segunda-feira, 2 de maio de 2022
"Somos microcosmos do organismo Terra", lembra Ailton Krenak em seu ativismo socioambiental e indígena
Mineiro de Itabirinha, o líder indígena, ambientalista e pensador Ailton Krenak segue seu ativismo no campo socioambiental, defendendo os direitos indígenas. Organizou a Aliança dos Povos da Floresta, que reúne comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia, é Doutor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e já escreveu alguns livros, entre eles O Amanhã Não Está à Venda, Ideias para Adiar o Fim do Mundo e A vida não é útil. Em todos eles, o seu tom é de alerta para a destruição do planeta.
Além de defensor contumaz dos direitos indígenas, Ailton Krenak tornou-se uma um crítico implacável da sociedade de consumo e da cultura do descarte. No programa, ele aborda esses temas, ao som de canções do Clube da Esquina (Para Lennon e Mcartney e Paisagem da Janela) e de Owerá (Xondaro Ka'aguy Reguá).
OBS: PODCAST NA PÁGINA ORIGINAL:
FONTE: https://www.camara.leg.br/radio/programas/865855-somos-microcosmos-do-organismo-terra-lembra-ailton-krenak-em-seu-ativismo-socioambiental-e-indigena/
quinta-feira, 7 de abril de 2022
Projeto literário traz Viviane Mosé, Carpinejar e Ailton Krenak a Fortaleza
Leia mais em: https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/04/03/projeto-literario-traz-viviane-mose-carpinejar-e-ailton-krenak-a-fortaleza.html ©2022 Todos os direitos são reservados ao Portal O POVO, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas
Resumo da matéria:
Projeto Literário Diálogos Contemporâneos fará uma série de conversas com autores brasileiros entre os meses de abril e maio deste ano. Os eventos acontecerão presencialmente no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, a partir de 18/04/22
A participação de Ailton Krenak terá como tema “A cultura do descarte: sociedade de consumo, meio ambiente e o futuro da humanidade”
FONTE: https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/04/03/projeto-literario-traz-viviane-mose-carpinejar-e-ailton-krenak-a-fortaleza.html
sexta-feira, 1 de abril de 2022
Direitos indígenas e a exploração de recursos no Brasil
Seg, 28 de Março de 2022 16:10
Beatriz Herminio
Ailton Krenak. Imagem editada e redimensionada de Produção Cultural no Brasil em Wikimedia Commons, sob a licença CC BY-SA 2.0
Para Artionka Capiberibe, estamos vivendo uma tempestade perfeita no país
Por Beatriz Herminio em IEA – No dia 9 de março, a Câmara dos Deputados aprovou a urgência na tramitação do projeto de lei (PL) 191/2020, que regulamenta a garimpagem em terras indígenas e a exploração de recursos hídricos e de hidrocarbonetos, como o petróleo, nesses territórios. Para Artionka Capiberibe, antropóloga e professora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto é consequência de uma mentalidade colonialista, um atributo que não é exclusivo do atual governo, mas de uma política de Estado que se consolidou no Brasil.
Capiberibe participou do evento “A situação indígena e o meio ambiente no Brasil“, que debateu os direitos indígenas no país e o modelo de desenvolvimento que explora recursos ambientais e humanos. O encontro aconteceu no dia 17 de março e foi organizado pela Cátedra Otavio Frias Filho de Estudos em Comunicação, Democracia e Diversidade.
Campo de batalha
Na exposição “A máquina de guerra anti-indígena e o presente/passado colonialista do Brasil”, Capiberibe falou dos instrumentos jurídicos que cercam as terras indígenas, os motivos pelos quais há uma disputa em torno desses territórios e como eles se tornaram um “campo de batalha”.
Estamos vivendo uma espécie de “tempestade perfeita” no país, segundo a professora. Ela explicou que isso acontece quando uma situação desfavorável é agravada por uma “inesperada combinação de circunstâncias”, sendo então transformada em uma catástrofe.
Como exemplo de uma situação desfavorável, citou o ataque aos direitos indígenas em governos democráticos que ocorre desde a promulgação da Constituição de 1988 e que se intensifica com a sucessão de governos federais. Essa situação atinge uma temperatura alta nos governos de Dilma Rousseff. “Isso se deu, por um lado, por conta da política desenvolvimentista que Rousseff herdou dos governos Lula, mas que é também a marca do seu próprio governo. A construção da hidrelétrica de Belo Monte é o símbolo mais expressivo disso. Por outro lado, a temperatura se eleva pelo fortalecimento das bancadas setoriais no Congresso em torno do agronegócio e da mineração.”
Tal situação desfavorável foi agravada pela eleição, em 2018, do atual “presidente anti-indígena” Jair Bolsonaro, segundo Capiberibe. A catástrofe, por fim, seria o que se testemunha atualmente, como “o aumento do desmatamento, a invasão de terras indígenas e de Unidades de Conservação (UCs), a violência no campo, a poluição dos rios, o descaso com a saúde indígena e a fragilização da proteção dos territórios de indígenas em situação de isolamento voluntário”.
Na construção da Constituição de 1988, o capítulo intitulado “Dos índios” comporta os artigos 231, que reconhece aos povos indígenas sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e o direito originário às terras que ocupam; e o 232, que outorga aos povos indígenas o direito a defender em juízo seus direitos e interesses.
“A garantia da terra e a garantia da autodeterminação que resultam desse capítulo são fundamentais para a existência de um futuro em que os povos indígenas estejam presentes, e são os aspectos que estão no centro dos ataques contra os direitos indígenas”, afirmou Capiberibe. Para ela, esses ataques são movidos por uma concepção de mundo que não enxerga modos de existência que não se adequem a uma exploração do planeta cujo objetivo é transformar a natureza e a força de trabalho humano em recursos monetários.
“O novo ensinar os indígenas a lavrar, plantar, colher e trabalhar é fazer deles mão-de-obra para o agronegócio e resolver o problema da exploração do minério em suas terras”, disse. Sobre o regime de urgência para a tramitação do PL 191, ela acredita que sua aprovação é oportunista, porque foi fundamentada na guerra entre a Rússia e Ucrânia e em um possível desabastecimento de fertilizantes importados do leste europeu. Essa justificativa para explorar as terras indígenas seria um exemplo de “alternativa infernal”, afirmou, em referência à frase da filósofa belga Isabelle Stenger, que diz que “o capitalismo oferece alternativas infernais”.
Segundo a professora, projetos de lei e portarias são criados a todo momento para fazer parte do arsenal de guerra mantido contra os povos indígenas. “A luta para mudar esse cenário parece ter de ser travada na arena política, transformando a representação da população no Legislativo e no Executivo e tornando o Judiciário mais transparente.”
Estado colonial brasileiro
“O Brasil tenta matar o povo indígena há muito tempo, a gente não precisa ter muita delicadeza no trato dessa questão.” Para Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista e escritor, o Estado brasileiro poderia receber um diploma de incompetente na questão do genocídio. Ele acredita que o Estado colonial ainda não foi derrubado.
Exemplos para comprovar sua tese é o que foi feito durante as obras de construção da rodovia Transamazônica nos anos 1970, com impactos sobre o povo waimiri atroari, e ao final da década de 1960, durante o endurecimento da junta militar. Segundo ele, na época, foi autorizado à polícia militar de Minas Gerais treinar indígenas dentro da estrutura policial e colocá-los para atuar na experiência de repressão nas aldeias. “Isso não é uma história do século 19, é a história do século 20”, declarou Krenak.
Para ele, se queremos ter uma ordem social, esta deve nascer da realidade contemporânea, “não pode ser desse Estado colonial arcaico, servilista, submisso, totalmente subordinado a uma razão e a uma lógica colonial”, completou. Ele afirmou que no Chile, o Estado tentou aniquilar o povo Mapuche. Hoje, há uma mulher (Elisa Loncón) desse povo liderando o debate em uma constituição plurinacional que põe em questão o Estado colonial chileno herdado dos colonizadores. Por isso, Krenak promoveu a ideia de “devorar” o Estado colonial, à semelhança do movimento antropofágico, e fundar um Estado a partir da perspectiva de povos plurais.
Ele acredita que, ao pensar os direitos indígenas em conjunto com a crise ambiental, quase fazemos o “jogo colonial”. Segundo Krenak, os direitos indígenas não têm nada a ver com crise ambiental, porque estão inseridos em um Estado que não permite que modos próprios de habitar esse território se expressem, do contrário, sequer chamaríamos os territórios de “meio” ambiente. Nesse sentido, ele também enxerga que a criação de áreas conservadas é feita de acordo com uma gestão financeira da natureza, como um almoxarifado de recursos para serem utilizados no futuro.
O não-lugar
Um estereótipo que permanece até hoje para os indígenas no território brasileiro é o do “não-lugar”. Originado a partir da política do século 20 de “integração à comunhão nacional”, fortemente alavancada no período da ditadura, o termo indica que para ser indigena é necessário viver no meio da floresta e da selva, não usar roupas, não ter celular, etc., afirmou Capiberibe. As palavras do ex-ministro da Justiça Torquato Jardim, em reunião com lideranças indígenas do Mato Grosso do Sul (MS) em 2017, demonstram o recorrente afastamento dos indígenas para o “não-lugar”. “Integração”, para ele, significa inserir indígenas no mercado de trabalho “para serem parte do século 21”.
No Estatuto dos Índios, os indígenas são considerados isolados, integrados ou em vias de integração – um eufemismo para “em vias de dependência”, disse a antropóloga, pois, de acordo com a lei, nesse estágio eles vão necessitando cada vez mais das “práticas e modos de existência comuns aos demais setores da comunhão nacional”. A ideia imposta no estatuto é de que, quando integrados, os indígenas são liberados da tutela do Estado. Para Capiberibe, essa emancipação é uma tentativa de desobrigar o Estado a garantir os direitos indígenas.
Muniz Sodré, titular da cátedra e debatedor do evento, afirmou que ainda há uma colonização interna com projetos genocidas para aqueles a quem foi destinado o não-lugar, os quais Sodré chamou de “ex-territoriais”. “Aqueles que originalmente não têm livros nem edifícios e não puderam, por isso, ser pensados pela esquerda nacional.”
O evento teve moderação de André Chaves de Melo Silva, coordenador acadêmico da Cátedra Otavio Frias Filho, e de Vinicius Mota, secretário de redação da Folha de S.Paulo. O professor e diretor do IEA Guilherme Ary Plonski participou da abertura do evento.
FONTE: https://www.ecycle.com.br/direitos-indigenas-e-a-exploracao-de-recursos-no-brasil/
terça-feira, 15 de março de 2022
Pandemônio na arte
A partir das implicações políticas em seu entorno imediato e da amplificação do abismo social, artistas produzem a primeira leva da arte na pandemia
Juliana MonachesiPUBLICADO EM: 03/03/2022
Março de 2020. Todas as exposições estão fechadas para o público. Todas as exposições que se seguiriam às que estavam em cartaz são adiadas por tempo indeterminado. Abriel de 2020. Editoras disponibilizam livros na íntegra para download gratuito em seus sites. A n-1 Edições publica quase diariamente artigos e ensaios sobre o momento presente sob a rubrica Pandemia Crítica. Ailton Krenak lança O Amanhã Não Está à Venda, livro em que afirma: “Tem muita gente que suspendeu projetos e atividades. As pessoas acham que basta mudar o calendário. Quem está apenas adiando compromissos, como se tudo fosse voltar ao normal, está vivendo no passado. O futuro é aqui e agora, pode não haver o ano que vem”. O músico Travis Scott faz show no Fortnite, com público de 14 milhões, devidamente aferido pela Epic Games.
Maio de 2020. Exposições que se seguiriam às que deveriam ter entrado em cartaz são canceladas definitivamente. Explodem as viewing rooms para realização de mostras on-line. Surgem as primeiras críticas aos VRs e à compulsiva produção de visibilidade no mundo da arte. Brasil é capa do NYT com fotografia de cemitério de covas rasas feito às pressas na Amazônia. George Floyd é assassinado por um policial branco em Minneapolis.
Três meses depois da eclosão da pandemia, grande parte da população mundial tinha duas certezas: isso não vai terminar tão cedo e as catástrofes ambientais e cataclismos sociais anteriores à pandemia só vão piorar. Mais três meses de incertezas se seguiriam até umas poucas exposições reabrirem e os espaços de arte, operando segundo protocolos normalizados em tempo recorde, voltarem a funcionar de forma intermitente, abrindo e fechando de acordo com os índices de contaminação e número de mortes em cada estado. O mundo em alerta, a vida em suspensão, e o que os artistas fizeram nesse semestre “perdido”? O que fariam a seguir, ao menos aqueles que tinham condições de seguir trabalhando? Algumas pistas surgiam em plataformas menos assertivas do que as de VRs ou feiras on-line, focadas exclusivamente em vendas.
Assemblages pandêmicos
Jac Leirner começa a postar algumas esculturas bem-humoradas em sua conta de Instagram. Feitas com os materiais que a artista tinha à mão (o que, aliás, sempre fora seu modus operandi), as assemblages pandêmicas guardavam características antropomórficas, traço pouco comum em construções pregressas. Hoje, olhando com algum “recuo histórico”, Leirner afirma que, “no que concerne ao trabalho”, aquele primeiro semestre “foi um tempo de realização do que já estava encaminhado, na fila, 1a espera de vir a ser. Liberei o free style relativo às coisas todas e quaisquer em um fazer sem-fim. Também cuidei dos espaços onde o trabalho acontece, da fundação aos acabamentos”.
No perfil de Instagram de outro artista brasileiro, este radicado em Londres, também uma série de composições antropomórficas desponta: Alexandre da Cunha posta uma imagem de duas pequenas tigelas emborcadas em panelas, com uma pera entre elas fazendo as vezes de nariz, batatas formando o rosto e uma banana smiley arrematando o retrato cheio de humor e leveza. “Quarentena smiles”, alguém comenta. Outros arranjos se seguem até um post em que um coador com borra de café e dois cogumelos bastam para figurar o mood do momento. Um artista deixa nos comentários a observação: “O grito!” Pergunto também a ele sobre a experiência do início da pandemia: “O início da pandemia nos trouxe um material mágico e simbólico muito potente e, de certa forma, até estimulante, onde todo mundo, de repente, teve de se juntar ao mesmo tempo em torno da ideia da morte. As distrações que sempre nos nutriram e amortecem nossa relação mais essencial com a vida (e com a morte) pararam de forma abrupta, e isso gerou muito desequilíbrio”, pondera Alexandre da Cunha.
A fase seguinte – que, para Da Cunha, é a que estamos vivendo agora – “enfatiza as questões políticas, sociais e éticas e todas as suas discrepâncias no âmbito do coletivo. Individualmente, estamos meio perdidos, solitários, sem muitos acessos para nos conectar de fato com o mundo subjetivo. Mas, como artista, me sinto privilegiado, pois meu trabalho me permite esse acesso, e isso tem sido muito restaurador”. Para Jac Leirner, “o trabalho é fruto de todas as experiências. E, nesse sentido, sim, ele resultou também desse tempo estranho e impositivo”.
Reprodução da vida
Marepe, como Jac Leirner, trabalha sempre e por princípio estático com objetos mundanos, porém estreitou seus laços profundamente com o espaço doméstico durante a pandemia. Ventilaflores (2020) é um dos resultados da experiência do isolamento, assim como a maior parte das obras que o artista baiano apresentou na mostra-solo Aglomerado Mergulho (2021), na sua galeria em São Paulo, a Luisa Strina, no primeiro semestre.
Ao se voltar aos afazeres domésticos que não eram parte de suas preocupações, porque antes tinha ajuda em casa, o artista conta que conheceu um novo lugar. Como se o campo da “reprodução da vida”, para falar com Silvia Federici, das ações historicamente esperadas das mulheres (o oposto disso sendo a “produção”, o trabalho remunerado dos homens), invadindo o cotidiano, transmutasse a casa em sujeito histórico, que indaga a sensibilidade artística sobre um fazer invisível que sustenta o mundo.
Arapuca dos dias
Diego Rimaos também fez seu mergulho no ano e meio em que parte do mundo viveu em pausa. Afeito aos trabalhos de pequenas dimensões e extrema delicadeza, o artista mineiro radicado em São Paulo conta que, com o passar dos dias, viu-se interessado mais e mais em questões do seu mundo interior, como numa autoanálise silenciosa.
Seus projetos abstratos começaram a dar lugar a figurações de um mundo onírico, que espelham a interioridade e geram empatia por causa da experiência compartilhada, como o calendário de 2020 separado do pequeno refúgio feito de madeira, bambu, lã e papel por uma escada instransponível: refugiados em nossas bolhas, 2020 se esvaiu no ar.
A inteligência da natureza
Urs Fischer, conhecido pelas réplicas monumentais de esculturas clássicas em parafina que vão derretendo ao longo de suas exposições, voltou-se para dentro (de si, do ateliê, da casa) durante o isolamento. Lançou a série CHAOS, em abril de 2021, NFTs que consistem na animação de dois objetos mundanos escaneados digitalmente e acoplados um ao outro, num movimento contínuo que mostra a interação entre uma esponja e uma couve-flor, ou entre um hot-dog e um controle remoto, com destaque para a simbiose telúrica entre um abacate e uma pequena vela em forma de Vênus de Willendorf.
Apesar do conte do gritantemente advindo de um convívio cerrado com as coisas da casa, o artista suíço não estabelece uma relação direta entre a série e a pandemia: “O conceito original de usar uma abundância de itens de tipo ‘cotidiano’ em algum formato começou muito antes do lockdown, então eu não diria que foi excessivamente informado pela pandemia”, afirma em entrevista à seLecT por e-mail.
Dois meses depois do lançamento dos NFTs, Fischer realizou em sua galeria, em Londres, a Sadie Coles, uma exposição de pinturas que representam a vista do jardim de seu ateliê, de dentro para fora, mostrando um detalhe de poltrona, fiações, uma pia, uma cadeira. Resultado da pandemia, como são apresentadas no texto de divulgação da mostra, as obras expressam a solidão da casa e do jardim, uma observação dos fluxos e padrões da natureza, e refletem um aumento do tempo passado em casa. “Situados em três fases distintas, os fundos fotográficos dessas novas pinturas vêm de trás fontes diferentes: o exterior da casa e do jardim do artista em Los Angeles; os espaços interiores de casa e estúdio; e instantâneos de um rolo de filme descoberto recentemente
na casa da infância”, lemos na apresentação da expo The Intelligence of Nature.
O segundo ano
Natureza e interiores domésticos povoam a “arte da pandemia”, se é que já se pode falar nesses termos. Para o historiador Rafael Domingues, “talvez a gente precise de um pouco mais de futuro para poder ver em perspectiva”, afirma, em resposta à seLecT durante a última mesa do Seminário do 72o Salão de Abril, em setembro deste ano. Mais longevo e cobiçado evento do calendário de salões nacionais de arte, a mostra cearense deste ano recebeu um número considerável de inscrições que continham obras impregnadas de representações e reflexões sobre o impacto da Covid-19. A atualidade vem sendo marcada por uma suposta volta ao “normal”, com um calendário de exposições que se reorganizou, muitos eventos de arte previstos para 2020 podendo acontecer somente um ano depois.
“A pandemia, enquanto experiência social e individual, foi bastante evidenciada nos trabalhos dos artistas, tanto no conjunto dos inscritos quanto entre aqueles que a gente selecionou”, afirma Luciara Ribeiro, uma das curadoras do Salão de Abril deste ano, em entrevista à seLecT. O escopo de inscritos num evento desse porte funciona como uma amostragem importante para calibrar a percepção da arte atual, sobretudo de artistas mais jovens.
Entre os trabalhos expostos, são emblemáticos os desenhos de Diego de Santos, intitulados Fantasma Hereditário, da série Trilogia Fantasma (2021), feitos sobre as folhas da carteira de trabalho da mãe do artista. “Durante a pandemia, estávamos em casa e, mexendo em coisas guardadas há tempos, encontramos esse documento sem qualquer registro. Decidimos que guardar esse objeto era inútil; tratava-se apenas de papel velho juntando traça”, comentou o artista no seminário do salão. Sobre as folhas soltas da carteira de trabalho, Santos desenhou conchas, que carregam a simbologia da morada, mas também aludem ao termo em inglês shell company, que significa empresa fantasma. “O trabalho de arte em geral envolve um grande investimento com possibilidades muito remotas de retorno financeiro; não existe qualquer tipo de registro formal da atuação de um artista profissional, o que faz pensar em outras ausências, silenciamentos e apagamentos”, conclui.
Luciara Ribeiro relata que ficou bastante tocada pela escolha da carteira de trabalho como suporte para o desenho. “Diego traz uma reflexão sobre esse símbolo – ou você tem esse documento assinado ou não tem –, o que se estende a um aspecto de valorização da sua própria existência dentro da sociedade. Por outro lado, esse documento tem sido apagado, porque existe a carteira digital e também pelas próprias possibilidades de trabalho, cada vez menos aliadas a esse documento, como processo de perda de direitos, o que coloca também uma questão estrutural e histórica, do quanto ainda temos de reparar dentro das políticas públicas sociais e de equidade. Suas obras trazem politização para o campo das artes. A política do olhar e do fazer tem se sobressaído mais, porque não tem como vivenciar a política de retrocessos hoje no Brasil sem nos posicionar.”
Oxigênio (2021), obra da Fernanda Siebra exposta no Salão de Abril, é composta de imagens térmicas produzidas a partir do contato de álcool em concentração de 70% com papel de cupons fiscais. “Assim como o exercício respiratório, o oxigênio propõe pensar sobre o direito à vida que nos vem sendo negado e denunciar a crise sanitária e econômica que atravessa o país”, afirma a artista. Os desenhos surgiram por acaso, da experiência de receber uma compra entregue em casa durante o isolamento e, depois de higienizar as mãos, tocar no cupom fiscal e observar o efeito do contato. Siebra então desenhou bustos, covas, pulmões sobre a coleção de recibos. Para Luciara Ribeiro, a artista constrói “uma espécie de diário pandêmico, propondo uma reflexão sobre quem fica dentro de casa, recebendo aquilo de que precisa para sobreviver e quem está na rua, se arriscando, podendo se contaminar. Os recibos mostram aquilo que ela consumiu durante o período, por isso se torna também um diário, assim como a carteira de trabalho se torna um registro da história de alguém e pode ser usado como um controle. E a artista desenha com o álcool 70%, justamente esse elemento que se tornou de uso cotidiano por causa da pandemia”.
Apesar de tudo
Da mesma natureza de problemáticas que se acentuaram com a pandemia, mas sempre estiveram presentes, é a temática da exposição que a curadora Julia Lima realizou em julho e agosto deste ano na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. A obra que estampa o convite de Ministério da Solidão, da artista Clarice Cunha, funciona como imagem-síntese da experiência pandêmica. Uma mala de viagem de couro, aparentando desgaste, cheia de tacos de madeira, que aludem ao passado desenvolvimentista e modernizador do Brasil dos anos 1950, encerra uma visão melancólica de uma viagem malsucedida, da qual restou a ruína do projeto da arquitetura brasileira do período. “Por sua gama de cores vivas e soluções alegres, os revestimentos foram elementos marcantes dessa arquitetura. Com o gesto de escolher malas como recipientes desses revestimentos, convido à reflexão sobre a importância do imaginário na preservação dos patrimônios no Brasil”, escreve Clarice Cunha sobre Presente #1 (2019) em post no Instagram divulgando a exposição, texto que termina com a frase: “Feliz em colaborar com este projeto e ser uma artista brasileira, apesar de tudo”.
A curadora conta à seLecT que o projeto da mostra é anterior à pandemia, mas que ganhou contornos de profecia autorrealizável, quando, depois de mudanças de local e também de data, finalmente abriu no espaço do Bom Retiro. “A obra relacional de Anna Costa Silva, por exemplo, em que a artista oferece companhia a quem necessite, começou em 2016 e reunia experiências tão diversas quanto o pedido de um participante para que Anna o acompanhasse na fila do Detran.” Com a eclosão da pandemia, o trabalho Ofereço Companhia (2016) seguiu sendo realizado de forma remota.
“Existe obra mais profética do que Protetor de Proximidade Humana (2018), de Renan Marcondes?”, pergunta Julia Lima. “São dispositivos para ações que o artista desenvolve de modo que dois performers possam dançar valsa juntos, mantendo exatamente 1 metro de distância entre eles.” “O Ministério da Solidão reúne artistas que lidam com esse domínio do afeto diante das ansiedades e melancolias que se impõem coletivamente”, escreve Lima no texto da mostra. “São afirmações da resistência, tanto quanto são defesas incondicionais do desejo de estar junto, do encontro, são respostas às tensões e aos colapsos que temos experimentado crescentemente nos últimos anos, agravadas cada vez mais por uma descida vertiginosa ao abismo. Ainda que muito diferentes entre si, os trabalhos se ancoram e se aterram tanto numa poderosa crença nos gestos íntimos de disrupção, assim como em movimentos coletivos de combate.”
Mães ocultas
A série que Daniela Torrente apresentou este ano no Museu da Imagem e do Som, dentro no programa Nova Fotografia 2020, tem como disparador uma prática de retratistas da era vitoriana que, para conseguir fotografar uma criança, precisavam que a mãe (coberta por um tecido) acalmasse a retratada, aguardando a longa exposição diante do obturador. O dispositivo da foto hidden mother (mãe oculta), deslocado para o século 21, ganha contornos políticos, chamando a atenção para o apagamento da mulher no processo (não remunerado) de reprodução da vida, cuidando da casa e dos filhos. Somando à recontextualização o fator, desconhecido pela artista no momento da produção dos retratos atuais, da vida pandêmica, em que justamente a esfera da vida foi doméstica tornou vítimas de volência muitas mulheres isoladas sob o mesmo teto de seus agressores, Sombra de Vitória (2020) torna-se um retrato pungente do mundo hoje. A expressão de tranquilidade e segurança das crianças no colo das mães faz pensar na fortaleza que são as mulheres, contra todas as adversidades, assim como no mistério arcaico desse amor indizível. Mas a série também alude, por outra infeliz coincidência dos tempos, às afegãs vivendo sob o jugo do Taleban.
Mapa relacional
A preocupação com a violência doméstica foi uma das razões que mobilizaram Gabriela Noujaim a criar, muito provavelmente, uma das imagens mais contundentes da pandemia: a máscara que leva o mapa da América Latina serigrafado em vermelho para o rosto de mulheres de diferentes locais do Brasil, que se engajaram na troca com a artista carioca. Gabriela enviava a serigrafia e recebia de volta selfies das participantes usando a máscara em seus locais de trabalho. O que não estava previsto é que, nas trocas, a artista receberia também testemunhos das mulheres sobre as dificuldades que estavam passando. “A maioria dos relatos mencionava ameaças e agressões, mas chegaram também histórias de superação durante a pandemia”, conta em entrevista à seLecT. As fotografias e as histórias tornaram-se um livro de artista, intitulado
Latinamerica 2020, exposto pela primeira vez este ano na Galeria Simone Cadinelli, no Rio de Janeiro. No segundo semestre, em mostra-solo no Museu Nacional da República, em Brasília, Noujaim distribuiu algumas serigrafias entre artistas da cidade, e o símbolo foi parar em manifestação em frente ao Ministério da Saúde. “O trabalho é relacional e vai ganhando seu fluxo."
FONTE: https://www.select.art.br/pandemonio-na-arte/
Resiliência climática e culturas tradicionais
Práticas culturais são fundamentais para essa travessia.
Ana Rita Albuquerque
16:49 - 4 De Março De 2022
As mudanças climáticas apresentam riscos para os ecossistemas terrestres e oceânicos, para os padrões de vida, saúde e segurança hídrica. A mitigação desses eventos tem que levar em conta desde a infraestrutura até as projeções de crescimento das cidades e as rupturas ocasionadas pelos eventos naturais, por guerras, pelo desflorestamento e tudo o mais que pode levar à busca de maior ou menor resiliência.
Nas cidades e nos campos, alagamentos e enchentes vêm se acentuando, tornando essencial adaptação e resiliência, com investimentos e planejamento, mas também com soluções baseadas nos conhecimentos científicos e tradicionais, ou seja, o aprendizado da natureza também é fundamental para a resiliência.
A inclusão no IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), em 2019, do conhecimento das populações tradicionais locais e dos povos indígenas este já consagrado desde 2007 na Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas, une ciência e natureza e oferece grande contribuição para projetos socioecológicos resilientes. Essas comunidades detêm grande prática cultural, sabedoria, tradições e formas de conhecer o mundo podendo fornecer informações e soluções para as mudanças climáticas.
Importantes projetos de resiliência climática estão sendo desenvolvidos na África visando a redução da desertificação, também no Ártico, Finlândia, China e em locais mais vulneráveis ao aquecimento global, unindo os conhecimentos tradicionais e científicos.
Enquanto os conhecimentos tradicionais estão sendo incorporados aos estudos científicos para a sobrevivência do planeta e estratégias de adaptação, no Brasil, a série Maracá – Emergência indígena denuncia o genocídio indígena e questiona o preço que pagaremos por tal ato.
O pensador e líder indígena Ailton Krenak salienta que apesar de todas as evidências, as geleiras derretendo, os oceanos cheios de lixo, o grande número das espécies em extinção, estamos nos desconectando desse organismo vivo que é a Terra. Seu povo habita o denominado “Quadrilátero Ferrífero” em Minas Gerais, onde a lama da mineração de grandes corporações envenena a bacia do rio Doce.
Nesse cenário, Krenak aponta alguma esperança: “O tempo passou, as pessoas se concentraram em metrópoles, e o planeta virou um paliteiro. Mas, agora, de dentro do concreto, surge essa utopia de transformar o cemitério urbano em vida. A agrofloresta e a permacultura mostram aos povos da floresta que existem pessoas nas cidades viabilizando novas alianças, sem aquela ideia de campo de um lado e cidade do outro” (Krenak, Ailton. A vida não é útil, p.22).
Apesar de seu território estar devastado e sem caça, cumprindo as projeções de antigos pajés, Krenak sugere que ainda há tempo de um armistício e admitir que “o nosso sonho coletivo de mundo e a inserção da humanidade na biosfera terão que se dar de outra maneira” (idem, p.44).
É essencial a contribuição de todos para atravessar esse deserto, e as práticas culturais são fundamentais para essa travessia, isto é, se realmente decidirmos sobreviver sem sermos devorados pelo desenvolvimento insustentável que ainda predomina sobre uma terra ainda tolerante, mas cansada.
FONTE: https://monitormercantil.com.br/resiliencia-climatica-e-culturas-tradicionais/
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Documentário aborda as fontes de energia do Brasil e quanto são renováveis e limpas
Revolixonários parte II Energia do Amanhã apresenta a atual situação da matriz energética do país
Por
Página 3
18 de fevereiro de 2022
Ela está conosco diariamente, em casa, no trabalho, no lazer, e quando ela falta, ficamos desorientados. A energia elétrica move o mundo moderno. Mas quais os impactos que ela gera? Nosso País gera energia limpa? De que forma as mudanças climáticas afetam a produção energética?
Essa e outras perguntas motivaram o novo documentário do produtor e diretor paulistano Thiago Eduardo, radicado em Itajaí, a ligar as câmeras e embarcar no universo da matriz energética brasileira.
No seu segundo documentário Revolixonários Energia do Amanhã, Thiago percorre o Brasil p ara descobrir se há luz no fim do túnel, se o Brasil produz realmente energia limpa e como está se preparando para o futuro, para suprir as demandas do País. “Queremos com o documentário conscientizar as pessoas a tentar mudar o destino do mundo. O audiovisual é capaz de sensibilizar o público com os argumentos e imagens. Vamos lançá-lo em março no canal Futura e também iremos disponibilizá-lo no Youtube e nos canais de streaming gratuitos, contribuindo para o livre acesso às fontes da cultura e o pl eno exercício dos direitos culturais. Além disso, tem versões em libras e em áudio descrição e legendas”, explica Thiago.
De acordo com o Ministério das Minas e Energias, as fontes renováveis de energia, que incluem hidráulica, eólica, solar e bioenergia, chegaram a 46,1% de participação na Matriz Energética de 2019, aumentando 0,6 ponto percentual em relação ao indicador de 2018. O indicador brasileiro representa três vezes o mundial. Para apresentar a diversificação de fontes renováveis, a equipe do documentário viajou durante 30 dias, mais de 12 mil quilômetros, para conhecer a realidade do Bra sil. O itinerário começou por Florianópolis e passou pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Tocantins e Pará.
Nos 45 minutos de documentário, especialistas de todo o país falaram do assunto. “Buscamos entrevistar, sobre o sistema nacional de energia, especialista do governo, doutores, autoridades e também líderes comunitários e indígenas, que tiveram suas vidas afetadas pelas hidrelétricas”, comenta o diretor.
Entre os entrevistados estão Paulo Cesar Magalhães, Secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Philipp Hauser Pesquisador Agora Energiewende, Ricardo Ruther, Engenheiro Mertalúrgico PH.D – UFSC, Antônia Melo, líder movimento Xingu Vivo,
Judite Rocha, Líder Movimento atingidos pelas barragens MAB, Karin Rodrigues, ativista do movimento “Por favor menos lixo” e AILTON KRENAK, Líder indígena, entre outros.
Com patrocínio da Portonave e BRDE, através da Lei de Incentivo a Cultura, o documentário foi realizado pela Sou Filmes, com direção e coordenação de Thiago Eduardo da Silva, produtor executivo Leandro Romero, pesquisa e roteiro Diulie Tavares, autor de argumento Rafael Langella.
Ficha Técnica:
Thiago Eduardo da Silva – Coordenação geral, direção cinematográfica e de produção, Marcel Poliezelli – Assistente de produção, Leandro Romero – Produtor executivo, Diulie Tavares – Pesquisa e roteiro, Rafael Langella – Autor de Argumento e montagem, Thiago Eduardo da Silva – Direção de fotografia, Emerson Rangel – Assistente de câmera, Leandro Romero – Operador de drone, Thiago Eduardo da Silva – Finalizador e color grading, Cristian Moresco – Mixagem e narrador de audiodescrição, Thiago Eduardo da Silva – Legenda descritiva, Jean Carlos Barbosa – Intérprete de libras, Jandir Bruch – Autoraçã ;o DVD e cópias digitais, Luciana Haugg – Assessoria de imprensa, Marcel Polizeli – Captação de recursos e Natalia Gaya – Captação de recursos.
Texto: Luciana Haugg/Contacto Comunicação
FONTE: https://pagina3.com.br/variedades/documentario-aborda-as-fontes-de-energia-do-brasil-e-quanto-sao-renovaveis-e-limpas/
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
Festival Artes Vertentes comemora 10 anos com evento presencial
Publicado por Carol Braga
em 9 de fevereiro de 2022 às 11:36
Festival Artes Vertentes reúne diversas expressões artísticas artísticas em Tiradentes
Começa nesta quinta e vai até o dia 20 de fevereiro o Festival Artes Vertentes – Festival Internacional de Artes de Tiradentes. O evento nasceu e continua sendo multilinguagem. Em 2022 toda a programação se desenrola em torno do elemento água. A programação tem atrações nas áreas de música, literatura, cinema, artes visuais e artes cênicas.
Literatura
Entre os destaques da programação estão a participação do escritor e líder indígena Daniel Munduruku. Ele abre programação numa conversa sobre a “Água e sua percepção em diversas cosmovisões”. Será no dia 10, às 18h30. Tendo a água como fio condutor. O autor também participará da conversa “Um mergulho no rio da (minha) memória e outras histórias molhadas”, realizada no Centro Cultural Yves Alves, no sábado (12), às 16h.
Também parece imperdível a participação da jornalista e escritora Daniela Arbex. Ela lança o livro Arrastados, sobre os desastres causados pela mineração em Minas.
Já no dia 18, às 18h, o Ciclo Pororoca recebe a jornalista Eliane Brum para uma mesa-redonda com o tema “A água como ponto de conflito no Brasil contemporâneo”, com a participação de Ailton Krenak.
Música e Cinema
A soprano Eliane Coelho vai prestar uma homenagem ao repertório de Heitor Villa-Lobos executado durante a Semana de Arte Moderna de 1922. Outro destaque na programação musical é a participação de André Mehmari, no dia 20 de fevereiro, ao lado da cantora Mônica Salmaso. Já no cinema, o destaque é a pré-estreia de Lavra, o ótimo documentário de Lucas Bambozzi, também sobre as consequências da mineração em Minas Gerais.
Os ingressos para as atrações musicais custam R$40,00 (inteira) e R$ 20 (meia) e podem ser adquiridos pelo site www.artesvertentes.com.
FONTE: https://culturadoria.com.br/agendacultural/festival-artes-vertentes-2022/
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