terça-feira, 9 de agosto de 2011

Projeto Séculos Indígenas no Brasil abre exposição no Memorial dos Povos Indígenas

Horário: Ver programação | Local: Memorial dos Povos Indígenas do DF Endereço: Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK.


www.seculosindigenasnobrasil.com

No próximo dia 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas decretado pela ONU (Organização das Nações Unidas), será aberta ao público a III Edição do Projeto Séculos Indígenas no Brasil, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. A Exposição “Séculos Indígenas no Brasil” é composta por três vértices que acontecem simultaneamente:

1) exposição: apresenta o material artístico e documental produzido ao longo dos 19 anos de existência do projeto “Séculos Indígenas no Brasil”, composto por fotografias, desenhos, gravuras, objetos de arte indígena do acervo de Darcy e Berta Ribeiro, filmes, vídeos, animações e textos. O conteúdo da exposição apresenta diferentes aspectos da vida cotidiana em várias comunidades indígenas brasileiras, além de trazer, em forma de depoimentos inéditos, a visão de figuras referenciais indígenas e da luta ambiental no Brasil, como Darcy Ribeiro, José Lutzenberger e os líderes Ailton Krenak e Álvaro Tukano, num diálogo plural e múltiplo. A exposição reúne um conteúdo que disponibiliza grande acervo informativo e educativo acerca das culturas indígenas brasileiras. O material artístico e documental foi produzido por Frank Coe ao longo de quase 20 anos de pesquisa. A exposição Séculos Indígenas no Brasil aborda o processo de realização da série documental do mesmo nome, utilizando pinturas, desenhos, fotografias e meios eletrônicos, que tentam dar conta da pluralidade das culturas indígenas. Frank Coe, Álvaro Tukano, Paulo Metz e Piotr Jaxa são os responsáveis pelo acervo – cerca de 3 mil fotografias, tiradas ao longo de suas viagens pelo Brasil. Ilustrações históricas Jean de Léry, Hans Staden, e Jean-Baptiste Debret também compõem a exposição com algumas das primeiras imagens feitas dos índios brasileiros. A mostra será montada dentro de uma grande estrutura de bambu em forma de cobra que será erguida no Memorial dos Povos Indígenas. A estrutura em forma de serpente está sendo confeccionada em bambus trançados e terá cerca de 110 metros de comprimento. Sua largura varia entre quatro e 11 metros e a altura entre 2,80m e 6,80m.

2) eventos culturais: buscando promover um (re)conhecimento maior entre as culturas indígena e juruá (não indígena), durante a exposição, em diferentes dias, serão realizados eventos que contarão com a presença de representantes de, pelo menos, 15 etnias.

3) ação educativa: aproveitando este potencial e identificando a carência de conhecimento da comunidade escolar acerca da história e da realidade contemporânea dos povos indígenas brasileiros, surgiu a proposta de se criar uma Ação Educativa na III Edição da Exposição “Séculos Indígenas no Brasil”, a fim de oportunizar o diálogo entre estes universos, que coexistem isoladamente em nosso país. O "III Módulo do Fórum de atualização sobre culturas indígenas", curso de formação dos professores do DF será realizado nos dias 9 e 11 de agosto de 2011 e a formação continuada dos Mediadores, estudantes indígenas e não indígenas, será entre os dias 5 e 8 de agosto de 2011.

A III Edição fica no Memorial dos Povos Indígenas até o dia 10 de outubro. Esta edição da exposição conta com o apoio formal do Ministério da Justiça, através da FUNAI - Fundação Nacional do Índio, Secretaria de Cultura do Distrito Federal, Secretaria de Educação do Distrito Federal, Gabinete do Senador Cristovam Buarque, Universidade de Brasília, PUCRS, Fundação Darcy Ribeiro, Ministério da Cultura e a Sociedade Indígena Nheengatu, entre outros.

As duas primeiras edições desta exposição aconteceram no Fórum Internacional Povos Indígenas, nos dias 11 a 14 de agosto de 2005, no Centro de Eventos PUCRS em Porto Alegre/ RS e no Espaço Furnas Cultural - Rio de Janeiro/RJ, nos dias 07 de outubro a 07 de novembro de 2005.

Projeto Séculos Indígenas no Brasil - Histórico
Eram dias de junho de 1992 quando na capital alemã, Berlim, dava-se o encontro a partir do qual viria a ser desenvolvido um projeto pioneiro de registro sobre a realidade, a riqueza e a diversidade das culturas e da espiritualidade indígena no Brasil. A ocasião uniu as intenções éticas e estéticas do cineasta Frank Coe e a experiência política e espiritual do líder indígena Álvaro Tukano, a partir de uma intenção comum: oferecer à opinião pública uma visão crítica da realidade dos povos indígenas no Brasil, privilegiando a iniciativa de seus próprios protagonistas. A atmosfera que os animava era a mesma que, no Rio de Janeiro, abrigava a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a ECO-92. Grandes eventos marcando o fim de um século e dando ocasião a outros, os Séculos Indígenas no Brasil.
O Projeto Séculos Indígenas no Brasil tem suas raízes em um momento significativo de nossa história cultural e política recente. Despertava então, principalmente através dos meios de comunicação de massa, uma visão ecologicamente sensível em várias esferas da cultura globalizada. De proteção do meio ambiente, passava-se a um discurso de sustentabilidade da vida planetária. Vozes proféticas se faziam ouvir, anunciando mudanças climáticas, denunciando a inviabilidade ética de monoculturas em detrimento dos avanços tecnológicos para tal, alertando contra o reducionismo da natureza pela cultura capitalista, e rechaçando a noção de desenvolvimento calcado na pilhagem do planeta.

Considerados radicais na época, hoje estes temas exigem atenção de todos os setores da sociedade. Contudo, o tom de denúncia visava um aprendizado do qual ainda carecemos: encontrar meios criativos, de forma pública e democrática, para um desenvolvimento integral e sustentável que alcance a todas as dimensões da vida, em vista do futuro de diferentes sistemas de vida – entre os quais as culturas humanas. Nesse histórico, a liderança de diferentes etnias e comunidades indígenas tem sido presença significativa. Homens e mulheres de diferentes regiões do país, que insistem em afirmar que sua cultura, sua sabedoria e sua visão de mundo não apenas podem ajudar a reconhecer os pontos críticos desse amplo debate, mas fornecer meios para superar vários desses desafios. Contudo, para que fossem ouvidos, tinham de se tornar antes visíveis para a sociedade brasileira.

O Projeto Séculos Indígenas no Brasil nasce dessas motivações. Sua originalidade está na consistência de seu conteúdo: bocas que falam sua própria língua, olhos que sustentam um olhar autônomo, corpos que narram a si. Uma visão que anima quase duas décadas de atividades dedicadas à sensibilização para o direito à diversidade étnica no Brasil.
Seguiram-se os passos para viabilizar o que já ganhava contornos de um projeto de produção audiovisual e fotográfico. Os caminhos se fizeram na busca de apoio técnico, recursos e, principalmente, novos encontros com pessoas que ajudassem a animar e – não menos – a dar corpo ao projeto. O encontro com Ailton Krenak determinou os rumos do projeto, a partir de sua experiência como fundador do Centro de Pesquisa Indígena (CPI). O Centro, na ocasião, já somava uma rica experiência de formação de jovens indígenas de diferentes regiões do Brasil. O projeto visava torná-los mediadores de um conhecimento que capacitasse suas comunidades a desenvolver práticas sustentáveis de manejo de seus recursos culturais e naturais. Na definição de Krenak:

- O Centro de Pesquisa Indígena não é um lugar. É o caminho que liga a memória da criação do mundo, presente nas narrativas tradicionais, no conhecimento antigo, com o conhecimento sobre o novo, no trabalho do cientista e do pesquisador.
Surgia, então, o itinerário de viagem, cenários, personagens e, finalmente, o argumento do projeto: o retorno desses jovens formados pelo Centro as suas comunidades de origem, sua adaptação nelas e o desdobramento da aliança, por vezes ruptura, que se dava, através deles, entre um novo conhecimento e a tradição recebida de seus ancestrais. Uma cuidadosa discussão sobre os temas mais relevantes a serem trabalhados levou a considerar a preocupação de expressar da melhor forma possível os traços particulares do universo que se revelava em cada comunidade indígena visitada.

Sob essas orientações, o projeto se desenvolveu em duas fases: a primeira, entre 1993 e 2004, é marcada pelos esforços de seus protagonistas, sem qualquer tipo de apoio institucional, o que sugere algo do desinteresse político que havia na época pelas questões indígenas. Entrementes, em 1997, a Fundação Darcy Ribeiro é criada, tornando-se importante motivadora do projeto, a partir do apoio que o próprio instituidor lhe dedicara. Em 2004, efetiva-se uma parceria com a Fundação em torno da realização do filme Maíra. A partir de 1999, o projeto alcança maior repercussão, graças especialmente ao apoio da então Senadora Marina Silva que, ministra do Meio-Ambiente, em 2002, possibilitou o apoio do Governo Federal ao projeto, sobretudo, através do Ministério da Cultura.

Alcançadas as primeiras metas, passo seguinte foi tornar público o acervo produzido através de duas exposições, em 2005, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Uma rede de instituições apoiadoras se constituía, fornecendo o suporte ao desenvolvimento do projeto.

Da parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Cultura Indígena, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, através de Édison Hüttner, em 2008, foi publicado o Catálogo descritivo das imagens. A partir dessas parcerias consolidadas, o Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, DF, abriu caminhos de aproximação a Secretaria da Educação e a Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal, através de Marcos Terena. Também o apoio do Congresso Nacional, através do Senador Cristovam Buarque foi firmado, formando o atual cenário de um novo ciclo de trabalho, com os olhos voltados à realização da terceira edição da exposição, prevista para 2011, em Brasília, DF.


Sinopses dos filmes exibidos durante a exposição:
Durante a exposição serão exibidos dois documentários em longa: "Maíra, de Darcy Ribeiro: um Deus Imortal?" com 75 minutos de 2010 e "Lutzenberger", com 52 minutos, de 2007. Haverá ainda dois documentários em curta: "Reflexões" com 15 minutos de 2009 e "Reflexões do Curumin" com cerca de 15 minutos de 2011.
Os filmes deverão servir para a formação dos professores em geral, mas podem servir também como instrumento de trabalhol com os alunos em sala de aula. Os curtas utilizam imagens utilizadas no filme "Maíra", editadas do material bruto com cerca de 45 horas de imagens registradas nas aldeias visitadas de cerca de 20 etnias espalhadas em todo o território nacional e trechos dos depoimentos de Darcy Ribeiro, José Lutzenberger, Álvaro Tukano e Ailton Krenak. Há ainda o desenho animado com a adaptação parcial do romance Maíra, com a mitologia dos Povos Indígenas segundo Darcy Ribeiro e animação de recortes. No filme "Reflexões do Curumin", utilizamos um material farto em imagens com crianças indígenas no cotidiano das aldeias, com uma narração mais visual e poucas falas.

Lutzenberger: For Ever Gaia - documentário de 52 min.
Perfil do cientista e ambientalista gaúcho José Lutzenberger (1926-2002) e de seu trabalho para a criação de alternativas de desenvolvimento sustentável, apresentando formas viáveis para um aproveitamento menos predatório e mais equilibrado da natureza. Sua infância é contada através da animação do cineasta Otto Guerra, que toma como ponto de partida os desenhos feitos pelo pai do cientista, um arquiteto alemão

“Maíra, de Darcy Ribeiro: um Deus Mortal?” – 75 min.
Documentário histórico, com depoimentos do antropólogo Darcy Ribeiro, cujo objetivo principal é uma reflexão a cerca da identidade brasileira, da criação e da manipulação da “imagem”.
O filme abrange grande parte do território nacional, sendo que essas imagens já foram realizadas ao longo de 16 anos, registradas pelo cinegrafista e fotógrafo polonês Piotr Jaxa e conta também, com uma parte complementar feita em formato animação, realizada pelo renomado Otto Guerra, onde serão ilustrados alguns depoimentos e imagens não ficcionais o que facilitará a comunicação com todos os tipos de público, especialmente o público jovem e comunidades indígenas.
Maíra de Darcy Ribeiro: Um Deus Mortal? assume então, um importante caráter inédito e pedagógico através do uso do papel histórico da imagem e aos seus contornos educacionais, não somente com informações, mas, principalmente com técnicas metodológicas que sinalizem para a formação humanista dos indivíduos, garantindo uma didática que faça contraponto à pasteurização e homogenização das representações massificantes.

PROVOCAÇÕES
A abertura das vídeo instalações se apresentam por um vídeo pôster, que convida os expectadores a entrar em um universo de reflexões e sensações oferecido pela Exposição Séculos Indígenas no Brasil.

Trata-se de uma composição videográfica, de um minuto e meio, composta de uma animação de recorte, com os temas retratados na imagem título da exposição, uma pintura feita pelo artista plástico Hélio Coelho, coordenador de arte da Exposição. Através desta peça, propõe-se uma mescla das linguagens visuais do vídeo e do cartaz, compondo uma peça que premie as duas, provocando a sensação de se olhar para um cartaz cujas as imagens se movem.

REFLEXÕES
O documentário, Reflexões, é um curta metragem construído basicamente com depoimentos. A construção da narrativa se dá a partir de alguns elementos, quais sejam: a visão de dois antropólogos (Darcy Ribeiro e Beto Ricardo) com seus diálogos e dialéticas particulares, que abre espaço para as intervenções dos próprios indígenas. Por fim, o dialogo se expande para abraçar a universalidade e isenção da visão do ambientalista José Lutzenberger, visão histórico filosófica, de um lado profundamente cientifica, mas ao mesmo tempo, generosa e poética sobre a cosmovisão dos Povos Indígenas.

Com a própria intervenção dos líderes indígenas, ao subverter o academicismo de qualquer discussão filosófica, nasce o convite para o expectador refletir, formatando sua própria visão e opinião.

REFLEXÕES DO CURUMIM
O documentário voltado ao público infantil. Como seu análogo voltado ao publico adulto, conteúdo de reflexão. Construído em linguagem lúdica, apresenta os elementos que constituem a cosmovisão do indígena a partir de sua infância , com o elemento mitológico mostrado através de cenas animadas de fragmetos do longa metragem Maíra .

Busca despertar no pequeno expectador o sentimento de alteridade, pelo reconhecimento das diferenças e o direito a estas diferenças, ao mostrar as crianças indígenas não só no seu cotidiano, nas aldeias, mas também dentro da escola, em suas brincadeiras, na relação de aprendizagem e troca com o universo dos adultos.

FRUIÇÕES
Vídeo instalação que por estar locada ao final da Exposição, não apresenta o mesmo caráter informativo das outras peças, mas antes, convida o visitante a um último trânsito pelo conjunto de sons, imagens e palavras que compõem o singular universo exposto.

Neste caso a edição de vídeo, por si só não se apresenta suficiente, interagindo de forma sincronizada com a cenografia, a luminotécnica e principalmente, com as pinturas do artista Hélio Coelho, coordenador de arte da Exposição. Esta vídeo instalação será montada dentro de uma estrutura especifica, em forma de geodésica, denominada Geodésica da Lua.

A oferta de imagens não obedece a uma seqüência narrativa linear, tratando-se, antes, de um conjunto de estímulos sensoriais que convida o visitante a alinhavar de forma particular as impressões, percepções e fruições.

**Horário de visitação: De terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

Telefone: (61) 3342-1157 / 3344-1154 / 3342-1156
E-mail: mpi@sc.df.gov.br


FONTE: http://cerradomix.maiscomunidade.com/evento/exposicoes/5740/SECULOS-INDIGENAS-NO-BRASIL.pnhtml

3 comentários:

Armin Deitenbach disse...

Olá Ailton,

fui ontem á abertura da exposição e foi um grande sucesso. Boas as falas dos mediadores indígenas de várias nações, linda exposição o no final dançamos com os guarani da Krukutú (SP). O lugar também é lindo e proporcionará bons encontros. Ontem mesmo encontrei, depois de muito tempo, com a amiga Hilda Zimmermann que não via há séculos.

Grande abraço


Armin Deitenbach

mimi disse...

CARO AILTON
sou dos direitos humanos de MT e atualmente colhendo assinaturas a favor do povo Guarani-Kaiowá, por interme´dio da carta dos estudantes contra a violência contra o cacique.

sua assinatura seria formidável à luta!

http://direitoshumanosmt.blogspot.com/2011/11/massacre-de-indios-em-acampamento-em.html

um abraço carinhoso
*

Tchelo América Do Sul MC disse...

Tem meu apoio total.Ainda não sei como nem onde, mas o tem !!