quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Sociedade do Medo | Filme com Ailton Krenak estreia nesta quinta nos cinemas

Publicado por Hiccaro Rodrigues 18/10/2022 Longa-metragem que encerra a “Trilogia da Catarse”, composta por documentários desenvolvidos, roteirizados e dirigidos pela cineasta Adriana L. Dutra, “Sociedade do Medo” estreia dia 20 de outubro nos cinemas. O filme é uma reflexão sobre a epidemia do medo que assola a humanidade, potencializada por um sistema que, historicamente, manipula as massas a partir da propagação do pânico e da insegurança. Assim como em seus dois primeiros longas (“Fumando Espero”, de 2009, e “Quanto Tempo o Tempo Tem”, de 2015), Adriana L. Dutra compartilha com o espectador questões existenciais, com o objetivo de pensar assuntos sensíveis e universais que afetam o homem contemporâneo. A produção teve sua primeira exibição no Festival do Rio. Em Tóquio, Nova York, Los Angeles, Londres, Paris, Amsterdam e outras cidades, a documentarista entrevista especialistas de diferentes realidades socioculturais. Os professores David Carrol e Jason Stanley, os filósofos Francis Wolff e Cyrille Bret, o historiador Marcelo Jasmin, os sociólogos Frank Furedi, Barry Glassner e Paula Johns, o padre Júlio Lancellotti, o escritor e filósofo indígena Ailton Krenak, a jornalista Flávia Oliveira, o físico Amit Goswami, a vereadora Benny Briolly, a pesquisadora Ivana Bentes, a professora Tamsin Shaw, a economista Linda Yueh, a deputada federal Talíria Petrone, entre outros, dão seus depoimentos sobre variadas vertentes do medo. Todos concordam que o medo é e sempre foi o mais potente instrumento de poder. E, ao longo da História, a maior arma de figuras autoritárias para fazer as sociedades acreditarem que precisam de um líder forte. Padre Júlio Lancelotti critica o uso da religião para gerar medo: “Isso é a anti-religião, isso é a manipulação ideológica da religião para manter o poder”, aponta. A jornalista Flávia Oliveira avalia a presença do medo no maniqueísmo do bem e o mal e destaca que “se você acha que o outro por ser diferente te ameaça, se você não enxerga igualdade nas diferenças, nas nuances, você combate. E o medo é um instrumento de combate muito eficiente”. A Trilogia da Catarse teve início em 2009 com o longa “Fumando Espero” (disponível na plataforma de streaming www.inff.online), quando a documentarista virou cobaia em seu próprio filme ao narrar a luta contra o cigarro. O projeto começou como um interesse pessoal e transformou-se em pesquisa sobre a dependência química e psicológica da nicotina. O longa foi exibido na 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em 2015, no premiado “Quanto Tempo o Tempo Tem” (disponível na Netflix), Adriana percorreu diferentes cidades do mundo e debruçou sua pesquisa na percepção do tempo ter se tornado mais acelerado e analisou as novas tecnologias e a globalização, aliadas à produção constante de informação e conteúdo. Em “Sociedade do Medo”, Adriana partiu para conversar com personalidades e analisar o momento em que vivemos, assustados. As filmagens começaram presencialmente antes do início da pandemia do Covid-19, em 2020, e seguiram remotamente depois que o caos foi deflagrado e o medo, unificado. Conforme a diretora afirma (na narração em off), o medo é um potente instrumento de poder: “Esse meu medo é um medo desorientado, diferente do medo orgânico, aquele que me protege contra o perigo. Esse medo que sinto parece ser um medo fabricado, forjado por alguém, como se o medo tivesse sido institucionalizado”, diz. Além de ter sido atravessado pela pandemia do Coronavirus, a produção presenciou outro episódio histórico que gerou mais uma onda indiscriminada de pavor quando, durante a finalização do documentário, a Rússia declarou guerra à Ucrânia. Todos que possuem consciência têm medo e o medo de morrer é constituído de duas emoções opostas: a certeza de que vamos morrer e a incerteza de como e quando isso vai ocorrer. E, apesar do medo da morte, a espécie humana não parece estar preocupada com o consumo desenfreado que causa as mudanças climáticas, como pontua o filósofo indígena Ailton Krenak. Ele faz uma análise lúcida e realista sobre os tempos atuais: “Se os humanos desaparecerem, a Terra continua, ela não precisa de nós. A gente podia pensar nisso como uma coisa maravilhosa: a gente não faz falta. Mas os humanos se dão importância demais. Isso se chama especismo — que conclui que uma espécie pode dominar todo o planeta”. Mas Krenak encerra a reflexão com uma dica valiosa: “A gente tem que ser radicalmente vivo. Esse é o melhor antídoto contra o medo”. “Sociedade do Medo” é produzido pela Inffinito, em coprodução com Canal Brasil, GNT, GloboNews e Globo Filmes. A distribuição é da Forte Filmes. Contato: hiccaro.rodrigues@estacaonerd.com Fonte: https://estacaonerd.com/sociedade-do-medo-filme-com-ailton-krenak-estreia-nesta-quinta-nos-cinemas/

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Projeto Moquém Mairi promove festival de Saberes Ancestrais no Museu do Estado

Gratuito para todos os públicos, a programação, reúne nomes como Ailton Krenak, Márcia Mura, Negô bispo e outras lideranças Nomeado como “Moquém Mairi: diversos mundos, diversas economias”, o projeto tem como objetivo debater e movimentar a economia a partir da cultura dos povos ancestrais, por meio das artes, pinturas, cultura alimentar, literatura e outras formas, trazendo como resultado uma economia coletiva que abraça e distribui saberes e a retomada de territórios. O encontro será realizado nos dias 20, 21 e 22 de outubro de 2022, no Museu do Estado do Pará (MEP). Com uma programação composta por palestras, rodas de conversas, vivências práticas e feira com produtos de cultura alimentar, o evento se volta para a sociobioeconomia em torno das produções indígenas, quilombolas, agroecológicas e culturais dos interiores. Tainá Marajoara, idealizadora do projeto, é do povo originário Aruã Marajoara, e como ativista e pensadora indígena, reforça a importância de manter viva a cultura e as técnicas dos ancestrais para o futuro: “No mesmo período em que batemos recorde de devastação da Amazônia e morte de lideranças. Nós acendemos nosso moquém como um esperançar em defesa dos conhecimentos, saberes e de celebração da nossa existência enquanto artistas e fazedores culturais, que fazem do seu modo de vida os seus circulares econômicos”, declara. (...) Os participantes são lideranças indígenas, quilombolas, ativistas alimentares, e renomados pesquisadores. Entre os convidados, está o líder indígena, ambientalista e filósofo, Ailton Krenak; a escritora e artivista, Márcia Mura; o fundador da primeira rádio indígena do país, Anapuaka Tupinambá; a pesquisadora e artista, Naine Terena; o poeta e escritor quilombola, Negô Bispo e muito mais. A proposta do encontro é celebrar a ancestralidade, que cultiva as histórias originárias, populares e tradicionais. Compartilhando saberes diversos, e mantendo viva a técnica por meio de valorização das raízes da nossa cultura. E também pautar novos mercados, economias emancipatórias e novas formas de distribuição e geração de renda a partir dos ativos culturais (...) O projeto é uma realização da Associação Folclórica e Cultural Pássaro Colibri de Outeiro e; Ponto de Cultura Alimentar Instituto Iacitata Amazônia Viva e conta com apoio de Eliete Cozinha Paraense, Wika Kwara, Negritar, Ná Figueredo, Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida, Prefeitura de Belém e Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SECULT). Os interessados devem realizar a inscrição por meio de formulário, no link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScFMlFl3a90sKwUUhWzcvYn_Tmt9wDJxa4JNO9-frBwu8pCaQ/viewform?usp=sf_link SERVIÇO: PROGRAMAÇÃO NO MUSEU DO ESTADO DO PARÁ (MEP): DIA 20/10 Sala Moquém Mairi 15h - 18h: Oficina Etnomídia e Empreendedorismo Indígena, com Anapuaka Tupinambá - No Pátio do Palácio. 18h: Abertura Moquém Mairi com Márcia Mura, Iacitatá e REDE RAMA. DIA 21/10 - Moqueadas 1. Sala Moquém Mairi: Valentias Poéticas 10h-12h Ailton Krenak (líder indígena, ambientalista, filósofo, poeta e escritor), e Márcia Mura (escritora e artivista). 14h - 16h: Cultura Alimentar, Sistemas Alimentares Justos, Sóciobioeconomia ou a Sindemia Global. 16:30 -18h: Artes Cosmopolíticas, Outras Economias e Justiça Climática (Célio Torino, Naine Terena, Joyce Cursino e Magno Cardoso, Miguel Chikaoka) 18:15 - 19:30h: Confluências da Contra Colonização Nego Bispo e Mestra Laurene Ataíde DIA 22/10 - Moqueadas 1. Sala Moquém Mairi 09 -11h: Comunicação e narrativas contra-hegemônicas: Joio e o Trigo, Rádio Yande, Comunicadores Populares 11 - 13h: Palavra de Mestra: roda de confluências entre Mestres e Mestras de Cultura Sala Moqueada de Futuros 10h - 12h: Contra Narrativas de Arte e Consumo - Pesquisa sobre consumo e conceitos da arte indígena - Oficina Naine Terena Feira dos Povos Produtos de cultura alimentar e da Agroecologia, livre de agrotóxicos, transgênicos e produzidos de modo justo e com respeito ao meio ambiente. 20/10: 15h 20h 21/10: 09h - 19h 22/10: 09h - 13h Fonte: https://redepara.com.br/Noticia/228477/projeto-moquem-mairi-promove-festival-de-saberes-ancestrais-no-museu-do-estado

Confira programação da Bienal do Livro Bahia 2022

Bienal do Livro Bahia 2022 terá mais de 70 horas de conteúdo produzido por mais de 100 autores e personalidades convidados Lançada nesta sexta-feira (14) em Salvador, a Bienal do Livro Bahia 2022 contou com a presença do prefeito Bruno Reis (UB) e do secretário de Educação de Salvador, Marcelo Oliveira. Depois de nove anos de intervalo, o evento recebe o investimento de mais de R$ 5 milhões e tem a expectativa de atrair 80 mil pessoas de 10 a 15 de novembro, no Centro de Convenções Salvador. "Depois de quase 10 anos, a Bienal do Livro Bahia volta para Salvador. A Prefeitura fez um esforço grande para apoiar este evento. Um evento que vai mobilizar a nossa rede [municipal] com chegada da Bienal nas escolas e a vinda de 5 mil alunos aqui ao Centro de Convenções, que terão um crédito para fazer a aquisição de livros, visando estimular ainda mais a leitura na nossa rede. Para fazer a imersão dessas crianças no mundo literário", disse Bruno Reis. A programação da Bienal do Livro Bahia 2022 terá mais de 70 horas de conteúdo produzido por mais de 100 autores e personalidades convidados. Participam da grade nomes como Djamila Ribeiro, Itamar Vieira Júnior e Thalita Rebouças. Bienal do Livro Bahia 2022 terá mais de 70 horas de conteúdo produzido por mais de 100 autores e personalidades convidados Lançada nesta sexta-feira (14) em Salvador, a Bienal do Livro Bahia 2022 contou com a presença do prefeito Bruno Reis (UB) e do secretário de Educação de Salvador, Marcelo Oliveira. Depois de nove anos de intervalo, o evento recebe o investimento de mais de R$ 5 milhões e tem a expectativa de atrair 80 mil pessoas de 10 a 15 de novembro, no Centro de Convenções Salvador. "Depois de quase 10 anos, a Bienal do Livro Bahia volta para Salvador. A Prefeitura fez um esforço grande para apoiar este evento. Um evento que vai mobilizar a nossa rede [municipal] com chegada da Bienal nas escolas e a vinda de 5 mil alunos aqui ao Centro de Convenções, que terão um crédito para fazer a aquisição de livros, visando estimular ainda mais a leitura na nossa rede. Para fazer a imersão dessas crianças no mundo literário", disse Bruno Reis. A programação da Bienal do Livro Bahia 2022 terá mais de 70 horas de conteúdo produzido por mais de 100 autores e personalidades convidados. Participam da grade nomes como Djamila Ribeiro, Itamar Vieira Júnior e Thalita Rebouças. Leia também: Primeira brasileira a apresentar TCC no Metaverso estuda na UFBA Governo da Bahia abre inscrições para concursos da PM e Corpo de Bombeiros Para o secretário de Educação de Salvador, Marcelo Oliveira, o fato de muitas das presenças esperadas serem de influenciadores digitais serve de estímulo para a leitura entre o público mais jovem da capital baiana. "A literatura e os autores se atualizam [para o meio digital]. A literatura é dinâmica. Ela caminha no tempo. E hora ou outra você tem um gênio da nossa terra que desponta para a área. E a Bahia é terra fértil para os grandes talentos literários, temos vários exemplos. E obviamente que a literatura se adequa aos novos tempos. E o mundo digital está aí com uma oferta de conteúdo, das mais variadas formas, que também precisam ser incorporados nesse mundo mais ‘clássico’ e ‘tradicional’ da nossa literatura", acrescenta Marcelo. O garoto Adriel Oliveira, de 15 anos, foi escolhido como o embaixador da Bienal do Livro Bahia 2022. Soteropolitano, o garoto faz resenhas de livros e indica títulos aos seguidores por meio das redes sociais. Ele tem mais de 400 mil seguidores no Instagram. "Fico feliz por tantas pessoas que estão representadas por mim. E fico feliz com o anúncio de ser embaixador da Bienal do Livro. E só quero agradecer a todas as pessoas, a minha mãe, por fazer isso acontecer. Estou muito feliz, de verdade", disse Adriel. Confira a programação das mesas da Bienal do Livro Bahia 2022 Quinta-feira, 10/11 Tema: No Coração dos Leitores Horário: 17h Convidados: Itamar Vieira JR, Carla Madeira Mediadora: Josélia Aguiar Sexta-feira, 11/11 Tema: Retratos do Brasil Horário: 11h Convidados: Edney Silvestre, Socorro Acioli Mediador: Marielson Carvalho Tema: A Vida é Sonho Horário: 14h Convidados: Lívia Natália, Sidarta Ribeiro Mediador: Marlon Marcos Tema: Especial Literatura Baiana Horário: 17h Convidados: Kátia Borges, Rita Santana, Ruy Espinheira Filho Mediadora: Simone Ribeiro Tema: Especial Literatura Baiana Horário: 19h Convidados: Lima Trindade, Mariana Paim, Wesley Correa Mediadora: Mônica Menezes Sábado, 12/11 Tema: Escutar a Terra Horário: 16h Convidados: Ailton Krenak Mediador: André Uzeda Tema: Avós, filhas e netas Horário: 19h Convidados: Djamila Ribeiro Mediadora: Denny Fingergut Domingo, 13/11 Tema: O Sol da Liberdade Horário: 16h Convidados: Silvio Almeida, Heloisa Starling Mediadora: Josélia Aguiar Tema: Câmera, ideias, ação Horário: 19h Convidados: Ricardo Aleixo, Aldri Anunciação, Everlane Moraes Mediador: Cláudio Leal Segunda-feira, 14/11 Tema: O fio e os rastro Horário: 16h Convidados: Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz, José Luiz Passos Mediador: Rosinês Duarte Terça-feira, 15/11 Tema: Rever um país Horário: 16h Convidados: Carla Akotirene, Giovana Xavier, Ynaê Lopes Coelho Mediadora: Milena Britto Tema: Letras & música Horário: 19h Convidados: Karina Buhr FONTE: https://www.pnoticias.com.br/noticia/bahia/256136-confira-programacao-da-bienal-do-livro-bahia-2022

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Ailton Krenak é eleito para a Academia Mineira de Letras

Ele passa a ocupar a cadeira de número 24, vaga desde o falecimento do escritor e jornalista Eduardo Almeida Reis
Com 36 votos do total de 39 votantes, o escritor Ailton Krenak foi eleito como o novo ocupante da cadeira de número 24 da Academia Mineira de Letras, vaga desde o falecimento do escritor e jornalista Eduardo Almeida Reis. A eleição aconteceu na tarde desta terça-feira, dia 14 de junho, na sede da AML. Tendo como patrona Barbara Eliodora, a cadeira 24 foi fundada por João Lúcio. Por ela também passaram Cláudio Brandão, Henrique de Resende, Sylvio Miraglia e Eduardo Almeida Reis. O jornalista Rogério Faria Tavares, presidente da Academia Mineira de Letras, destacou que a chegada de Ailton à AML é um momento histórico, inédito no país: "A arrebatadora eleição de Ailton Krenak para a Academia se abre a uma inegável dimensão simbólica. Ela é uma reverência justa e devida à potente e fascinante cultura dos povos indígenas, uma das matrizes formadoras da nacionalidade. Além disso, a presença de Ailton Krenak na cena cultural brasileira é luminosa e inspiradora. Seus livros conquistaram a todos pelo vigor de sua mensagem e pela beleza de suas palavras, sendo, hoje, traduzidos para mais de treze países. São textos que nos alertam sobre como a humanidade está lidando com o meio ambiente e com o seu próprio futuro. Sua visão de mundo é poderosa, abrangente, inclusiva. Ler com atenção o que Ailton Krenak escreve é fundamental para compreender alguns dos dramas mais agudos que vivemos hoje." Sobre o novo acadêmico Ailton Krenak Ailton Alves Lacerda Krenak é um pensador, ambientalista, filósofo, poeta e escritor brasileiro da etnia indígena crenaque. É também professor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Universidade de Brasília (UnB). Nascido em 1953 no município de Itabirinha, no estado de Minas Gerais, na região do Médio Rio Doce, aos dezessete anos de idade Ailton mudou-se com sua família para o estado do Paraná, onde se alfabetizou e se tornou produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980, passou a dedicar-se exclusivamente ao movimento indígena. Em 1985, fundou a organização não governamental Núcleo de Cultura Indígena, que visa promover a cultura indígena. À época da Assembleia Nacional Constituinte, uma emenda popular assegurou a participação do grupo no processo de elaboração da nova Carta Magna, momento em que Ailton assumiu ativo papel na defesa dos direitos de seu povo. Em 1988, participou da fundação da União dos Povos Indígenas, organização que visa representar os interesses indígenas no cenário nacional. No ano seguinte, participou da Aliança dos Povos da Floresta, movimento que visava o estabelecimento de reservas naturais na Amazônia - onde fosse possível a subsistência econômica através da extração do látex da seringueira, bem como da coleta de outros produtos da floresta. Aí, retornou a Minas Gerais, onde passou a dedicar-se ao Núcleo de Cultura Indígena. Desde 1998, a organização realiza, na região da Serra do Cipó, em Minas Gerais, um festival idealizado por Ailton: o Festival de Dança e Cultura Indígena, que promove a integração entre as diferentes tribos indígenas brasileiras. Em 1999, sua obra O "Eterno Retorno do Encontro" foi publicada no livro "A Outra Margem do Ocidente", organizado por Adauto Novaes. Em 2000, foi o narrador principal do documentário "Índios no Brasil", produzido pela TV Escola. Dividido em dez partes, o vídeo aborda a Identidade, as línguas, os costumes, as tradições, a colonização e o contato com o branco, a briga pela terra, a integração com a natureza e os direitos conquistados pelos indígenas até fins do século XX. No ano de 2014, Ailton foi um dos palestrantes do seminário internacional Os Mil Nomes de Gaia, ocorrido no Rio de Janeiro sob organização de Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo do Museu Nacional, e Deborah Danowski, filósofa da PUC-Rio. Em abril de 2015, durante a Mobilização Nacional Indígena, convocada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – Apib, foi lançado um livro da coleção Encontros, da Azougue Editorial, que reúne diversas entrevistas concedidas por Ailton Krenak, entre 1984 e 2013. Os textos foram organizados pelo editor Sérgio Cohn e contam com apresentação de Viveiros de Castro. No dia 18 de fevereiro de 2016, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) concedeu a Krenak o título de Professor Doutor Honoris Causa, um reconhecimento pela sua importância na luta pelos direitos dos povos indígenas e pelas causas ambientais no país. Nesta mesma universidade, Krenak leciona as disciplinas "Cultura e História dos Povos Indígenas" e "Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais", ambos em cursos de especialização. Em 2018, foi um dos protagonistas de uma série na Netflix chamada "Guerras do Brasil", que relata com detalhes a formação do Brasil ao longo de séculos de conflito armado, começando com os primeiros conquistadores até a violência na atualidade. Em 2020, conquistou o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano concedido pela União Brasileira dos Escritores (UBE). Em dezembro de 2021, a Universidade de Brasília concedeu a Ailton Krenak o título de Professor Doutor Honoris Causa. Tem vários livros publicados. Sua obra está traduzida para mais de treze países. Atualmente vive na Reserva Indígena Krenak, no município de Resplendor, no estado de Minas Gerais. FONTE: Por O TEMPO DIVERSÃO Publicado em 14 de junho de 2022 | 16h29 - Atualizado em 14 de junho de 2022 | 16h29 https://www.otempo.com.br/diversao/ailton-krenak-e-eleito-para-a-academia-mineira-de-letras-1.2683763

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Documentário reúne visões de mundo e experiências que se conectam para influenciar o pensamento coletivo

A partir de 11 depoimentos no documentário “Inspira”, jornalista tenta mostrar que tudo e todos estão conectados
Krenak com a jornalista Patricia, diretora do documentário: transformações não se concluem, tudo está em movimento São Paulo – A cena se dá durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, mas poderia ser hoje. Da tribuna, o jovem indígena Ailton Krenak, 34 anos à época, se dirige aos parlamentares enquanto espalha tinta no rosto: “Os senhores não poderão ficar alheios a mais essa agressão movida pelo poder econômico, pela ganância, pela ignorância do que significa ser um povo indígena”. Povo com seu jeito de viver e pensar, lembra, que nunca pôs em risco sequer os animais, quanto mais a vida de outros seres humanos. Passadas três décadas e meia, o ambientalista, filósofo e líder indígena reflete. “Interessante que eu fui cultivando em mim essa fala, pacífica, sem intenção. (…) Se a gente continuar com essa violência toda em relação às paisagens constituídas – é o desenho da vida –, se a gente vai remover as montanhas, nós vamos ficar com quê, um buraco?”, questiona. “Tudo que move é sagrado, né?”, emenda Krenak, citando verso de Amor de Índio (Beto Guedes/Ronaldo Bastos), canção lembrada principalmente pela interpretação de Milton Nascimento. Atirando um pedregulho no rio, ele comenta: “A imagem da pedrinha fazendo círculos na água sugere que não tem uma transformação que se conclui. É movimento”. Todos contados Os pensamentos de Ailton Krenak, à beira do rio Doce, na Serra do Cipó, onde vive, em Redentor (MG), abrem Inspira, dirigido pela jornalista Patricia Travassos. O documentário foi lançado na noite dessa segunda-feira (6), na recém reaberta Cinemateca Brasileira, na zona sul de São Paulo, com alguns dos 11 entrevistados presentes. No dizer da autora, é um estímulo à reflexão sobre o outro. “Estamos todos conectados e, a partir da nossa consciência individual, somos capazes de impactar o pensamento coletivo.” Na conversa com o líder indígena e pensador, surgiu a ideia de mostrar a água como uma espécie de fio condutor do filme, ao longo de quase uma hora e meia: mar, rio, chuva, nascente, tudo vira correnteza. E o compositor Lenine, na Urca, no Rio de Janeiro, surge justamente tocando e cantando Quede Água?: “Basicamente o núcleo familiar foi o grande fomentador na minha vida”, conta Lenine. Seu pai, José Geraldo, acreditava que a partir dos 8 anos de idade o ser humano deveria ser estimulado a fazer escolhas. “Sua mãe acredita que a melhor maneira de você se conectar com o divino é na missa. Papai acha que existem outras maneiras”, dizia. “A gente trocou pela música.” Ele se revela discípulo de Dorival Caymmi, o “maior compositor marinho” da história. Ancestralidade e racismo Por falar em Caymmi, a câmara se transporta para a Lagoa do Abaeté, na praia de Itapoã, em Salvador. É onde está o geógrafo e escritor Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado. Ancestralidade é um processo em construção e toda história é importante, lembra, ouvindo os cantos das lavadeiras. Seu livro, diz, fala em racismo estrutural, que a abolição não foi completa. “Que as pessoas ditas libertas naquele período não tiveram nenhum amparo para poder ter autonomia e governança sobre suas vidas, que elas precisaram viver errantes, trabalhando em lugares de maneira precarizada e sempre de maneira subalterna. Isso não foi modificado até os dias de hoje. Talvez a mestiçagem seja uma utopia futura do país.” Mais água, agora do rio Pinheiros, em São Paulo. Nascido em Taboão da Serra, o humorista (e ex-bancário) Thiago Ventura atravessou a ponte e veio morar na capital. Ele fala da quebrada, das cotas, racismo, das origens. Depois dele, a influenciadora digital Paola Antonini, se exercitando à beira da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, conta como foi a primeira vez em que postou uma fotografia usando a prótese – aos 20 anos, perdeu a perna esquerda ao ser atropelada. Ela criou um instituto que ajuda crianças com deficiência. Assim se sucedem as histórias, como a da atriz Clarice Niskier, em cartaz há quase 15 anos com a peça A Alma Imoral, entre vários outros trabalhos (“É um engano, no meu ponto de vista, achar que todo mundo pensando igual é o que vai preservar a humanidade (…). Cada um vai entendendo como que aquela obra coletiva pode ser feita com as várias visões de mundo, entendeu?”). Ou da física Marcia Barbosa, que desenvolveu tecnologia para transformar água do mar em potável, defensora da diversidade inclusive na ciência (“Sabe o que é entrar numa sala de aula e de 40 alunos só ter quatro mulheres, e nenhuma delas se formar contigo?”). Camadas narrativas O filme demorou quase dois anos para ser concluído, no meio da pandemia. As gravações, especificamente, foram feitas de maio a agosto do ano passado, em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e também nas mineiras Resplendor e Betim. Também foram entrevistados a bailarina e cantora Flaira Ferro, os irmãos e grafiteiros Gustavo e Otávio (conhecidos como OSGEMEOS) e a médica da família e cantora Julia Rocha. “Durante as gravações, a nossa história foi ganhando diferentes camadas narrativas. Partimos de personalidades inspiradoras, suas histórias individuais e os grandes temas que mais as inspiravam. Chegamos a um pensamento plural”, conta a diretora. “Queríamos conectar personagens diferentes, mas queríamos também que eles dialogassem e não fossem apresentados no documentário de forma blocada, separada. O maior desafio foi montar um quebra-cabeças que fizesse sentido em conjunto, sem deixar de valorizar a história individual de cada um.” FONTE: https://www.redebrasilatual.com.br/cultura/2022/06/documentario-inspira-visoes-mundo-pensamento-coletivo/

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Aílton Krenak e Alcione são cotados para vaga de Elza Soares na ABC

Após a morte da "Voz do Milênio", a cadeira de número 28 da Academia Brasileira de Cultura ficou vaga New Mag 24/05/2022 18:56,atualizado 24/05/2022 18:56
Dois nomes estão muito bem cotados para ocupar, na Academia Brasileira de Cultura (ABC), a cadeira 28, vaga com a morte da cantora Elza Soares (1930-2022). São eles o da cantora Alcione e o do escritor e ambientalista Aílton Krenak. O nome de Krenak é visto com indisfarçável entusiasmo por poder representar o primeiro ingresso de um representante indígena na instituição. O autor, de 68 anos, é um representante da etnia krenak e nasceu em Itabirinha, Minas Gerais. A favor de Alcione pesa o fato de, a exemplo de Elza, ela ser uma representante da música. A cadeira de número 28 foi originalmente ocupada pela cantora Emilinha Borba (1923-2005), uma das mais populares artistas da chamada Era de Ouro do Rádio. Leia a matéria completa no site New Mag, parceiro do Metrópoles. FONTE: https://www.metropoles.com/entretenimento/ailton-krenak-e-alcione-sao-cotados-para-vaga-de-elza-soares-na-abc

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Aílton Krenak participa do projeto “Eu, Oca”, em Teresina

O escritor Aílton Krenak participa, nos próximos dias 20 e 21 de maio, do projeto “Eu, Oca”, no Centro Cultural do Sesc de Teresina. Durante os dois dias do evento, o ativista indígena participará de apresentações municipais com um grupo piauiense e de debates de filmes. Confira o cronograma: 20/05 – 17h – Abertura do evento com apresentação do grupo piauiense Caju Pinga Fogo e presença de Aílton Krenak 20/05 - 20h15 - Debate sobre o filme “Chuva é cantoria na Aldeia dos Mortos” com Aílton Krenak – Teatro do Centro Cultural 21/05 - 10h20 - Debate sobre o filme “Ex-Pajé” com Aílton Krenak – Teatro do Centro Cultural Sobre Aílton Krenak Aílton Krenak é um dos mais proeminentes intelectuais brasileiros da atualidade e uma liderança histórica do movimento nacional indígena. Nascido em 1953, em Itabirinha (MG), Krenak ganhou notoriedade nacional na década de 1980, no processo de luta pela redemocratização do país, que culminou com a aprovação de uma nova Constituição Federal, em 1988, que assegurou os direitos originários dos povos indígenas brasileiros. Fundou em 1988 a União das Nações Indígenas e em 1989 o Movimento Aliança dos Povos da Floresta. Dirige o Núcleo de Cultura Indígena (Reserva Indígena Krenak), na região do Médio Rio Doce, MG. Em 2016 recebeu o título de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde leciona as disciplinas “Cultura e História dos Povos Indígenas” e “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”, em curso de especialização. É também roteirista e apresentador de séries com temáticas indígenas, comendador da Ordem de Mérito Cultural da Presidência da República (2021) e pesquisador convidado da Cátedra Calas-IEAT-UFMG, questionando a lógica urbana e o especismo humano, com a pesquisa “A vida é selvagem”. Na semana passada, Aílton recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília (UnB). Ele é o primeiro indígena a receber o título pela universidade. O reconhecimento, um dos mais importantes da instituição, é concedido a personalidades que tenham se destacado pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos. Sobre o projeto “Eu, Oca” O projeto “Eu, Oca” tem como objetivo valorizar e fomentar a cultura dos povos indígenas, oferecendo à população conhecimento, apreciação e troca de saberes com artistas e pesquisadores originários. A ideia é democratizar espaços com apresentações artísticas, exibição de filmes, debates, exposições, contações de histórias e oficinas envolvendo a temática de povos originários. O “Eu,Oca” terá a participação de ativistas nacionais, como Aílton Krenak, Daniel Munduruku, Alexandra Krenak e Márcia Kambeba, além de grupos e artistas piauienses, como a cantora Monise Borges, o grupo Caju Pinga Fogo, o grupo de boi Riso da Mocidade, a pesquisadora Aliã Wamiri e o artista visual Jabuh. Da Redação redacao@cidadeverde.com FONTE: https://cidadeverde.com/noticias/368526/ailton-krenak-participa-do-projeto-eu-oca-em-teresina