quinta-feira, 5 de março de 2020

Ailton Krenak e Sidarta Ribeiro iniciam o ano letivo da UnB com palestras abertas ao público. - 10 e 11 de março.

By Renato Acha -mar 3, 2020


Ailton Krenak. Foto: Neto Gonçalves.
Sidarta Ribeiro. Foto: Elisa Elsie.
Divulgação.



O #InspiraUnB abre o ano letivo da Universidade de Brasília com duas palestras com sábios renomados que dão as boas vindas aos alunos, veteranos e comunidade acadêmica da instituição.

O líder indígena Ailton Krenak e neurocientista Sidarta Ribeiro são os palestrantes convidados. No dia 10 de março, às 9:30, o líder indígena Ailton Krenak estará no Centro Comunitário Athos Bulcão. Às 19:00, Krenak será homenageado no auditório do Departamento de Música.

Já no dia 11 de março, às 18:30, o neurocientista Sidarta Ribeiro marca presença no Anfiteatro 9 (ICC Sul) onde aborda o tema “Ciência e cultura como chave para sonhar o Brasil do futuro“. As atividades têm acesso livre e as solenidades ganham transmissão ao vivo pelo Facebook da UnBTV.



FONTE: http://www.achabrasilia.com/inspira-unb/?fbclid=IwAR1hOIPuQXpilNGfGbFU2PqyIvjWfMgj7pkO4WR2X8BT3OgATzuHdxZ41DI


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Do que é feito o encontro: uma carta performada para Ailton Krenak

UnB Notícias

Assista à performance em homenagem a Ailton Krenak intitulada "Do que é feito o encontro: uma carta performada para Ailton Krenak", por Nurit Bensusan, professora do MESPT. A atividade será realizada no dia 10 de março, às 19h, no Auditório do Departamento de Música.


Baseada em um texto do livro "Do que é feito o encontro", a performance narra, a partir da experiência pessoal da autora e performer, o encontro entre o mundo da sociedade não-indígena e o mundo dos conhecimentos dos povos indígenas. A carta para Ailton Krenak aponta para a possível convergência desses mundos, sem deixar de assinalar as impossibilidades envolvidas. É nesse terreno das improbabilidades possíveis que transita esse encontro, traduzido nessa performance.


FONTE: http://noticias.unb.br/component/agenda/agenda/2878

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

“Não é a primeira vez que profetizam nosso fim; enterramos todos os profetas”, diz Ailton Krenak


Liderança histórica dos povos indígenas, o escritor, jornalista e ambientalista lança o livro “Ideias para adiar o fim do mundo” e concede entrevista à Amazônia Real

(Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Por: Elaíze Farias | 11/02/2020 às 18:27


Manaus (AM) – Ailton Krenak é um dos mais importantes líderes indígenas do Brasil e lançou recentemente “Ideias para adiar o fim do mundo” (Companhia das Letras). O livro é uma compilação de palestras que realizou em Portugal, país que até então resistia em visitar pelo histórico colonizador contra os povos originários do Brasil. São análises da vida, da Humanidade, da história de destruição dos povos indígenas e de povos que resistiram. É também uma poesia dedicada a seu povo, que habita a margem do rio Doce – os Krenak preferem chamar o Doce de Watu, “o nosso avô”.

O líder indígena também se mostra preocupado com os rumos que o País está tomando. Sem citar uma única vez o nome de Jair Bolsonaro, o líder indígena afirma, em entrevista exclusiva à Amazônia Real, que a ameaça aos povos originários é real e assustadora. “Talvez na História recente do Brasil, o povo indígena não tenha sofrido um ataque tão sistemático como está acontecendo nesse período, com este governo. Porque tem declarações dos agentes públicos que incentivam a violência contra a pessoa indígena”, afirmou Krenak.

Para Krenak, hoje com 66 anos, os povos indígenas nunca estiveram tão ameaçados. Quem fala é o mesmo constituinte que, em 1987, subiu ao Plenário da Câmara Federal e pintou o rosto com tinta de jenipapo para pressionar os parlamentares a votarem pela inclusão dos direitos indígenas na Constituição de 1988. Foi graças à força desse gesto, cujas imagens percorreram o mundo, que um capítulo sobre a proteção dos direitos dos povos originários do país foi incluído na Carta Magna.

Fazia 12 anos que Krenak não vinha à Manaus; a última, foi para participar de uma oficina de formação de jovens indígenas promovida pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). No lançamento do livro em Manaus, uma sessão de autógrafos foi realizada na área externa da Banca do Largo, no Centro da capital, ao lado do Teatro Amazonas. Em cada exemplar autografado, como tem sido seu hábito, ele desenhava árvores, malocas e flores junto de sua assinatura. Ele também uma pequena palestra, encantando plateia com sua extraordinária eloquência e pensamentos filosóficos e transcendentais. Quando acabou, Ailton continuou no Largo São Sebastião. Já se aproximava da meia-noite e ele continuava interagindo, compartilhando seus pensamentos com um pequeno grupo que permaneceu no local, fazendo breves comentários enquanto dava autógrafos.

Não é fácil extrair uma resposta simples de Ailton, embora elas sejam ditas com muita precisão. Para cada questão, ele não para de lançar dúvidas sobre a humanidade e a questionar a força e a capacidade destrutiva do capitalismo nas populações mais vulneráveis, nas florestas e nos rios. Mas suas palavras também ajudam a amortecer o pessimismo. Para o líder indígena, o equilíbrio cotidiano e as ocupações diárias e de rotina é que ajudarão a humanidade, especialmente as que estão em permanente alvo de ataque, a sobreviverem e a ter estabilidade.


Nos últimos meses, Ailton Krenak tem viajado por várias cidades brasileiras. Uma maratona que ainda não acabou. À Amazônia Real, ele concedeu entrevista em dois momentos: um, na Banca do Largo, mantido pelo historiador Joaquim Melo, idealizador e organizador da vinda de Krenak a Manaus; outro, no Bahserikowi´í – Centro de Medicina Indígena, mantido por indígenas do povo Tukano (Alto Rio Negro), onde ele conheceu o Kumu (pajé) Manoel Lima. Leia a entrevista:


Amazônia Real – Estamos em um período muito hostil contra os povos indígenas. Não apenas como política de Estado de um governo anti-indígena, mas de pessoas comuns, que atacam em diferentes espaços. Como analisa essa situação?

Ailton Krenak – Talvez na história recente do Brasil, o povo indígena não tenha sofrido um ataque tão sistemático como nesse período, com este governo. Porque tem declaração dos agentes públicos que incentiva a violência contra a pessoa indígena. Antes, essa violência era dirigida ao território, era como uma disputa por recursos. A situação piorou muito quando começou a vir declaração de racismo contra indígenas. A gente não tinha uma história declarada como racismo no povo indígena. Não a ponto de justificar violência dirigida contra a pessoa, de uma maneira descarada. Isso ficou exagerado com a decisão do Executivo do governo brasileiro de ter um discurso violento e racista contra o povo indígena em geral. A identidade indígena está sendo ameaçada. Se autodeclarar indígena é se expor à violência e virar alvo das piadas de mau gosto, do preconceito explícito e da violência física.


Amazônia Real – Como chegamos nessa situação tão grave?

Ailton Krenak – Antes se botava fogo na maloca ou matava um coletivo inteiro, mas isso não era nem notícia. Nos seringais antigos as pessoas sumiam; a notícia não saía nem no jornal do seringal. Nas pequenas vilas, nos primeiros assentamentos que estavam começando a colonizar na Amazônia, os madeireiros e os caçadores invadiam, botavam fogo e pronto. Hoje, temos comunidades indígenas de Norte a Sul do País interagindo e em uma rede ativa de informação e mobilização. Nós aumentamos nossa capacidade de resistir e mobilizar e estamos mais capacitados para enfrentar isso do que no passado. Assim, fica parecendo uma contradição, porque você vai dizer: “Não piorou?” E eu vou te dizer: “Não, não piorou”. Estaria pior se a gente não tivesse conseguido se apropriar desses meios de comunicação que os brancos sempre dominaram. Então, antes da gente constituir uma narrativa, a gente teve que constituir uma tecnologia dos brancos. Eu lembro que há 30 anos o que as nossas aldeias tinham eram rádios-comunitárias e o rádio era um veículo sujeito a todo tipo de barreira. De ficar sem sinal, sem comunicação; às vezes uma semana ou um mês inteiro esperando ir lá um técnico ir trocar uma bateria ou algo do tipo. Hoje, a velocidade com que um evento saia de um lugar e chega a algum lugar do mundo… quando alguém chega comigo e fala: ‘Ah, um lugar remoto da Amazônia’. Eu falo: “Remoto para você, porque para quem vive lá, quem está remoto é você”.

Eu acho que piorou muito o tratamento geral que o Estado e o governo dão para o povo indígena. É genocida, hostil no mundo inteiro. Agora, nós não podemos viver o dia a dia da gente pressionados com isso. Nas nossas comunidades têm que viver o dia-a-dia com nossas vidas; e esses governos vêm e vão, mas passam, como uma enchente.


Amazônia Real – Como é possível enfrentar, que estratégias e quais ferramentas usar para não sucumbir?

Ailton Krenak – Nós estamos vivendo uma enchente, bem podre; depois ela vai passar. Isso por várias experiências que os nossos antepassados passaram. Eu vejo sempre os jovens falando sobre os ancestrais. Não é uma mitologia. Eles (os jovens) são uma continuação da relação com nossos antepassados, com as tecnologias e os conhecimentos deles para a gente viver melhor hoje. Aqui, neste Centro de Medicina Indígena, estamos vivendo uma situação que está se aplicando conhecimento antigo, tradicional, com tecnologia atual e avançando na experiência de intercâmbio com outras culturas do mundo. A medicina indígena tem essa ligação ancestral e atual que pode ser oferecida no meio de outras clínicas na cidade. Essa experiência é um ótimo exemplo do que nós estamos falando em relação à resistência. Resistir não significa exatamente fazer um protesto na rua ou sair e enfrentar a polícia. Significa, no nosso cotidiano, fazermos o que sabemos fazer, na nossa melhor maneira e de forma satisfatória para nossas famílias.


Amazônia Real – Há um sentimento muito explícito, hoje, de agressão aos povos indígenas que não vem apenas do agente público. Muitos estão se sentindo à vontade para atacar os indígenas e demais grupos sociais de minorias. O que acha?

Ailton Krenak – Até a Constituinte de 1988, toda perspectiva do Estado brasileiro, todos os agentes públicos, o pessoal da Sudam, do Banco da Amazônia, do Ministério do Interior, todos eles achavam que os índios iam acabar. Igual passarinho ou espécie em extinção, o boto, as garças. Eles naturalizaram o nosso desaparecimento. Isso estava no cinema, nos filmes deles. Como a gente continuou aparecendo, a primeira reação deles foi de admiração: “Nossa, como esses homens estão vivos!”. Tem até uma literatura sobre isso. Se você olhar na década de 90, começa a ter uma literatura assim, simpática, quase que fazendo um elogio pelos índios estarem vivos. Quando nós tomamos a palavra e começamos a dizer por que estamos vivos, nós fomos ganhando visibilidade e novos meios que até então eram exclusivamente controlados pelos brancos – inclusive, acessar o sistema financeiro, ter contas nos bancos, começar negócios, ser pessoas jurídicas, ir a universidades, criar empreendimentos próprios, aí o pessoal pensou: “Espera aí, mas índio não pode fazer isso!”

Eles começaram com aquelas piadas com índio usando relógio ou calça jeans, ou tendo um carro ou uma caminhonete. Quer dizer, a gente não podia ter nada porque a gente não existia. Então, a partir do momento que a gente começou a competir com os brancos, mudou: onde tem fazenda nós estamos concorrendo com os fazendeiros; onde tem garimpo estamos concorrendo com garimpo e madeireira. Começamos a ser concorrentes, e com isso nos tornamos inimigos. E o discurso de ódio, preconceito e racismo se apoia nesse tipo de mentira. Na verdade, o que está em questão não é a cor da sua pele, não é a sua raça, ou origem. A questão é que você está tentando ter o mesmo peixe que eu estou pegando. E se você vier pegar o mesmo peixe que eu, vou brigar com você. É simples desse jeito, não sei por que as pessoas não entendem isso. É como se nós tivéssemos que pedir licença para pescar no mesmo lugar que nós sempre pescamos e sempre vivemos lá.

Agora chega um estranho e diz que não podemos ficar aqui, que é o fato de estarem dizendo que o povo indígena dentro da floresta está atrapalhando. Quer dizer, há milhares de anos esses povos viveram dentro da floresta. De ontem para cá começaram a atrapalhar. Tem alguma coisa errada na conta. Quem está atrapalhando não é quem já estava aqui, é quem chegou aqui, chegou outro dia e quer dominar tudo. É uma questão muito prática. É uma disputa de território, uma disputa de recursos naturais e os povos indígenas estão como sempre estiveram: nos últimos redutos onde a natureza ainda tem prosperidade. Então vão querer tirar o povo desse lugar de prosperidade e jogar em um de pobreza? Produzem sentimento de que eles não valem nada, mas é porque o povo indígena hoje tem voz.


Ailton Krenak assina exemplar de seu “Ideias para adiar o fim do mundo”, em Manaus. (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)
Amazônia Real – Que outras propostas sugere para que as pessoas mais impactadas não fiquem deprimidas, abaladas, que encontrem força para resistir?

Ailton Krenak – Eu acho que todo mundo está fazendo alguma coisa, mas acho que o mais importante é o cotidiano, as pessoas viverem suas vidas nas suas famílias, nos seus territórios, fazendo suas coisas, fazendo sua vida. E não ficar retido por esse terrorismo racista que acabou promovendo uma situação em que instituições brasileiras entraram com uma reclamação no tribunal internacional pedindo a condenação do presidente da República por crime de lesa humanidade. Então, não é o povo indígena que está resistindo sozinho. Se antes eu tinha dúvidas sobre como os brancos iriam resistir, eu digo que agora finalmente eles estão despertando.


Amazônia Real – É mais ou menos como você está fazendo, divulgando seu livro, conversando com as pessoas, participando de atividades… Como tem sido sua rotina de viagens por causa do livro?

Ailton Krenak – Eu imagino que tenha feito uma média de três viagens por mês para diferentes lugares, desde Recife, Salvador, a Porto Alegre, sul; norte; sudeste; nordeste. Eu estive em Boa Vista (RR) esse ano, demorei muito para estar aqui em Manaus, mas estou aqui. É uma situação muito favorável de distribuir o livro “Ideias para Adiar o Fim do Mundo” em universidades, no Sesc ou em vários lugares, como em Bienal de livros, feiras. O livro dinamizou a minha circulação pelo Brasil no segundo semestre, mas no começo do ano (2019) eu tinha participado em São Paulo do Abril Indígena que aconteceu em vários municípios, não só na capital federal. Então eu acho que assim como outros atores, escritores, cineastas, os artistas indígenas estão ativos em vários lugares, dentro e fora do Brasil. O Festival de Música Indígena [realizado em novembro de 2019] estreou com o nosso queridíssimo Anapuaká Tupinambá. Eles foram corajosos, e fizeram o festival. E isso é um exemplo de vitalidade que ajuda na resistência cultural e na afirmação de novas gerações, porque um festival de música chama muitos jovens, e como era um evento grande, entra em contato com a música indígena. Isso é resistência.


Amazônia Real – Que fim de mundo estamos vivendo e como tentar adiar?

Ailton Krenak – O ano de 2019 abriu uma espécie de série de frestas, janelas de contato com outras percepções que estão deixando a maioria das pessoas com essa sensação de fim de mundo. Tem gente muito maldosa que explora essa crendice das pessoas no fim do mundo, de uma maneira útil para eles. Tem muitas possibilidades de uso dessa subjetividade que nós somos capazes de alimentar e produzir ela prosperamente. Assim como uma linda árvore grande que enche de sementes e espalha mensagens para todo lado, essa subjetividade oprimida, recalcada, que fica sendo repetida pelo capitalismo, pelo desejo, criando fúria e uma espécie de divindade que é o dinheiro, o capital virou um deus. Tem um filósofo, se não me engano italiano, que teria dito recentemente: ‘Deus não morreu, Deus ressuscitou na forma do capitalismo, é a religião do mundo’. A calamidade do mundo é o capital, o capital pode tudo, não tem moral, não tem fronteira. Ele devora tudo, está devorando o planeta. Tem tanta realidade em dizer que isso está devorando o planeta quanto você olhar um rio que passa na minha aldeia que era um rio (rio Doce, em Minas Gerais) que tinha água, peixe, comida, espiritualidade, mensagem. Tanto que cantávamos uma música indígena para o rio, que dizíamos ser o nosso avô. Ela deveria ser reverenciada como alguma coisa que não pode ser atropelada pela mineração, por um capitalismo totalmente autoritário que sai destruindo tudo.


Amazônia Real – Como você pensa e observa a civilização ocidental?

Ailton Krenak – Tem gente que chama isso de necrocapitalismo, que é essa civilização moderna. As pessoas estão muito acostumadas com esse mundo do trabalho e do dinheiro, mas é o trabalho como algo automático. São pessoas robotizadas, na verdade, são pessoas zumbizadas, porque para ela ser robotizada teria que ter alguma inteligência controlando elas. Como o que controlam eles é a morte, então estão necrosados. Como eles não têm desejo, também não têm existência. Tem uma qualidade também que alivia um pouco a nossa dor, que é a virtual. Eu falei que o envenenamento da camada superficial do solo transformando nossa terra, nossas águas, essas coisas todas, para o senso comum, é uma novela, é um filme, é virtual, é uma imagem. A subjetividade dessas pessoas foi invadida por esse mundo de ilusão das telas, e de uma constante emissão de ordem nas mensagens. As mensagens são ordens para você comprar, consumir, beber, se drogar, fazer alguma coisa para sair do normal, porque ninguém aguenta ser normal.


Amazônia Real – Crise climática, doenças, desmatamento, você acha que somos nós que vamos destruir o mundo?

Ailton Krenak – Em primeiro lugar não tem uma Humanidade. Isso é uma ficção, mas eu deixo equiparar o termo dessa gente que está aí com Humanidade, essa gente que está aí e não está nem aí. Se o céu cair sobre a Terra e arrebentar tudo, eles vão fazer um negócio com isso. Tem uma coisa que eu chamei de “ecologia do desastre”. Ainda não cheguei a desenvolver muito o sistema, mas é basicamente o seguinte: você cria uma situação para desestabilizar a vida. As pessoas que vivem naquele lugar, os seres vivos, se descolam todos da paisagem, fica um lugar deserto, inabitável; alguém chega e transforma aquele lugar inabitável em um empreendimento, em um negócio, e o negócio dele é socorrer as pessoas inabitáveis. Dando infraestrutura, construindo estradas, dando habitações. É assim que o capitalismo está comendo o mundo, come montanhas; come florestas; come rios. Ele não é uma entidade sobrenatural. Ele é formado por gente, um monte de pessoas, jovens, inclusive, muitos jovens de 20, 30 anos de idade loucos para ficarem ricos, fazendo suas empresas, seus CNPJ, a ponto de cada pessoa virar uma empresa dele mesmo. Então você terá milhões de caras que se acham empresários, assim como tem um bando de miseráveis que acham que são ricos e ficam sacaneando outros mais pobres do que eles só porque acham que saíram de uma espécie de “zona de perigo”: isso é a classe média.


Amazônia Real – Então não é possível a escapar dessa “civilização”?

Ailton Krenak – Olha, eu não sou um propagandista da civilização. Aliás, quando perguntaram ao Gandhi o que ele achava da civilização ocidental, ele disse: “Seria uma boa ideia”. Se o Gandhi disse que seria uma boa ideia se existisse uma civilização ocidental, eu diria em boa companhia a mesma coisa que ele. O prejuízo disso que nós chamamos de Humanidade foi exatamente o de ter se espalhado pela face da Terra, de maneira desorganizada, a ponto de a gente ter uma explosão demográfica no planeta que ninguém segura. Nós estamos vivendo em uma nova colonização, mas ela não precisará de colonos, nós estamos todos dispensados.

O Brasil é totalmente subordinado na rabeta de tudo. É uma imitação. Quando não existe memória, quando não existe história, cultura, o povo vira zumbi, ele fica à deriva. Então ele se move de acordo com as dinâmicas globais. O professor Milton Santos (1926-2001) dizia que a gente tinha inúmeras globalizações, e que cada uma encaixa na outra, e que elas iam só se complicar, e as pequenas nações iriam ser trituradas. Então, no final das contas quem vai pagar a conta mesmo são os povos que vivem nas bordas dos planetas. Eles vão ser jogados igual pulga no lombo de um cachorro.


Amazônia Real – É possível que este mundo, como ele é, acabe. Não no sentido messiânico, mas no sentido de ruptura com este modo de viver?

Ailton Krenak – Tem um homem, um índio que vive nos Estados Unidos, ele falou que quando tiver acontecido uma espécie de catástrofe planetária, onde não tiver sobrado ninguém, provavelmente nas cabeceiras dos Andes ou em alguma montanha rochosa, vai ter uma pequena mostra de gente que sabe viver da terra, que tanto sabe que foi ficar em um lugar menos tumultuado do planeta. Os outros são os outros, e aí o pau vai quebrar para todo lado nos continentes todos. Se chama Russel Means (1939-2012), ele é Sioux Lakota. Ele era uma pessoa muito politizada, mas largou essa coisa de política, do mundo dos brancos e voltou para o povo dele para virar um medicine man, um pajé. E ele não foi para academia ou coisas atraentes que chamam as atenções dos velhos e jovens hoje em dia, porque mexe muito com a vaidade das pessoas. Aparentemente os professores, os pesquisadores, a universidade é um lugar ocupado por espíritos desinteressados e desocupados. Isso é uma tremenda hipocrisia. Eles são ocupados por gente que faz política o tempo inteiro e disputa o campo narrativo o tempo inteiro de quem conta a história do mundo.


Ailton Krenak fala para público que foi ao Largo São Sebastião, no centro de Manaus
(Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)
Amazônia Real – Voltando a falar dos ataques sistemáticos que vivenciamos hoje no país. Você acha que há ameaça de dizimação de grupos indígenas, pelo menos os mais vulneráveis, ou os em isolamento voluntário?

Ailton Krenak – Você se lembra daquela frase: “Há 500 anos nós resistimos a todo tipo de guerra, de aniquilação, de genocídio? A minha preocupação era de que se os brancos iriam resistir também, se iriam ser capaz de resistir”. Vamos mudar aquela frase? Desde que essa floresta maravilhosa começou a se moldar desse jeito, com essa imensidão que ela tem, ela foi coproduzida por essa gente que você está preocupada com o destino deles. Agora tem algumas profecias dizendo que essa floresta inteira vai acabar, e que esses povos que sempre viveram dela, dentro dela, também vão. Não é a primeira vez que profetizam nosso fim, já assistimos a várias profecias. Enterramos todos os profetas.


Amazônia Real – Então é possível adiar ou evitar o fim?

Ailton Krenak – Deixa-me falar uma coisa que tem mais sentido e mais lógica. Nenhuma história antiga nossa, nenhuma, admite que a gente vai acabar. Nós temos uma narrativa que é cósmica, uma cosmogonia, nós não estamos aqui. Você já escutou a história sobre nossos parentes Guarani sobre a terra sem males? Talvez você já tenha escutado a história do povo Yanomami sobre as duas sucessivas quedas de céu que aconteceram e uma eventual terceira que pode vir. Em todas essas narrativas, o que nossos ancestrais estão dizendo é: “Nós nunca vamos acabar. Nós viemos de outro lugar, nós estamos na Terra e nós tivemos um surgimento na Terra tão cósmico, formado por essa origem cósmica, que nós nos confundimos com a Terra, de que estamos em um estado emocional com ela”. Por que a gente reage quando saem por aí depredando a Terra? Por isso que nossos parentes antigos morriam, brigavam, não tinham medo, até hoje eles não têm medo. O tempo dessa pressão, dessa violência, é cíclico, acontece agora, mas já aconteceu em outra época também.

FONTE: https://amazoniareal.com.br/nao-e-a-primeira-vez-que-profetizam-nosso-fim-enterramos-todos-os-profetas-diz-ailton-krenak/?fbclid=IwAR1FOeWC0hAliFMAKRnRRf3ZUhHDQJ6B-reXI1Z5-d51u7KZaACbOwWiEPU

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Revista Olympio lança segunda edição em Belo Horizonte


Novo exemplar está com cara nova e com 280 páginas de material inédito, incluindo entrevista com a liderança indígena Ailton Krenak

Créditos da imagem: Miguel Aun

A segunda edição da revista Olympio será lançada neste sábado (8) na Livraria da Rua, na Savassi. A produção é editada em Minas Gerais e distribuída no Brasil e em Portugal, publicação chega ao mercado de cara nova e com 280 páginas de material inédito.

A publicação enfatiza a produção ficcional, poética e ensaística contemporânea, por meio de perfis e entrevistas, tradução de textos literários, relatos de viagem, ensaios visuais e fotográficos. O novo lançamento abre 30 páginas para depoimento exclusivo de Ailton Krenak, umas das principais lideranças indígenas do país.

O público vai conhecer também a, ainda pouco conhecida, poesia da amazonense Astrid Cabral. A edição vai revelar ainda os trabalhos inéditos da poeta norte-americana Emily Dickinson, do cineasta britânico Peter Greenaway, da escritora romena Aglaja Veteranyl e do argentino César Aira.



Junto ao segundo número, sairá a nova edição da primeira edição da Olympio, que está esgotada há muitos meses, com um novo projeto gráfico. A revista estará disponível nas bancas por R$ 54 a entrada para o lançamento é gratuita.

FONTE: https://www.soubh.com.br/noticias/variedades/revista-olympio-lanca-segunda-edicao-em-belo-horizonte

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Crônicas de um ativista socioambiental

13.01.2020


Mundo

Crônicas de um ativista socioambiental
13.01.2020


Livro de Marcio Santilli, sócio-fundador do ISA, reúne histórias e bastidores da defesa dos direitos dos povos indígenas nos últimos 40 anos

Uma inspiração para seguirmos resistindo chega à loja virtual do ISA. Subvertendo a gramática e outras crônicas socioambientais, livro de Marcio Santilli, sócio-fundador do Instituto Socioambiental(ISA). Em tempos de ataques sistemáticos aos direitos indígenas e de desmonte das políticas socioambientais conquistadas ao longo dos anos, as crônicas são um alento para quem as lê. Elas levam ­­ o leitor em uma viagem por um Brasil megadiverso, e pela diversidade de suas gentes.

De um jeito leve e bem humorado, Santilli conta histórias de bastidores vividas durante a Constituinte de 1986-1987, sobre o "capítulo dos índios" na Constituição, após duas décadas de ditadura, e do surgimento da sociedade civil organizada durante a redemocratização, incluindo a fundação do ISA. Relembra muitos embates e chega até os dias de hoje com a atuação da bancada ruralista e a eleição de Jair Bolsonaro.


As crônicas resgatam, de um ponto de vista muito particular e atuante, o Brasil em processo de redemocratização, com populações historicamente oprimidas e marginalizadas resgatando parte de seus direitos fundamentais. O autor lembra, por exemplo, do ato de protesto do jovem Ailton Krenak, hoje respeitada liderança indígena, durante as sessões da Constituinte, pintando a cara de preto para chamar a atenção dos deputados; a atuação do coronel Jarbas Passarinho, ex-ministro da Educação na ditadura militar, que foi deputado constituinte, e - quem diria - o responsável por emplacar o conceito de "terras tradicionalmente ocupadas pelos índios", no texto final da Constituição de 1988.

Foi Passarinho também que, quando ministro de Fernando Collor, realizou a demarcação da Terra Indígena Yanomami, em 1992. O histórico encontro dos Povos da Floresta, em Altamira (PA), em 1989, como parte da mobilização indígena contra a construção da suína de Karararô, atual Belo Monte, também está nas crônicas de Santilli.

O episódio do deputado indígena Mario Juruna devolvendo dinheiro para o deputado Paulo Maluf também é recuperado. Em 1985, ainda durante o regime militar, às vésperas da eleição pelo Colégio Eleitoral do próximo presidente da República, Maluf era um dos candidatos e tentou "comprar" Juruna. Alertado que, se ficasse com o dinheiro, seria considerado corrupto, Juruna chamou a imprensa e, dentro de uma agência do Banco do Brasil no Congresso Nacional, devolveu o dinheiro que recebeu de Calim Eid, assessor de Maluf, e que ele chamou de "dr. Calinheiro". Tanto o caixa como o gerente ficaram perdidos sem saber o que fazer já que Calim Eid não tinha conta ali.

Ativista desde a juventude, Santilli foi eleito deputado federal pelo MDB (1983-1987). Militou no Núcleo de Defesa dos Indígenas (NDI) e fundou o ISA em 1994 com um grupo de pessoas oriundas de movimentos ambientais e de defesa dos direitos humanos. Em uma das crônicas, Márcio conta como foi se consolidando a ideia do nome "socioambiental" - que expressasse não a junção de social com ambiental, mas a síntese entre ambos. Pelas regras da língua portuguesa, "socioambiental" tinha hífen, que os fundadores do ISA decidiram abolir, subvertendo a gramática. Socioambiental se escreve junto!

Santilli também foi o autor de proposta, com outros pesquisadores, para remunerar países que conseguissem reduzir o desmatamento em suas florestas tropicais, hoje um dos principais mecanismos internacionais para combater a crise climática. Em 2009, foi agraciado com o prêmio Herói do Meio Ambiente, concedido pela prestigiada revista britânica Time. Além de ser autor de dezenas de artigos, é autor do livro Os Brasileiros e os índios, de 2000.

As crônicas de Santilli mostram que vale a pena resistir e seguir em frente. Um exemplo nesses tempos obscuros e de retrocessos em que o país está mergulhado.

O livro está à venda na loja virtual do ISA.

Ficha técnica:

Subvertendo a gramática e outras crônicas socioambientais
Autor: Marcio Santilli
Edição: Instituto Socioambiental
ISBN: 9788582260777
Páginas: 120
Preço: R$ 30,00

Marcio Santilli

Crônicas Socioambientais

Amazônia

Maria Ines Zanchetta

ISA



https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/cronicas-de-um-ativista-socioambiental

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

A humanidade que pensamos ser

Como conectar duas humanidades tão distantes: a que enxerga o rio como divindade e o que a enxerga como insumo?

CLAUDIA PENTEADO*
26 DEZ 2019 - 13H08 ATUALIZADO EM 26 DEZ 2019 - 13H08

Ailton Krenak demorou alguns anos para aceitar cruzar o oceano e ir a Portugal. Imagino o que representa para um homem indígena do Brasil, não só hoje mas em qualquer tempo, pisar na terra dos homens brancos que aportaram nos trópicos com suas ideias civilizatórias pré-concebidas, procurando enquadrar o que rapidamente rotularam de sub-humanidade atrasada e selvagem no seu próprio modelo. Mundo afora, no curso da história, homens brancos de diferentes origens (principalmente europeia) "evoluíram" e se "civilizaram" ao "dominar" a natureza e adquiriram uma espécie de licença para definir regras e comportamentos sobre o modo ideal e correto de existir no planeta.


Curiosamente, foi de palestras e entrevistas dadas em Portugal que nasceu uma pequena preciosidade em forma de livro, "Ideias para evitar o fim do mundo", com as ideias do ativista — hoje reverenciado por muitos — a respeito do Antropoceno, como alguns cientistas denominam a época que vivemos hoje, justamente definida como aquela em que os humanos substituíram a natureza como a força ambiental dominante na Terra. No seu pequeno grande livro, Krenak escancara o estranhamento diante desta humanidade — que definitivamente é outra, e não a dele — que se apartou da natureza, deixando de enxergar a si própria como parte dela e, portanto, de respeitá-la, para transformá-la em insumo.


"O nosso apego a uma ideia fixa de paisagem da terra e de humanidade é a marca mais profunda do Antropoceno", afirma Krenak. De alguma forma, a humanidade se apegou ao imaginário coletivo da terra como a grande mãe, com sua teta eterna provendo alimento ad-infinitum, farta, próspera e amorosa, sempre disponível.

O povo indígena Krenak, do qual faz parte o ativista, vive em uma área demarcada em Minas Gerais às margens do rio Doce, profundamente atingido pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, em 2015. O rio hoje morto pelos humanos "civilizados" era sagrado para os Krenak. Chama-se Watu, avô do povo — uma pessoa, portanto, e não um recurso. Isso dá uma dimensão da distância entre valores dessas diferentes humanidades. "Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista", escreve.

O livro de Krenak é de grande valor por diversos motivos, e chamou especialmente a minha atenção sua reflexão sobre o desafio de conectar humanidades tão díspares — a que se considera a verdadeira humanidade superior à natureza e orientada pelos rumos calculados da ciência, e as sub-humanidades como os Krenak, que nunca se enquadraram nos moldes idealizados e cristalizados por centenas de anos. E eis que estamos aqui, todos juntos, humanidade e sub-humanidades, rumando em direção ao mesmo abismo.


Diante da iminência da queda — que já vem ocorrendo faz tempo, mas agora em ritmo mais acelerado — Krenak propõe a todos o uso de pára-quedas coloridos. É sua proposta simbólica para a humanidade que dominou o planeta, de reconexão com a natureza e com a humanidade dos Krenak, iniciada na tradição de sonhar. Krenak propõe que se avance para o lugar do sonho para visitar outra ordem de vínculo com o mundo, bem distanciada da metáfora de natureza criada para consumo humano. Para os "quase humanos", como costumam ser rotulados os Krenak, o mundo tem outra potência. E fazer a humanidade enxergar esta potência talvez possa ajudar a salvar a todos.

Krenak acredita que talvez a única maneira de promover alguma conexão entre humanidades tão díspares é a via da subjetividade, acessando lugares distanciados do racional, onde os afetos se conectam.

Diante disso, venho refletindo bastante sobre a viabilidade do chamado "novo capitalismo" que tanto se discute hoje. Seria um novo olhar por parte das pessoas e suas empresas, baseado em uma economia "sustentável". É interessante como Krenak chama atenção inclusive para o termo "sustentabilidade", criado pela humanidade com um sentido utilitário. Vale refletir sobre o que precisa, afinal de contas, ser sustentado. A exploração em nome do desenvolvimento e da economia capitalista? O ciclo exploratório interminável da natureza como recurso, sem que "a grande teta" seque jamais?


O novo capitalismo parte das bases do capitalismo inventado por essa humanidade que está aí, a mesma que criou o conceito de sustentabilidade — e que ainda sustenta a ideia da natureza como recurso, mesmo que de maneira mais consciente. E ainda se sustenta sobre a ideia da hegemonia e superioridade do homem — e de sua técnica, sua ciência, sua economia, sua produção, seu capital, seu lucro. É com isso que devemos lidar.

Penso sempre no imenso dilema de CMO's diante do desafio de buscar o equilíbrio entre entregar resultados e encontrar o propósito que justifique o que sua empresa faz, e um jeito de estar no mundo menos danoso ao meio ambiente, cuidando do impacto social que ela gera.

As mesmas empresas que no passado agiram como bem entenderam em nome dos seus objetivos financeiros e frequentemente contribuindo para excessos consumistas hoje se deparam com novas regras gerais no ambiente e, principalmente, gerações de "consumidores" que esperam algo diferente delas — e desconfiam um bocado desse tal de "marketing". O livro e o movimento "Good is the new Cool", de Afdhel Aziz e Bobby Jones, é resultado dessa busca pelo resgate de sentido da profissão do marketing e do dilema que a acompanha: como ser bons profissionas e bons cidadãos, ao mesmo tempo?


Certamente hoje a maioria de CMO's e profissionais sérios envolvidos na missão de dar voz às marcas se preocupa em causar algum impacto positivo ao planeta, e vem procurando fazer o que é possível, com altíssimas doses de frustração envolvidas. Fundamental, mesmo, é enxergar seu quinhão de responsabilidade para com o abismo diante do qual nos encontramos e com o qual todos contribuímos, cada um a sua maneira. Como diz Krenak, encomendamos há 200, 300 anos este mundo em que estamos vivendo. O pacote chegou, e está aqui. É com ele que temos que lidar. E a pergunta é: que mundo estamos empacotando agora, para deixar para as próximas gerações? Como diz Krenak, "a gente vive reclamando, mas essa coisa foi encomendada, chegou embrulhada e com o aviso: 'depois de abrir, não tem troca'."

Sempre bom lembrar e refletir sobre a humanidade que pensamos ser, e a humanidade que queremos ser. Feliz 2020!

*Claudia Penteado é jornalista, estuda comunicação, filosofia e literatura, mora no Rio de Janeiro e acredita em capitalismo consciente. É leonina, mãe da Juliana e prefere ler livros em papel.

FONTE: https://epocanegocios.globo.com/colunas/Marketplace-ideias-e-inovacao/noticia/2019/12/humanidade-que-pensamos-ser.html

sábado, 30 de novembro de 2019