quarta-feira, 15 de junho de 2022

Ailton Krenak é eleito para a Academia Mineira de Letras

Ele passa a ocupar a cadeira de número 24, vaga desde o falecimento do escritor e jornalista Eduardo Almeida Reis
Com 36 votos do total de 39 votantes, o escritor Ailton Krenak foi eleito como o novo ocupante da cadeira de número 24 da Academia Mineira de Letras, vaga desde o falecimento do escritor e jornalista Eduardo Almeida Reis. A eleição aconteceu na tarde desta terça-feira, dia 14 de junho, na sede da AML. Tendo como patrona Barbara Eliodora, a cadeira 24 foi fundada por João Lúcio. Por ela também passaram Cláudio Brandão, Henrique de Resende, Sylvio Miraglia e Eduardo Almeida Reis. O jornalista Rogério Faria Tavares, presidente da Academia Mineira de Letras, destacou que a chegada de Ailton à AML é um momento histórico, inédito no país: "A arrebatadora eleição de Ailton Krenak para a Academia se abre a uma inegável dimensão simbólica. Ela é uma reverência justa e devida à potente e fascinante cultura dos povos indígenas, uma das matrizes formadoras da nacionalidade. Além disso, a presença de Ailton Krenak na cena cultural brasileira é luminosa e inspiradora. Seus livros conquistaram a todos pelo vigor de sua mensagem e pela beleza de suas palavras, sendo, hoje, traduzidos para mais de treze países. São textos que nos alertam sobre como a humanidade está lidando com o meio ambiente e com o seu próprio futuro. Sua visão de mundo é poderosa, abrangente, inclusiva. Ler com atenção o que Ailton Krenak escreve é fundamental para compreender alguns dos dramas mais agudos que vivemos hoje." Sobre o novo acadêmico Ailton Krenak Ailton Alves Lacerda Krenak é um pensador, ambientalista, filósofo, poeta e escritor brasileiro da etnia indígena crenaque. É também professor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Universidade de Brasília (UnB). Nascido em 1953 no município de Itabirinha, no estado de Minas Gerais, na região do Médio Rio Doce, aos dezessete anos de idade Ailton mudou-se com sua família para o estado do Paraná, onde se alfabetizou e se tornou produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980, passou a dedicar-se exclusivamente ao movimento indígena. Em 1985, fundou a organização não governamental Núcleo de Cultura Indígena, que visa promover a cultura indígena. À época da Assembleia Nacional Constituinte, uma emenda popular assegurou a participação do grupo no processo de elaboração da nova Carta Magna, momento em que Ailton assumiu ativo papel na defesa dos direitos de seu povo. Em 1988, participou da fundação da União dos Povos Indígenas, organização que visa representar os interesses indígenas no cenário nacional. No ano seguinte, participou da Aliança dos Povos da Floresta, movimento que visava o estabelecimento de reservas naturais na Amazônia - onde fosse possível a subsistência econômica através da extração do látex da seringueira, bem como da coleta de outros produtos da floresta. Aí, retornou a Minas Gerais, onde passou a dedicar-se ao Núcleo de Cultura Indígena. Desde 1998, a organização realiza, na região da Serra do Cipó, em Minas Gerais, um festival idealizado por Ailton: o Festival de Dança e Cultura Indígena, que promove a integração entre as diferentes tribos indígenas brasileiras. Em 1999, sua obra O "Eterno Retorno do Encontro" foi publicada no livro "A Outra Margem do Ocidente", organizado por Adauto Novaes. Em 2000, foi o narrador principal do documentário "Índios no Brasil", produzido pela TV Escola. Dividido em dez partes, o vídeo aborda a Identidade, as línguas, os costumes, as tradições, a colonização e o contato com o branco, a briga pela terra, a integração com a natureza e os direitos conquistados pelos indígenas até fins do século XX. No ano de 2014, Ailton foi um dos palestrantes do seminário internacional Os Mil Nomes de Gaia, ocorrido no Rio de Janeiro sob organização de Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo do Museu Nacional, e Deborah Danowski, filósofa da PUC-Rio. Em abril de 2015, durante a Mobilização Nacional Indígena, convocada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – Apib, foi lançado um livro da coleção Encontros, da Azougue Editorial, que reúne diversas entrevistas concedidas por Ailton Krenak, entre 1984 e 2013. Os textos foram organizados pelo editor Sérgio Cohn e contam com apresentação de Viveiros de Castro. No dia 18 de fevereiro de 2016, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) concedeu a Krenak o título de Professor Doutor Honoris Causa, um reconhecimento pela sua importância na luta pelos direitos dos povos indígenas e pelas causas ambientais no país. Nesta mesma universidade, Krenak leciona as disciplinas "Cultura e História dos Povos Indígenas" e "Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais", ambos em cursos de especialização. Em 2018, foi um dos protagonistas de uma série na Netflix chamada "Guerras do Brasil", que relata com detalhes a formação do Brasil ao longo de séculos de conflito armado, começando com os primeiros conquistadores até a violência na atualidade. Em 2020, conquistou o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano concedido pela União Brasileira dos Escritores (UBE). Em dezembro de 2021, a Universidade de Brasília concedeu a Ailton Krenak o título de Professor Doutor Honoris Causa. Tem vários livros publicados. Sua obra está traduzida para mais de treze países. Atualmente vive na Reserva Indígena Krenak, no município de Resplendor, no estado de Minas Gerais. FONTE: Por O TEMPO DIVERSÃO Publicado em 14 de junho de 2022 | 16h29 - Atualizado em 14 de junho de 2022 | 16h29 https://www.otempo.com.br/diversao/ailton-krenak-e-eleito-para-a-academia-mineira-de-letras-1.2683763

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Documentário reúne visões de mundo e experiências que se conectam para influenciar o pensamento coletivo

A partir de 11 depoimentos no documentário “Inspira”, jornalista tenta mostrar que tudo e todos estão conectados
Krenak com a jornalista Patricia, diretora do documentário: transformações não se concluem, tudo está em movimento São Paulo – A cena se dá durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, mas poderia ser hoje. Da tribuna, o jovem indígena Ailton Krenak, 34 anos à época, se dirige aos parlamentares enquanto espalha tinta no rosto: “Os senhores não poderão ficar alheios a mais essa agressão movida pelo poder econômico, pela ganância, pela ignorância do que significa ser um povo indígena”. Povo com seu jeito de viver e pensar, lembra, que nunca pôs em risco sequer os animais, quanto mais a vida de outros seres humanos. Passadas três décadas e meia, o ambientalista, filósofo e líder indígena reflete. “Interessante que eu fui cultivando em mim essa fala, pacífica, sem intenção. (…) Se a gente continuar com essa violência toda em relação às paisagens constituídas – é o desenho da vida –, se a gente vai remover as montanhas, nós vamos ficar com quê, um buraco?”, questiona. “Tudo que move é sagrado, né?”, emenda Krenak, citando verso de Amor de Índio (Beto Guedes/Ronaldo Bastos), canção lembrada principalmente pela interpretação de Milton Nascimento. Atirando um pedregulho no rio, ele comenta: “A imagem da pedrinha fazendo círculos na água sugere que não tem uma transformação que se conclui. É movimento”. Todos contados Os pensamentos de Ailton Krenak, à beira do rio Doce, na Serra do Cipó, onde vive, em Redentor (MG), abrem Inspira, dirigido pela jornalista Patricia Travassos. O documentário foi lançado na noite dessa segunda-feira (6), na recém reaberta Cinemateca Brasileira, na zona sul de São Paulo, com alguns dos 11 entrevistados presentes. No dizer da autora, é um estímulo à reflexão sobre o outro. “Estamos todos conectados e, a partir da nossa consciência individual, somos capazes de impactar o pensamento coletivo.” Na conversa com o líder indígena e pensador, surgiu a ideia de mostrar a água como uma espécie de fio condutor do filme, ao longo de quase uma hora e meia: mar, rio, chuva, nascente, tudo vira correnteza. E o compositor Lenine, na Urca, no Rio de Janeiro, surge justamente tocando e cantando Quede Água?: “Basicamente o núcleo familiar foi o grande fomentador na minha vida”, conta Lenine. Seu pai, José Geraldo, acreditava que a partir dos 8 anos de idade o ser humano deveria ser estimulado a fazer escolhas. “Sua mãe acredita que a melhor maneira de você se conectar com o divino é na missa. Papai acha que existem outras maneiras”, dizia. “A gente trocou pela música.” Ele se revela discípulo de Dorival Caymmi, o “maior compositor marinho” da história. Ancestralidade e racismo Por falar em Caymmi, a câmara se transporta para a Lagoa do Abaeté, na praia de Itapoã, em Salvador. É onde está o geógrafo e escritor Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado. Ancestralidade é um processo em construção e toda história é importante, lembra, ouvindo os cantos das lavadeiras. Seu livro, diz, fala em racismo estrutural, que a abolição não foi completa. “Que as pessoas ditas libertas naquele período não tiveram nenhum amparo para poder ter autonomia e governança sobre suas vidas, que elas precisaram viver errantes, trabalhando em lugares de maneira precarizada e sempre de maneira subalterna. Isso não foi modificado até os dias de hoje. Talvez a mestiçagem seja uma utopia futura do país.” Mais água, agora do rio Pinheiros, em São Paulo. Nascido em Taboão da Serra, o humorista (e ex-bancário) Thiago Ventura atravessou a ponte e veio morar na capital. Ele fala da quebrada, das cotas, racismo, das origens. Depois dele, a influenciadora digital Paola Antonini, se exercitando à beira da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, conta como foi a primeira vez em que postou uma fotografia usando a prótese – aos 20 anos, perdeu a perna esquerda ao ser atropelada. Ela criou um instituto que ajuda crianças com deficiência. Assim se sucedem as histórias, como a da atriz Clarice Niskier, em cartaz há quase 15 anos com a peça A Alma Imoral, entre vários outros trabalhos (“É um engano, no meu ponto de vista, achar que todo mundo pensando igual é o que vai preservar a humanidade (…). Cada um vai entendendo como que aquela obra coletiva pode ser feita com as várias visões de mundo, entendeu?”). Ou da física Marcia Barbosa, que desenvolveu tecnologia para transformar água do mar em potável, defensora da diversidade inclusive na ciência (“Sabe o que é entrar numa sala de aula e de 40 alunos só ter quatro mulheres, e nenhuma delas se formar contigo?”). Camadas narrativas O filme demorou quase dois anos para ser concluído, no meio da pandemia. As gravações, especificamente, foram feitas de maio a agosto do ano passado, em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e também nas mineiras Resplendor e Betim. Também foram entrevistados a bailarina e cantora Flaira Ferro, os irmãos e grafiteiros Gustavo e Otávio (conhecidos como OSGEMEOS) e a médica da família e cantora Julia Rocha. “Durante as gravações, a nossa história foi ganhando diferentes camadas narrativas. Partimos de personalidades inspiradoras, suas histórias individuais e os grandes temas que mais as inspiravam. Chegamos a um pensamento plural”, conta a diretora. “Queríamos conectar personagens diferentes, mas queríamos também que eles dialogassem e não fossem apresentados no documentário de forma blocada, separada. O maior desafio foi montar um quebra-cabeças que fizesse sentido em conjunto, sem deixar de valorizar a história individual de cada um.” FONTE: https://www.redebrasilatual.com.br/cultura/2022/06/documentario-inspira-visoes-mundo-pensamento-coletivo/

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Aílton Krenak e Alcione são cotados para vaga de Elza Soares na ABC

Após a morte da "Voz do Milênio", a cadeira de número 28 da Academia Brasileira de Cultura ficou vaga New Mag 24/05/2022 18:56,atualizado 24/05/2022 18:56
Dois nomes estão muito bem cotados para ocupar, na Academia Brasileira de Cultura (ABC), a cadeira 28, vaga com a morte da cantora Elza Soares (1930-2022). São eles o da cantora Alcione e o do escritor e ambientalista Aílton Krenak. O nome de Krenak é visto com indisfarçável entusiasmo por poder representar o primeiro ingresso de um representante indígena na instituição. O autor, de 68 anos, é um representante da etnia krenak e nasceu em Itabirinha, Minas Gerais. A favor de Alcione pesa o fato de, a exemplo de Elza, ela ser uma representante da música. A cadeira de número 28 foi originalmente ocupada pela cantora Emilinha Borba (1923-2005), uma das mais populares artistas da chamada Era de Ouro do Rádio. Leia a matéria completa no site New Mag, parceiro do Metrópoles. FONTE: https://www.metropoles.com/entretenimento/ailton-krenak-e-alcione-sao-cotados-para-vaga-de-elza-soares-na-abc

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Aílton Krenak participa do projeto “Eu, Oca”, em Teresina

O escritor Aílton Krenak participa, nos próximos dias 20 e 21 de maio, do projeto “Eu, Oca”, no Centro Cultural do Sesc de Teresina. Durante os dois dias do evento, o ativista indígena participará de apresentações municipais com um grupo piauiense e de debates de filmes. Confira o cronograma: 20/05 – 17h – Abertura do evento com apresentação do grupo piauiense Caju Pinga Fogo e presença de Aílton Krenak 20/05 - 20h15 - Debate sobre o filme “Chuva é cantoria na Aldeia dos Mortos” com Aílton Krenak – Teatro do Centro Cultural 21/05 - 10h20 - Debate sobre o filme “Ex-Pajé” com Aílton Krenak – Teatro do Centro Cultural Sobre Aílton Krenak Aílton Krenak é um dos mais proeminentes intelectuais brasileiros da atualidade e uma liderança histórica do movimento nacional indígena. Nascido em 1953, em Itabirinha (MG), Krenak ganhou notoriedade nacional na década de 1980, no processo de luta pela redemocratização do país, que culminou com a aprovação de uma nova Constituição Federal, em 1988, que assegurou os direitos originários dos povos indígenas brasileiros. Fundou em 1988 a União das Nações Indígenas e em 1989 o Movimento Aliança dos Povos da Floresta. Dirige o Núcleo de Cultura Indígena (Reserva Indígena Krenak), na região do Médio Rio Doce, MG. Em 2016 recebeu o título de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde leciona as disciplinas “Cultura e História dos Povos Indígenas” e “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”, em curso de especialização. É também roteirista e apresentador de séries com temáticas indígenas, comendador da Ordem de Mérito Cultural da Presidência da República (2021) e pesquisador convidado da Cátedra Calas-IEAT-UFMG, questionando a lógica urbana e o especismo humano, com a pesquisa “A vida é selvagem”. Na semana passada, Aílton recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília (UnB). Ele é o primeiro indígena a receber o título pela universidade. O reconhecimento, um dos mais importantes da instituição, é concedido a personalidades que tenham se destacado pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos. Sobre o projeto “Eu, Oca” O projeto “Eu, Oca” tem como objetivo valorizar e fomentar a cultura dos povos indígenas, oferecendo à população conhecimento, apreciação e troca de saberes com artistas e pesquisadores originários. A ideia é democratizar espaços com apresentações artísticas, exibição de filmes, debates, exposições, contações de histórias e oficinas envolvendo a temática de povos originários. O “Eu,Oca” terá a participação de ativistas nacionais, como Aílton Krenak, Daniel Munduruku, Alexandra Krenak e Márcia Kambeba, além de grupos e artistas piauienses, como a cantora Monise Borges, o grupo Caju Pinga Fogo, o grupo de boi Riso da Mocidade, a pesquisadora Aliã Wamiri e o artista visual Jabuh. Da Redação redacao@cidadeverde.com FONTE: https://cidadeverde.com/noticias/368526/ailton-krenak-participa-do-projeto-eu-oca-em-teresina

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Causa pela UnB - Líder indígena ganhou o principal reconhecimento de universidade a personalidades de destaque na sociedade

Redação Brasil de Fato | Brasília (DF) | 13 de Maio de 2022 às 09:51
Aílton Krenak é o primeiro indígena a receber um título de Doutor Honoris Causa pela UnB O líder indígena Aílton Krenak é o mais novo Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília (UnB). Ele é o primeiro indígena a receber o título pela universidade. O reconhecimento, um dos mais importantes da instituição, é concedido a personalidades que tenham se destacado pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos. O ato de entrega ocorreu na tarde desta quinta (12), no auditório do Conselho Universitário (Consuni), que fica no campus Darcy Ribeiro. A data foi definida em memória ao lançamento oficial da Aliança dos Povos da Floresta ocorrida em 12 de maio de 1989, em São Paulo, sob a liderança de Ailton Krenak, da União das Nações Indígenas (UNI), e Chico Mendes, do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). Ailton Krenak é um dos mais proeminentes intelectuais brasileiros da atualidade e uma liderança histórica do movimento nacional indígena. Ele é integrante do povo indígena Krenak (ou Borun), e vive no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Nascido em 1953, em Itabirinha (MG), Krenak ganhou notoriedade nacional na década de 1980, no processo de luta pela redemocratização do país, que culminou com a aprovação de uma nova Constituição Federal, em 1988, que assegurou os direitos originários dos povos indígenas brasileiros. "Eu acabei me constituindo como um sujeito coletivo, com experiência profunda de pertencimento a essa terra, a esse território, dessa parte do planeta que nós nos apegamos de maneira tão determinada, que nós enfrentamos qualquer desafio para honrar essa Mãe Terra", disse, emocionado, no discurso após receber a honraria, atribuindo este reconhecimento não à sua pessoa, mas a comunidade da qual ele faz parte. :: Krenak: "Todo mundo deve se armar com título de eleitor e dar um basta nessa direita ignorante" :: Em sua manifestação, Krenak falou sobre dar salto de conhecimento, e rebateu a mistificação que faz em torno da genialidade das pessoas. "Quando alguém consegue dar um salto de qualidade, ele é considerado um gênio. É que o Ocidente adora fazer esse tipo de mistificação. Na verdade, em outras culturas, [gênio] é um ser desperto. O ser desperto, ele é capaz de causar, de promover isso que é chamado disrupção. Disrupção não é um evento só da técnica, ele é do conhecimento. A gente pode saltar em conhecimento desde que a gente esteja disposto a ser uma experiência cotidiana de uma mente alerta. Nós somos seres que podemos viver em estado permanente de consciência. É exatamente o ser alerta que é aquilo que o Ocidente chama de genialidade. Vamos ficar alertas, vamos ser geniais", provocou. Reitora da UnB, a professora Márcia Abrahão afirmou que é esse tipo de homenagem é uma forma de honrar a própria universidade. Saiba também: Cartola, Conceição Evaristo e Krenak serão leituras obrigatórias do vestibular da Unicamp "Nós que nos sentimos honrados em ter na nossa lista Honoris Causa de ter alguém com Aílton Krenak a partir de agora. A UnB nos seus 60 anos mostra suas prioridades, o que a universidade pensa do conhecimento e do saber", afirmou. Ela também disse que o título é uma homenagem à memória do antropólogo Darcy Ribeiro, fundador da UnB, aliado dos povos indígenas. A recomendação da homenagem ao líder indígena foi feita pelo Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) da universidade e havia sido aprovada pelo Consuni em dezembro do ano passado, por aclamação. Fonte: BdF Distrito Federal Edição: Flávia Quirino FONTE: https://www.brasildefato.com.br/2022/05/13/ailton-krenak-e-o-primeiro-indigena-a-receber-doutor-honoris-causa-pela-unb

sexta-feira, 13 de maio de 2022

No Cineteatro São Luiz: Fabrício Carpinejar e Ailton Krenak encerram o projeto Diálogos Contemporâneos na próxima semana

Na segunda-feira (16), Carpinejar conversa sobre “O envelhecimento e o espaço social dos que não são mais jovens”. Na terça (17), Krenak fala sobre “A cultura do descarte: sociedade de consumo, meio ambiente e o futuro da humanidade”. O acesso é gratuito. O evento conta com apoio da Secult Ceará O escritor Fabrício Carpinejar é o próximo convidado do Diálogos Contemporâneos, projeto literário realizado pela Associação dos Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC) com apoio da Secult Ceará e Cineteatro São Luiz. Ele profere a conferência com tema “O envelhecimento e o espaço social dos que não são mais jovens” na segunda-feira, 16 de maio. Depois de Carpinejar, o escritor, ambientalista e líder indígena Ailton Krenak encerra o projeto em Fortaleza na terça-feira, 17, com a conferência sobre “A cultura do descarte: sociedade de consumo, meio ambiente e o futuro da humanidade”. O projeto acontece às 19h no Cineteatro São Luiz, equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult/CE) gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). O acesso é gratuito por ordem de chegada. Todas as conferências têm transmissão ao vivo no canal da AACIC no YouTube: https://www.youtube.com/aacic. Ação nas escolas – Como uma ação de formação de leitores do projeto Diálogos Contemporâneos, grupos de alunos de oito escolas públicas estão estudando um livro de um dos oito escritores convidados do projeto em Fortaleza. São 30 alunos de cada escola. Juntos, conhecem a obra do escritor e se aprofundam em um de seus livros. Alunos do Liceu de Messejana estudaram “Coragem de viver”, de Fabrício Carpinejar, e vão conversar com o autor no dia 16 pela manhã, na própria escola. Alunos da EEMTI Profa. Telina Barbosa da Costa estudaram “Ideias para adiar o fim do mundo”, de Ailton Krenak, com quem têm um encontro na manhã do dia 17. Escritor premiado, Fabrício Carpinejar tem 48 livros publicados e mais de 20 prêmios literários, entre eles, duas vezes o Prêmio Jabuti. É um dos escritores contemporâneos brasileiros mais reconhecidos do país. Suas obras transitam entre diversos gêneros como poesia, crônicas, infanto-juvenis e reportagens. Seu novo livro, “Depois é Nunca”(Grupo Editorial Record), é um conjunto de reflexões aprofundadas sobre o luto e a despedida. Carpinejar é jornalista com larga experiência em programas em rádio e televisão, ator interpretando suas crônicas, influenciador digital com três milhões de seguidores nas redes sociais, palestrante requisitado no mundo corporativo e professor de Estética no Pós-Graduação da PUC-RS. Ailton Krenak é escritor, pesquisador, ambientalista e líder indígena. De origem do Povo Krenak, suas pesquisas e atuação vão de encontro com a luta dos povos indígenas e questões ambientalistas. É considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro, possuindo reconhecimento internacional. Krenak é autor entre outras do livro “Ideias para adiar o fim do mundo” (2019), “O amanhã não está à venda” (2020) e “A vida não é útil” (2020), pela Companhia das Letras, e “Lugares de Origem”, com Yussef Campos (2021. Editora Jandaíra). Em 2016 recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora e em 2020 ganhou o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano, oferecido pela União Brasileira de Escritores. OS TEMAS DAS CONFERÊNCIAS Tema de Fabrício Carpinejar: “O envelhecimento e o espaço social dos que não são mais jovens” A média de vida no Brasil aumentou significativamente nas últimas décadas, saindo de 57 anos em 1970 para 76 anos em 2019, alterando a percepção que temos dos mais velhos em nosso meio. Entre as classes média e alta, a média de vida se aproxima dos 80 anos. O Brasil está preparado para receber esse crescente número de pessoas que em 2030 superará a população de crianças e adolescentes? A conferência terá como mediadora a escritora Anna K. Lima, autora de “Claviculário”, publisher da Aliás Editora. Tema de Ailton Krenak: “A cultura do descarte: sociedade de consumo, meio ambiente e o futuro da humanidade” O Brasil se tornou o centro das preocupações mundiais em decorrência dos desastres ambientais, queimadas, desmatamentos e invasões de terras indígenas e reservas ambientais. A devastação inviabiliza o desenvolvimento sustentável, comprometendo a preservação do meio ambiente e condenando as gerações futuras. A conversa será mediada pelo por Talles Azigon, poeta, editor, mediador de leituras. É um dos criadores da Editora Substânsia e um dos atuais curadores da Bienal Internacional do Livro do Ceará. O PROJETO DIÁLOGOS CONTEMPORÂNEOS Com a participação de algumas das maiores referências da literatura brasileira da atualidade, em conferências para pensar o contemporâneo a partir de suas obras literárias, o projeto literário Diálogos Contemporâneos teve início em Fortaleza no dia 18 de abril e segue até o dia 17 de maio com atividades semanais. Já participaram os escritores Mary Del Priore, Mário Magalhães, Tony Bellotto, Preta Ferreira e Viviane Mosé. O Projeto Literário Diálogos Contemporâneos é uma realização da Associação Amigos do Cinema e da Cultura com recursos de Emenda Parlamentar de execução obrigatória destacada à Secretaria Especial da Cultura, do Ministério do Turismo. Apoio institucional: Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult/CE). PROTOCOLO DE ACESSO – Para ter acesso à programação presencial no Cineteatro São Luiz será exigida a apresentação do passaporte vacinal com as três doses ou dose de reforço (até 6 meses da aplicação da vacina de dose única) para pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, acompanhado de documento oficial com foto. SERVIÇO Projeto Literário Diálogos Contemporâneos – Entre 18 de abril e 17 de maio de 2022, às 19h, no Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500 – Centro, Fortaleza/CE). Acesso gratuito, por ordem de chegada (sem retirada de ingresso). FONTE: https://www.secult.ce.gov.br/2022/05/10/no-cineteatro-sao-luiz-fabricio-carpinejar-e-ailton-krenak-encerram-o-projeto-dialogos-contemporaneos-na-proxima-semana/

terça-feira, 10 de maio de 2022

Ailton Krenak recebe título de Doutor Honoris Causa pela UnB nesta quinta (12/05)

A comunidade poderá acompanhar a cerimônia em transmissão ao vivo pelo canal da UnBTV Redação Brasil de Fato | Brasília (DF) | 09 de Maio de 2022
A partir da década de 1980, Ailton Krenak passou a se dedicar à articulação do movimento indígena. - Divulgação O líder indígena Ailton Krenak receberá da Universidade de Brasília (UNB) o título de Doutor Honoris Causa. A homenagem será realizada na quinta-feira, 12, às 16h30. Para convidados, a cerimônia acontece no auditório da instituição. A comunidade poderá acompanhar o evento em transmissão ao vivo pelo canal da UnBTV no YouTube. O título de Doutor Honoris Causa a Krenak foi aprovado pelo Conselho Universitário (Consuni) da UnB em dezembro de 2021. Na ocasião, o vice-reitor Enrique Huelva, disse que “Krenak é um filósofo imprescindível para este momento. Ele acrescenta novas ontologias que transcendem a divisão entre a natureza e o ser humano”. A data da entrega do título foi definida em memória ao lançamento oficial da Aliança dos Povos da Floresta ocorrida em 12 de maio de 1989, em São Paulo, sob a liderança de Ailton Krenak, da União das Nações Indígenas (UNI), e Chico Mendes, do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). A partir da década de 1980, Ailton Krenak passou a se dedicar à articulação do movimento indígena. Em 1987, durante as discussões da Assembleia Constituinte, foi autor de um gesto marcante que comoveu a opinião pública: pintou o rosto de jenipapo enquanto discursava no plenário do Congresso Nacional, em sinal de luto pelo retrocesso dos direitos indígenas. Honoris Causa A concessão do título pela UnB é atribuída a personalidades que tenham se destacado pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos. A recomendação da homenagem ao líder indígena foi feita pelo Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) da universidade. Fonte: BdF Distrito Federal Edição: Flávia Quirino FONTE: https://www.brasildefato.com.br/2022/05/09/ailton-krenak-recebe-titulo-de-doutor-honoris-causa-pela-unb-nesta-quinta-12