco, algum camarada vem e come o menininho. Então, os o eu e meus irmãozinhos todos, a gente passou nossos primeiros dias de vida dentro de um balaio. O balaio bacaninha pendurado no teto, algum irmãozinho ou priminho maior chegava lá e dava um empurrão na gente, dava uma balançada. Quando a gente ficava quietinho tava tudo bem, quando chorava ia lá dava mais um empurrão, balançava a gente. Esses balaios, esses objetos, balaios era uma coisa muito manjada, todos todos os mundo que tinha menino tinha que ter balaio. Cê não podia ter menino, como é que você ía cuidar dele? Você ía ficar com eles no colo? Ou largar ele só no chão? Então, esse negócio do balaio, eu me lembro de escapar do balaio, assim, de ficar rodando pelos quintais, de empurrar o balaio depois dos meus irmãos, das minhas irmãs que nasceram depois de mim. Porque antes de mim tem uns quatro, Ruth, Benjamin, é o Assir e eu sou o quarto, é. Aí, depois de mim tem, Miriam, Miraci, o Alair, o Elier. Então, nós somos nove. Eu sou um cara no meio, assim, da turma. E eu balançava esses mais novinho, que nasceram depois de mim, no balaio. Aí, depois quando tem muitos meninos, assim, tudo meio pequeno, tem que ter vários balaios. Esses balaios são umas coisas muito bacana, porque a gente além da gente andava no balaio pendurado no burro, ficava no balaio dentro de casa e depois a gente usava esses balaio pra pegar peixe, pra pescar. Usava as as peneiras, também, pra pegar peixe, pra pescar. E uma outra coisa que a gente aprontava com esses balaios, era armadilha pra pegar passarinho. Um balaio que não era muito grande, um balaio mais assim, arrumadinho. A gente enfiava uma vara lá no pé do balaio, assim, prendia, amarrava aquela varinha lá, aí puxava a vara pra cá, levantava o balaio aqui, assim, aí tinha um cortinho, assim, na madeira, no pau que vinha lá de baixo, a gente vinha, botava uma pequena pecinha aqui do chão, prendendo no na pontinha disso aqui com uma um barbantinho, assim, amarrando aqui, no pé dela lá preso aqui assim. E botava farelo e botava coisa ali pras bombinhas, pros passarinhos lá. Aí quando os passarinhos entravam lá pra comer canjiquinha, comer coisa lá de baixo do balaio, eles batiam o a asinha ou davam uma bicadinha perto daquela forquilha, aí ela derrubava o balaio em cima deles, prendia os passarinhos. Tipo de arapuca. Acho que muita gente da minha geração que não nasceu nas cidades. No caso. Na década de 50. Eu nasci em 53. O Brasil não era a essa coisa urbana que a gente conhece hoje. Em 53 o Brasil ou nós tínhamos as capitais. Os grandes centros, assim, urbanos, centros comerciais, ou as cidades históricas. No caso de Minas você tinha Diamantina, Ouro Preto, Mariana e tal. Conceição do Mato Dentro, Santana do Riacho. Aquelas cidades coloniais. Fora daquelas cidades coloniais era o sertão e a região que eu, que meu pai. Meu avô, minha mãe, minha turma toda é teve a experiência é da infância, foi é a infância em contato com a natureza, com os ciclos da natureza. Com as tempestades, com as chuvas, com curisco. A pedra que desce do céu arrebentando tudo. E com a natureza agindo sobre a nossa memória, sobre a nossa é compreensão do mundo de uma maneira tão poderosa, que a gente tinha uma, desde pequeninino a gente ia ganhando, assim, uma marcação forte do ritmo da natureza. Do tempo das águas, do tempo da seca, do tempo das “enxente”, das inundação e tanto que os meninos botavam o fogo no na lavoura, botava fogo no pasto, botava fogo no mato seco, porque os meninos sabiam, que aquela época, era a época, que a terra, o lugar onde eles viviam, tava seco. Por isso que eles botavam fogo, não era só um uma sacanagem dos meninos de va Vamos fazer uma sacanagem. Vamô fazer uma coisa errada, assim, botar fogo. Os meninos não , nós num nós nunca pensamos que a gente tava fazendo qualquer coisa errada, a gente botava fogo no mato, porque o mato tava seco e não tem melhor coisa do que tacar fogo no mato quando ele tá seco Depois vem a chuva e depois vem a enxente. A gente tinha certeza que depois vinha a chuva. A gente tinha certeza que depois vinha a inundação, vinha enxente e tudo. Então, a gente não não preocupava de botar fogo no mato. Hoje eu fico prestando atenção, Se o menino botar fogo no mato hoje, nossa! Não! Inferno! O menino não pode mais botar fogo no mato, porque eles não tem mais mato acabaram com o mato todo. No meu tempo tinha mato e de uma geração, duas, três gerações a as as coisas que são é formadoras da da identidade, da cabeça da pessoa, do ser, mudam tanto, mas mudam tanto e eu fico olhando de quando eu era menino. Agora que meu netinho Sian que tá com 2, 3 anos ou que meu filho Kremba que tá com 6 anos é o que o que eles experimentam com relação a liberdade, a liberdade de estar na natureza, de interagir, de mexer com a com as coisas da terra e de ter a impressão do mundo, assim, sobre eles com, sabe? A natureza potente com chuva, com vento, com seca. Essa esse contato, assim, ele tá sendo cada vez mais é distante. E eu tenho o desejo, que as crianças do mundo inteiro, possam se chocar com a natureza, e não, viver separados da natureza, porque a a eu acho que enquanto a gente puder se chocar com a natureza, nós vamos continuar tendo a memória dos antigos seres humanos, que são os nossos ancestrais. Quando a gente parar de se chocar com a natureza, nós podemos continuar sendo humanos, mais nós vamos ser muito diferentes desses antigos seres humanos que a gente aprendeu a amar, a a reverenciar eles pelas coisas boas que eles significaram pra gente, que eles signifacam pra gente. Eu fico pensando isso. Eu gostaria que as crianças todas pudessem ser mais é livres. Eu, agora que eu fiquei lembrando da minha da minha infância, assim, dessa liberdade é desgovernada que a gente viveu. Eu fico olhando, hoje a criança tem obrigação de ir na escola, hoje o o menino, o seus seus pais não botar o menino na escola, os pais vão ser responsabilizados, sei lá. Vai um um cara do governo, um oficial do governo chama a atenção da família, porque não botou o menino na escola. Totalmente. Quer dizer, a possibilidade dos meninos terem esse choque com a natureza e aprender desse choque com a natureza de verdade, transcender de alguma maneira, está cada vez mais controlada pelo modelo de de cultura, de sociedade que nós estamos no mundo inteiro é adotando. Voluntariamente ou involuntariamente tá todo mundo virando civilizado. No no na terra toda, no planeta todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Desse desse gancho, como é que foi a sua experiência de aprender as coisas? Você aprendia com quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Com a natureza principalmente. Eu tava falando desse negócio do choque da natureza, porque agora que eu já sou é tô mais, digamos, crescidinho e passei a enfrentar é situações novas, que eu tinha que responder essas situações é, desafios é no mundo dos adultos. Do trabalho, por exemplo, o mundo do trabalho é O quê que é o mundo do trabalho? O mundo do trabalho é uma escala grande daquilo que eu vivi do meu choque com a natureza. Tudo que a natureza me ensinou me deu potencia pra eu resolver coisas agora que eu sou um camarada mais crescidinho. Quando eu era pequeno e andava com aqueles balaios, com aquela peneira, enfiando ela assim oh, na beira da da água, subindo o o igarapé assim, nas beiras do da água tinha vegetação que caía e tampava a água. Então, eu ia por ali, assim, batendo a peneira. Os meninos lá batendo pau e espantando os bichos. Dali daqueles daquelas beiradas de barranco podia, a gente podia dar a sorte de pegar uma traira bacanona, assim, mas também, podia sair uma cobra, podia sair uma sucuri, podia sair um bicho dali. Então, a gente tava treinando nossa inteligência, a gente tava treinando a nossa capacidade pra lidar com complexidade, com desafio. Se viesse uma cobra a gente tinha que fazer alguma coisa, se viesse uma traira a gente agarrava ela. Então, a gente tava ali. E a gente ia com os pezinhos descalços. Porque, eu devo ter usado mesmo, assim, um um calçado desse que pen prende o pé, a partir de 8, 10 anos, antes disso eu não botei esses trem pra me prender meu pé, eu andava com meu pé totalmente a von no chão e usei eventualmente, porque até até jovem, assim, idade já de rapazinho eu sempre tive a maior liberdade com o meu pé. Não queria ficar prendendo ele, nós os meus eu e os meninos que cresceram comigo, crescia com o pé livre. Pé solto. Agora as pessoas vivem todo mundo com o pé preso Aí, a gente andava de pé livre. Pé livre, cabeça livre. A gente andava pisando na pedra, pisando no chão. A gente ía por dentro da água metendo o pé, assim, na no no fundo e a gente sabia se o fundo era de matéria orgânica que tava podre, de material que tava ali. Aquelas coisas que caía de folha, de mato. Se a gente tinha areia ali debaixo do pé, se era uma lage de pedra. A gente ía pegando isso tudo sensação. Era o nosso pé que ía lendo o chão pra gente. Se a gente pegava o pé e metia o pé no estrepe, assim, numa pedra, num pau que furava o pé da gente. A gente tava aprendendo, aprendendo, aprendendo, aprendendo, aprendendo. Então, nós aprendemos tateando, tateando o mundo, tateando a terra. Os bichos! Sentindo o cheiro do mato, sentindo o cheiro dos bichos. Você ía enfiando aquele balaio, aquela coisa tão é tão assim, espontâneo dos meninos, de enfiar aquele aquela peneira dentro d’água, de jogar ela pra fora, assim, pra tirar os bichos que você pescava, que pegava. Aquela aquelas práticas todas eu sinto hoje. As vezes eu tô, sei lá, tô aqui no numa reunião, numa situação di diferente na política, uma situação que eu tenho que representar a minha família, a o meu povo ou o movimento social que eu tô engajado nele, ou um interesse de um empreendimento que eu tô envolvido com ele. Eu tenho que discutir com um camarada, um executivo de uma empresa, com o Ministro, com o camarada do governo, seja quem for, mas ele tem um ponto de vista eu tenho o meu. Ali naquele momento que eu tô ali confrontando aquela situação o menino vem e me dá a mão. O menininho do balaio, da esteira tá lá, assim, pendurado, montado num burro. É aquele menininho sabido, que chega e fala: Oh, passa a peneira assim, entendeu. Vira o balaio pra lá. Dá um pulo pra trás. Cai de cabeça. Então, eu tenho certeza que esses é esses momentos que a gente pôde viver de verdadeira liberdade, onde a gente corria o risco, inclusive, de se matar. Porque eu falei com vocês que alguns dos meninos morreram. Mas o maravilhoso disso é que a gente tava tão pleno de vida, que tudo quanto injeção que a gente pegou da vida ali, potencializou a gente, pra gente viver em qualquer lugar do mundo. Eu já fui pro Japão, eu já fui pra Europa, eu já fui pros Estados Unidos, já andei pela América Latina, já andei entrei em lugares que só doidão, só guerrilha mesmo é que anda, já andei também, já fui em reunião do Banco Mundial, no Congresso Americano, na ONU, na CIA, na KGB. Já andei nesses lugares todos e pra mim não tem importância nenhuma, porque o lugar mais bacana do mundo que eu já fui mesmo, foi dentro daqueles córregos, passar peneira, enfiar balaio, andar em balaio na ca no lombo de burro. Ficar enfiando cana na engenhoca, assim, com medo da cana puxar, enfiar a mão da gente lá pra dentro. Os bois puxando engenho, a gente enfiando cana. Os nossos tios pegando aquela garapa lá, aquelas vasilhas de garapa, jogando nuns “calderão” enorme, numas fornalhas gigante, que eles botavam um monte de lenha lá pra queimar. Fazendo melado, fazendo garapa, fazendo aquelas coisas. O cheiro da daquele material todo de cana de cana moída, o cheiro de café, esse cheiro de da natureza, mudando em cada época do ano. Na época da chuva, na época das águas. Na época das águas aquilo tem um cheiro, assim, que você sente que aquele cheiro, assim, igual de ficar no colo da mãe, aquele cheiro de tá mamando, assim, na época da chuva. Aí quando tá secão, assim, você sente que aquela coisa, assim, que é um tempo que te exige mais cheiro da terra exige de você mais prontidão, exige de você, assim, dormir menos, ficar mais esperto. Então, a terra dá um imenso é um manual de vida pro menino e privar os meninos, ainda mais no comecinho da vida deles, dessa desse choque com a terra, com a natureza é de alguma maneira antecipar esses adultos, esssas futuras gerações de adultos, que eu fico é pensando, que vão ser diferentes dos antigos seres humanos que nós aprendemos a amar, que a gente escutou as histórias deles. Eles corriam mais risco, eles morriam mais. Eles não eram tão garantidos. Você não tinha certeza nenhuma se o seu pai ía ficar vivo até vê você grande. Você não tinha certeza nenhuma se o seu avô ía ficar lá, assim, velhinho. Agora nós tamô vivendo no mundo das certezas. Todo mundo põe todo mundo no seguro, bota o cachorro no seguro, a avó no seguro, papagaio no seguro, o avô no seguro e fica essa perspectiva totalmente é neutra dum choque com a com a vida. Com a terra. Eu, mas depois que eu cresci mais, assim, fui pegando, aprendendo coisa com muita gente no mundo inteiro e muito interessado em aprender as coisas dos outros, eu tenho uma curiosidade sobre os outros. Pra mim, coisa mais importante que tem depois da natureza, do choque com a natureza, é o choque com o outro, com outro ser humano. Quando menino era com os outros meninos, com as meninas, com os bichos. E quando eu fui crescendo era com os outros seres, com os outros pensamentos. Aí eu li, quando Ferreira Goulart fez aquele, quando acabou o tempo da ditadura, aquela baixaria, anistia. Aí voltaram alguns camaradas interessantes pra cá e um deles foi o Ferreira Goulart. E o Ferreira Goulart quando voltou do exílio, ele publicou um trabalho lindo, que ele deve ter feito no tempo que ele tava exilado, que chamava: Dentro da noite veloz, Poema Sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Poema Sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – É, Poema Sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – E Dentro da Noite veloz foi depois. Não é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – É ele fez o Poema Sujo no exílio em Buenos Aires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – É, você leu? Você lembra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Lembro, maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Que ele fala dessa coisa dos meninos e depois de ver o mundo. Em São Luiz do Maranhão. Aí vai falando das coisas, da rua, do quintal. Aí quando eu li aquilo, eu falei: Será que todas as pessoas que viveram no tempo que eu vivi ou um pouco, aquele período ali de mudanças. Porque ho hoje o tempo tá tão, assim, cronometado cro cronometrado, que uma semana faz diferença, um mês faz diferença. Só que eu tô falando dum tempo em que eu posso dizer que eu era, do tempo do Ferreira Goulart, porque no tempo dele e no meu tempo, esse tempo que eu me me ligo a ele afetivamente. Ele era um tempo elástico, um tempo onde as pessoas podiam ser um do tempo do outro mesmo com diferença de 20, 30, 40 anos. Porque era um tempo elástico, agora não dá mais. Desse tempo folgado, que uma pessoa de 20, que um cara que nasceu 20 anos depois de você do seu tempo, num tem mais. Porque os menininhos com 4, 5 anos de idade já são capturados já por quatro paredes, enfiado em algum sistema de controle e ele não pode levar, ele não pode botar a mão num poraquê, assim, que é um peixe elétrico e levar um choque, ele não pode levar uma mordida de cobra, ele não pode levar uma picada de aranha. Então, essas possibilidades da gente é se chocar com a natureza, eu acho que é o registro mais é forte que eu fiquei da minha infância. Eu podia descrever coisas da infância, assim, descrever coisas que me passou na infância, mas eu acho que a descrição do do, o evento que aconteceu, ele tem importância simbólica. Agora, profundamente importante mesmo é o que ele deixou em mim. Porque a minha alma traduziu aquele evento. Quando alguém quebrou o braço perto de mim, quando o menino rachou a cabaça do outro, quando ele dormiu no carro de boi, quando a gente ía pegar os bichos, ou então, quando eu fui pegar peguei uma vara, assim. Tá lá, natureza não é égua. Meu irmão ganhou uma potrinha linda e aí ele botou o nome dela de Natureza, aí Natureza criou, ficou linda. Natureza, aquela éguona bonita comendo lá e aí os meninos corta ”cascaram” milho, jogaram aquele monte de palha, ela ficou lá comendo sabugo. Aí eu vi que tinha um monte de palha embaixo de onde ela tava, assim, aí eu peguei uma vara e fui puxar as palhas, igual puxa com rastelo, puxar as palhas de baixo dela. Ela deu um sinal pra mim que não tinha gostado, que ela balançou o rabo, assim, tipo espantando mosquito. Aí eu passei a vara de novo ela não teve dúvida, ela me meteu um coice cara bem aqui na boca do meu estômago. Ela tinha tanta força, lindona, fortona, o carinha, assim, aquele aquele sacizinho subiu, sem ar, sem nada Eu ficava querendo saber se eu ía morrer ou não. Aí caí lá. Aí todo mundo foi me socorrer. Carregar, dar água e tudo. Mas um coice bem dado, assim, no estômago, de um animal com saúde, legalzão, rapaz! É bom pra matar o moleque. Então que eu aprendi? Que minha alma capturou, daquele da natureza tão linda? Ela é amiga. Não é minha inimiga, que ela fez comigo? É igual uma mãe, a mãe pega e vai no pé do ouvido do filho. Hoje não pode, o juizado de menor vá vá vá não pode. Não bate no menino Não, quê é isso! Cara batendo no menino. Oh, o vizinho dele falou, escutou, ele puxou a orelha do menino. Tem um bando de débil mental por aí dizendo que criança não pode apanhar. A natureza me deu um coice na boca do estômago e me ensinou muito mais do que alguns anos de escola, de curso, de treinamento, workshop, oficina e outras asneiras que você pôde inventar. Com um coice ela me deu um grau freou a dar um um bom tempo da minha vida em chegar vivo aos quase 54 anos de idade, porque dia 29 de setembro é meu aniversário. Eu vou completar 54 anos e quanto mais eu consigo a contactar essa memória, eu brigo com as outras mais antigas, que são o que eu que eu reverencio, que são a memória, que é essa memória dos nossos antepassados aí eu vou é viajando, viajando e entrando nos mananciais de de visões e e presentes que são essas histórias antigas, que são as visões que os nossos avôs, que os nossos bisavôs, que os nosso antepassados deixaram pra gente. Aí é muito legal. Porque o o o igarapé que aquele menino bate peneira, ele tá ligado com o rio de memória muito grande, que é o rio de memória que os mais velhos foram é contando pra gente, compartilhando com a gente, ensinando. Os modelos, sabe? Resolução de coisas. Quando eu pensei o Memorial, por exemplo, o Memorial não é uma coisa que eu inventei. O Memorial, eu acho, que quando eu tava passando balaio no no no nos córreghinho junto com os meninos, eu e os meninos já tavam testando, testando. Há um há um tempo atrás, quando eu tava com uns vinte e pouco, trinta anos de idade eu tive contato com essa coisa de idéia de tecnologias. As diferentes tecnologias. Aí eu, naquela época eu fiquei pensando que eu queria muito fazer alguma coisa com relação as tecnologias tradicionais. Ainda nem tinha esse negócio de desenvolvimento sustentável, não era uma coisa tão assim, difundida. Mas na minha cabeça eu fui ficava pensando, assim? Aquele tanto de intrumentos, de coisas, que eu vivi na minha infância, que eu via todo mundo resolvia, as pessoas resolviam tudo, assim. Tinha comida, tinha garapa, tinha rapadura, tinha bebida, tinha aquelas farturas todas. Com aqueles engenhos simples, aquelas coisas que eles faziam de madeira, faziam de pedra. O moinho, o moinho d’água lá, a pedra triturando o milho, aquela coisa. Será que as crianças hoje sabe? Que com uma roda d’água, uma engenhoca com pedras friccionando uma com a outra tira farelo, tira fubá, tira milho, tira tira coisa pra ele é. Processa a o milho, processa outros produtos que ele pode usar. Então eu via tudo isso, eu ficava pensando: Eu queria fazer alguma coisa pra essas tecnologias tradicionais, ter ainda funcionalidade, ter função e ficar em lugares onde as as crianças, onde as pessoas pudessem chegar e ver essas coisas, como uma espécie de uma memória, assim. Isso é uma coisa que eu pensei há muito tempo atrás e não rolou, não tive tempo, fui fazer outras coisas. Aí agora, com a com a parábola. Do tempo passando, assim, você vai costurando as coisas, eu o caminho que eu vim fazendo, as pessoas que eu juntei, que se juntaram em torno de mim, que eu me juntei na ciranda deles e fomos andando junto é me deram elementos pra eu pensar nessa coisa de levantar um lugar onde essas histórias podem acontecer e onde isso pode ter uma animação em torno disso, e eu acho que lá no na infância batendo balaio é lá. Quando Vevéco tava conversando comigo, que ele ficava perguntando pra mim, mas Vevéco maravilhoso, ele é capaz de passar um dia inteiro, uma tarde inteira sem mudar de assunto. Querendo é entender quê que a gente ía fazer dentro desse Memorial. Aí ele gostava de cozinhar. Aí ele falou: E comida? Não vai ter? Não vai ter cozinha? Ele falava: Não vai ter? Tem que ter uma cozinha. Ah, claro que tem que ter uma cozinha. Ele falou: Mas a gente faz cozinha igual índio? Faz cozinha lá fora? Porque índio faz cozinha lá fora. A gente tem aqui a oca dele e a cozinha lá fora, é um tapiri, que faz lá fora, no giral. Aí eu falei: É Vevéco, a gente podia, tem as malocas grandes lá fora, a gente podia deixar lá perto daquelas malocas um lugar lá pra fazer esses tapiri aí pra cozinhar. E mas lá dentro também, a gente podia arrumar um lugar bacana, Vevéco? Porque, aí você, a sua turma, que que vai lá pro festival de...&lt;br /&gt;P/1 – Tiradentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – É, de Tiradentes. Fazer aqueles pratos incríveis. A gente podia fazer um forninho daqueles de barro e tal, ele: Não, nós vamos fazer e tal. Ficava conversando essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Ailton eu tô achando o seguinte, que pra primeiro tempo de conversa tá muito legal, eu já vi que o segundo vai ser essa longa jornada. Você vai contar essa história da migração de vocês. E mas que pra nós aqui já valeu muito. Foi uma grande viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Que bom! Eu não sabia como que a gente ía fazer isso. Eu gostei de vocês me darem alguma, algum rumo, porque eu fiquei pensando assim: eu quero fazer isso lá no Memorial. Eu ficava pensando: Será que a gente vai deixar a pessoa assim, ele chega lá, ele fala sozinho ou tem que ter alguém que fica conversando com ele? E no fundo, no fundo é. Eu acho que essa coisa do gravar com os mais velhos, gravar com as pessoas. Eu não sei por quê, que eu acho, que mais eu tenho mais interesse em gravar com os mais velhos do que em gravar com os mais novos. Eu não sei por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Hã, hã. Claro, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Porque eu fiquei pensando: Será que eu é quê tô com essa mania de querer gravar com os mais velhos? Em vez de gravar com o novo também? Mas eu fico assim, apaixonado, é pelo que eu ouço dos velhos. Quando eles começam. Esse negócio deles começar a me contar uma história, ele entra num outro numa outra onda, assim, aí ele vai, daí a pouco ele tá falando uma outra língua, num outro lugar, num outro planeta. Eu tô lá atrás com ele. Eu fico achando maravilhoso é aquilo, porque eles tiram a gente do do lugar. Quando eles tiram a gente do lugar e leva pra outro lugar, essa aventura é que é maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Pois é. É porque como eles já tão navegando aí nesse grande rio na memória, só tem que tá ali pra dá uma puxadinha ali ou outra, mas a conversa é deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Olha aquele ali. Só você dá um toquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – É. Porque não pode ser aquela coisa só do jornalista, que fica perguntando, perguntando, perguntando. Muda de assunto o tempo todo e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Deixa ele falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/2 – É muito mais ouvir, saber ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Olha, é tão maravilhoso isso é o estudo que eu venho tenho feito sobre memória, assim, é dessas desses rios de memória, que eu tava percebendo uma coisa que é o seguinte. É eu tenho um trabalho de rotina, junto com o governo do estado lá em Minas e, uma interlocução que eu tenho muito permanente, é com o pessoal da saúde, os profissionais de saúde, que trabalham junto comigo nas aldeias. E ano passado a gente fez um encontro só de Pajé, de curandeira, de parteira. Pegamos as parteiras, pegamos as pessoas, assim, aqueles raizeiros que nin nem na aldeia os outros não falavam que ele era raizeiro, que ele é na moita. Aí juntamô essa turma, assim, com o maior cuidado, assim, convidamô eles pra gente juntar e tal. E ficamô conversando, conversando e aí a gente foi percebendo algumas coisas. Algumas receitas, algumas práticas muito ancestral, muito antiga, você se você fizer uma investigação pra descobrir, como é que aquilo é transmitido? Você vai ter dificuldade. O canal. Porque a eu acho que quando você não presta atenção, você faz. Não tá tudo aí. É só prestar atenção, mas não é não. Tem uns canais, tem uns uns umas mágicas de passar aquelas coisas, porque a gente tava observando, por exemplo. Nu na mesma tribo, na mesma aldeia, tem aquelas família dali, aquelas família daqui. Aí alguém de fora pode achar que ali tem um conhecimento assim. Tem um conhecimento ali assim difuso sobre, por exemplo, plantas. Aí você chega nos véio” fala assim: Essa planta aqui, pra quê que serve? Aí ele te dá uma lista de coisas que ele sabe que aquela planta serve. Aí você pega um outro camarada, que é mais ou menos da mesma idade dele, só que mora lá naquela outra grota lá, ainda que da mesma tribo, pergunta pra ele, ele te dá uma lista totalmente diferente da que ele te deu. Aí você pensa: Uaí, será que esses caras é tão me enrolando? Não! É que aquele cara sabe que aquela planta é boa pra aquilo. Ele sabe que aquela planta é boa pra aquele outro, mas eles dois não juntam receita e não trocam receita. E quando ele for ensinar. Quando o Zé for ensinar, não vai ensinar pro filho daquele cara. Aquele cara vai ensinar pro filho dele, pro sobrinho dele. O Zé vai ensinar pro filho dele, pro sobrinho dele. Não tem esse negócio de você espalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 - E como é quê é quando isso apareceu quando juntou esses antigos conversando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - No começo ninguém falava nada. Ficou todo mundo, na tocaia um com o outro assim. É igual uma reunião de feiticeiro, você entendeu? Numa reunião de feiticeiro ninguém fala nada. Porque senão eles vão descobrir que você é feiticeiro. Aí a gente fica lá. Tem algum feiticeiro aí? Quem for feiticeiro levanta o braço. Entendeu? Aí então, aí eu tenho umas coisa, que eu fui sacando sobre esse negócio da memória, que foi me pegando, sou apaixonado por essa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/2 – O que você define como rio de memória? Só pra gente acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – É uma imagem é , que eu é busco, pra é poder nomear aquele corpo. Um corpo, um verdadeiro corpo e material de memória, de potência assim, com registros que ligam esse choque da natureza com essa memória humana. Os seres humanos, independente da sua tribo, da sua cultura, compartilham uma memória, uma ima imagina um grande rio onde águas de vários lugares, a água da chuva, a água dos igarapés, a água das nascentes, a água dele mesmo, dos lagos vai se é integrando, vai se rolando, vai fazendo fluxo. Esse grande rio é o a experiência que pode. Ser é percebida nesses processos que a humanidade viveu até hoje, e que a despeito de todas as desgraças que a gente viveu, de guerra, matança. Que a história da humanidade é a história da matança. E apesar de tudo isso, esse rio de mamória sobrevive, passa por essas é desgraças todas e preserva pra esse momento que nós estamos vivendo a possibilidade de eu estar falando com você, de tá falando com o Zé, da gente tá conversando aqui, sabendo que tudo que a gente tá dizendo um pro outro o outro tá entendendo. Só tem essa, eu acho que só é possível isso, porque esse rio de memória, ele é tão poderoso, que ele é permite que a gente se entenda nesse nesse instante. Não é nem no futuro, nem no passado, entende? Não é nem no futuro, nem no passado, não é alguma coisa pro futuro, não é alguma coisa pro passado é essa possibilidade da gente ser, reconhecer de comunicar um ao outro. Já me lembrei desse negócio do passado e do futuro, porque tinha a ver com esse sentimento. Há um tempo, até uns dois, três anos atrás, veio um índio é Maia de lá da Guatemala, participar de um encontro que nós fizemos aqui no Brasil sobre sociedade da informação. Eram os índios da América Latina discutindo essas novas tecnologias e como é que agente ía se virar com elas. Se a gente ía se escondê delas ou se a gente ía agarrar elas. Aí esse parente, esse rapaz, cara já assim maduro, ele participou lá na Guatemala, que eles viveram muita guerra civil, muita coisa, ele tava participando de um grupo de pessoas que tavam trabalhando pra pacificar a sociedade. Esquadrão da morte, aquelas coisas nojentas tudo, ainda tava muito assim, ainda tem lá. Cortar a cabeça, tudo. Aí eles tavam é fazendo intervenção. Pra acalmar esse ambiente. E a gente sabe que a ONU, esses outros organismos, esses caras todos, eles tem os instrumentos deles. Tá rolando o maior cacete lá no Oriente Médio, eles mandam lá os a missão da da ONU, o soldado, não sei o que, ajuda humanitária e tal. Mas os Maia tem outros rios. Bebem em outros rios, ancestrais e tudo. Então, eles tem uns trabalhos pra lidar com essas coisas, que só pode só pode ser feito, porque eles tem ainda essa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P/1 – Mas Ailton, muito obrigado por esse primeiro tempo, e vamos fazer outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R – Ah, maravilha. Obrigado de vocês terem me pro proporcionado essa vinda, lá das montanhas, pra encontrar com vocês aqui hoje e eu vou ver se agora de tarde eu consigo ver uma turminha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.museudapessoa.net/MuseuVirtual/hmdepoente/depoimentoDepoente.do?action=ver&amp;idDepoenteHome=11209&amp;key=6135&amp;forward=HOME_DEPOIMENTO_VER_GERAL&amp;tipo=&amp;pager.offset=5&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-8918524578667654934?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/8918524578667654934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=8918524578667654934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8918524578667654934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8918524578667654934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/05/arquivo-2007-entrevista-de-ailton-ao.html' title='(Arquivo 2007) entrevista de Ailton ao Site do Museu da Pessoa'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SgHg2GciGqI/AAAAAAAAAIU/-ZgKsQ_pXSk/s72-c/Ailton+Krenak_bx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6694951804603774457</id><published>2009-04-10T07:20:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T07:24:11.147-07:00</updated><title type='text'>Programa radiofônico indígena na internet é lançado com acervos</title><content type='html'>09/04/2009 - 11h24&lt;br /&gt;Programa radiofônico indígena na internet é lançado com acervos&lt;br /&gt;Redação 24HorasNews&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O Programa de Índio, primeiro programa radiofônico feito pelos povos indígenas, teve seu acervo recuperado e estará disponibilizado em portal da internet. O site www.programadeindio.org foi apresentado oficialmente na terça (07), no auditório do SESC em São Paulo. A cerimônia contará com a participação dos apresentadores originais &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ailton Krenak&lt;/span&gt; e Álvaro Tukano, além do coral Guarani Kekoá Pyau.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     O projeto “Programa de Índio- história e histórias”, idealizado pela Ikore- projetos culturais e artísticos, em parceria com o Núcleo de Cultura Indígena, foi selecionado pelo edital Petrobras Cultural e possibilitou a digitalização e recuperação deste acervo, com 200 dos programas que construíram a primeira experiência radiofônica de povos indígenas do Brasil. O programa semanal com duração de 30 minutos, ia ao ar na rádio USP, nos anos 80, e foi o primeiro programa no Brasil a colocar os povos indígenas como protagonistas na mídia eletrônica. Com muita verdade, como se fosse uma conversa em volta do fogo, o programa trazia o som das aldeias, a música ritual, as cerimônias, além das informações sobre o cotidiano e as expectativas dos povos indígenas. Com essa iniciativa, a sociedade brasileira poderá ouvir novamente as vozes que fizeram o movimento indígena e ter acesso a mais informações sobre esse período e sobre a história do Brasil.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     As raízes&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     A Rádio USP, ligada à Universidade de São Paulo, cumprindo o papel social de uma rádio educativa, tinha uma programação plural e com temática arrojada, aceitou o desafio e em junho de 1985 foi gravado o piloto, que foi ao ar logo em seguida como o primeiro de uma série de 220 programas diferentes, ao longo de 4 anos e 9 meses. A partir de 1987, o programa começou a ser distribuído para outras emissoras, entre elas a Rádio Universidade de Santa Maria/RS, Escola Federal de Engenharia de Itajubá/MG e Kaiowá de Dourados/MS.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     Álvaro Tukano, Apolônio Xocó, Biraci Brasil, Daniel Cabaxi, Marçal Tupã-i, Marcos Terena, Paulo Bororo e muitos outros estavam há anos em um movimento de luta pela organização dos povos indígenas em torno de seus direitos. Pessoas de diferentes etnias, que entendiam a política e o pensamento dos “brancos”, vivendo, trabalhando, estudando nas cidades, elas buscavam interlocutores entre políticos e formadores de opinião, aliados e parceiros para embates com o governo, para a conquista de seus direitos e afirmação de sua identidade.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     Tinham na bagagem viagens para fora do País, participação em encontros, seminários, espaços conquistados a mídia, alianças com instituições e intelectuais da época. Sabiam de “onde vinham, o que queriam e para onde iam”. A idéia do Programa de Índio foi gerada nesse ambiente, com essas lideranças, com a compreensão de que novos espaços deveriam ser abertos para a voz e o pensamentos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;     O rádio foi escolhido como instrumentos por ser um meio democrático, conhecido e respeitado pelas comunidades indígenas, e por não exigir investimentos altos na produção dos programas. O desafio era encontrar uma emissora que abrisse espaço para um programa dirigido e apresentado por pessoas indígenas, com temática e formato definido por elas e que ainda tocasse a música tradicional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiram no site abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;SITE: http://www.programadeindio.org/&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.24horasnews.com.br/index.php?tipo=ler&amp;mat=287362&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6694951804603774457?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6694951804603774457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6694951804603774457' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6694951804603774457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6694951804603774457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/04/programa-radiofonico-indigena-na.html' title='Programa radiofônico indígena na internet é lançado com acervos'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6582716095180372773</id><published>2009-02-20T03:41:00.001-08:00</published><updated>2009-02-20T03:47:15.089-08:00</updated><title type='text'>Matéria exibida no site: http://www.manuelzao.ufmg.br/folder_informa/folder_ultima/saudacao-a-natureza</title><content type='html'>Por: Macaco, de Jequitibá    Publicado em: 08/09/2007 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudação à natureza &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SZ6XcF9ELbI/AAAAAAAAAHM/swTuetLJXhY/s1600-h/1.htm"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SZ6XcF9ELbI/AAAAAAAAAHM/swTuetLJXhY/s320/1.htm" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304843919979457970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh minhã teió, oh minhã teió;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei, hei minhã teió;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh minhã teió, oh minhã teió;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei, hei takru krerré. Hei, hei takru krerré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Oh minhã girum, oh minhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao som desses versos na língua burum, um grupo com mais de 100 pessoas de mãos dadas andavam em direção ao lago no centro de Jequitibá. O grupo era liderado pelo índio Ailton Krenak, do povo Krenak, que reproduziu no FestiVelhas o ritual indígena de saudação às águas. Segundo Ailton, a música trata-se de uma conversa com a água e um agradecimento pelos benefícios que ela traz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SZ6Xrs4S6oI/AAAAAAAAAHU/RP785w14Mus/s1600-h/2.htm"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SZ6Xrs4S6oI/AAAAAAAAAHU/RP785w14Mus/s320/2.htm" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304844188126472834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda reunidos em círculos ou em duas filas, os presentes cantavam, dançavam e ouviam as explicações de Ailton. “É preciso entrar em sintonia com a natureza e ouvir o que as águas tem as nos dizer”, diz ele sobre a relação que os homens devem manter com ambiente. Após as saudações as águas, o grupo ainda cantou em círculo uma música de despedida e reverência ao sol, cantada pelos índios no fim dos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton ainda reuniu algumas crianças e disse que, na infância, nossos espíritos estão ligados à natureza, porém, quando crescemos, paramos de ouvi-la. “Por isso, nós adultos temos muito a aprender com as crianças”, conta Ailton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a época em que seu povo realiza esses rituais, ele afirma que não há data, sempre é ocasião. “A gente faz esses rituais o tempo todo, porque é uma necessidade que nossos espíritos sentem de comunicar com os seres do vento, da água, do fogo e da terra. No mesmo dia você pode encontrar uma família cantando para sol, outra cantando para a chuva, outra para céu ou para terra é porque elas sentem necessidade dessa ligação com a natureza”, relata Ailton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a época em que seu povo realiza esses rituais, ele afirma que não há data, sempre é ocasião. “A gente faz esses rituais o tempo todo, porque é uma necessidade que nossos espíritos sentem de comunicar com os seres do vento, da água, do fogo e da terra. No mesmo dia você pode encontrar uma família cantando para sol, outra cantando para a chuva, outra para céu ou para terra é porque elas sentem necessidade dessa ligação com a natureza”, relata Ailton.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SZ6YHptC9XI/AAAAAAAAAHc/jfxEHkGPw-Y/s1600-h/3.htm"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SZ6YHptC9XI/AAAAAAAAAHc/jfxEHkGPw-Y/s320/3.htm" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304844668310320498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o índio dá um importante conselho para os homens brancos: “A cada dia pela manhã, quando tocar na água, se você lembrar-se que a água é um ser vivo, ela vai te dar vitalidade.  A água é um ente poderoso que deu origem a nossa vida e que nos cura e anima a cada dia.” conclui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6582716095180372773?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6582716095180372773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6582716095180372773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6582716095180372773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6582716095180372773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/02/materia-exibida-no-site.html' title='Matéria exibida no site: http://www.manuelzao.ufmg.br/folder_informa/folder_ultima/saudacao-a-natureza'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SZ6XcF9ELbI/AAAAAAAAAHM/swTuetLJXhY/s72-c/1.htm' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1723141842405029479</id><published>2009-01-02T08:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-02T08:28:17.648-08:00</updated><title type='text'>"O Brasil ainda não resolveu o que fazer com os índios", diz líder indígena</title><content type='html'>Data: 24/12/2008&lt;br /&gt;Veículo: G1&lt;br /&gt;Editoria:&lt;br /&gt;Assunto principal:  CULTURA INDÍGENAS&lt;br /&gt;FUNAI&lt;br /&gt;INDÍGENAS&lt;br /&gt;ÍNDIO&lt;br /&gt;24/12/08 - 07h35 - Atualizado em 24/12/08 - 07h35&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aílton Krenak defende demarcação de áreas contínuas na fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele reclama da demora do estado em reconhecer direitos indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aílton Krenak é um índio que tem cara de 30, sabedoria de 90 e 55 anos de idade. Nasceu no médio rio Doce, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, mas fala com desenvoltura sobre qualquer pedacinho do Brasil, e levanta o tom quando se começa a discutir a Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter se alfabetizado só no final da adolescência e ter freqüentado apenas o supletivo, Krenak devorou montanhas de livros de autores latino-americanos. Quem o vê falando, pausada e firmemente, facilmente diria que é professor universitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1980, como um dos membros da Aliança dos Povos da Floresta, ele ganhou projeção nacional ao lado de líderes como Chico Mendes, trazendo ao conhecimento do mundo os problemas sociais e ambientais vividos na Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista por telefone ao Globo Amazônia, o líder indígena não poupou palavras ao defender a demarcação contínua das terras indígenas na fronteira, e é catastrófico ao prever o que pode acontecer com o planeta caso sejam mantidos os hábitos de consumo atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja abaixo os melhores trechos da conversa com Aílton Krenak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Globo Amazônia - Muitas pessoas temem que a união entre povos indígenas da Amazônia e ONGs estrangeiras possa significar uma porta aberta para uma possível "internacionalização" da Amazônia. O que você acha disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém irá tomar terra, irá tomar floresta do Brasil nem dos índios. A floresta está sendo destruída por empreendimentos como aquele que a gente viu no Fantástico mostrando a reserva de Bom Futuro comida por dentro. Não são ONGs estrangeiras que vão fazer isso [destruir a Amazônia]. Somos nós, brasileiros desorganizados que estamos fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente tiver sentido de pertencimento a um lugar, não tem que ficar morrendo de medo de ninguém."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação a essa cultura que sempre fica achando que tem um estrangeiro que vai nos comer, ela é muito cretina e irresponsável. Se a gente tiver sentido de pertencimento a um lugar, não tem que ficar morrendo de medo de ninguém. A gente tem que se erguer sobre as terras em que nasceu, ter respeito por ela e fazer os outros respeitarem também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fala isso em geral são pessoas que estão longe, que não dão um dedinho de contribuição para tapar o lixo, preservar, tirar um esgoto da beira do córrego. Essas pessoas deveriam direcionar sua urgência para pensar como elas podem contribuir para que a gente possa ser gestor território do nosso país, e não ficar chorando com medo de que os estrangeiros venham comer a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje temos vários conflitos envolvendo indígenas: em Roraima, há o problema da demarcação da Raposa Serra do Sol. No Acre, as madeireiras peruanas ameaçam índios isolados. No Rio Xingu, indígenas reclamam que sua vida será prejudicada pela construção de barragens. Pode-se dizer que os povos indígenas vivem uma crise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. O Brasil é que ainda não resolveu o que quer fazer com os índios, como gente, e nem consigo mesmo como nação, no sentido de ter uma infraestrutura, de ter fronteiras, e de definir a gestão territorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Brasil tivesse gestão territorial, os índios de Roraima teriam terras reconhecidas e demarcadas, os índios de fronteira estariam sendo monitorados sem stress, e a infraestrutura do Brasil - usinas, estradas, hidrovias, ferrovias - estaria projetada, negociada, e não teria crise nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você acha da demarcação contínua de terras indígenas em faixas de fronteira? Há algum risco para o estado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faixa de fronteira que está contando no século XXI não é mais aquele lugar que você coloca uma guarita, um quartel e vigia. O que contas hoje são as economias. Nós estamos levando calote dos nossos vizinhos em milhões ou bilhões de dólares, e isso é que deveria chamar a atenção das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram os índios que alargaram os limites territoriais do Brasil."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marechal Rondon, desde o tempo dele, o Barão do Rio Branco, todo mundo que conhece bem a história brasileira diria que foram os índios que alargaram os limites territoriais do Brasil. Se foram os índios que garantiram a fronteira com a Guiana, com a Bolívia, por que o medo de deixá-los na fronteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que lembrar que muito tempo atrás, a terra era contínua mesmo. Era o país inteiro terra de índio. Agora eles deixaram umas bordas para as pessoas viverem, e ainda ficam com a mesquinharia de achar que é muito. É o fim da picada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual sua posição em relação à mineração nas terras indígenas? Ela deve ser liberada, para que as tribos possam obter recursos a partir dessa atividade, ou proibida, como forma de proteção às comunidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Se o estado brasileiro não conseguiu dizer até agora onde estão as terras indígenas, como é que ele vai dizer o que se pode fazer nas terras indígenas? Se a gente ainda tem terras de índios na fronteira, que o estado não sabe se demarca, se dá o título de terra indígena, como o Congresso pode definir o que fazer com esses lugares que ainda não têm existência real?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parte da cultura indígena está se perdendo. Como aliar os saberes indígenas, como a língua, o conhecimento das plantas e sua religião com um mundo que valoriza cada vez mais a alta tecnologia, uma relação rápida, urbana com as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alta tecnologia se alimenta dos processos da natureza. A matriz da alta tecnologia é a natureza. Se nós acabarmos com a natureza, é aí que nós vamos divorciar de uma vez a possibilidade do conhecimento tradicional, do conhecimento sobre a natureza se relacionar com o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você acha que os índios irão manter o modo de vida tradicional mesmo com um mundo que muda tanto? Como juntar essas duas coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso planeta está cada vez menor. A cada década vamos sentir o planeta se fechando sobre si mesmo, no sentido da comunicação, da gente saber o que está acontecendo ao mesmo tempo em todos os continentes. Essa proximidade, essa fricção que estamos experimentando com o mundo inteiro vai crescer a cada década, e vai chegar um momento em que não temos mais como imaginar nenhum grupo humano vivendo isolado ou com culturas distintas uma da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou todo mundo tem responsabilidade com o planeta, ou a gente se arrebenta e o planeta cospe a gente daqui, morrem bilhões de pessoas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também vai chegar uma hora em que vamos ter uma urgência planetária que vai nos colocar todos dentro da mesma canoa. Ou todo mundo tem responsabilidade com o planeta, ou a gente se arrebenta e o planeta cospe a gente daqui, morrem bilhões de pessoas. E aí não vai ter campanha de solidariedade, ninguém vai poder mandar colchonete nem brinquedinho, porque aí o planeta vai entrar em convulsão, e vai ser um caos, um inferno que essa gente nunca viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou profeta do apocalipse, mas as pessoas não têm sentido a realidade que o planeta está vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vê o tratamento diferenciado que o estado brasileiro dá aos índios? A tutela da FUNAI é sempre algo positivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não acho bom de jeito nenhum. Isso é uma herança do passado colonial e genocida. É a mesma atitude tem com relação à África. O ocidente invadiu a África e agora tem um sentimento de culpa, querendo compensar a África pela desgraça que foi jogada sobre o continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso das Américas, não é só no Brasil. Nos Estados Unidos e no Canadá também há um tratamento excepcional aos povos chamados "nativos". No Brasil, o estado começou tardiamente a fazer algumas políticas de tentar consertar o dolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a cultura que prevalece é uma cultura de tutela. Os estados nacionais tiveram que inventar uma maneira de se relacionar com os sobreviventes da colonização, e isso se chama tutela. A tutela significa que nós seremos por muito tempo ainda sermos tratados como gente incapaz de tomar decisões sozinha, incapaz de sobreviver sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também essa história de achar que os estados nacionais fazem alguma coisa de bom, de mal, reflete a nossa incapacidade de atuar, de interagir, de sermos co-responsáveis. Se cada um tivesse a coragem de assumir a responsabilidade sobre as coisas que estão acontecendo, não deixaríamos para as futuras gerações um país tão degradado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos 20 anos é proibido acabar com os índios. Mas só nos últimos 20 anos. Nos outros 500 anos era para acabar, mesmo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o estado trata com tanta diferença os índios, é porque ele não tem ainda a capacidade de entender o que é essa gente que ele chama de índios. Sempre se ficou na dúvida do que fazer com essa gente. Se matava essa gente ou a deixava sobreviver. Isso só mudou com a Constituição de 1988. Então, nos últimos 20 anos é proibido acabar com os índios. Mas só nos últimos 20 anos. Nos outros 500 anos era para acabar, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os irmãos Villas Bôas conseguiram criar uma vitrine, que é o Parque do Xingu, para manter uma amostra desses remanescentes humanos para mostrar para os futuros, para a posteridade. Eles eram combatidos ferozmente, porque ninguém queria o Xingu. O Xingu sobreviveu, mas sobrou um grande Xingu, periférico, desorganizado, nas fronteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é uma pessoa que, apesar de já ter aprendido tudo do mundo dos "brancos", ainda pode ser considerado um especialista nos saberes indígenas. O que você acha que os "brancos" deveriam aprender com os índios, e que ainda não aprenderam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Oswald de Andrade tem um poeminha que se chama "Erro de português", em que ele fala assim: "Quando o português chegou / Debaixo duma bruta chuva / Vestiu o índio / Que pena! / Fosse uma manhã de sol / O índio tinha despido / O português".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que as pessoas ainda não entenderam é que esse negócio de índio é um erro de português. Não tem uma história que eles queriam ir para a Índia e, sem saber que erraram o caminho, chegaram aqui e chamaram o povo de índio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente não precisava ter recorrido nesse erro. Lá pelos séculos XVIII ou XIX, a gente já poderia ter se relacionado que nem gente, sem essa de índio e branco. Se isso fosse resolvido, metade dos problemas teria acabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: http://www.linearclipping.com.br/funai/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=45&amp;codnot=591419&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1723141842405029479?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1723141842405029479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1723141842405029479' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1723141842405029479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1723141842405029479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2009/01/o-brasil-ainda-no-resolveu-o-que-fazer.html' title='&quot;O Brasil ainda não resolveu o que fazer com os índios&quot;, diz líder indígena'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-8903604203308925110</id><published>2008-12-05T11:17:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T11:19:06.078-08:00</updated><title type='text'>Ailton Krenak participa de sessão que reverencia memória de Chico Mendes</title><content type='html'>03/12/2008 - 11h41&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a presença dos ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Meio Ambiente,Carlos Minc, foi aberta há pouco pelo 1º vice-presidente do Senado, Tião Viana,a sessão solene do Congresso Nacional destinada a marcar os 20 anos do assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes, ocorrido em 22 de dezembro de 1988. A homenagem, proposta pelos senadores Tião Viana (PT-AC), Marina Silva (PT-AC) e Cristovam Buarque (PDT-DF), foi apoiada por diversos parlamentares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no início da sessão, houve uma apresentação de crianças da escola pública da Super Quadra Norte 306, de Brasília. Elas retrataram alguns momentos da história do país desde o século XVI, entre os quais o assassinato de índios e a escravidão."Sonhamos com um Brasil com mais heróis e poucos mártires", disse a professora Raquel, ao final da apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos senadores e deputados, participam da sessão a esposa de Ilzamar Mendes e seus filhos. Estão presentes, também, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o fundador da Aliança pelos Povos da Floresta, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ailton Krenak&lt;/span&gt;, oex-governador do Acre Jorge Viana, outras autoridades e representantes do Comitê Chico Mendes e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, entre outras entidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte:http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=81322&amp;codAplicativo=2&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-8903604203308925110?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/8903604203308925110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=8903604203308925110' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8903604203308925110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/8903604203308925110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/12/ailton-krenak-participa-de-sesso-que.html' title='Ailton Krenak participa de sessão que reverencia memória de Chico Mendes'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-7431443401661792524</id><published>2008-11-24T02:23:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T02:25:17.933-08:00</updated><title type='text'>VÍDEOS</title><content type='html'>Vídeos do evento Diálogos Interculturais, proposto pelo Instituto Doctum de Educação e Tecnologia concebido e articulado pelos curadores Maria Inês de Almeida e Ailton Alves Lacerda Krenak. Foram realizados debates em Ipatinga (MG) e Rio Branco (AC).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://br.truveo.com/Di%C3%A1logos-Interculturais-parte-08/id/1304998494#&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://br.truveo.com/Di%C3%A1logos-Interculturais-parte-12/id/215396471&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-7431443401661792524?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/7431443401661792524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=7431443401661792524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7431443401661792524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7431443401661792524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/11/vdeos.html' title='VÍDEOS'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2024648132843633085</id><published>2008-11-24T02:15:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T02:17:08.310-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SSp_GjwV7fI/AAAAAAAAAG0/Da1ie4cY1VA/s1600-h/ATgAAADaof0TZgmnMt9gotR5j165Ey3ea1e1QSYwMBtF9gOKKjuUxSiAqBxDTqCBCgvs21mJUVDl9XGV3kUWtDtKOSQkAJtU9VDZ_dJnYtYIK_Ppk51nv4pGtL1IXA.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SSp_GjwV7fI/AAAAAAAAAG0/Da1ie4cY1VA/s320/ATgAAADaof0TZgmnMt9gotR5j165Ey3ea1e1QSYwMBtF9gOKKjuUxSiAqBxDTqCBCgvs21mJUVDl9XGV3kUWtDtKOSQkAJtU9VDZ_dJnYtYIK_Ppk51nv4pGtL1IXA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272166064444534258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5º Encontro dos Escritores e Atistas Indígenas 2008 &lt;br /&gt;O terceiro e último dia do 10º Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil foi inteiramente dedicado à cultura indígena. As atividades tiveram início com uma rápida cerimônia de abertura, conduzida por um pajé. A secretária Geral da FNLIJ Elizabeth Serra falou sobre o compromisso da instituição em promover a literatura infantil indígena. Em seguida, Daniel Munduruku agradeceu ao Instituto C&amp;A, ao EMBRAPA e à FNLIJ a oportunidade de, mais uma vez, poder divulgar o trabalho dos escritores indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tema "Em um mundo habitado por espíritos”, a primeira mesa de debates foi aberta por Aílton Krenak e teve participação de Álvaro Tucano, Ely Macuxi, Armando Jabuti, Eliane Potiguara e Maurício Krenak. Cada um falou um pouco sobre a história de seus povos, de como a cultura indígena em geral respeita o culto aos espíritos dos antepassados e da natureza e de como as tradições antigas são valorizadas. Os participantes da mesa fizeram um alerta sobre as condições atuais do planeta Terra e das relações humanas, apontando os costumes da população indígena como uma forma de solução para melhorar a situação contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Composta só por mulheres, a segunda mesa de debates, “Em um mundo formado por palavras e Deusas”, foi coordenada por Eliane Potiguara. Participaram Rose Waikhon, Graça Graúna, Marina Terena e Aurilene Tabajara. O principal tema discutido foi a importância das deusas entre os índios. As participantes explicaram para o público que todos os ensinamentos, como o respeito pela natureza, ao próximo, pelos animais e por outros povos, vêm das deusas antepassadas e que a mulher exerce um papel determinante nessas sociedades. A elas é atribuído o poder de dar a vida, o que os índios consideram o dom maior que pode existir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde, Cleomar Umutina, Xorã Carajá, Elias Maraguá, Wasiry Guará, Marcio Bororo e o mediador Cristino Wapichana formaram a terceira mesa de debates “Em um mundo repleto de sons e imagens”, que tratou do papel das imagens e dos sons nas sociedade indígena. O público pôde conhecer melhor a arte desses povos. Os participantes comentaram sobre a situação da literatura indígena no mercado editorial brasileiro e sobre a dificuldade em competir com os outros gêneros literários em voga na sociedade brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar o 10º Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil, a quarta mesa de debates “A palavra virou letra” teve participações de Daniel Munduruku, Cássio Potiguara, Olívia Jekupé e Getúlio Wapichana. O tema das palestras foi o início da relação dos índios com a literatura. Os participantes contaram como, aos poucos, construíram essa relação com o livro e a disseminou entre os membros das tribos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualemente, grande parte das crianças indígenas é alfabetizada. A intenção da FNLIJ e de cada representante das tribos presentes no seminário, que foi também o 5º Encontro de Autores Indígenas, é que em poucos anos o número de índios com acesso à educação se aproxime a cem por cento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;DISPONÍVEL EM: http://complexodomarico.blogspot.com/2008_06_01_archive.html&lt;br /&gt;ACESSO EM: 24/11/2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2024648132843633085?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2024648132843633085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2024648132843633085' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2024648132843633085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2024648132843633085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/11/5-encontro-dos-escritores-e-atistas.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SSp_GjwV7fI/AAAAAAAAAG0/Da1ie4cY1VA/s72-c/ATgAAADaof0TZgmnMt9gotR5j165Ey3ea1e1QSYwMBtF9gOKKjuUxSiAqBxDTqCBCgvs21mJUVDl9XGV3kUWtDtKOSQkAJtU9VDZ_dJnYtYIK_Ppk51nv4pGtL1IXA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2998013670405829689</id><published>2008-10-04T08:01:00.000-07:00</published><updated>2008-10-04T08:02:02.952-07:00</updated><title type='text'>Ailton recebe prêmio</title><content type='html'>Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008&lt;br /&gt;HOMENAGEM NO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO...&lt;br /&gt;A Ordem do Mérito Cultural de 2008 terá como tema central de celebração um dos maiores expoentes da literatura nacional, Machado de Assis, assinalando o centenário da morte do escritor. A solenidade de condecoração será realizada no dia 7 de outubro, às 17h30, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o evento, o presidente da República, Lula da Silva, e o ministro da Cultura, Juca Ferreira, prestarão a homenagem do Governo Federal a 37 personalidades, sendo oito in memoriam, e a 11 grupos artísticos, iniciativas e instituições, que se destacaram por suas contribuições à Cultura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira os homenageados desta 14ª edição da OMC, que também comemora o cinqüentenário da Bossa Nova e os 40 anos do movimento da Resistência Cultural, além de destacar grandes vultos do Teatro brasileiro e outros fatos importantes da história do país:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Altemar Dutra, in memoriam, Athos Bulcão, in memoriam, Dulcina de Moraes, in memoriamGuimarães Rosa, in memoriam, Hans-Joachim Koellreutter, in memoriam, Otávio Afonso, in memoriam, Paulo Emílio, in memoriam, Pixinguinha, in memoriam, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ailton Krenak&lt;/span&gt;, Anselmo Duarte, Benedito Ruy Barbosa, Bule Bule, Carlos Lyra, Claudia Andajur, Edu Lobo, Efigênia Ramos Rolim, Elza Soares, Emanoel Araújo, Eva Todor, Goiandira do Couto, João Candido , Portinari, Johnny Alf, Leonardo Villar, Maria Bonomi, Marlene, Mercedes Sosa, Milton Hatoum, Nelson Triunfo, Orlando Miranda, Paulo Moura, Roberto Corrêa, Ruy Guerra, Sérgio Ricardo,Tatiana Belinky, Teresa Aguiar, Vicente Juarimbu Salles, Zabé da Loca, Associação Apíwtxa do Rio Amônia, Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Comunidade Yuba, Centro Cultural Piollin, Coletivo Nacional de Cultura do MST, Coral e Orquestra Baccarelli, Grupo Giramundo Teatro de Bonecos, Mestres da Guitarrada, Música no Museu e Quasar Cia de Dança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2998013670405829689?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2998013670405829689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2998013670405829689' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2998013670405829689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2998013670405829689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/10/ailton-recebe-prmio.html' title='Ailton recebe prêmio'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3258035960622581248</id><published>2008-07-03T13:52:00.001-07:00</published><updated>2008-07-03T14:18:04.704-07:00</updated><title type='text'>Que o espírito da água me possua</title><content type='html'>Vídeo que trata de cerimônia sagrada indígena , com Danielle Mitterrand, Ailton Krenak e Benkipiyanko, do Acre, Amazonia. A cerimônia foi realizada na Serra do Cipó, Minas Gerais, que integra a Reserva Mundial da Biosfera da Serra do Espinhaço. O acordo de cooperação técnica entre o Governo Federal, o Estado de Minas Gerais e a Fundação France Libertés foi assinado na ocasião. Maio de 2008, MG, Brasil.         &lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SG1BucZMglI/AAAAAAAAAFI/YzzDgi68e5o/s1600-h/610x.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SG1BucZMglI/AAAAAAAAAFI/YzzDgi68e5o/s320/610x.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218899809343930962" /&gt;&lt;/a&gt;          &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=gtGqQXL_EA0"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=gtGqQXL_E&lt;/span&gt;A0&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3258035960622581248?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3258035960622581248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3258035960622581248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3258035960622581248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3258035960622581248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/07/que-o-esprito-da-gua-me-possua.html' title='Que o espírito da água me possua'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/SG1BucZMglI/AAAAAAAAAFI/YzzDgi68e5o/s72-c/610x.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-92875079355749598</id><published>2008-03-31T06:24:00.001-07:00</published><updated>2008-03-31T06:26:06.020-07:00</updated><title type='text'>Intercâmbio cultural entre povos indígenas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DmNxZAU4I/AAAAAAAAAEg/Kr6W9awr22Q/s1600-h/terra.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DmNxZAU4I/AAAAAAAAAEg/Kr6W9awr22Q/s320/terra.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183896295374345090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: site Rede Povos da Floresta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qui, 24/01/2008 - 21:55.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o objetivo de fortalecer o intercâmbio cultural entre povos indígenas, a equipe composta por Ailton Krenak, Benki Ashaninka, João Fortes e Dominique Aguiar, visitaram aldeias Surui em Rondônia e Mato Grosso.&lt;br /&gt;Na Aldeia Lapetanha, que fica na terra indígena Sete de Setembro, o encontro aconteceu com o grande líder e pajé Almir Narayamoga Suruí, que vem trabalhando nas ações de preservação da floresta amazônica e sua biodiverdade. &lt;br /&gt;As rodas de conversa incluíram informações sobre plantio de sementes, cuidados com os viveiros para que sejam cíclicos, qualidade do solo na região e a preocupação com a questão da neutralização de carbono.&lt;br /&gt;O tão esperado encontro de Ailton Krenak com o Cacique Itabira na aldeia Apoena Meireles foi um momento de grande emoção para todos. Itabira ofereceu o arco e flecha para Ailton e trocou cocar com Benki. Gestos plenos de significado espiritual e que celebram a proposta de troca de experiências e união entre os povos.&lt;br /&gt;Benki Ashaninka expôs a luta que tem liderado pelo seu povo e os resultados positivos que tem obtido, mobilizando a comunidade como um todo.&lt;br /&gt;A Rede Povos da Floresta irá implantar internet em três aldeias da região o que facilitará ainda mais a troca de informações entre as comunidades. Os três pontos serão implantados nas aldeias de Lapetanha e Riozinho na Terra indígena Sete de Setembro, localizadas no município de Cacoal, Rondônia e também na aldeia Apoena Meireles, em Rondolândia, Mato Grosso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-92875079355749598?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/92875079355749598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=92875079355749598' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/92875079355749598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/92875079355749598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/03/intercmbio-cultural-entre-povos.html' title='Intercâmbio cultural entre povos indígenas'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DmNxZAU4I/AAAAAAAAAEg/Kr6W9awr22Q/s72-c/terra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-4773909977605552479</id><published>2008-03-31T06:20:00.000-07:00</published><updated>2008-03-31T06:23:28.395-07:00</updated><title type='text'>O Ministro da Cultura Gilberto Gil recebe integrantes da Rede Povos da Floresta</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DliRZAU3I/AAAAAAAAAEY/EhEVm7hyc3M/s1600-h/Encontro%2520com%2520Gilberto%2520Gil.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DliRZAU3I/AAAAAAAAAEY/EhEVm7hyc3M/s320/Encontro%2520com%2520Gilberto%2520Gil.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183895548050035570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Site Rede Povos da Floresta, em Ter, 25/03/2008 - 18:59.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Gal Rocha&lt;br /&gt;Ailton Krenak, Benki e Isaac Ashaninka, João Augusto Fortes e José Paixão, Presidente do Conselho das Associações de Moradores das Comunidades Afro-descendentes do Estado do Amapá, tiveram uma reunião com Gilberto Gil, Ministro da Cultura e com Roberto Nascimento, Secretário de Incentivo e Fomento à Cultura do Ministério da Cultura. &lt;br /&gt;A reunião aconteceu no dia 05 de março e os participantes tiveram a oportunidade de conversar sobre a Rede Povos da Floresta e os pontos que preenchem ações de políticas culturais do governo federal. Entre elas estão a identidade e a diversidade cultural de comunidades que têm em comum a questão da territorialidade - como os povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e seringueiros - e também a questão do patrimônio imaterial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro ficou sensibilizado com o que ouviu durante a reunião, que durou aproximadamente 40 minutos, e também interessado em estabelecer um convênio que fortaleça a Rede com cantões culturais em centros como o Yorenka Ãtame, Centro de Cultura Suruí e a Sede do Conselho das Comunidades afro-descendentes do Estado do Amapá, com cursos e oficinas e, em alguns locais, salas de projeção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Ailton Krenak, a gravidade da questão ambiental acabou engolindo outras prioridades da Rede e tirando de foco o maior interesse da aliança: a cultura. “Todos esses povos têm um acervo cultural muito forte”, afirmou Krenak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do encontro caloroso, ficou também a vontade do ministro Gilberto Gil visitar futuramente a região do Alto Juruá, para conhecer de perto o Centro Yorenka Ãtame, projeto criado e desenvolvido pelos Ashaninka do Brasil.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://www.redepovosdafloresta.org.br/drupal/?q=node/284&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-4773909977605552479?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/4773909977605552479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=4773909977605552479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4773909977605552479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4773909977605552479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/03/o-ministro-da-cultura-gilberto-gil.html' title='O Ministro da Cultura Gilberto Gil recebe integrantes da Rede Povos da Floresta'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DliRZAU3I/AAAAAAAAAEY/EhEVm7hyc3M/s72-c/Encontro%2520com%2520Gilberto%2520Gil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3254482038509759632</id><published>2008-03-31T05:57:00.000-07:00</published><updated>2008-03-31T06:01:25.064-07:00</updated><title type='text'>Série "Índios no Brasil"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DgmRZAU2I/AAAAAAAAAEQ/IeDLrSIc3E4/s1600-h/indios_no_brasil.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DgmRZAU2I/AAAAAAAAAEQ/IeDLrSIc3E4/s320/indios_no_brasil.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183890119211373410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Índios no Brasil": construindo imagens e desconstruindo estereótipos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Valéria Macedo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa que está sendo exibido na TV cultura, aos domingos, 18:00hs. &lt;br /&gt;OBS: a emissora não fornece data prevista para duração da apresentação dos documentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em momento de ressaca da "festa" dos 500 anos, chega em boa hora a série de vídeos Índios no Brasil. Identidade, línguas, costumes, tradições, a colonização e o contato com o branco, a briga pela terra, a integração com a natureza e os direitos conquistados são os temas enfocados na série produzida pela ONG Vídeo nas Aldeias para a TV Escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Índios no Brasil é dividida em dez programas, de aproximadamente 20 minutos, nos quais a questão indígena é abordada visando enriquecer o currículo escolar, romper estereótipos e inverter papéis, já que não apenas os índios são objeto de investigação, mas a própria sociedade não indígena ocupa o lugar do "outro". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A iniciativa representa um salto qualitativo nas produções do gênero, por seu alto teor informativo e principalmente pelo argumento que perpassa a dezena de episódios. A intenção foi flagrar o descompasso entre a imagem de um índio genérico cristalizada no imaginário dos brasileiros e a realidade de vários grupos indígenas, que estão cada vez mais articulados politicamente e mobilizados para garantir o exercício de sua identidade cultural. Para isso, têm sido necessário dominar os códigos da sociedade não índigena, não para ser iguais, mas justamente como recurso para a manutenção de sua diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, os vídeos mostram que, se o índio não é coisa do passado, a possibilidade de isolamento cultural certamente é. E nem por isso é preciso sucumbir aos modelos hegemônicos ditados pela sociedade industrial. O que se observa é um desenvolvimento desses povos, tanto numericamente – eram 150 mil em décadas passadas e hoje são cerca de 350 mil – quanto no resgate de suas terras, línguas e rituais. A série não deixa dúvidas: são sujeitos atuantes e, mais do que nunca, atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentada pelo líder indígena Ailton Krenak, Índios no Brasil faz um painel dos costumes, valores e perspectivas de índios de nove povos dispersos no território nacional, escolhidos entre mais de 200 etnias: os Ashaninka e Kaxinawá do Acre, os Baniwa do Rio Negro no Amazonas, os Krahô de Tocantins, os Maxacali de Minas Gerais, os Pankararu de Pernambuco, os Yanomami de Roraima, os Kaiowá do Mato Grosso do Sul e os Kaingang do sul do país. Os entrevistados são professores ou líderes de organizações indígenas e, por isso, bastante convincentes e articulados. Em suas falas transparece a recusa em encaixar-se nesses modelos construídos ao longo de 500 anos de invasões, exploração e, não raro, etnocídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realização: TV Escola-2000&lt;br /&gt;Produção: Vídeo Nas Aldeias&lt;br /&gt;Direção: Vincent Carelli&lt;br /&gt;Fotografia: Altair Paixão e Vincent Carelli&lt;br /&gt;Roteiros: Henri Gervaiseau, Tutu Nunes e Vincent Carelli&lt;br /&gt;Apresentação e entrevistas: Ailton Krenak&lt;br /&gt;Edição: Tutu Nunes&lt;br /&gt;Música de abertura: Antônio Nóbrega e Wilson Freire&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protagonistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do narrador Ailton Krenak e dos depoimentos de brasileiros espalhados pelo território nacional, lideranças indígenas são os porta-vozes das nove etnias retratadas na série:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Azilene Inácio, socióloga Kaingang que trabalha em Brasília mediando conflitos, apresenta a trajetória histórica dos povos do sul e de seus professores, que reescrevem o dicionário da língua Kaingang; &lt;br /&gt;O professor Joaquim Maná, do povo Kaxinawá, um dos pensadores da nova escola indígena, mostra como o ensino diferenciado está sendo desenvolvido na sua escola da floresta acreana; &lt;br /&gt;Francisco Pinhanco, do povo Ashaninca, conduz uma experiência de desenvolvimento sustentável na floresta acreana com a extração de óleo de coco e outras essências; &lt;br /&gt;Dona Quitéria Maria de Jesus, índia Pankararú do sertão pernambucano, há anos milita em Brasília pelos direitos dos índios nordestinos ao reconhecimento e assistência do governo; &lt;br /&gt;Davi Kopenawa, líder indígena conhecido internacionalmente, e, como muitos yanomami, um xamã, defensor espiritual de seu povo; &lt;br /&gt;José Bonifácio, do povo Baniwa, presidente da FOIRN, uma federação de mais de 200 organizações indígenas de 23 etnias no Alto Rio Negro, a única região do país onde o índio é maioria; &lt;br /&gt;Daniel Kaiowá, enfermeiro que lidera a luta incansável dos Kaiowá pela reconquista de suas terras; &lt;br /&gt;Derlindo Honkop, jovem professor que apresenta aos visitantes o ritual de iniciação dos meninos Krahô. &lt;br /&gt;Saiba mais sobre cada um dos episódios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Quem são eles? (18’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro programa da série traz a tona, por meio de entrevistas com pessoas de diversas partes do país, idéias e valores arraigados no senso comum sobre a realidade indígena, os quais estão na base do processo de discriminação sofrido por essas comunidades. Os nove personagens escolhidos para representarem seus povos rebatem esses equívocos. A conclusão é que a população indígena brasileira não está fadada ao desaparecimento como muitos pensam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Nossas Línguas (20’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio apresenta a língua como fator de resistência cultural. Relata a repressão histórica às línguas indígenas praticada ao longo destes 500 anos pelas missões religiosas, funcionários de governo ou pela população não índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, ainda são faladas mais de 180 línguas indígenas no Brasil. A Constituição de 1988 finalmente lhes reconheceu o direito à diferença e ao ensino de suas línguas, como vemos na Escola da Floresta do professor Joaquim Kaxinawá (AC).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Boa Viagem Ibantu! (18’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vivenciarem a diversidade cultural, quatro jovens, com diferentes perfis sociais e de diferentes regiões do Brasil, são convidados a viajarem até a aldeia dos Krahô (TO). Os jovens chegam cheios de expectativas e idéias preconcebidas. A experiência oferece a oportunidade não só de estranhar a cultura do outro, mas também de criar identidades. Os jovens participam das cerimônias e dos trabalhos realizados na aldeia; têm o corpo pintado com urucum e genipapo; são batizados e recebem nomes indígenas. A despedida é pura emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Quando Deus Visita a Aldeia (18’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mesmos jovens visitam a aldeia dos Kaiowás (S), esperando encontrar algo similar à aldeia dos Krahô. Mais uma vez suas expectativas caem por terra. Já nas primeiras impressões, os jovens sentem as diferenças: as casas dispersas, já não existem mais matas ao redor e as pessoas estão maltrapilhas. Para além das aparências, eles descobrem a intensa vida religiosa dos Kaiowá e a opressão de que são vítimas por parte dos colonos que tomaram as suas terras. No final, eles observam que cada povo indígena é único, tão diferente entre si como o povo japonês do alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Uma outra história (17’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil foi descoberto ou invadido? O filme de Humberto Mauro de 1940 dá a sua versão do "Descobrimento do Brasil". Mas os índios são unânimes em afirmar que o Brasil foi invadido porque eles já estavam aqui. Os índios contam suas versões da história do Brasil. A cartilha de história das escolas indígenas do Acre, por exemplo, divide a história do Brasil em quatro períodos: o tempo das malocas, antes da chegada de Cabral; o tempo das correrias, quando os índios foram caçados para a ocupação dos seus territórios; o tempo do cativeiro, quando eles foram usados como mão-de-obra escrava no corte de seringa; o tempo dos direitos, quando finalmente conquistaram o direito à terra e à sua cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Primeiros Contatos (19’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de conquista iniciado por Cabral prossegue neste século, com a ocupação do Planalto Central na década de 50 e da Amazônia na década de 70. Retratados em imagens históricas, a "pacificação" dos índios Xavante (no filme Entre os Índios do Brasil Central, de Genil Vasconcelos), e dos índios Cinta Larga em Rondônia e Parakana no sul do Pará (no filme Guerra de Pacificação na Amazônia, de Yves Billon), assistimos à catástrofe do contato que dizima as suas populações. Finalmente assistimos ao caso de pequenos grupos atropelados pelo desenvolvimento no sul de Rondônia, até um único sobrevivente de um povo que se recusa ao contato no ano 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Nossas Terras (20’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos 20 anos, a maior parte das notícias sobre os índios foi sobre a questão de terras, o maior problema existente na relação entre índios e "brancos". Muita gente diz que "índio tem muita terra". Os grandes territórios indígenas encontram-se na região amazônica, e correm o risco em algumas décadas de tornarem-se as únicas reservas florestais deste país. Em compensação, nas áreas mais colonizadas, os índios perderam quase tudo e travam uma luta incessante para a reconquista de um espaço mínimo necessário ao crescimento de suas populações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Filhos da Terra (18’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os índios relacionam-se com os seus territórios ancestrais? O uso sustentável dos recursos da natureza é um conceito milenar dessas populações. Agora, ingressando na economia de mercado, muitos povos desenvolvem experiências de desenvolvimento sustentável com a exploração não predatória dos recursos da floresta, inspirada na filosofia dos seus antepassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) Do outro lado do Céu (18’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A religiosidade e o sentido místico da cultura indígena, tendo como referência as tribos Yanomami (RR), Pankararu (PE) e Maxacali (MG). No caso da tribo Maxacali, o índio José Ferreira discorre sobre o conceito de religiosidade para a sua etnia. Acreditam em seres espirituais bons, que vivem acima do céu, e ruins, que vagam pela terra. Os xamãs da aldeia Yanomami, verdadeiros "médicos espirituais", tratam da relação do mundo dos homens e com as forças da natureza. Também são mostradas as festas realizadas pela tribo Pankararu, onde os índios invocam os espíritos encantados que os protegem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) Nossos Direitos (17’)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depoimentos sobre os direitos já conquistados e legitimados pela Constituição atualmente vigente: o direito à terra, à saúde, ao ensino de suas línguas e à livre organização de suas comunidades. Lideranças indígenas reiteram a necessidade de respeitar-se os direitos conquistados pelos povos indígenas. Há depoimentos do líder da federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), Pedro Garcia, e lideranças das tribos indígenas Kaiowá, Kaxinawá, Yanomami, Ashaninka e Kaingang.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3254482038509759632?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3254482038509759632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3254482038509759632' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3254482038509759632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3254482038509759632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/03/srie-ndios-no-brasil.html' title='Série &quot;Índios no Brasil&quot;'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R_DgmRZAU2I/AAAAAAAAAEQ/IeDLrSIc3E4/s72-c/indios_no_brasil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-4049494599279615961</id><published>2008-01-29T02:04:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T02:06:58.248-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R576sUl5M4I/AAAAAAAAAEI/XyLfHa_8IGA/s1600-h/krenak_ailtonx.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R576sUl5M4I/AAAAAAAAAEI/XyLfHa_8IGA/s320/krenak_ailtonx.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160837862362002306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cacique brasileño busca su idioma olvidado&lt;br /&gt;[25-08-2007] Por Andrea Fajkusová&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada dos semanas desaparece del mundo un idioma. Algunos lingüistas pronostican que dentro de unos cien años se dejará de hablar el 80 por ciento de las 6 900 lenguas que existen actualmente. El tema de los idiomas en vías de extinción llamó la atención del cineasta checo Michael Havas. &lt;br /&gt; El Sueño BrasileñoEl protagonista de su documental "El Sueño Brasileño" es el cacique indígena Ailton Krenak quien lucha por salvar el habla de sus antepasados. En el año 1915 el antropólogo ruso Heinrich Maniser, de 25 años, pasó nueve meses con la tribu brasileña Burum, los ancestros de Ailton. Durante esa estadía registró la gramática, el vocabulario, cuentos y leyendas de los indígenas. En septiembre de 2003 Ailton se dirigió a San Petersburgo, en Rusia, para buscar en el museo local el valioso manuscrito del científico que podría ayudar a salvar un idioma casi olvidado. Encontró el documento ansiado y se llevó varias copias del mismo a Brasil para presentarlo a su tribu. ¿Qué pasa con el material ahora? Cedamos la palabra a Ailton Krenak. &lt;br /&gt;"Es un material que todavía no ha sido incorporado, adoptado como herramienta que pueda ser utilizada de verdad. Debería ser observado como un potencial recurso, pero hay que tener en cuenta la desconfianza de los portadores de la tradición oral de que la escritura tiene la misma capacidad de mantener el sentido del habla. Como son personas que no conocen la escritura desconfían de aquel instrumento y yo creo que nosotros vamos a necesitar más recursos, además de aquellos documentos de Rusia, para superar la desconfianza que existe allí con respecto al registro escrito. También por el hecho de que fue realizado por un extranjero hace 100 años. Entonces, parece una cosa medio subjetiva especialmente para alguien que está acostumbrado a manejar cosas concretas, de lo cotidiano". &lt;br /&gt; Ailton Krenak (Foto: autora)Ailton Krenak explica que hoy día hablan el idioma de los Burum tan sólo ocho personas, siendo todas mayores de 60 años. Es una situación preocupante, subraya el cacique indígena. Debido a la alta edad de los hablantes su número puede disminuir cada día. Hace tres años hablaban esa lengua doce personas. &lt;br /&gt;"Otra cosa importante que cabe decir es la estructura de la lengua Burum. En esta lengua difiere el habla de los hombres y el habla de las mujeres. Los hombres están desapareciendo. En ese grupo de ocho personas hay sólo dos hombres ancianos. Si estos hombres murieran, nos quedaría sólo el habla de las mujeres. Además, estoy convencido de que existe también un habla de los niños. Los niños no hablan de la misma manera que los adultos". &lt;br /&gt;El registro escrito que dejó el antropólogo ruso corresponde al habla de un hombre adulto. Se llamaba Jerónimo. Fue él quien contó a Maniser mitos, historias, frases, el vocabulario de los Burum. &lt;br /&gt;"Era un hombre adulto que usaba un adorno labial, el que altera el sonido. Yo hago estas observaciones porque los lingüistas aún no han prestado atención a que la persona que habló usaba un objeto que endurecía el sonido del habla. El idioma de los Burum tiene un habla ceremonial, que es el habla de las autoridades, y un habla cotidiana para pedir agua, comida, para conversar con los niños, que es el habla de las mujeres. Hoy lo que estamos experimentando en casa es el habla de nuestras abuelas, madres, tías. Yo mismo estoy aprendiendo expresiones con las mujeres. No tengo problema con ello pero ¿en qué medida nosotros vamos a rescatar un habla que era distinta para hombres, mujeres y niños, si los sobrevivientes no representan todas esas diferencias?". &lt;br /&gt; Ailton Krenak (Foto: www.lfs.cz)En la actualidad, Ailton Krenak ha asumido la tarea de Maniser y con una grabadora registra el habla de sus parientes. &lt;br /&gt;"He realizado casi un trabajo de espionaje. Porque siempre que observan que llevo una grabadora se sienten intimidados, cambian de asunto. Cuando están sentados alrededor de la hoguera con los nietos, cuando escuchan el clic de la grabadora, ellos cambian de tema ... Yo mismo cuando estamos conversando y Ud. pone la grabadora soy más consciente de que doy un testimonio, que tengo que tener cuidado cuando estoy hablando. Parece que en este caso la gente que sufrió traumas muy profundos, la confianza de dar un testimonio, de contar una historia, está perjudicada. Aun cuando están en un ambiente de confianza, continúan con el recuerdo de que estaba prohibido hablar el idioma". &lt;br /&gt; Marco AltbergEl cineasta brasileño Marco Altberg tiene previsto lanzar un canal televisivo independiente dedicado a los indígenas. Ailton Krenak opina que esta idea tiene posibilidades de realizarse con éxito. Recordó una reciente serie de 13 programas que hizo junto a Altberg. Esos programas, cada uno de 20 minutos de duración, abordaron 12 diferentes etnias con lenguas diferentes. Se hicieron en la lengua indígena local con subtítulos en portugués. El ciclo se transmitió a través del canal Futura, que es un canal educativo. &lt;br /&gt;"La gente reaccionó de manera positiva al hecho de poder conocer los mitos sobre la creación del mundo. Cada una de esas doce etnias abre la historia con un anciano, un hombre o una mujer, contando una historia singular, especial, reportando un evento mágico, por ejemplo, sobre la creación del mundo, cómo surgió el agua en el planeta Tierra, cómo fue inventado el fuego, cómo los héroes culturales enseñaron a practicar los rituales y las tradiciones, por qué pintan el rostro, por qué perforan la nariz y el labio, cuál es el evento que dio origen a esas prácticas. Después hay bloques de información de actualidad referentes a cómo vive el pueblo hoy, qué hace, qué dificultades políticas, económicas sufre. La aceptación de los telespectadores y el interés de los medios por divulgar estos temas indican que hay un amplio público interesado en ese trabajo, puesto que ese canal tiene chance de lanzarse, parece que existe un público que quiere esos programas". &lt;br /&gt;¿Los indígenas brasileños que ya han sido influidos por la cultura occidental tienen interés en volver a sus raíces o quieren vivir como los brasileños "civilizados"? &lt;br /&gt;"La mayoría quiere volver porque no se fueron voluntariamente, fueron expulsados. Fueron expulsados por grandes proyectos del gobierno: construcción de centrales hidroeléctricas, colonización forzada y todo. Era una época en que no pudieron elegir. Ahora esos muchachos que nacieron, por ejemplo, en São Paulo, en centros como Manaus, Belém, están experimentando pobreza, carencia. Si ellos regresan a casa van a vivir a orillas de un río lleno de comida, de peces, tendrán relaciones seguras con la gente que los quiere, sus parientes, amigos, serán recibidos con cariño. Pienso que eso será determinante considerar aquilatar si regresar a casa. Aunque demore más de una generación. Porque existe una dinámica territorial muy agresiva. Si Ud. tiene un lugar donde instalarse junto con su tribu, con su familia, claro que preferirá volver a casa". &lt;br /&gt; Hasta aquí el cacique indio Ailton Krenak. En 1990 este defensor de los derechos de los indígenas brasileños recibió el Premio Onassis por el entendimiento internacional y logros en la esfera social. Con este premio fueron galardonados, entre otros, el ex presidente checo Václav Havel y la actriz estadounidense Elizabeth Taylor. Esta conversación con Ailton Krenak se realizó durante su reciente visita a la Escuela de Cine de Verano de Uherské Hradiste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-4049494599279615961?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/4049494599279615961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=4049494599279615961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4049494599279615961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4049494599279615961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/01/cacique-brasileo-busca-su-idioma.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R576sUl5M4I/AAAAAAAAAEI/XyLfHa_8IGA/s72-c/krenak_ailtonx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1402672635186263459</id><published>2008-01-15T02:12:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T02:13:47.742-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O líder histórico &lt;br /&gt;Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançava o Programa de Proteção das Terras Indígenas, na inóspita São Gabriel da Cachoeira, interior do Amazonas, na capital federal, o coordenador da Rede Povos da Floresta, Ailton Krenak, questionava a relação com o Estado: “Se pedirmos para o Estado entrar, depois vamos ter de agüentar ele dentro da nossa casa”, advertiu. E completou: “Será que o Estado é realmente o melhor gestor para as nossas comunidades? Melhor que nós mesmos?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Krenak: relação com&lt;br /&gt;o Estado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos líderes indígenas mais respeitados no país, Krenak ficou conhecido nacionalmente durante a Assembléia Constituinte de 1988. Ele foi um dos principais articuladores das propostas de ampliação dos direitos indígenas. No encontro, o líder criticou também o fato de o projeto do Estatuto das Sociedades Indígenas estar parado no Congresso, desde os anos 90. “Isso prejudica a nossa participação na elaboração e execução das políticas públicas”, disse. (TR) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte:www.sinpro-rs.org.br/.../out07/especial.asp&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1402672635186263459?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1402672635186263459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1402672635186263459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1402672635186263459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1402672635186263459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/01/o-lder-histrico-enquanto-o-presidente.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3742133981368963416</id><published>2008-01-15T02:02:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T02:05:01.733-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R4yE53zDTLI/AAAAAAAAAEA/G2ljM79Mvcg/s1600-h/AILTONmeninos.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R4yE53zDTLI/AAAAAAAAAEA/G2ljM79Mvcg/s320/AILTONmeninos.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155641803197861042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;28 mayo 2007&lt;br /&gt;Sobre la relación con la Naturaleza? ...Hoy lo dice por mi Aylton Krenak y tantos otros... &lt;br /&gt; Este post iba a quedar completamente en manos de Ailton Krenak, Presidente de la Unión de Naciones Indígenas de Brasil. Lo leí por primera vez hace cosa de 15 años, y cada vez que lo hago me sobrecoge. A raíz de los cada vez más evidentes efectos que la raza humana ha generado sobre nuestra bella Tierra, pensé que el más indicado para hablar por mi de este tema era él. Tenia algunos textos, y buscando algo más me reencontré con la consistente sabiduría de los pueblos indigenas de este continente. Y entonces, no puedo más que ampliar el sitio, e invitarlos a todos ellos a través de estractos, a poner su sabiduría en este espacio. No más luchas, es la guerra constante la que nos está dejando el calentamiento global. En momentos como este sólo nos queda escuchar a los que más saben y dejar resonar esa sabiduría en lo profundo, y recordar lo que nosotros también sabemos: amar profunda e incondicionalmente a esta, nuestra Tierra...y actuar en concordancia con este sentir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"La mirada de algunos niños de nuestras aldeas tiene más antiguedad que cualquier monumento. A veces, un payé toma a un recién nacido en sus brazos, y canta y baila la alegría de haber visto esos ojos. Después le da al niño el nombre de un ancestro que pasó por aqui hace cuatro mil años y regresó en la mirada de esa criatura para enseñarnos cantos, ritos, y antiguas ceremonias. El ojo de ese chico es como el agua del río que pasa todas las mañanas por allí. No es la misma pero trae siempre la misma memoria. Nuestro monumento más antiguo no es ningun edificio ni pirámide: es nuestra memoria". Ailton Krenak -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Si lo que un pueblo o una persona hacen es auténtico, ese gesto se instala en el mundo. De la misma manera que el Sol, que sale por la mañana desparramando toda su luz sobre la tierra. Es uno de los seres más bellos que nos visitan y ninguno lo anuncia. Con los hombres sucede lo contrario: cualquier mediocre lanza por delante una caravana de heraldos con trompetas para que proclamen "aqui viene el gigante". Cuanto más fuerte es el sonido de las trompetas, tanto menos vale el personaje." Ailton Krenak&lt;br /&gt;Algunos de los textos fueron estractados de: http://www.identidadaborigen.com.ar/index.htm y de http://www.geocities.com/Athens/Oracle/4486/indios_esp.html &lt;br /&gt;Un texto bello de Ailton Krenak ("El Pacto Sagrado") lo encuentran en: http://www.casa.cult.cu/publicaciones/revistaconjunto/137/ailtonkrenak.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado por Ximena en 5/28/2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3742133981368963416?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3742133981368963416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3742133981368963416' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3742133981368963416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3742133981368963416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2008/01/28-mayo-2007-sobre-la-relacin-con-la.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R4yE53zDTLI/AAAAAAAAAEA/G2ljM79Mvcg/s72-c/AILTONmeninos.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6537639659518786905</id><published>2007-12-12T05:29:00.000-08:00</published><updated>2007-12-12T05:31:51.861-08:00</updated><title type='text'>Expedição do Redescobrimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R1_ikougC3I/AAAAAAAAAD4/o5kWldP8DaY/s1600-h/Krenac_turma.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R1_ikougC3I/AAAAAAAAAD4/o5kWldP8DaY/s320/Krenac_turma.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143078418516020082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com malas nas mãos e muitas idéias na cabeça, os coordenadores dos pólos regionais da Expedição do Redescobrimento deixaram São Paulo no dia 6 de setembro, depois de 4 dias intensos de capacitação no Museu da Pessoa. A Expedição do Redescobrimento finalmente começou e nossos expedicionários estão extremamente empenhados nesta ação, prontos para descobrir muitos tesouros pelo Brasil afora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A capacitação foi um momento muito importante de reflexão, troca de conhecimento, e vivências. Mais que revisitar o plano de ações proposto, o grupo vivenciou a metodologia de memória oral do Museu da Pessoa e discutiu como essa e outras metodologias poderão ser utilizadas durante os encontros da Expedição.&lt;br /&gt;O grupo pôde praticar as técnicas de gravação de histórias de vida utilizadas pelo Museu da Pessoa com Ailton Krenak, importante líder indígena brasileiro e fundador da Rede de Povos da Floresta. Sua história inspiradora incentivou ainda mais o grupo a realizar este trabalho intenso e gratificante de mapear e conectar as iniciativas de memória brasileiras. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Atualmente os coordenadores dos pólos regionais estão mapeando iniciativas de memória em suas regiões para formação dos pólos, que terão cerca de 11 iniciativas participantes. Caso você tenha interesse em participar dos pólos regionais, escreva para expedicao@bmr.org.br.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6537639659518786905?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6537639659518786905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6537639659518786905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6537639659518786905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6537639659518786905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/12/expedio-do-redescobrimento.html' title='Expedição do Redescobrimento'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/R1_ikougC3I/AAAAAAAAAD4/o5kWldP8DaY/s72-c/Krenac_turma.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3425374507344460120</id><published>2007-11-14T01:59:00.000-08:00</published><updated>2007-11-14T02:02:17.787-08:00</updated><title type='text'>“Ainda estamos sujeitos a todo tipo de roubalheira”</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RzrHTxXQ2DI/AAAAAAAAADw/TlIn7uNKvTo/s1600-h/ESTA.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RzrHTxXQ2DI/AAAAAAAAADw/TlIn7uNKvTo/s320/ESTA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132633867824453682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ailton Krenak, durante entrevista a Sidney Rezende, no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica)&lt;br /&gt;Foto: Daniel Werneck &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Krenak chegou para a entrevista de calça jeans, tênis, celular e agenda na mão. No pescoço e nos pulsos, adereços artesanais. No rosto, uma fisionomia que revela sua origem: a comunidade indígena Krenak, localizada no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Pisando no chão de madeira, no camarim, disse: “Isto é pinho. Mas não é de mata nativa não, ainda bem”. No discurso, quebra de estereótipos e uma fala nitidamente integrada ao mundo: “No Fórum Social Mundial, as pessoas gritavam ‘não à globalização’. É a mesma coisa que dizer ‘não ao efeito estufa’. Do que adianta gritar? O mundo vai voltar a ser bonitinho?”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conversa com o jornalista Sidney Rezende na 5ª edição da Mostra Fica - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, no auditório do Sesc, no Rio de Janeiro, o líder indígena demonstrou estar imerso na cultura dos brancos. A olho nu, Krenak parecia mais um índio de tradições devastadas pela “civilização”. A imagem de homem ingênuo, no entanto, desapareceu no decorrer do debate. Formado em jornalismo e design, o entrevistado mostrou que sua opção por viver em meio ao homem branco sempre esteve ligada à preservação de seus antepassados e ao resgate de sua identidade cultural. Suas ações são apoiadas justamente em recursos da sociedade dita civilizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um ano, os Krenak entraram com ação no Ministério Público por danos ambientais e morais pelas perdas físicas e culturais que seu povo sofreu durante o século XX, quando grandes empresas insistiam em desbravar suas terras impunemente. “Pedimos indenização, sim. Tudo não é dinheiro? Então vejam aí, na linguagem capitalista, quanto custou o que vocês fizeram”, criticou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do século XX, os Krenak tinham uma população de cinco mil pessoas, número que se reduziu a 600 na década de 1920 e a 130 indivíduos em 1989. Eles viraram o século com cerca de 150 indivíduos. Engajado nas causas políticas em favor dos povos indígenas, ele acredita que o governo ainda tem muito a fazer para proteger essas comunidades. “Até hoje o Brasil não conseguiu disciplinar-se em relação a isso. Ainda estamos sujeitos a todo tipo de roubalheira”, lamentou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciente dos avanços tecnológicos, o líder não repudia sua emancipação, mas acredita que ela pode ser usada de maneira mais inteligente. “A natureza tem capacidade de gerar riquezas para o ser humano, que tem como desenvolver uma relação harmoniosa entre natureza e tecnologia. Não precisava ter transformado rios em esgotos, oceanos em poças de produtos químicos. Não podemos estigmatizar a tecnologia como algo maléfico. O negócio é não instruentalizá-la para algo ruim”, comentou. “Estamos todos avassalados pelo mercado, o mundo é movido por ele. Isso está acabando com as culturas tradicionais.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa dessa lógica capitalista, ele também questionou a atuação de grupos ambientalistas. “Quem sustenta as ONGs hoje são empresas. Quem paga os secretários de meio ambiente são os empreendedores. Não podemos nos iludir. Eles agem subordinados a isso”, comentou. Krenak revelou que a velha prática de mercado conhecida como escambo (troca de bens) ainda persiste nas comunidades. “Presenteando” os índios com celulares e equipamentos de última geração, madeireiros conseguem agilizar seu comércio ilegal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele reafirmou a teoria de que a “lógica perversa” do mercado está gerando os grandes impactos ambientais na Terra. “O planeta está em convulsão pelo ‘barulho’ que fizemos aqui”, disse, finalizando o papo com a típica visão de quem não mantém uma relação de superioridade com a natureza. “Se o planeta cuspir todos nós, a biodiversidade não vai sentir falta”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia mais sobre o evento no Blog do Sidney Rezende: Indíos e brancos: a modernidade a serviço do crime. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE:www.sidneyrezende.com/blog/index.php?page=6&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3425374507344460120?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3425374507344460120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3425374507344460120' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3425374507344460120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3425374507344460120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/11/ainda-estamos-sujeitos-todo-tipo-de.html' title='“Ainda estamos sujeitos a todo tipo de roubalheira”'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RzrHTxXQ2DI/AAAAAAAAADw/TlIn7uNKvTo/s72-c/ESTA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2476033494433826313</id><published>2007-07-07T06:23:00.000-07:00</published><updated>2007-07-07T06:24:33.621-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Taru Andé ganha prêmio internacional&lt;br /&gt;A série Taru Andé - o encontro do céu com a terra, exibida pelo Canal Futura desde novembro de 2006, foi premiada pelo IX Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental - FICA, realizado na cidade de Goiás Velho (GO) entre 12 e 16 de junho.&lt;br /&gt;Taru Andé concorreu com a série austríaca Nature Tech, dirigida por Alfred Vendl e Steve Nicholls, que fala sobre o futuro das tecnologias para a preservação da natureza. A série recebeu um prêmio de 25 mil reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O júri do festival foi composto por importantes personalidades do audiovisual e da área ambiental em todo o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2476033494433826313?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2476033494433826313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2476033494433826313' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2476033494433826313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2476033494433826313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/07/taru-and-ganha-prmio-internacional-srie.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-7663591658025252924</id><published>2007-04-27T06:59:00.000-07:00</published><updated>2007-04-27T07:10:31.042-07:00</updated><title type='text'>[histórico] Conversa de Índio de Verdade</title><content type='html'>Por: Amália Souza &lt;br /&gt;Há exatamente uma década, dois índios, um da América do Sul e outro da América do Norte, se encontraram em Washington DC -- Ailton Krenak, índio Krenak do Vale do Rio Doce, que na ocasião recebia um prêmio de Direitos Humanos, e Thomas Banyachia, o último sobrevivente do Grande Conselhode Anciões do povo Hopi. Por uma felicidade do destino era a minha a voz que traduzia a conversa desses dois visionários de nossos tempos. Gostaria de compartilhar o que aprendi.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;   Conversavam sobre as ameaças à continuidade da vida na terra como a conhecemos, sobre a direção que tomamos e o que é preciso para reverter esse processo. Suas palavras falavam de preocupação, mas também esperança. &lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RjIBzuzZKFI/AAAAAAAAADo/3qt7vTWz394/s1600-h/banyailton.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RjIBzuzZKFI/AAAAAAAAADo/3qt7vTWz394/s320/banyailton.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058107319739033682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entendê-las melhor, antes precisamos começar de uma base comum. A primeira é que sempre que falamos de meio ambiente, apontamos para longe, para um lugar lá fora --o mato, a grama do jardim, o passarinho. Mas quase nunca nos lembramos de apontar para nós mesmos - os seres humanos -- tão parte desse emaranhado, dessa teia interdependente que mantém a vida desse planeta, e tão dependentes dela como qualquer outro animal, ou planta, água, terra, fogo e ar. Somos feitos, todos nós, dos mesmos elementos químicos, em composições e combinações diferentes. E só sobrevivemos por fazer parte desta incrível e sofisticada simbiose. Nunca independentes dela. A segunda é que, por isso, não podemos nos extrair desse ambiente -- não podemos viver sem essa teia. Consumir como consumimos, despedirçar como desperdiçamos só nos leva a um resultado - o colapso desse sistema tão integrado, e ao mesmo tempo tão frágil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se revertemos esse processo destruidor em tempo, temos alguma chance de sobreviver com saúde. Se não o revertemos, nossas vidas se tornarão cada vez mais miseráveis. Portanto, a mudança tem que partir de ações individuais que se refletem no coletivo. Como diz Margareth Mea, "Nunca menospreze o poder dos indivíduos de provocar mudanças no mundo. Realmente, é a única coisa até hoje que já foi capaz de fazê-lo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isto, voltamos a nossa estória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thomas contava a história de seu povo, e de todos os de pele vermelha, e dava um aviso. Segundo os Hopi, todos os povos de pele vermelha vêm de uma mesma família. Em algum momento, grupos foram incumbidos de viajar, cada um para uma direção, levando consigo um manto sagrado que deveriam enterrar no lugar que escolhessem habitar. Desse lugar não deveriam mais sair, mas protegê-lo com suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a tradição, esses grupos viveriam isolados por milhares de anos. Mas um momento chegaria, um momento importante para o Planeta Terra, um momento de grandes mudanças e de profundas transições, em que eles deveriam unir-se novamente. Quando os pele vermelha começassem a se re-encontrar, seria para cumprir sua máxima missão, de apaziguar a Grande Mãe para que tenha piedade desse pobre povo que causou tanta destruição. "Quando a Terra começar a reagir por todo o mal trato que recebeu, não adianta correr para a ONU", dizia, "só nós, os pele vermelha, sabemos falar sua língua."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton, aquele índio que pintou a cara de preto em sinal de luto por seu povo no Senado Federal durante a constinuinte, falava de responsabilidade de Ser Humano. Dizia: "já não temos tempo para sonhar... por isso já não ouvimos as mensagens da Terra. Mas, se todas as manhãs, nos olharmos no espelho, e nos vestirmos com a responsabilidade de Seres Vivos do Planeta Terra que somos, vamos nos lembrar de tomar as rédeas do nosso futuro novamente. Sobreviver não é o mesmo que viver. O índio [e certamente todo ser que vive neste planeta] quer viver, não sobreviver. Se não temos acesso às nossas terras, a água e ar puros, a comida limpa, não estamos vivendo como merecemos. Vivemos hoje como se tivéssemos uma seringa constantemente chupando nosso sangue, gota a gota. Nos esquecemos que nem sempre as coisas foram assim. Tudo isso é muito recente! Ainda podemos nos lembrar de lugares de água limpa. Ainda podemos nos lembrar do canto dos pássaros, do cheiro de mato." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é tarde demais para reverter esse processo, se realmente quisermos. Mas para isso, temos que acordar desse pesadelo, dessa ilusão de consumismo e principalmente de impotência. Nossa autoridade de seres planetários nos investe do poder de dizer "NÃO!". É hora de começar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-7663591658025252924?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/7663591658025252924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=7663591658025252924' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7663591658025252924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7663591658025252924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/histrico-conversa-de-ndio-de-verdade.html' title='[histórico] Conversa de Índio de Verdade'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RjIBzuzZKFI/AAAAAAAAADo/3qt7vTWz394/s72-c/banyailton.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2358707485081019159</id><published>2007-04-27T06:53:00.000-07:00</published><updated>2007-04-27T06:54:43.742-07:00</updated><title type='text'>A Riqueza e a Herança Cultural Indígena</title><content type='html'>por Ailton Krenak &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas nossas tribos, nas nossas aldeias a riqueza é sempre vista como alguma coisa que merece ser partilhada. Sempre que a riqueza for um sinal particular, um sinal de ressaltar a individualidade, ela é condenada. Quando começa a haver riqueza individual tem um instrumento muito bacana que é o seguinte: o povo vai identificando o ponto de aglutinação da riqueza, o ponto de perigo da riqueza. Aí eles vão lá, cercam a casa daquele cara que está começando a expressar sinais de riqueza excessiva, fazem uma festa e bebem e comem tudo o que o cara tem. A festa vai durar enquanto tiver ceroula, uma tanga. Quando terminar a festa aquele cara é o irmãozinho mais humilde, despojado, de toda a tribo. Agora ele vai ser aquele que todo mundo acolhe, dá comida e ajuda, para se reeducar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma coisa muito interessante nestas cerimônias todas. Tem um mestre de cerimônia, tem um dono da festa. O que foi expropriado da última festa recebe um bastão e vai ser o dono da próxima festa. Ele que levou a maior blitz social estará ligado ao menor sinal de riqueza que ele observar nos irmãozinhos. Cria-se um eixo de vigilância sobre a riqueza alheia. Esta é uma grande inteligência da tradição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: Rede Mundial de Artistas em Aliança&lt;br /&gt;http://www.redemundialdeartistas.org.br/twiki/bin/view/Mural/MuralAiltonKrenak&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2358707485081019159?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2358707485081019159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2358707485081019159' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2358707485081019159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2358707485081019159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/riqueza-e-herana-cultural-indgena.html' title='A Riqueza e a Herança Cultural Indígena'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-7475086010892080439</id><published>2007-04-19T03:53:00.000-07:00</published><updated>2007-04-19T04:01:15.296-07:00</updated><title type='text'>Dia de Índio: Por Quê?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RidL4iPR8HI/AAAAAAAAADg/VbHL0gDemg4/s1600-h/sem+t%C3%ADtulo.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RidL4iPR8HI/AAAAAAAAADg/VbHL0gDemg4/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5055092541382324338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Texto de autoria de Adir Casaro Nascimento, professora universitária e consultora ministerial para questões de educação indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1134&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por que se comemora a presença do índio em território brasileiro, ou se faz um esforço para que o índio seja lembrado e até exaltado a todo dia 19 de abril se o índio incomoda a tantos cidadãos brasileiros? A sociedade em geral o vê como uma personagem folclórica, de histórias antigas e de alguém que não cresceu e não evoluiu como os outros homens dessa nação; os grupos económicos os vêm como improdutivos, como atraso e impecilho para a realização de projetos desenvolvimentistas e de acúmulo de capital; os governantes sentem grande dificuldade em cumprir os direitos adquiridos, com a Constituição de 1988 e os seus desdobramentos, em especial ao que se refere à demarcação de terra e políticas públicas em educação. Se o índio é mais um problema do que reconhecidamente um cidadão, então por que comemorar?&lt;br /&gt;Essa é aparentemente uma contradição. Aparentemente pois se para os imediatistas o índio é um entrave para os projetores do futuro o índio é, no bom sentido, uma necessidade, uma resposta positiva: uma necessidade político-cultural tendo em vista a sua forma de organização social e seus princípios de convivência com o outro; uma necessidade ecológica já que a sua presença garante a preservação da natureza, a vida da biodversidade e uma necessidade científica pois, dificilmente se conseguirá "capitanear"os conhecimentos produzidos pelas tradições indígenas sem que os mesmos requeiram a autoria e identidade neste processo.&lt;br /&gt;Apesar dessa quase profecia com relação a importância dos povos indígenas na projeção de uma nova sociedade é certo que, quer pela história de longa duração, quer pelas expectativas de futuro o índio não tem muito o que comemorar: nem no "seu" dia e muito menos nos 500 anos, a não ser o fato de ter construído, em um longo processo de resistência que teve nuances e dinâmicas diferentes no decorrer da história de contato, a consciência da própria condição e com isso instrumentalizar-se e serem protagonistas que exigem respeito e até um certo temor no contexto da história atual. O mundo inteiro tem os olhos voltados para os índios da América Latina e notadamente do Brasil.&lt;br /&gt;O Mato Grosso do Sul que tem a segunda maior população indígena aldeada do país tem uma historiografia de indiferença, descaso e expropriação dos seus povos indígenas. A história de constituição do homem sulmatogrossense não considera o índio nessa composição; o desenvolvimento económico do Estado "ignorou" a presença indígena em todo seu território e permitiu o seu confinamento para que os projetos de expansão e extração pudessem ser realizados e, com relação às políticas públicas, o Estado sempre governou, até pelo menos os meados da década de 90 como se aqui não existissem índios. Com relação à educação escolar o Estado vem buscando assumir com responsabilidade e profissionalismo a implantação e melhoria da qualidade das escolas indígenas em parceria com as prefeituras bem como desenvolvendo projeto de capacitação dos professores-índios, com destaque ao Curso de Magistério Específico aos Professores-Índios Guarani/Kaiova que deve habilitar 80 professores . Estes projetos têm contado com a participação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, da Universidade Católica Dom Bosco e da Diocese de Dourados.&lt;br /&gt;Ter um dia para comemorar significa que a sociedade tem consciência da marginalização, da exclusão a que os índios foram e são submetidos. Outrora explicitamente, hoje ideologicamente onde discursos e ações não se encontram e estas significam muito mais um rearranjo, uma outra dimensão de colonização do que possibilidades de autonomia dos povos indígenas. Porém esta mesma história de contato permitiu aos índios usufruir de espaços como estes para revelarem que, como sujeitos históricos, participantes ativos deste processo, eles também aprenderam a se organizar, a se mobilizar e em uma capacidade muito grande de superação usar recursos de sua tradição e aqueles aprendidos dos "brancos" fazerem-se presentes, com dignidade, no seu "dia". Reverteram a história."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-7475086010892080439?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/7475086010892080439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=7475086010892080439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7475086010892080439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/7475086010892080439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/dia-de-ndio-por-qu.html' title='Dia de Índio: Por Quê?'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RidL4iPR8HI/AAAAAAAAADg/VbHL0gDemg4/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6220052136981321846</id><published>2007-04-18T07:23:00.000-07:00</published><updated>2007-04-18T07:26:30.323-07:00</updated><title type='text'>[histórico] Edição 2003 do Prêmio Direitos Humanos homenageia FOIRN e Ailton Krenak</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RiYqi_UDxNI/AAAAAAAAADY/fgPMbL6v0AE/s1600-h/ailton_02.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RiYqi_UDxNI/AAAAAAAAADY/fgPMbL6v0AE/s320/ailton_02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5054774412369446098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Dia Internacional dos Direitos Humanos (10/12) reuniu no Palácio do Planalto quase todos os ministros de Estado para a entrega do Prêmio Direitos Humanos 2003. As homenagens foram feitas a personalidades e instituições que se destacaram na defesa dos Direitos Humanos. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro e o líder indígena Ailton Krenak ganharam na categoria Comunidades Indígenas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criado em 1995 por determinação do Presidente da República, o prêmio Direitos Humanos é uma honraria do Governo Federal concedida a pessoas e instituições cujas ações pelos direitos humanos sejam dignas de reconhecimento e valorização por toda a sociedade brasileira. Em 2003, foram instituídas 12 categorias de premiação, nas quais foram apresentadas centenas de indicações vindas de todo o país.&lt;br /&gt;Comunidades Indígenas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn – foi vencedora na categoria Comunidades Indígenas por conta do trabalho que vem desenvolvendo com as comunidades indígenas da região tais como a piscicultura com espécies de peixes nativos, avicultura em sistema semi-aberto, agricultura tradicional, produção e comercialização de artesanato. Além disso, a Foirn foi apresentada como a entidade que apóia mais de 200 professores indígenas da região na realização de assembléias e cursos com o objetivo de promover a educação diferenciada dos povos indígenas. Outro destaque lembrado na cerimônia, sobre o trabalho da Foirn, foi o projeto Cidadania Indígena do Rio Negro, com atuação itinerante, que realiza campanhas para fornecer documentação civil básica e leva orientação sobre direitos às comunidades indígenas.&lt;br /&gt;Ailton Krenak, homenageado como personalidade na categoria Comunidades Indígenas reconhecida dentro e fora do Brasil, também estava emocionado. Ele participou intensamente de todo o processo de elaboração do texto constitucional de 1988, e fundou o Núcleo de Cultura Indígena. Também criou e dirigiu o Centro de Pesquisa Indígena e o Núcleo de Direitos Indígenas -NDI. Ailton foi apresentado como uma grande liderança indígena. "A sabedoria de Ailton Krenak está contida na sua atuação política da União das Nações Indígenas - UNI-, cuja intervenção é hoje decisiva não apenas para os povos indígenas mas para o conjunto da sociedade civil brasileira."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6220052136981321846?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6220052136981321846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6220052136981321846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6220052136981321846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6220052136981321846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/histrico-edio-2003-do-prmio-direitos.html' title='[histórico] Edição 2003 do Prêmio Direitos Humanos homenageia FOIRN e Ailton Krenak'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RiYqi_UDxNI/AAAAAAAAADY/fgPMbL6v0AE/s72-c/ailton_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-3855529211298482331</id><published>2007-04-15T07:02:00.000-07:00</published><updated>2007-04-15T07:08:15.770-07:00</updated><title type='text'>Danielle Miterrand participa de ritual indígena pelo Dia Mundial da Água</title><content type='html'>22/03/2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pajelança abriu último dia de evento ambiental no Jardim Botânico.&lt;br /&gt;Entidade francesa financiou programa de ONG brasileira.&lt;br /&gt;Alba Valéria Mendonça Do G1, no Rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As celebrações pelo Dia Mundial da Água começaram cedo, nesta quinta-feira (22), no Rio de Janeiro. Na Fundação Jardim Botânico, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, a ex-primeira dama da França, Danielle Miterrand, presidente da Fundação France-Libertés participou de um ritual indígena, numa pequena cachoeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RiIxfiyctSI/AAAAAAAAADQ/RnbP2v131qM/s1600-h/0,,9222178,00.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RiIxfiyctSI/AAAAAAAAADQ/RnbP2v131qM/s320/0,,9222178,00.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053656149847225634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pajés Ailton Krenak, de Minas Gerais, Benki Ashaninka e Leopardo Bane, ambos do Acre, cantaram e fizeram um ritual diante de uma pequena cachoeira do parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pajelança abriu o segundo e último dia de debates do Encontro Águas de Março, no Espaço Tom Jobim, no parque. No encontro, autoridades e ambientalistas discutiram estratégias sobre manuseio e preservação da água. No evento, Danielle Miterrand lançou o movimento Porteurs D´Eau (Mensageiros da Água), que desde novembro do ano passado vem realizando um trabalho de conscientização na França e no Canadá sobre o melhor aproveitamento dos recursos hídricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, o movimento financiou o programa de preservação do meio ambiente da Fundação Gol de Letra, dos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo. Foi produzido um vídeo com as crianças assistidas pelo projeto, que mostra a degradação da Praia do Caju, na Zona Portuária do Rio. O local era o balneário preferido de D. João VI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O pajé Krenak lembrou que para a maioria das culturas indígenas, a água é considerada um espírito, que concede vida a todos os seres que a rodeiam. Ele lamentou que as antigas gerações não tenham atentado para a importância da preservação dos recursos hídricos do planeta. Já Benki, entoou um cântico de sua tribo que fala de pássaros que se banham em rios espalhando alegria por onde voam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danielle Miterrand disse que o principal objetivo do movimento é contextualizar internacionalmente a preocupação com os recursos hídricos. Ela acredita que o Rio tem grande potencial para se transformar num centro de reflexão sobre a preservação do meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presidente da France-Libertés pretende fazer do Encontro Águas de Março, um evento anual. Ela também acha importante que questões como água e mudança climática sejam discutidas foram do contexto técnico para poder mobilizar os cidadãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-3855529211298482331?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/3855529211298482331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=3855529211298482331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3855529211298482331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/3855529211298482331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/danielle-miterrand-participa-de-ritual.html' title='Danielle Miterrand participa de ritual indígena pelo Dia Mundial da Água'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RiIxfiyctSI/AAAAAAAAADQ/RnbP2v131qM/s72-c/0,,9222178,00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2004344632453815058</id><published>2007-04-12T13:44:00.000-07:00</published><updated>2007-04-12T13:45:47.159-07:00</updated><title type='text'>Brasil dará Internet grátis a índios, quilombolas e pescadores</title><content type='html'>Quinta-feira 29 de Março, 2007 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por Andrea Welsh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil vai oferecer conexão gratuita à Internet por satélite para tribos indígenas da Amazônia e para outras comunidades, em mais um esforço para combater o desmatamento ilegal da floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É uma forma de abrir comunicações entre as comunidades indígenas, quilombos, quebradores de castanhas, pescadores ribeirinhos e o resto da sociedade", disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na quinta-feira, após assinar o acordo que põe o plano em vigor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Essas comunidades são os verdadeiros protetores das suas áreas", disse ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto levará a Internet sem fio a 150 pequenas comunidades da Amazônia, do Pantanal e do sertão nordestino. Muitas dessas comunidades vivem isoladas devido à falta de infra-estrutura básica, como estradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contribuir com a preservação do meio ambiente é um dos principais objetivos do programa. "A Internet nos ajudou a trazer a polícia (quando houve desmatamento ilegal na reserva)", disse Benhi Piyanko, que vive numa reserva habitada por 500 índios ashaninka no Acre. "Conseguimos passar a mensagem bem amplamente, atingimos até o presidente", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo federal vai entrar com o acesso à Internet, mas caberá a prefeituras e governos estaduais conseguir os computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Líderes indígenas apóiam o programa, mas temem que os computadores possam destruir as culturas dos mais de 200 povos nativos, disse Ailton Krenak, membro da Rede de Povos da Floresta. "Não gosto de computadores, mas também não gosto de aviões. O que se pode fazer?", questionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fonte: http://br.today.reuters.com/news/newsArticle.aspx?type=internetNews&amp;storyID=2007-03-29T213554Z_01_B56262_RTRIDST_0_INTERNET-INDIOS-POL.XML&amp;archived=False&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2004344632453815058?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2004344632453815058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2004344632453815058' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2004344632453815058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2004344632453815058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/brasil-dar-internet-grtis-ndios.html' title='Brasil dará Internet grátis a índios, quilombolas e pescadores'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-5634280295892953392</id><published>2007-04-11T07:41:00.000-07:00</published><updated>2007-04-11T07:42:59.909-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RhzztCyctRI/AAAAAAAAADI/Hqb7noHX3pk/s1600-h/o_canto_das_montanhas.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RhzztCyctRI/AAAAAAAAADI/Hqb7noHX3pk/s320/o_canto_das_montanhas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052180837170984210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse disco registrou o I Festival de Dança e Cultura Indígena da Serra do Cipó, realizado em setembro de 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Krenak, o coordenador do Festival, apresenta o disco assim: &lt;br /&gt;"O Festival de Dança e Cultura Indígena da Serra do Cipó é um encontro de tribos. Nosso culto aos ancestrais, a todos os seres da Criação. É nossa maneira de abraçar também os outros povos e culturas que vieram para cá um dia. Assim, estamos chegando das aldeias com os donos da festa para alegrar a montanha e seus espíritos ancestrais, guardadores das águas claras, no alto da Serra do Cipó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lista de músicas &lt;br /&gt;Krenak&lt;br /&gt;01. Theon Hô&lt;br /&gt;02. Yrnõn Dhiuk Indhiak&lt;br /&gt;03. Hô Nym Parem&lt;br /&gt;04. Kicrok Tondon Nukuin&lt;br /&gt;05. Nak Inhauit Borum Rerrê&lt;br /&gt;06. Po Hamék&lt;br /&gt;07. Taru Rundhium&lt;br /&gt;08. Thi Ruhá Nim Nengãm&lt;br /&gt;09. Kicrok Tondon Nukuin &lt;br /&gt;Maxakali&lt;br /&gt;10. Kuayakivi &lt;br /&gt; Maxakali&lt;br /&gt;11. Kumãtxu Preto&lt;br /&gt;12. Yãmiy&lt;br /&gt;13. Kumãtxu Vermelho&lt;br /&gt;Pataxó &lt;br /&gt;14. Mucará&lt;br /&gt;15. Mirapê&lt;br /&gt;16. Tapunahã&lt;br /&gt;17. Dauê Maiô Inhê&lt;br /&gt;18. Penaô Baixu&lt;br /&gt;19. Hô Maracá Txé&lt;br /&gt;20. Éke Iâ Dipê&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-5634280295892953392?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/5634280295892953392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=5634280295892953392' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5634280295892953392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5634280295892953392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/esse-disco-registrou-o-i-festival-de.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RhzztCyctRI/AAAAAAAAADI/Hqb7noHX3pk/s72-c/o_canto_das_montanhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-5128097123689327362</id><published>2007-04-11T07:37:00.000-07:00</published><updated>2007-04-11T07:40:08.085-07:00</updated><title type='text'>“Acesso, mas com respeito à cultura ancestral”</title><content type='html'>Pinhais (PR) / 22.03.2006 - Os povos indígenas brasileiros decidiram se posicionar quanto às discussões da COP-8 em relação ao cobiçado acesso aos conhecimentos tradicionais associados ao patrimônio genético de animais, plantas e microrganismos nativos. &lt;br /&gt;Na manhã de hoje, representantes de comunidades de praticamente todas as regiões do país reunidos no Expo Trade Center, sede do encontro da Convenção sobre Diversidade Biológica – CDB, em Curitiba, criaram o Fórum dos Povos Indígenas Brasileiros para a Biodiversidade. &lt;br /&gt;O foco das ações é influenciar o Fórum Internacional dos Povos Indígenas - FIPI, criado em 2002, em Johanesburgo, durante a Rio+10. A instância mundial de representação indígena é um órgão de assessoramento do secretariado da CDB e recebia críticas de estar distante da realidade dos povos nativos brasileiros, conforme explicitou o líder indígena Ailton Krenak. &lt;br /&gt;Para a representante do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – Ibrapi, Fernanda Kayngang, o instante é oportuno para que os povos indígenas brasileiros possam garantir os interesses das comunidades tradicionais no âmbito da CDB. &lt;br /&gt;“Esse é um momento em que discutimos a implementação de um sistema internacional de acesso ao patrimônio genético e repartição de benefícios”, analisa. Segundo ela, as medidas a serem adotadas pela convenção mundial da biodiversidade só serão efetivas se contarem com a parceria dos povos tradicionais que conhecem, detém e ocupam as áreas de maior diversidade da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://www.cdb.gov.br/COP8/cop_news/201cacesso-sim-mas-com-respeito-a-nossa-cultura-ancestral201d&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-5128097123689327362?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/5128097123689327362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=5128097123689327362' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5128097123689327362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/5128097123689327362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/acesso-mas-com-respeito-cultura.html' title='“Acesso, mas com respeito à cultura ancestral”'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1742547044832758366</id><published>2007-04-07T05:55:00.000-07:00</published><updated>2007-04-07T05:56:44.921-07:00</updated><title type='text'>Depoimento de Ailton sobre Chico Mendes</title><content type='html'>A melhor maneira de se entender um pouco o significado da luta de Chico Mendes é prestar atenção num pequeno episódio da nossa, índios e seringueiros, história recente. O Acre é uma região da Amazônia onde até a década de 70 não havia qualquer reconhecimento da existência das populações indígenas. As antigas áreas indígenas das doze tribos daquela região tinham se transformado em seringais sob controle dos coronéis da borracha e os índios em escravos destes seringais. Os seringueiros, historicamente, tinham se constituído numa espécie de guarda dos patrões no processo de domesticação dos índios e chegaram a ser aliciados para fazerem guerras punitivas contra grupos indígenas que se opunham aos patrões. Nos últimos dez anos, com a luta do movimento indígena pelo resgate de sua condição e retomada do domínio de seus territórios, o movimento dos seringueiros, liderado por Chico Mendes, teve a sensibilidade de superar esta histórica inimizade manipulada pelos patrões e lançar as bases da atual aliança dos povos da floresta, que o Chico resumia assim: "Nosso povo é o mesmo povo, nós não somos mais brancos. Temos uma cultura diferente da dos brancos e pensamos diferente dos civilizados. Aprendemos com os índios e com a floresta uma maneira de criarmos os nossos filhos. Atendemos a todas as nossas necessidades básicas e já criamos uma cultura própria, que nos aproxima muito mais da tradição indígena do que da tradição dos 'civilizados'. Nós já sabemos disto, agora o Brasil precisa saber disto. Nunca mais um companheiro nosso vai derramar o sangue do outro, juntos nós podemos proteger a natureza que é o lugar onde nossa gente aprendeu a viver, a criar os filhos e a desenvolver suas capacidades, dentro de um pensamento harmonioso com a natureza, com o meio ambiente e com os seres que habitam aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1989&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://www.chicomendes.org/chicomendes199.php&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1742547044832758366?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1742547044832758366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1742547044832758366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1742547044832758366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1742547044832758366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/04/depoimento-de-ailton-sobre-chico-mendes.html' title='Depoimento de Ailton sobre Chico Mendes'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6241117401537455170</id><published>2007-03-13T04:46:00.000-07:00</published><updated>2007-03-13T04:54:21.387-07:00</updated><title type='text'>Último Episódio de Taru Andé</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RfaQnlWUKEI/AAAAAAAAAC8/jhYSbZwRh_Q/s1600-h/paisagem.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RfaQnlWUKEI/AAAAAAAAAC8/jhYSbZwRh_Q/s320/paisagem.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5041375842602854466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taru Andé: Aventura cultural na selva amazônica &lt;br /&gt;por Lívia Raick *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma equipe do Canal Futura foi conferir de perto as gravações do último episódio de Taru Andé. O programa narra a história e o dia-a-dia de 13 aldeias indígenas, pelo Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntos com o índio Ailton Krenak, o cineasta Marco Altberg e o diretor de fotografia Tota Paiva, todos da produtora Maltberg, começamos logo cedo já na correria, para filmar a aldeia Arara do Acre. As gravações começam logo pela manhã e vão até o final da noite. Em cada conversa, em cada momento, ao lado dos índios, uma nova descoberta, um ângulo diferente de uma história tão pouco conhecida por nós. Nas andanças, um mundo novo se desvenda. É a natureza sendo vista bem de perto, em viagens de canoa, trilhas em meio à floresta, banhos de rio. Tudo é uma grande aventura. Sair de uma cidade como o Rio de Janeiro e ir para uma aldeia indígena, comer comidas exóticas, viver por alguns dias submerso em uma cultura diferente faz da viagem uma experiência antropológica fantástica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RfaQYlWUKDI/AAAAAAAAAC0/ZX3Go2Q7VXc/s1600-h/livia_interna.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RfaQYlWUKDI/AAAAAAAAAC0/ZX3Go2Q7VXc/s320/livia_interna.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5041375584904816690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar à tribo Arara do Acre partimos de uma cidadezinha bem pequena chamada Porto Valter, que fica a uma hora de avião de Cruzeiro do Sul. De lá pegamos uma canoa motorizada que nos levou pelo rio Juruá, em mais uma viagem, agora de aproximadamente quatro horas. Em todo percurso, muito verde e animais exóticos. Muitas fotos e um longo momento de reflexão. Uma calma e um silêncio raramente vividos nas grandes cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa chegada à aldeia foi uma mistura de adrenalina e muita curiosidade. E é nos pequenos detalhes que a câmera vai filmando a intimidade de um povo receptivo e carente de maiores incentivos e divulgação. Com uma história rica de Brasil, nas suas músicas, suas lendas, suas danças, os índios mostram sua sabedoria. Utilizam-se da natureza para sua alimentação e saúde, tendo nela remédios para praticamente todos os seus males. Há mais espécies de remédios da natureza, como eles próprios chamam, do que se pode imaginar. Além disso, eles procuram nos mais velhos a sabedoria de vida que rege o seu dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, estar com profissionais renomados, como o cineasta Marco Altberg, e com o índio Ailton Krenak, foi uma experiência à parte. Com eles, aprendi um olhar mais humano e respeitoso sobre as diferentes culturas existentes. E é isso que Taru Andé vem tentar mostrar. Uma história por um ângulo bem diferente. A abertura de um espaço para que o índio fale sobre ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio Arara do Acre mostra como índios que perderam por muito tempo o direito de viver sua cultura, escravizados por seringueiros, deram a volta por cima e hoje lutam para recuperar por completo sua história. Então, não percam! Domingo, dia 11, às 22h, mais um episódio de Taru Andé. E até a próxima aventura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Lívia Raick é assessora de imprensa do Canal Futura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RfaPl1WUKCI/AAAAAAAAACs/SSXkd7z50D4/s1600-h/ultimo+espisodio+taru.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RfaPl1WUKCI/AAAAAAAAACs/SSXkd7z50D4/s320/ultimo+espisodio+taru.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5041374713026455586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: Site do Canal FUTURA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6241117401537455170?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6241117401537455170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6241117401537455170' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6241117401537455170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6241117401537455170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/03/ltimo-episdio-de-taru-and.html' title='Último Episódio de Taru Andé'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RfaQnlWUKEI/AAAAAAAAAC8/jhYSbZwRh_Q/s72-c/paisagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-2096388108318735492</id><published>2007-03-12T14:28:00.000-07:00</published><updated>2007-03-12T14:30:22.209-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;embed src="http://www.umnovoencontromusical.com/new-age/Cusco-Montezuma-UNEM.mid" width=70 height=25 autostart="true" loop="true" hidden="no"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-2096388108318735492?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/2096388108318735492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=2096388108318735492' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2096388108318735492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/2096388108318735492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/03/blog-post_12.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1878977987762327755</id><published>2007-02-28T09:00:00.000-08:00</published><updated>2007-02-28T09:04:20.526-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/ReW2BtLtiWI/AAAAAAAAACg/rrNt-oo_paI/s1600-h/iymnuhh.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/ReW2BtLtiWI/AAAAAAAAACg/rrNt-oo_paI/s320/iymnuhh.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036631898708609378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Atas Indigenistas&lt;br /&gt;Depoimento Ailton Krenak&lt;br /&gt;31/07/86&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O advento da Nova República teria passado desapercebido no tocante a uma política do Estado brasileiro, para populações indígenas, se não fosse o esforço que os próprios índios estão realizando, estão fazendo, no sentido de avançar algumas coisas, de avançar alguns pontos. Isso na medida em que o Estado, quando foi interpelado pelos índios nas várias ocasiões, desde o período de novembro de 1984, quando nós realizamos um Simpósio aqui no Congresso, em Brasília, na Câmara dos Deputados. Nessa ocasião, nós buscamos foi uma iniciativa da União das Nações Indígenas e de outros setores da sociedade civil, tentarmos fazer com que o novo poder político que se articulava para ocupar os Ministérios, a Presidência da República tendo à frente o Tancredo Neves, assumisse conosco uma proposta pública de reestruturação do órgão que executa a política indigenista, e de redefinição por parte dos vários Ministérios que definem a política do governo brasileiro no tocante às Comunidades Indígenas. Uma de nossas reivindicações era a de que o Estado brasileiro e de que o governo brasileiro assumissem conosco a tarefa de redefinir uma política em relação às populações indígenas contemplando aspectos como saúde, educação, a questão mesmo das relações dos vários setores da sociedade brasileira com as diversas comunidades indígenas, porque cada uma tem sua especificidade; os recursos que o governo passa ou repassa para órgãos federais e que são de certa forma destinados a programas junto às populações indígenas e às comunidades indígenas, não têm o menor controle sobre a aplicação desses recursos. Então na verdade, seria tentar disciplinar a relação do Estado com as comunidades indígenas e até mesmo instrumentalizar o Estado e criar dentro do Estado instâncias competentes, instâncias modernas, instâncias contemporâneas da realidade que o povo indígena busca e luta, para que a gente pudesse ter uma convivência pacífica, para que a gente pudesse ter uma convivência que não fosse tão calhorda, que não fosse uma convivência tão mesquinha, onde os índios são constantemente surrados, mortos, expulsos, banidos de seus territórios. Mas onde essas pequenas comunidades, onde essas pequenas sociedades tivessem a certeza de que o poder público estaria zelando pela segurança do seu meio-ambiente, da forma de se organizar socialmente e que principalmente, esse poder público não significasse o tempo todo uma ameaça prestes a se abater sobre aquela comunidade e com objetivo o tempo inteiro explícito de transformar aquela comunidade numa vila, numa agrovila, qualquer coisa mais parecida com que eles chama de civilizado – que é em última instância a postura do Estado brasileiro, que é uma postura integracionista, que o Brasil firma junto com outros países, quando assina por exemplo a Convenção 107, que é uma Convenção que tem um caráter eminentemente integracionista e nós somos contra essa Convenção. Somos contra não a essa Convenção, mas somos contra o propósito de qualquer Estado de querer integrar qualquer pessoa – seja um índio, seja um negro, seja o que for. Nós achamos que o Estado deve ser o tempo inteiro controlado pelas sociedades, e não o inverso. O Estado não tem que arbitrar a vida das pessoas, o Estado tem que ser alguma coisa a serviço do ser humano. Então era isso que nós queríamos do Estado brasileiro, independente de ser Velha ou Nova República. Agora, como havia um ensaio da Nova República nós entramos lá desafinando o coro dos contentes, querendo que eles respeitassem a nossa especificidade e fizemos um programa, fizemos uma proposta que tomou o nome de “Propostas para uma Nova Política Indigenista” e que foi resultado de um Simpósio que teve o pomposo nome de “O Índio e o Estado” promovido pela Fundação Pedroso Horta e por outros organismos, não governamentais. O Presidente Tancredo Neves nos recebeu em cerimônia, entregamos o documento, eu, Ailton Krenak, entreguei esse documento na mão do Sr. Tancredo Neves, com testemunha de outros parlamentares e a imprensa brasileira. Saímos estampados nas manchetes de Brasília e na Rede Globo, mas a Nova República parece que não teve fôlego para cumprir aquelas promessas que eram as promessas de acatar aquele documento, de realmente realizar uma reestruturação da política indigenista, discutir com povos indígenas, com as comunidades indígenas uma nova forma de relacionamento. Hoje, há aproximadamente seis meses desse trâmite todo junto à Nova República, nós constatamos que a gente tem ainda um órgão de governo que é a Fundação Nacional do Índio, tomada por pessoas extremamente comprometidas com uma política de franco desrespeito às comunidades indígenas, que discrimina a participação do índio no debate das questões que são pertinentes a índios, que exclui as lideranças indígenas dos processos de decisão; esse órgão, que não discute com essas comunidades indígenas sequer o orçamento anual do órgão, e que adota realmente uma atitude das velhas agências que a Inglaterra e a França usaram para colonizar a Argélia, a Índia, as nações africanas. Então eles insistem em nos tratar como menores de idade, como tutelados, como seres desprovidos de qualquer maturidade, de qualquer capacidade, de qualquer articulação que nos qualificasse para uma relação de igualdade, mesmo que essa relação de igualdade – e é uma defesa que eu faço constante tenha como base o caráter plural, o caráter da diferença, o caráter de outro; que eles possam sempre entender isso. Mas a luta continua. A União das Nações Indígenas na última assembléia que realizamos que foi nos dias 09 a 10 de junho, em Goiânia, tirou um documento final no qual 32 Nações Indígenas afirmam que o órgão máximo das comunicações indígenas é o Conselho Indígena Nacional, e o órgão da União das Nações Indígenas é que vai tirar as políticas para a população indígena, e que uma eventual agência do governo vai ser provedor do ponto de vista da matéria, e do ponto de vista da execução, das políticas, que nós definirmos. Agora, se o Estado brasileiro, se os Ministérios a quem essa política está por enquanto atrelada, não tem ainda maturidade para dialogar com o Conselho Indígena Nacional, nós vamos ter que fazer uma espécie de programa intensivo de educação para ver se a gente consegue madurar a cabeça desses técnicos do governo, sensibilizar essas pessoas de que nós já esperamos muito. Nosso povo espera há 480 anos que os homens que dirigem esse país se tornem maduros o suficiente para sentar conosco sem insegurança, de conversar conosco sem medo sobre as expectativas que nós temos, sobre o que nós sentimos e o que nós esperamos deles como dirigentes da grande nação brasileira que nós amamos, que nós consideramos e que nós queríamos ver uma Nação generosa, uma Nação capaz de comportar no seu seio essa diversidade cultural, essa pluralidade e nos tornar um povo mais feliz.&lt;br /&gt;Se, por um lado, o órgão que deveria estar buscando realizar uma política voltada para as populações indígenas que é vinculada ao Ministério do Interior tem se omitido, assim como o Ministério do Interior tem se omitido, em relação a um compromisso com as populações indígenas, nós temos sentido sinais de simpatia por parte de Ministérios que são de certa forma, que eram de certa forma, até agora, alheios à questão indígena. Então nós temos agora junto ao Ministério da Cultura uma Assessoria de Assuntos Indígenas, que se ainda não teve seu perfil definido, seu caráter definido, pelo menos já se garantiu junto a esse Ministério um espaço, que é esse, dessa Assessoria de Assuntos Indígenas; eu acho isso importante, eu acho que as populações indígenas no Brasil devem tomar esse espaço, ocupar esse espaço, e eu creio que o maior comprometimento do Ministério da Educação e do Ministério da Cultura com a questão das comunidades indígenas pode dar um novo alento às populações indígenas na busca de um maior apoio e de um maior acatamento do Estado brasileiro, do governo brasileiro, das reivindicações e das expectativas das populações indígenas. Agora eu creio que tudo isso é muito novo e nós vamos te que buscar dar resposta a essa simpatia de alguns setores da Nova República à questão indígena e fazer um esforço no sentido de que setores como o Ministério do Interior, que já tem, por definição, um dever de cumprir uma política em relação às populações indígenas, se definam e venham a público colocar sua posição, porque até agora o Ministério do Interior tem sido omisso nesse sentido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ailton Krenak&lt;br /&gt;Coordenador da Regional Sul&lt;br /&gt;União das Nações Indígenas – UNI&lt;br /&gt;BsB, 31-07-86&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1878977987762327755?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1878977987762327755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1878977987762327755' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1878977987762327755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1878977987762327755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/02/atas-indigenistas-depoimento-ailton.html' title=''/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/ReW2BtLtiWI/AAAAAAAAACg/rrNt-oo_paI/s72-c/iymnuhh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-9215958211859560834</id><published>2007-02-17T12:08:00.000-08:00</published><updated>2007-02-17T12:09:04.669-08:00</updated><title type='text'>Programaçao Taru Andé para março</title><content type='html'>Sexta, 02/03/2007&lt;br /&gt; 20:30 - Suruí - O povo Tembetá  &lt;br /&gt;Domingo, 04/03/2007&lt;br /&gt; 22:00 - Poianawa - O Sonho de um Povo &lt;br /&gt;Sexta, 09/03/2007&lt;br /&gt; 20:30 - Poianawa - O Sonho de um Povo &lt;br /&gt;Domingo, 11/03/2007&lt;br /&gt; 22:00 - Arara - O Povo Shawandawa &lt;br /&gt;Sexta, 16/03/2007&lt;br /&gt; 20:30 -  Arara - O Povo Shawandawa &lt;br /&gt;Domingo, 18/03/2007&lt;br /&gt; 22:00 -  Xavante - O povo do cerrado &lt;br /&gt;Sexta, 23/03/2007&lt;br /&gt; 20:30 -  Xavante - O povo do cerrado &lt;br /&gt;Domingo, 25/03/2007&lt;br /&gt; 22:00  - Xakriabá - O Povo Invisível &lt;br /&gt;Sexta, 30/03/2007&lt;br /&gt; 20:30 - Xakriabá - O Povo Invisível&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-9215958211859560834?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/9215958211859560834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=9215958211859560834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/9215958211859560834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/9215958211859560834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/02/programaao-taru-and-para-maro.html' title='Programaçao Taru Andé para março'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-1611703371195355176</id><published>2007-02-15T10:31:00.000-08:00</published><updated>2007-02-15T10:36:33.528-08:00</updated><title type='text'>Taru Andé - Programaçao de fevereiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdSn40ng3dI/AAAAAAAAACQ/28y_cdMxUjY/s1600-h/Registro_interna.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdSn40ng3dI/AAAAAAAAACQ/28y_cdMxUjY/s320/Registro_interna.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031831278318575058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdSnpEng3cI/AAAAAAAAACI/FmvUQMoNCKM/s1600-h/barco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdSnpEng3cI/AAAAAAAAACI/FmvUQMoNCKM/s320/barco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031831007735635394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta, 16/02/2007&lt;br /&gt;20:30 - Ashaninka - Os filhos de Pauwa&lt;br /&gt;Sexta, 23/02/2007&lt;br /&gt;20:30 - Pataxó - O Povo das Águas&lt;br /&gt;Domingo, 25/02/2007&lt;br /&gt;22:00 - Suruí - O povo Tembetá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosidade:&lt;br /&gt;Um krenak na Rússia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentador da série de documentários Taru Andé, Aílton Krenak conta que seu povo herdou este nome do capitão Krenak, que defendeu a sobrevivência do clã até a virada do século XIX para o XX, em sangrentas batalhas com o homem branco. Os Krenak são na verdade índios da família Aymoré, que se espalhava por toda a região Sudeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que um líder de seu povo, Aílton há tempos se destaca na defesa das culturas indígenas de todo o país. Já na Constituinte de 1988, foi importante articulador para a inclusão dos direitos especiais dos índios, até então praticamente ausentes da legislação. Mas dificilmente imaginou que sua idéia de unir os povos indígenas no Taru Andé fosse levá-lo tão longe quanto à Rússia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é lá que estão guardados, há um século, registros inéditos dos Krenak feitos em uma expedição científica. O documentário dedicado à sua etnia acompanha Aílton até São Petersburgo, onde ele conheceu pessoalmente os manuscritos, fotografias, ilustrações (à direita), objetos, partituras e até restos mortais de seus antepassados. “Tudo isso dá sentido para nossa identidade e reforça a auto-estima de meu povo. Chegamos ao século XXI com nossa história consolidada, depois de quase desaparecer no século XX”, conta, orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fé de quem tem razão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que, para sobreviver, os Krenak não dependem apenas da manutenção de sua cultura e seu território. Enquanto para eles o Watú (Rio Doce) é sagrada fonte de vida, do lado de fora da reserva indígena a saúde das águas é cada vez mais frágil. Aílton reconhece que o Rio Doce vem sofrendo com o acúmulo de metais pesados, até mesmo mercúrio, lançados pela indústria siderúrgica e de mineração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este é assunto delicado quando se trata de defender as crenças de seu povo. “Os danos ambientais não mudam a compreensão de que o rio é sagrado”, explica. Ele diz que os índios mais velhos já lhe perguntaram se o homem branco “tem poder para contaminar o Watú”. Apesar de já conhecer bem a cultura dos brancos e sua capacidade de destruição, sua resposta é um reforço à visão indígena da força da natureza: “De jeito nenhum. O Watú acaba com eles todos!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fé no poder dos elementos naturais também alivia um bocado as almas aflitas com o aquecimento global. Aílton lembra que diversas culturas indígenas, como a dos Guarani e a dos Yanomami, acreditam que já estamos na terceira versão deste Planeta. Devastada por civilizações anteriores, a Terra sempre se regenera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara que estejam certos. Mas, por via das dúvidas, convém aprender com sua sabedoria (exata até para quem segue a razão científica): o rio é sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE: Site do Canal Futura&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-1611703371195355176?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/1611703371195355176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=1611703371195355176' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1611703371195355176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/1611703371195355176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/02/taru-and-programaao-de-fevereiro.html' title='Taru Andé - Programaçao de fevereiro'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdSn40ng3dI/AAAAAAAAACQ/28y_cdMxUjY/s72-c/Registro_interna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-4557612969318701832</id><published>2007-02-13T09:43:00.000-08:00</published><updated>2007-02-13T09:37:14.377-08:00</updated><title type='text'>Seminário Internacional Gestão Pública da Água</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdH5o0ng3bI/AAAAAAAAAB8/iMuIFNYDEuk/s1600-h/de+crach%C3%A1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdH5o0ng3bI/AAAAAAAAAB8/iMuIFNYDEuk/s320/de+crach%C3%A1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031076738464013746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Seminário Internacional Gestão Pública da Água, realizado em Curitiba nesta quarta-feira (22), Dia Mundial da Água, reuniu especialistas que alertaram para a escassez e a privatização da água. Os palestrantes do Seminário foram unânimes em defender a água como um direito humano inalienável e que, como bem público, precisa de gestão pública. O diretor-administrativo da Sanepar, Péricles de Holleben Mello, que abriu o Seminário, disse que é obrigação moral da humanidade pensar em ações, no presente e no futuro, com relação a cuidados com a água e ao meio ambiente.&lt;br /&gt;O indígena Marcos Terena, presidente da Organização Indígena Comitê Intertribal, afirmou que “o homem branco vive grandes contradições com relação à natureza e isso também acontece na relação com a água”.&lt;br /&gt;O indígena Ailton Krenak engrossou o discurso de Terena. “Nós estamos vendendo a nossa alma e é preciso que a gente lembre dos rios e da natureza com a necessidade de ter vínculos verdadeiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-4557612969318701832?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/4557612969318701832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=4557612969318701832' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4557612969318701832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/4557612969318701832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/02/seminrio-internacional-gesto-pblica-da.html' title='Seminário Internacional Gestão Pública da Água'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdH5o0ng3bI/AAAAAAAAAB8/iMuIFNYDEuk/s72-c/de+crach%C3%A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-6128965854865917175</id><published>2007-02-13T09:28:00.000-08:00</published><updated>2007-02-13T09:15:00.729-08:00</updated><title type='text'>PARA UM NOVO INDIGENISMO - OPAN (Operaçao Amazonia Nativa) 30 anos » Seminário »</title><content type='html'>Eu quero aproveitar logo a primeira oportunidade para dar parabéns para a OPAN. 30 anos é um tempo que permite a qualquer um aprender bastante, é uma oportunidade para gente aprender e talvez a razão porque tanta gente atribui as nossas tribos, atribui aos povos antigos algum tipo de conhecimento. Não seja porque as pessoas antigas são mais inteligentes do que as pessoas atuais não, é porque viveram muito tempo. É se um povo fica contando história um para o outro durante mil anos, 2, 3 mil anos, tem mais chance de aprender. Eu acredito nisso e então eu acho que a gente está sempre aprendendo. Cumprimento então os antigos que tiveram a sua época, o desejo de criar um lugar um espaço onde vocês que foram chegando nos últimos anos, nos últimos 10 - 5 - 1 ano, integrando essa rede de, quase indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a primeira vez que eu tenho a oportunidade de conhecer a história da OPAN de uma maneira tão íntima, escutar histórias de dentro de casa, como é que ela foi pensada, como é que ela foi parida, como foi virando um corpo com inteligência, com percepção do mundo onde ela está e interagindo. Para mim foi muito gratificante ouvir todos os meus amigos que conhecem a história e que construíram esta história juntos, isso me deu também uma sustentação para perceber a existência de outras ações e outras iniciativas que nos últimos 20 - 30 anos, incluindo a criação do CIMI. É uma oportunidade para gente perceber o ambiente e o tempo em que a sociedade brasileira foi capaz de perceber que não era possível tratar o conjunto da realidade nacional, empacotando as sociedades indígenas no extrato mais baixo da realidade dessa nação que tinha um esforço de se consolidar, tanto na visão colonial antiga quanto na visão modernizante do país. As nossas sociedades sempre foram ignoradas, foram desprezadas como um sinal afirmativo, como um sinal positivo de construção de alguma coisa. Nós não fomos levados em consideração, nenhum projeto político nacional como parceiros, de jeito nenhum, as idéias mais generosas, que contemplaram a visão dos pais da pátria, dos pensadores do Brasil, os antigos e os recentes, no máximo olham as nossas sociedades como alguém que precisa ser protegido e que precisa ser preservado e no máximo auxiliado para sobreviver. Esta visão de certa maneira ela perdura. Até hoje essa visão é a visão que inspira muitas das ações e até algumas das ações que envolvem iniciativas nossas mesmo, que envolvem nossa colaboração, o nosso esforço, a nossa participação, porque tem uma cultura, uma cultura muito densa que foi se formando ao longo de muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como eu estava partilhando com vocês de que o tempo realmente ele vai nos moldando. O Egydio falou que nós vamos trabalhando interagindo e que a pressão e a realidade desse mundo que vivemos hoje ele vai alterando a nossa visão e corrigindo nossos rumos. As vezes alterações dessa visão e as correções desses rumos não é exatamente para o lugar onde nós queríamos ir. Muitas vezes a correção do rumo e uma espécie assim de correção compulsória que a gente experimenta não leva para onde a gente está querendo ir ou a gente está projetando ir, mas nos leva para onde o conjunto das realidades que estão se dando permite, possibilita e nos cabe verdadeiramente. Neste sentido acho que as sociedades indígenas estão hoje no lugar que cabe, dentro da realidade nacional é onde nos cabe, nós não cabemos em outro lugar da realidade, não tem um outro lugar neste concerto dos povos que vieram para cá formar esta sociedade brasileira como está desenhada hoje, onde coubessem os índios que não fosse onde nós estamos. Esta é uma constatação que pode até dar um conforto para quem tem que levar a empreitada daqui para frente, de continuar encarando as ameaças de depredação dos territórios, aonde as nossas tribos ainda conseguem manter as suas áreas com alguma autonomia e algumas vezes de encontramento também das populações indígenas em modelos de serviços, modelo de participação nas economia regionais, aquilo que nós chamamos de integração, ameaças de absorver estas populações nos sistemas de mercado, nos sistemas de economia nacional e regional, ela é uma ameaça permanente, ela é uma possibilidade permanente, e a tendência a tomar estes territórios, de transformar eles tudo em produtos de mercado é também uma tendência natural. Não existe uma consciência, nem aqui no Brasil nem fora do Brasil, de que seja verdadeiramente importante que as sociedades tradicionais continuem vivendo a sua maneira e que continuem tendo à disposição de seus territórios os seus sítios e seus lugares, para continuar vivendo como querem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa compreensão do quanto que é tensa a realidade regional e a realidade também tomando outras regiões do mundo, tomando outros continentes, outras populações. Olhando o conjunto, nós percebemos que tem um movimento rigoroso, forte mesmo de ajuste de todas as possibilidades onde os recursos naturais e a capacidade de trabalho são o último escudo, a última tranca. Ela vai em cima do que ainda há de recurso natural, acessível e possível de ser explorado e colocado no mercado. Tem a mão de obra também, onde mesmo quem só pode cortar pau e garimpar, ainda tem valor para esse mercado e o mercado vai exaurindo esses recursos a onde ele pode, essa capacidade de delapidar os recursos de natureza de maneira violenta, ele continua vivo cada vez mais atuante, e em todas os lugares do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de chamar um pouco esta visão meio assustadora, dessa realidade que nós vivemos hoje, eu queria comentar com vocês, o fato de eu ter estado durante 10 anos, junto com outros colegas meus, coordenando uma organização que pretendeu na década de 80, fazer o que era possível. Ao mesmo tempo, experimentar e aprender, o que é uma organização indígena. Essa organização indígena que eu experimentei, junto com meus colegas, de consolidar, foi a União das Nações Indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhar no dia a dia, a demanda que este movimento indígena conseguia perceber, conseguia apreender como realidade e como necessidade mesmo para gente se firmar, como sociedades distintas e diferenciadas entre nós mesmos, mas como uma base comum de condições para nós podermos viver. Essa base comum que nós conseguimos fotografar todos juntos, ela ainda era muito limitada, porque ela se restringia basicamente na defesa da vida e a defesa dos lugares aonde nós ainda estávamos podendo viver (as nossas aldeias, reservas, onde nossas famílias estavam vivendo) estava sendo a nossa bandeira, defendendo a vida e defender a terra. Essas duas razões que permitiram que índios de diferentes tribos, os índios do Nordeste, do Sul, do Centro-Oeste, da Amazônia, começassem a trocar impressões de partilhar uma idéia, digamos assim, nova para todos nós, estimulante àquela época de que nós éramos os índios. Já era uma outra criação, criação de uma categoria, que para maioria dos nossos parentes, era tão esquisita quanto chamar o cara de ET ou de OVNI, ou de qualquer outra coisa. Você podia dizer: "nós somos os pedra, somos os lua", nesse caso era uma organização de índios e nós fomos afirmando nas nossas conferências, nos debates, nas entrevista de imprensa, na discussão com o público, cada vez mais, essa espécie de caricatura, essa idéia que era uma atribuição, nós recebemos, valeu, fizemos o retrato da época e trabalhamos no enfrentamento com as realidades que se colocavam para nós naquela época que ainda era o finalzinho da ditadura militar, o resto da experiência que tinha durado para todos nós, tempo excessivo de proibição de tudo, nós estávamos fazendo várias experiências ao mesmo tempo, que era experiência de conhecer alguma coisa que nós ainda não sabíamos o que era, que era estar saindo do convívio da maioria das nossas famílias e das nossas tribos, para começar a participar de viagens, reuniões, encontros, assembléias, saídas inclusive para fora do Brasil, onde muitos de nossos parentes voltaram totalmente rodados, porque eles não entendiam o que estavam vendo não sabiam o que estavam fazendo aquelas viagens tão longas. E sempre tem muitas situações engraçadas no meio de tudo isso, como o camarada que é convidado para uma conferência em Genebra, chega lá de madrugada, chega de manhã cedo e de tarde ele volta para o aeroporto, pega um avião e vem embora, porque ele não acredita, não gosta daquele lugar e não acredita que pode ter um lugar tão longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então nós experimentamos esse aprendizado de uma maneira muito espontânea, ninguém tinha formação política, nenhum dos índios que estavam integrando esse movimento tinha formação política. Não conheciam a realidade além da sua tribo, além da sua região, da sua cidade. O pessoal do Acre conhecia a realidade do Acre e olhe lá; os Kulina, ou os Ianawa, os Kaxinauá, os Jaminaua ... alguns deles nunca tinham vindo à Rio Branco ou ido à Manaus. Os Makuxi, que estavam lá em cima em Roraima, tinha muita gente Makuxi que nunca tinha vindo à Boa Vista. Então até mesmo o transito das pessoas, os deslocamentos, entre um lugar e outro, à Brasília, ao Rio de Janeiro, eram lendas nas nossas histórias. Era muito comum um ou outro dos velhos, que tinham ido ao Rio de Janeiro conversar com SPI, contar deste lugar distante que era o Rio de Janeiro, sempre como uma imagem muito longínqua para todas as pessoas mais novas, imaginar onde eram estes lugares, onde o governo mandava, onde as autoridades decidiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na década de 80 que as pessoas indígenas começaram a reconhecer de certa maneira que existia um conjunto de instituições do Estado que incluía o Presidente da República, o Congresso Nacional, a Polícia Federal; as polícias... Essas estruturas que todo mundo está acostumado a tratar com elas como coisas que sempre existiram. Para a maioria das nossas, não só das lideranças que estavam a fim de integrar e constituir esta forma de representação, essa forma de expressão do nosso momento, tinha muito pouca informação, muito pouco idéia do que era a realidade toda do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que um passo muito importante que esse tempo nos possibilitou, foi o de aprender sobre essa realidade em torno da nossa vida local. Nós fomos todos despertados para uma realidade que era e é muito mais complexa do que nós pensávamos naquela época. Por mais que a gente tivesse que enfrentar os fazendeiros, os vizinhos, enfrentar eventuais invasores das nossas terras, nós nunca atinamos para a complexidade da organização política e dos interesses que estavam e estão em torno da nossa realidade local. O trabalho, a presença dos companheiros que como antropólogo, ou como indigenista, se aproximaram das nossas áreas para levar essa discussão conosco, foi fundamental, para dar qualidade, aquele primeiro round da nossa abriga com o Estado para defender nossas terras e para trabalhar com mais tempo na questão da defesa da vida. Na defesa da vida eu incluo todos os avanços que nós reconhecemos hoje, e ao que está inclusive incluído no texto da Constituição Brasileira, o reconhecimento da nossa diferença, o reconhecimento a nossa antigüidade de estarmos aqui e a realidade de um país que precisa assumir e partilhar com as sociedades que foram empurradas de seus territórios de origem, muitas vezes para áreas distantes de seus lugares de origem, mas que o Estado passou a admitir, só na década de 80, pela primeira vez, de que nós somos uma realidade permanente, vamos conviver com os outros brasileiros e com o que vier a ser o Brasil no futuro, nós vamos conviver e estar nela interagindo com ela como qualquer outra parte desta formação da sociedade brasileira, como qualquer outro povo que veio para cá o Estado hoje já consegue pelo menos isso admitir, de que nós estamos nesta canoa, nós vamos fazer esta viagem juntos. Depois nós podemos olhar e discutir em que lugar desta canoa a realidade que nós vivemos hoje, admite ou aceita que nossas as sociedades tradicionais possam também, segurar possam estar juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei baseado em São Paulo de 1979 até agora, são 20 anos né? Esses 20 anos eu estive todo este tempo buscando entender, buscando identificar trilhas, rotas que nós pudéssemos fazer, como defesa não só destas duas bandeiras fundamentais que é a vida e o território onde cada povo nosso está, mas identificar também como nós poderíamos estar lidando com as novas necessidades e com as novas situações que a convivência com a sociedade brasileira e com o mundo todo nos vigia. Dentro dessa busca de identificar meio e formas de organização que possibilitasse a nossa afirmação permanente o trabalho das organizações, das entidades que apoiavam a luta do povo indígenas, ela foi muitas vezes a condição para que a gente pudesse se mover. Em muitos momentos a capacidade de mobilização, a iniciativa de uma comunidade indígena, ela estava determinada por quanto os nossos aliados eram capazes de se mover naquele, o nosso ritmo era foi muitas vezes impulsionada e possibilitado pela disposição e pela capacidade de trabalho que as pessoas que estavam voltadas para apoiar a nossa luta, estavam dispostos a pôr em cada momento. Esse papel de apoiar e de dar sustentação à visão que as nossas comunidades conseguiam exprimir a cada tempo, a cada região desse país de cada localidade, ele foi determinante para um povo viver ou para um povo se acabar. Em algumas regiões do Brasil grupos que estavam reduzidos a 8 indivíduos, 11, 20, 30, quando se acabavam, quando o seu povo todo está reduzido a meia dúzia, a 20 pessoas, é muito fácil, um bando de jagunços cercam um vale qualquer e acaba com todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presença viva, a atitude constante dos companheiros que estavam nas organizações de apoio na década de 70 e 80, eles foram fundamental mesmo para assegurar que esse enfrentamento não fosse tão desvantajoso para os índios e mesmo com esta capacidade de perfilar todo mundo uma bandeira em comum, nós ainda levamos prejuízos nesse período, nós ainda levamos muitas porradas, perdemos algumas das nossas batalhas nesse período e nós considero que conseguimos fechar a década de 80 com um sinal muito afirmativo e com uma indicação que íamos avançar muito mais na década de 90. Nós chegamos no final da década de 80 consolidando, no texto da Constituição, os direitos que nós sonhamos com eles antes e conseguimos colocar eles no documento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguimos avançar mais além disso. A década de 90 tem sido um tempo muito duro, quando nós olhamos o avanço que nós tivemos na década de 80 (mesmo no final da década de 70), um avanço político, avanço de conhecimentos, a iluminação do ambiente das relações entre as nossas sociedades e Estados e as outras forças (econômicas e políticas) que estão nesse campo o tempo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós estamos então fechando uma década, mais uma vez e olhar para esta década de 90, considerando como que nós temos interagido dentro dela, que capacidade que nós temos tido de entender, reconhecer a distância, algumas das tendências da política (do estado e da global) e o impacto que ela tem sobre a nossa vida, parece que tem sido um dos nossos pontos mais abertos. Acho que a nossa compreensão da realidade, nossa capacidade de antecipar as políticas, ela está muito aquém do ritmo das mudanças. As mudanças, elas tem ocorrido com muito mais velocidade do que nós somos capazes de aprender. Algumas das tragédias e alguns dos prejuízos que temos tomado, são em conseqüência de nós estarmos muito treinados para lidar com a realidade de 20 anos atrás e pouco preparados para lidar com a realidade daqui a 10 anos. Nós não podemos trabalhar com a cabeça que nós fizemos há 20 ou 30 anos atrás, uma realidade que estamos antecipando condições do terceiro milênio. Muitas das questões que estão sendo colocadas para nós hoje, elas são antecipação de realidades que nós vamos ter que enfrentar de fato, daqui a 5 ou 10 anos. Os acordos internacionais, os convênios, todo o conjunto de armações que a engenharia do mercado da grana e das políticas mais dominadoras do planeta. Elas estão desenhando situações que exigiriam das organizações de apoio ao povo indígena assim como as diferentes expressões do movimento indígena, porque não existe um, as diferentes expressões que cada tribo, cada etnia, cada povo entende que é a sua ação política, isso é um movimento indígena, ele é isso, ele não alguma outra coisa que se pareça com um desenho que um ou outro de nós projeta ou pensa. Ele é uma realidade de fato. E essa capacidade, as nossas forças, a capacidade que nós temos, de projetar e de olhar para frente ela está toldada, nós estamos pouca capacidade de olhar para frente. Nós estamos lidando sempre com o fato, sempre olhando o prejuízo como a realidade que já está muito na nossa cara, no máximo com alguma coisa que vai ser implementada daqui a 1 ou 2 anos. Nós estamos hoje discutindo as hidrovias, discutindo ainda as políticas de desenvolvimento regional na Amazônia que preconizam derrubar mato e colonizar; quando nós já podíamos estar avançando, de fato, discussões que levassem em conta outras formas de produção, outras formas de organização da produção, do mercado, das economias, onde os territórios e as populações não só indígenas, mas as populações que estão no entorno dessas áreas indígenas, como em algumas regiões da Amazônia, são populações que tem um profundo comprometimento com as estratégias das sociedades indígenas que são ribeirinhos, seringueiros. A gente não pode se esquecer que da mesma maneira que nos parques nacionais e nas reservas nacionais, algumas áreas de relevância biológica, o cinturão em torno dessas áreas é de fundamental para sua preservação. Nós podemos ter certeza de que a população que está no entorno das áreas indígenas, se ela é uma população que nós trabalhamos com ela, a longo prazo, ela é um cinturão de segurança desse território. Se nós trabalharmos estratégias de aliança, não aliança barata, mas um processo de construção de reconhecimento de reciprocidade de respeito com os nossos vizinhos nós podemos ter desses vizinhos, círculos graduais de proteção, de defesa daquilo que é um impacto mais direto sobre território, sobre população, mas que obviamente vai se refletir no comportamento de pessoas que estão um pouco mais longe, definindo projetando ações, para o entorno para as vizinhanças desses territórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta compreensão o ponto mais imediato, local, e o reconhecimento de como este ponto está relacionado com vários círculos que nós podemos interagir, que nós podemos reconhecer e interagir neles, tem parecido para mim, um caminho positivo que pode ajudar as pequenas sociedades a terem mais tempo para acompanhar a realidade global e responder algumas das questões dessa realidade mais ampla nos impõe. Isso seria muito importante que nós pudéssemos, ter a participação, a colaboração de quem está no campo do indigenismo, para que isso fosse sendo implementado, para que a gente fosse trabalhando estas idéias. Eu sinto que tem algumas ações hoje de monitoramento de algumas áreas, incluindo imagens de satélites, fazendo a vigilância para ver se estão abrindo estradas, se estão abrindo novos grupos de colonização, monitorando informação, tem muito acompanhamento dessas realidades locais mas elas não constróem um quadro articulado e nem orientam uma ação no tempo para ir construindo, também com as populações que estão no entorno dos nossos territórios, essa idéia muito bem vinda de estimular, incentivar, de que as pessoas se lembrem e que reconheçam na prática da reciprocidade, um campo muito rico que nós nunca seremos capazes de explorar toda a sua potencialidade se a gente tiver coragem de ir fundo nele. Estimular isso nas pessoas, tanto nas populações que estão próximas das áreas indígenas, quanto aos que estão naqueles grandes centros, trazem sempre para o debate ter mais oxigênio, ele pode ser um trabalho muito importante para o futuro, a partir de agora já poderia ter sido feito (perdemos de não fazer na década de 90), mas nós podemos avançar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha idéia sobre a realidade em que nós estamos metidos nela, não só como sociedades tradicionais, como populações tradicionais, mas também como população que vive numa região do mundo que é marginal. Eu tenho procurado comparar realidades de populações nossas que estão aqui no Brasil e na América do Sul, com população tradicionais que estão em outros países, como nos países ricos, como está a situação dos índios no Japão? Se me permitem chamar eles de índio. Lá no norte do Japão tem um povo que se chama Aino, lá nas montanhas geladas. Nos EUA todos nós sabemos da existência de uma população indígena numerosa, população indígena dos EUA chega em torno de 2 milhões ou 2,5 milhões, e mesmo assim aquela população com 2,5 milhões não apita nada, nem apita. Nós temos tido a visita de índios que vieram do Canadá e dos EUA, aqui também deve ter havido estas visitas, nas áreas onde a OPAN atua? Vocês já tiveram visita de Navarro ... ? Já. Estas visitas foram muito boas, tanto para nós como para eles que se tocam do pacote esquisito que eles estão metidos lá no norte. A maioria dos nossos parentes que vem do Canadá ou dos EUA aqui, ficam admirados com o barulho que os índios fazem aqui no Brasil, admirados com a capacidade de berrar que o povo indígena tem e como que esse barulho incomoda. O que é isso? Se nós estivéssemos vivendo uma realidade de país rico os índios estariam, ou nem estariam mais aqui ou estariam muito mais danados que estamos numa realidade de terceiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História do povo Aino no Japão....(Ailton fez duas viagens para lá.) e descreve os detalhes deste povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado recente, incluindo o SPI e as missões também, tinha muito pouca capacidade de entender, pouca intimidade com o assunto, não tinha como entrar nesses assuntos e reconhecer ele em profundidade. O que eu acho, é que hoje também, estamos num ponto em que é difícil penetrar em todos esses ambientes destes temas e atualizar ele o tempo todo, ficar ligado o tempo inteiro, percebendo o conjunto dessas realidades sendo capaz de interagir nele. O sentimento também que fica muito forte, é que o modelo e a educação, e o treino que as pessoas receberam para atuar nesta área, foi baseado numa realidade que já foi superada e exige da gente hoje, de cada um de nós, a capacidade de projetar, de olhar além da situação imediata em que estamos vivendo, para programar as nossas ações e andar um pouco a frente dos acontecimentos, porque como as realidades que nós estamos relacionados com elas são realidades frágeis, nós estamos trabalhando com ecossistemas extremamente frágeis, complexos em si mesmo e frágeis no contato com realidades de fora, com culturas e com sociedades que apresentam as vezes a mesma sensibilidade que esses ecossistemas que nós estamos nos referindo; e estão ambos na mira. Então é uma condição, é uma exigência do tempo que nós nosso tempo, ficar ligado, ficar alerta, não ficar trabalhando com idéias muito acomodadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sinto as vezes quando chega um companheiro e pergunta: "Ailton, cadê o movimento e as organizações indígenas? Vocês afrouxaram, vocês desistiram, os índios voltaram para casa? Arrumaram emprego na FUNAI, viraram todos empregados públicos, como é que é?" Eu observo que as perguntas tem toda razão, mas que a compreensão de quem está fazendo esta pergunta, é muito fundada em elementos do passado, em realidades que já foram embora, já passou e que não teria sentido na década de 90 e muito menos no próximo século. Imagina, nós não podemos chegar no século XXI tentando recuperar um formato, um jeito de organização que pode parecer mais fácil de lidar com ele, é mais fácil de reconhecer porque ele está dentro de um figurino que é ocidental, uma coordenação, uma organização, com diretores com presidente, dirigente, com escritório, com jornal, com endereço, com cartão. A maioria das pessoas que estiveram junto conosco trabalhando nos últimos 20 anos, 10 anos, estavam querendo que nós chegássemos a um tipo de resposta que nós sabemos que é esta, ele queria ser capaz de identificar no interlocutor pelo telefone imediatamente, se o deputado está lá dentro do gabinete dele e caiu lá alguma coisa relativa aos índios ele gostaria de pegar o telefone e ligar para a organização indígena que está com tudo em cima para dizer que é assim ou assado. Nem organização indígena e nem organização não indígena, indigenista, nenhuma dessas organizações hoje, chegaram ao ponto de estar com esses universos "on line" pronto com todas as informações para o que der e vier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de nós não termos chegado a isso pode ser em razão de nós estarmos com as ferramentas erradas e principalmente escolhendo as ferramentas erradas e atuando de uma maneira ultrapassada. Se nós estivéssemos escolhendo as ferramentas erradas e atuando de uma maneira ultrapassada, as duas coisas acontecem mais ou menos juntas, se a gente está atuando com uma idéia muito pregada nas experiências passadas, nos modelos passados, a gente pode correr o risco de escolher também a ferramenta para a ação e orientada só por este modelo e ela não vai ter nenhuma adequação, não vai caber no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de manter essa comunicação com os meus companheiros da OPAN e com os outros amigos que estão aqui, como eu, na condição de convidados, para gente ir atualizando a nossa visão sobre a realidade mais geral e mais específica aqui do nosso país, do Brasil, de como a gente pode interagir. Mas eu tenho uma impressão de que essa capacidade de ação nossa, ela vai cada vez mais lidar com uma realidade onde a ação é de redes de indivíduos e menos de organizações, essa é a tendência futura. Creio que no futuro nós vamos ter muitas redes, que tem uma certa semelhança com isso que os companheiros da OPAN fizeram ao longo destes 30 anos, que é de manter o compromisso com uma idéia e não com o desenho de uma instituição, o compromisso é com idéia e articula pessoas, reúne gente, atualiza o quadro e vai trabalhando. Eu tenho muita simpatia por esse jeito que vocês se mantiveram ao longo desses 30 anos, eu tenho simpatia por esse jeito de mobilizar, capacidade de trabalho das pessoas, dentro de uma visão da realidade que nós estamos vivendo e num foco também bem apurado, bem fino, do que essas pessoas estão comprometidos e estão dispostos a fazer. Acho que isso tem consequência e é uma pena que nós até agora, não tenhamos sido capazes de criar os outros instrumentos positivos, criativos, que pudesse dar mais impulso ainda a esse jeito de agir, que é a necessidade de atualização permanente mesmo, da realidade que nós estamos vivendo e isso vai exigir muito esforço, por que todos nós sabemos que quando vamos trabalhar em algum lugar com uma realidade local com um povo, a gente fica tão absorvido que nós nos esquecemos até da cidade mais perto da gente, a gente não lembra mais nem desta cidade que está ali a 20 ou 30 Km de onde a gente está, quanto mais, lembrar do desenho de um país inteiro, de uma realidade do continente, de uma realidade mundial. Por isso é muito importante mesmo ações que são leves e com pouco grau de burocracia e institucionalização como essa que caracterizou a ação da OPAN nesses 30 anos, é muito importante que ela tenha canais para fora, é muito importante que ela tenha janelas e essas janelas tem que ser super ventiladas e iluminadas, porque se não, vocês ficam tapados, imagina você define um projeto, se enfia de cabeça nele durante uns 5 ou 6 anos, você não sabe mais nada sobre no mundo a não ser esse trabalho, a menos que você não esteja verdadeiramente apaixonado e metido naquela história, se você estiver metido e apaixonado naquela história, você não vai enfiar a cabeça nela e não vai lembrar de outras coisas. E isso, se por um lado é ótimo porque você está com essa energia toda, por outro lado no tempo isso é mau, porque as realidades se alteram com muita rapidez e você pode continuar mandando a maior brasa numa história que já terminou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu sinto, que nós não vivemos mais no tempo de promover organizações indígenas baseadas em exemplos que nós tivemos na década de 70 de 60 de organização dos movimentos sociais. Eu tive que ser até antipático com os companheiros da CUT e com sindicalistas em geral (no começo de 90) quando eu estava me retirando da coordenação da UNI, quando publicamente eu falei que não acreditava num sindicato de índio e que eu estava saindo fora porque a tendência do movimento indígena era virar numa Central Única dos Índios e eu não acredito também numa central única dos índios, a CUT é dos trabalhadores e não dos índios. Então eu sei que a nossa aliança com vários setores da sociedade brasileira inclui obviamente os trabalhadores e a proximidade dos índios com jeito de organização dos trabalhadores influenciou muito a nossa primeira organização. A primeira idéia de organização nossa estava espelhada óbvio nos trabalhadores, estava espelhada nos sindicatos, nas organizações dos sem terra, na organização da pastoral da terra, no máximo era da CPT, no máximo os índios do nordeste tinham conhecido um pouco da ação das ligas camponesas, os índios mais velhos sabiam o que eram as ligas camponesas, os Kiriri sabiam e alguns Potiguara (lá da Bahia da Traição) também sabiam, porque essa história rodou em volta deles. Um ou outro conheceu experiências de organização política daquela época, mas a principal inspiração para o tipo de organização que nós experimentamos nos finais de 70 - 80, foi organização de trabalhadores rurais e sindicato e seria um equívoco muito grande se a gente tivesse continuado naquele caminho. Se a gente tivesse continuado nesse caminho a gente estaria atropelando a diversidade cultural, a gente estaria matando a possibilidade de surgimento de formas próprias de expressão, de organização de centenas de etnias. O que nós estaríamos fazendo na verdade? Estaríamos criando um tubo, do ponto de vista do modelo de organização, que talvez fosse prevalecer para o próximo milênio, nós íamos oferecer um modelo totalmente equivocado para a realidade de sociedades que ainda estão até sem contato com esta realidade brasileira, com esta realidade do mundo, porque ao esboçar uma organização de caráter nacional você já tá prevendo que aqueles caras que vão ter contato lá das cabeceiras do rio Juruá, depois que a FUNAI carimbar eles a organização indígena também vai lá e carimba, estão representados. Então tem uma arbitrariedade muito grande nesses modelos, tem uma violência muito grande nisso, e que as vezes é melhor a gente ter a radicalidade do Egydio de achar que "quando o circo está pegando fogo é que tá ficando bom", é melhor ficar mesmo com esta posição porque ela tem mais conseqüências do que você ficar reproduzindo estes modelos chapados, de dominação, de consolidação de uma coisa que todos nós sabemos que ela não tem futuro mas nós admitimos que ela vem com a bola toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos que o desenvolvimento com as bases que eles ocorrem hoje no Brasil, ele só vai destruir tudo e empobrecer a todos nós, mas nós sabemos também que ele tem uma capacidade de convencimento e uma capacidade de devorar, que nem os povos de contato recente conseguem resistir a tanto assédio, mesmo gente que experimentou durante milhares de anos viver com autonomia, fica pasmado diante de tanta facilidade, de tanta pressão e de tanta ilusão que esse modelo de desenvolvimento prega na cara de todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu sinto também, é pensar uma realidade tão distinta para as sociedades indígenas e a sociedade brasileira como um todo, seria também um equívoco muito grande. Eu não creio que exista um lugar para um projeto de sociedade, vivendo de uma maneira positiva, respeitando as diferenças culturais que nos marcam e protegendo os territórios como recursos naturais de interesse comum da sociedade, não só das sociedades indígenas, mas da sociedade brasileira como um todo. Trabalhar uma visão onde a reciprocidade, o respeito e o direito à diferença, sejam norteador da convivência, eu acho que ela é muito mais acertada pro futuro a partir de agora, do que trabalhar a idéia do isolamento, a idéia de assegurar modelos como do Parque Nacional do Xingu, ou modelos variantes destes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito que nós vamos precisar sem muito trauma das experiências passadas, superando os traumas das experiências passadas, nós vamos precisar descobrir contatos positivos das nossas sociedades tradicionais com a realidade contemporânea do nosso país. É o máximo de futurismo que eu consigo partilhar com vocês sobre este tempo que nós estamos vivendo e a expectativa que tenho com relação ao futuro não só pra minha tribo, minha família que está lá no Vale do Rio Doce, mas para as outras tribos e para as outras etnias que estão em diferentes regiões do país. Eu não creio que existe uma hipótese de desenvolvimento autônomo e autista, ele é o desenvolvimento das nossas humanidades e das nossas capacidades, interagindo, nos relacionando de maneira seletiva com o conjunto da sociedade brasileira. Este relacionamento seletivo obviamente ele passa por uma identificação daqueles setores da população que nós sentimos que são nossos aliados naturais. Os nossos aliados naturais são aquela parte da população que já fizeram a sua escolha pessoal ou comunitária, de viver de uma maneira mais respeitosa, respeitando a natureza e respeitando quem está em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a vocês por terem me escutado com tanta atenção e se tiver oportunidade de debater e responder a vocês questões que não ficaram suficientemente claro aqui nas minhas falas, eu fico contente, seria uma boa. Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://www.opan.org.br/opan_textos30anos_seminarios.asp?codsem=01&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7599467460233191673-6128965854865917175?l=ailtonkrenak.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/feeds/6128965854865917175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7599467460233191673&amp;postID=6128965854865917175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6128965854865917175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7599467460233191673/posts/default/6128965854865917175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ailtonkrenak.blogspot.com/2007/02/para-um-novo-indigenismo-opan-operaao.html' title='PARA UM NOVO INDIGENISMO - OPAN (Operaçao Amazonia Nativa) 30 anos » Seminário »'/><author><name>Hanny</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11782582260968013790</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7599467460233191673.post-4432374408954918024</id><published>2007-02-13T09:13:00.000-08:00</published><updated>2007-02-13T09:07:12.858-08:00</updated><title type='text'>Programa Taru Andé</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IDxhVQJBOIE/RdHyAEng3aI/AAAAAAAAABw/bArIHw6_qSE/s1600-h/indios005_interna.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; 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