sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Povos da floresta aprovam anistia a multas ambientais de pequenos agricultores

A Rede Povos da Floresta e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) se posicionaram a favor de um Projeto de Lei (PL)
Fabíola Munhoz - 2009-11-16 - 10:57:00 -

A Rede Povos da Floresta e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) se posicionaram a favor de um Projeto de Lei (PL) apresentado ao Congresso Nacional pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que defende a anistia de todas as multas ambientais aplicadas aos povos da floresta - ribeirinhos, seringueiros, pescadores e pequenos produtores.

Ailton Krenak, representante da Rede Povos da Floresta, diz esperar que o projeto da deputada Perpétua seja votado e isente a agricultura familiar de ser punida por infração do Código Ambiental. Ele explica que cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social fornecer assistência técnica e apoio para que a agricultura familiar se torne sustentável.

"Você não pode tratar todos que estão no campo com a mesma norma. Temos que apoiar o encaminhamento e a votação desse PL", afirmou. De acordo com Krenak, muitas das multas impostas a pequenos agricultores da Amazônia não dizem respeito ao uso da terra para o cultivo agrícola, mas sim, a práticas de pesca e caça para subsistência, que são vistos como crimes ambientais.

Dirceu Fumagalli, da coordenação nacional da CPT, diz que a justificativa da deputada para o projeto é referendado pela comissão. "O tratamento é aparentemente justo, mas, na verdade, é desproporcional. Os pequenos agricultores foram empurrados para pequenas áreas e há falhas na legislação ambiental atual, que é homogênea e não percebe as peculiaridades dos povos tradicionais e pequenos produtores", afirmou.

A deputada Perpétua justifica sua proposta pelo fato de existirem multas cujo valor ultrapassa mais de duas vezes o preço da propriedade sobre a qual elas incidem, inviabilizando o desenvolvimento da família que produz no local, e fazendo com que o agricultor venda sua terra por baixo custo aos empresários do agronegócio.

"Numa área onde o acesso à tecnologia não existe, onde a vida e a sobrevivência têm que ser conquistadas diariamente, os pequenos produtores estavam sendo multados porque desmataram um pedaço de terra para fazer um roçado, plantar o que comer ou tirar madeira para consertar a casa que já estava quase caindo", afirmou.

A deputada diz que chegou a debater com os órgãos ambientais a possibilidade de se criarem mecanismos para remediar essa situação, mas infelizmente alguns não se mostraram abertos ao diálogo, tornando necessária a criação do seu projeto de lei.

"Precisamos de um tempo para respirar, para dar uma trégua à produção familiar. A proposta é isentarmos o que já foi praticado e rediscutir a realidade e as punições da lei. Se mais de 70% dos pequenos produtores e proprietários da Amazônia estão sendo multados, há algo de errado", disse.

Ela também diz que, daqui para frente, será preciso construir outros parâmetros, para que a defesa ambiental, a preservação de espécies e a sustentabilidade sejam garantidas com rigor, mas sem esquecer que temos a obrigação de dar garantias de vida aos menos favorecidos. "Não estamos dando fim às multas, estamos propondo uma anistia por um período e repensarmos o modelo que garanta a sobrevivência no campo, na floresta", afirmou.

Anistia para quem?

Perpétua diz que seu projeto pretende anistiar as comunidades locais, populações tradicionais e outros grupos humanos, organizados por gerações sucessivas, com estilo de vida relevante à conservação e à utilização sustentável da diversidade biológica.

No entanto, segundo Krenak, da Rede de Povos das Florestas, caso aprovada, a lei beneficiará o agricultor familiar, mas não trará efeito aos indígenas e populações extrativistas.

"O projeto não vai incidir sobre essas comunidades, já que elas vivem em terras da União - Reservas Extrativistas (Resex) ou Terras Indígenas (TIs) - e, portanto, não sofrem a aplicação de multas ou taxas pela prática de desmatamento", afirmou.

De acordo com ele, também há, na região, ribeirinhos e pequenos agricultores que ainda não tiveram as terras onde vivem regularizadas e são ameaçados por uma movimentação existente hoje no governo para que essas áreas sejam suprimidas e dêem lugar à agricultura industrial.

"As últimas três legislaturas brasileiras têm sido contrárias à demarcação de Tis e à criação de Unidades de Conservação (UCs) e Resex nos Estados, por serem espaços que se tornam indisponíveis à expansão do agronegócio. No meio dessas áreas, ainda há comunidades extrativistas, ribeirinhos, assentados, que precisam ser respeitados", afirmou.

Porém, Krenak destaca que a definição da agricultura familiar no Código Florestal Brasileiro é importante, não por se tratar de questão técnica, mas política. "Desse conceito depende a ação do governo para impedir que todas as terras do país sejam ocupadas pelo agronegócio".

De acordo com ele, há hoje uma ação dentro do governo para suprimir o conceito de pequenos produtores do Código Florestal Brasileiro, para abrir espaço para que os 24,3% de áreas cultivadas hoje ocupadas pela agricultura familiar sejam incorporadas por grandes produtores.



Dirceu, da CPT, destaca que os 13 artigos do projeto de Perpétua são genéricos e abrem espaço para regulamentação e identificação de categorias da agricultura familiar.

"É preciso políticas públicas de financiamento, cooperação, tecnologia e garantia de qualidade de vida para que o pequeno agricultor extraia da terra sua subsistência, dialogando com a mata, sem precisar derrubá-la". De acordo com o militante, tornar irregular o pequeno produtor dificulta o seu acesso a financiamento e não resolve o problema. Essa também é a opinião da autora do projeto.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) foi procurada para comentar a proposta de lei e manifestar sua opinião sobre as declarações dos movimentos sociais, mas nenhum representante da entidade respondeu até o fechamento da reportagem.

Brecha para grandes criminosos

Sobre o risco de que a norma legalize a impunidade a empresários de madeireiras e siderúrgicas que financiam a retirada ilegal de madeira por pequenos agricultores, Krenak diz que a lei ainda poderá ser regulamentada, estabelecendo a verificação das propriedades onde incidam multas por crimes ambientais.

"Podemos ter instrumentos para monitorar o avanço da agricultura familiar, e as áreas de produção de subsistência devem ser inventariadas. Se não, não há nem como se aplicarem as multas. Há como, por exemplo, exigir uma declaração do produtor sobre por que ele ampliou sua área de produção. Qualquer motivo para o desmatamento que não seja a agricultura familiar teria punição", sugeriu.

A deputada Perpétua garante que seu projeto não vai legalizar a impunidade. "No projeto de lei está dito que o recurso da multa deve ser revertido diretamente para a recuperação da área degradada. Cobramos a presença do Estado, mas entendemos o tamanho do desafio. Por isso a proposta de ação conjunta, de dar a chance da recuperação", disse.

Ela também diz que deve haver rigor na punição de madeireiras ilegais e da indústria que se beneficia da ilegalidade, mas destaca que, caso houvesse condições de desenvolvimento sustentável ao pequeno produtor, ele não iria praticar o desmatamento ilegal.

"Os pequenos arrumam um jeito de plantar para comer e sobreviver economicamente. Esse processo é secular, desde a ocupação daquelas terras. Quem desmata são os grandes produtores, os madeireiros e agricultores. Essa foi a bandeira levantada por Chico Mendes quando começou os empates e reivindicou as reservas extrativistas", disse Perpétua.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Projeto prevê perda de reserva para índios que cometerem crimes ambientais

Pela proposta, toda a comunidade ficaria sem terra em caso de crime.
Advogada diz que essa sanção é punição coletiva e fere Constituição.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo


Uma proposta apresentada na Câmara dos Deputados prevê o cancelamento de terras indígenas onde ocorrerem crimes ambientais, como venda ilegal de madeira ou tráfico de animais. A ideia, segundo o autor do projeto, o deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), é que os próprios índios se fiscalizem. “O objetivo maior não é puni-los, mas que eles sejam responsabilidades por atividades para as quais hoje se faz vista grossa”, afirma.

Pelo projeto de lei, qualquer condenação em última instância – depois que são apresentados todos os recursos – por um crime ambiental cometido em uma terra indígena faria com que essa reserva fosse cancelada, e todas as pessoas que morassem ali perdessem o direito de viver no local. “Se você tiver uma exploração ilegal em uma área de uma determinada tribo, é quase certo que isso é do conhecimento de todos, e se eles ignoram, são coniventes”, diz Ubiali.



Mapa do Imazon mostra as terras indígenas (em laranja) e pontos da devastação ocorrida em setembro (em vermelho). Segundo o instituto, apenas 3% do desmatamento desse período ocorreu dentro de reservas indígenas, apesar delas ocuparem 21,6% da Amazônia. (Foto: Imazon/Divulgação)

Punição coletiva

Para a advogada Paula Souto Maior, do Instituto Socioambiental (ISA), o projeto fere a constituição, pois estabelece uma punição coletiva aos indígenas. “A pena não pode passar para a família da pessoa que cometeu o ato ilegal”, afirma.

Segundo Ubiali, contudo, a punição à comunidade toda pode ser aplicada no caso dos índios. “É uma punição coletiva porque o crime é coletivo. Na tribo, você não tem um indivíduo cometendo um ilícito. Não há a figura do indivíduo dentro de uma tribo. A tribo tem um comportamento como um todo”, argumenta o parlamentar.

O líder indígena Aílton Krenak, conhecido por defender a Amazônia junto com Chico Mendes na década de 1980, discorda do deputado. Segundo ele, cada pessoa deve ser tratada separadamente e a própria legislação brasileira já prevê punição individual para índios que cometem crimes. “Como se pode dizer que crianças, velhos e outras pessoas da comunidade devam responder por quem cometeu um crime?”, questiona.

Desmatamento

Apesar de haver problemas ambientais dentro de terras indígenas, esse é o tipo de reserva em que há menos desmatamento. Segundo os dados de devastação de setembro de 2009, publicados pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), houve 216 km² de desmatamento nesse mês. Desses, apenas 5 km² (3%) teriam ocorrido dentro de terras indígenas, apesar desses territórios ocuparem 21,6% da Amazônia brasileira. Os parques e reservas estaduais, por sua vez, sofreram 15 km² de desmatamento, e ocupam 20% da Amazônia.

“As terras indígenas têm se mostrado mais eficazes para a conservação da floresta do que as unidades de conservação [parques e reservas] que se beneficiam do aparato do Ibama, das secretarias de meio ambiente dos estados, e que têm gente trabalhando fazendo a manutenção e monitoramento dessas unidades”, diz Krenak.

Propriedades privadas

Questionado sobre a possibilidade de seu projeto ser aplicado também a propriedades privadas, Ubiali afirma que pretende apresentar uma emenda para que donos de terra também possam perder suas fazendas. De acordo com ele, a ideia será apresentada durante as discussões na Câmara para alterar o Código Florestal – lei que define, entre outras coisas, o quanto deve ser preservado dentro de cada terreno rural.

A proposta sobre terras indígenas tramita na Comissão de Meio Ambiente e, caso seja aprovada por essa e outras comissões, não precisará ir para votação no plenário para seguir ao Senado.



Desmatamentos, queimadas e notícias sobre toda a Amazônia Legal podem ser encontradas no mapa interativo Amazônia.vc, que também permite a internautas protestar contra a destruição da floresta. Saiba como utilizar o mapa .

FONTE:http://g1.globo.com/Amazonia/0,,MUL1369857-16052,00-PROJETO+PREVE+PERDA+DE+RESERVA+PARA+INDIOS+QUE+COMETEREM+CRIMES+AMBIENTAIS.html

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Povos indígenas re-colonizam o país, afirma Ailton Krenak

Ao participar da Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (Flimt), em Cuiabá, Ailton Krenak mostrou conteúdo, respeitabilidade que goza entre as diversas nações e poder de articulação com as demais culturas do mundo ocidental. Ele participou de debate sobre o tema Movimento indígena e educação. Sua reflexão foi apresentada no Caxiri Literário, realizado no dia 8 de outubro, no centro da capital.

Antonio Carlos Ribeiro
Cuiabá, terça-feira, 13 de outubro de 2009


O debate foi mediado por Daniel Munduruku, presidente do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (Nearin), que apresentou o cacique Estevão Taukane, do Mato Grosso, e o pajé Álvaro Tukano, do Amazonas, como lideranças combativas que estudaram, enfrentaram o regime militar dos anos 70, acumularam sabedoria histórica e tornaram-se referências para as novas gerações indígenas.

“O Brasil é um espaço de encontro, reconhecido mundialmente por sua diversidade cultural e étnica”, começou Krenak, ao elogiar a estrutura arquitetônica montada em madeira e plástico tomando toda a Praça da República e arredores, que proporcionou um “ambiente agradável, em contato com a natureza e sem as dificuldades que nós, indígenas, temos de estar num auditório fechado”, observou.

Ao lado dessa percepção do efeito arquitetônico na estética do evento, Krenak mostrou-se alegre ao perceber como “os povos indígenas estão se apropriando dos recursos plurais, usando diversas tecnologias”, que ele vê como condizentes com os tempos atuais, sem perder de vista as imagens fundamentais que encantam a mística, a poesia, a ética e a estética indígenas: “os rios, as montanhas, as florestas e os vales, que são o nosso pano de fundo do mundo”.

O líder indígena mostrou como a caminhada antropológica das culturas indígenas é rebuscada nas histórias dos antepassados, “nas quais aprendemos nossa relação com o mundo. Daí trouxemos nossa história e os mitos da nossa cosmogonia, que buscamos em elementos como a água, o vento, o fogo, o sol, a lua e as estrelas”. O mergulho nesses elementos, explicou, “encontramos em nossa memória, que tem sido o roteiro da nossa vida”.

A leitura histórico-filosófica de Ailton Krenak chega à história republicana brasileira recente falando da sociedade em que “nos anos 70, o regime pretendia fundir as culturas indígenas, acabando com nossas especificidades e a diversidade das nossas culturas. Tivemos que lutar muito para que nossos campos sagrados não fossem transformados em área de plantio de soja e nem em complexos de produção industrial. Essa cultura ocidental, empresarial e militar imaginava que iríamos desaparecer em 30 anos, mas nós ainda estamos aqui”, bradou, sendo aplaudido pelo auditório.

Krenak frisou que povos indígenas estão fazendo “uma espécie de re-colonização do Brasil, através dos artistas, dos escritores, dos historiadores e dos educadores indígenas”. E agregou: “Nossas culturas já perceberam que a educação das crianças e o relacionamento com os velhos são fundamentais para serem perpetuadas”.

O líder que viajou o mundo para falar da cultura indígena, das línguas e dos costumes, mencionou um sábio indígena que viveu um período num centro urbano para compreender a cultura branca e constatou que “essas pessoas têm abandonado os velhos e as crianças e passado a cuidar de cachorrinhos!” Ao ver isso, constatou “porque a cultura indígena já tinha compreendido que só subsiste se nutrir o amor pelos filhos, pelos pais e avós!”

Ele saudou a riqueza religiosa e cultural dos pajés, a sabedoria dos anciãos e o senso de decisão dos chefes que têm sido resgatados na literatura indígena, “especialmente a literatura infanto-juvenil, da qual nosso grande representante é Daniel Munduruku, seguido de diversos outros autores, dos muitos povos”. Essa produção literária, que “se desenvolveu nos últimos 20 anos, tem a maior parte de seus autores vivos e já aprendeu a dialogar, mesmo sendo jovem”, destacou.

“A força dessas culturas, presentes em eventos como esse, tem a capacidade de ligar o fluxo da memória, a criatividade e a linguagem, expressando esse sentimento”, avaliou. “Para nós, indígenas, é mais fácil fazer arte, imagino, do que para os brancos. É só se deixar levar pelos sentimentos. E é esse sentimento que propicia a transmissão do conhecimento, a busca de novas práticas pedagógicas e a interação com as culturas e os povos, sem deixar de ser quem somos”.

FONTE: http://www.alcnoticias.org/interior.php?codigo=15195&lang=689

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas em Brasília

Começou na manhã desta terça-feira (29/9), no auditório da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas – Ação Educativa da exposição Séculos Indígenas no Brasil. O secretário da Identidade e da Diversidade do Ministério da Cultura, Américo Córdula, esteve presente à cerimônia inaugural, que contou com a participação de cerca de 100 professores das redes pública e privada de ensino de Brasília.

Em sua segunda etapa, o Projeto, que recebeu recursos por meio da Lei Rouanet, visa a preparação dos profissionais de educação para a exposição Séculos Indígenas no Brasil e para a introdução da temática indígena em sala de aula. A primeira etapa, denominada Diálogos Indígenas - Roda dos Saberes, foi realizada em abril deste ano, durante a Semana Nacional dos Povos Indígenas, no Memorial dos Povos Indígenas, reunindo dezenas de educadores. A terceira e última etapa, prevista para fevereiro/março de 2010, será o Curso de Formação de Mediadores, juntamente com a inauguração da exposição.

Idealizada pelas lideranças indígenas AILTON KRENAK e Álvaro Tukano, a exposição Séculos Indígenas no Brasil foi possível graças à parceria estabelecida entre o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, do Governo do Distrito Federal, da FUNAI e da Fundação Darcy Ribeiro, e inclui contribuições de pensadores como Darcy Ribeiro e José Lutzenberger.

A partir de 2010 deverá ser iniciado o processo de implantação de conteúdos ligados à questão indígena no currículo escolar das unidades da rede pública do Distrito Federal, atendendo às determinações estabelecidas na Lei nº 11.645/2008, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.

As palestras do Fórum de atualização acontecem até 1º de outubro no auditório da FUNAI, SEPS, Quadra 702/902 Projeção A, Ed. Lex.Cada participante da Ação Educativa recebeu um exemplar do Catálogo do Prêmio Culturas Indígenas 2008 – Edição Xicão Xukuru, realizado pela SID/MinC em parceria com o SESC/SP.













Catálogo Prêmio Culturas Indígenas 2008

A publicação descreve as 729 iniciativas inscritas na segunda edição do concurso identificando a localização geográfica de cada povo, sua língua, população e, em alguns casos, a situação de suas terras e do ambiente em que vivem. Traz ainda outras informações, como as relações com os não-indígenas, as festas, lutas, histórias, projetos, desejos, entre outros aspectos. Na ordenação dos povos, as 21 divisões étnicas definidas levam em consideração a proximidade cultural e geográfica, assim como as alianças políticas que as pequenas e grandes organizações indígenas realizam para se fortalecer. Essas divisões foram concebidas em conjunto com representantes de organizações indígenas e deixam transparecer um critério importante para a vida desses povos: as bacias dos grandes rios. Esta publicação contribui para o conhecimento da diversidade cultural dos povos indígenas e é fonte de pesquisa para o tema.


FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=8&id_noticia=116652

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Feira do Livro Indígena terá Caxiri literário

Cuiabá / Várzea Grande, 29/09/2009 - 18:00.

Da Redação

Há uma semana da abertura da Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT), a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) apresenta uma programação variada e com novidades de encher os olhos e ouvidos. Um destes destaques são os “Caxiris Literários”, mesas de debates compostas apenas por escritores indígenas que servem para a discussão de temas ligados à área da literatura. Os “Caxiris” serão abertos ao público e, depois de cada debate, os componentes de cada mesa responderão aos questionamentos dos participantes.

Segundo Daniel Munduruku, coordenador indígena da FLIMT e diretor presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI), essas mesas têm temas variados, mas sempre debatendo sobre como a cultura indígena pode e deve ser tratada. “Nós falaremos sempre sobre assuntos ligados ao indígena. Trataremos da oralidade, da escrita, do movimento indígena na educação e de como ele pode ser aplicado na sala de aula. Os três “caxiris” serão norteados por esses assuntos”, explica.

A organização espera que cada mesa tenha em média duas horas de duração. “Cada escritor que estiver escalado para o “caxiri” terá 20 minutos para expor seu posicionamento sobre o tema em questão. Depois, o público poderá questionar os escritores”, descreve Daniel.

Os “carixis literários” serão realizados nos dias 06 e 09, no período da tarde e no dia 08 pela manhã, sempre nos estandes externos, instalados na Praça da República. Para participar não será necessário fazer inscrições antecipadas. Os interessados devem estar no local, 30 (trinta) minutos antes de cada uma das atividades.

A primeira mesa será na terça-feira (06.10), às 15h, e trará o tema: “Literatura Indígena: o tênue fio entre escrita e oralidade”. Participam como expositores os escritores: Graça Graúna, Manoel Moura Tucano, Eliane Potiguara, Yaguarê Yamã e Anna Claudia Ramos. A mesa será mediada por Daniel Munduruku, coordenador indígena da FLIMT e escritor.

Na quinta-feira (08.10) o “caxiri” debaterá “O Movimento Indígena e a Educação”, a partir das 09h da manhã. Fazendo considerações sobre “a importância do movimento indígena como instrumento na formação da consciência brasileira”, estarão os expositores AILTON KRENAK, Estevão Taukane e Álvaro Tukano, mediados por Darlene Taukane.

O último debate está agendado para sexta-feira (09.10), às 14h30 com os expositores Edson Kayapó, Darlene Taukane e Chiquinha Paresi. O tema será “A temática indígena na Sala de Aula” e terá como mediador Jucélio Paresi.

Confira a programação completa no link: http://www.cultura.mt.gov.br/TNX/conteudo.php?cid=2989&sid=54 (Esta programação ainda está sujeita a alterações)


FONTE: http://www.odocumento.com.br/noticia.php?id=310761

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Participe ao vivo do programa com Povos da Floresta no canal saúde interativo

Em busca da própria sobrevivência, o ”homem branco” estabelece metas e cria planos mirabolantes para proteger a natureza. E os povos da floresta, o que eles têm a dizer sobre isso? O programa Sala de Convidados, do Canal Saúde/Fiocruz, de sexta (04), às 13h, escuta e debate a sabedoria dos povos da floresta em busca de soluções para a saudável convivência entre desenvolvimento e sustentabilidade socioambiental. Participe ao vivo. Veja o que pensam os representantes das populações ribeirinhas, extrativistas, quilombolas e indígenas sobre o futuro das florestas.

No programa Sala de Convidados, o público participa ao vivo pela WEB www.canalsaude.fiocruz.br, no chat, ou assistindo pela NBR e ligando 0800 701 8122. Se preferir, antecipe a participação pelo canal@fiocruz.br
Convidados – para conversar sobre o tema com internautas e telespectadores estarão presentes o coordenador da Rede Povos da Floresta, Ailton Krenak; a pesquisadora da Universidade Federal do Pará, Camila do Valle; o vice-presidente da Associação de Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Rio de Janeiro, Damião Braga; e o representante do Conselho Nacional dos Seringueiros, Pedro Ramos.

Saúde – O tema faz parte da 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA), que vai acontecer no fim do ano, em Brasília. Para os organizadores do evento, ”além dos riscos ambientais provocados pela ação humana, a permanência ou agravamento das desigualdades sociais e econômicas, nas várias regiões do planeta, especialmente as mais pobres, demonstram a insustentabilidade socioambiental decorrente do modelo de desenvolvimento econômico, bem como suas consequências sobre a saúde das populações.
Alguns dos elementos deste cenário são: o esgotamento dos recursos naturais, como a água e as florestas; os processos acelerados de desertificação; a intensificação de eventos climáticos extremos; poluição química de ambientes urbanos e rurais; e a emergência e a reemergência de doenças”.
A 1ª CNSA conta com o apoio do Canal Saúde.

Participe ao vivo com sua opinião. Até lá!

Onde ver – Para saber como assistir a NBR na sua cidade ou obter mais informações sobre a NBR, acesse http://www.ebcservicos.ebc.com.br/veiculos/nbr Para assistir no site do Canal Saúde, acesse , clique na TV com a inscrição “ao vivo” e participe a partir do chat associado à transmissão. Se preferir, antecipe suas perguntas: canal@fiocruz.br. O Sala de Convidados é apresentado por Renato Farias.

Publicado em: 2 setembro, 2009 por Reportagem

FONTE: http://www.redenoticia.com.br/noticia/?p=10513

sexta-feira, 31 de julho de 2009

VALE A PENA CONFERIR:



"A Rede Povos da Floresta é um movimento social que reúne comunidades tradicionais e indígenas, unidas por um mesmo ideal de preservação do ambiente, de suas culturas tradicionais e de seus territórios originais.

A Rede foi criada em 2003 como uma revitalização da Aliança dos Povos da Floresta - mobilização feita por índios e seringueiros liderada por Chico Mendes e Ailton Krenak, que durante a década de 90 fez as mudanças que resultaram na criação das reservas extrativistas e na correção das políticas do Banco Mundial para o financiamento de grandes projetos de impacto socioambiental nas regiões de florestas tropicais em todo o mundo.

Tem como objetivo a preservação do ambiente e o que nele está inserido: a fauna, a flora, os recursos naturais e culturais e o morador tradicional. Assim como o registro da memória por meio das TIC's - Tecnologias da Informação e da Comunicação.

A Rede Povos da Floresta também é responsável pela Nanapini, iniciativa que estimula o reflorestamento através de ações ambientais conduzidas pelas próprias comunidades tradicionais da região amazônica."

Link: http://www.redepovosdafloresta.org.br/