sexta-feira, 13 de março de 2015
Documentário mostra luta pela conquista da cidadania e trajetória do movimento indígena
09 de Março de 2015
Fruto de um intenso trabalho de pesquisa do diretor Rodrigo Siqueira Arajeju, de 32 anos, o documentário Índio Cidadão ? , revela o processo de conquista da cidadania indígena e os bastidores dos povos indígenas e a constituinte 1987/1988. Traz uma reflexão por meio de narrativas de alguns dos principais protagonistas indígenas da luta pelos direitos até os dias atuais.
''Nasci em Brasília, onde comecei a busca por minhas raízes em meio ao concreto armado do modernismo. Aos 32 anos, onde quer que esteja, posiciono minha artilharia criativa para questionar o rumo do país decidido nos gabinetes da arquitetura do Poder. Minha família saiu do Rio de Janeiro, chegaram na Capital para a inauguração em 1960. Gente humilde e honesta em busca de novas oportunidades e de uma vida mais tranquila. Meu avô materno se entrosou com indígenas nas suas aventuras de pescador no Planalto Central, talvez uma fabulação que ficou como memória familiar. Gosto de acreditar que sigo o caminho dele, ao meu modo...'' Rodrigo Siqueira.
Em entrevista exclusiva para Equipe da Rádio Yandê ele reflete sobre o processo de realização do documentário e comenta sobre próximos projetos.
Rádio Yandê - O que te motivou na realização desse projeto ?
Rodrigo Siqueira : Foi um processo de reflexão sobre a situação dos chamados "direitos indígenas" no Brasil, a partir de experiências profissionais com demandas por autonomia de Povos Originários em outros países do Continente. A inspiração surgiu em vivências com autoridades ancestrais do Povo Maya na Guatemala, a partir de 2008, época em que também assisti aos primeiros documentários sobre lutas indígenas contemporâneas na América Latina. No ano seguinte, trabalhei na Costa Rica, no Tribunal Latinoamericano del Agua, acompanhando casos indígenas. Em 2009 também assisti, em tempo real, a cobertura de grandes levantamentos por direitos, como o Baguazo, no Peru, e a Minga, na Colômbia.
Este foi o fermento para a ideia inicial do filme, que só amadureci quando voltei a viver aqui. Iniciei a pesquisa sobre a Campanha Popular Povos Indígenas na Constituinte, em 2011, na minha área de formação acadêmica que é o Direito. Pra mim foi um fato surpreendente aquela presença constante em Brasília, com a participação de delegações, saídas direto das aldeias. Importante recordar que o ordenamento jurídico vigente definia "os silvícolas" (índios) como relativamente incapazes para atos da vida civil e determinava regime de tutela pelo Estado. Percebi a força desta história e a necessidade de evidenciar um capítulo revolucionário, porém pouco conhecido, da redemocratização no Brasil.
Encarei com seriedade o sonho de realizar o meu primeiro documentário, mesmo sem prática em produções audiovisuais, pois era clara a abordagem tendenciosa da mídia e a desinformação da opinião pública sobre o processo de conquista de direitos constitucionais específicos pelos indígenas. As emissoras de televisão, normalmente, não dão voz às lideranças como porta-vozes de suas demandas. A leitura do contexto de crescentes ataques aos primeiros Povos do Brasil fortaleceu minha convicção sobre a importância e urgência da proposta.
Idealizei o filme para a televisão, pela percepção de seu inigualável potencial comunicativo nesta era da informática. Eu quis surpreender os telespectadores com a força da oralidade - característica das culturas originárias - na condução da narrativa, através de falas públicas e entrevistas com aqueles protagonistas do Movimento Indígena na Constituinte. Se tratando de processo de desobediência civil da tutela vigente, defini que o filme só seria autêntico a partir da perspectiva indígena dos fatos.
O meu pensamento foi de lançar luz sobre os episódios marcantes da campanha popular, coordenada pela União das Nações Indígenas (UNI) nos anos de 1987 e 1988, através do resgate de registros documentais desta autodeterminação indígena no Congresso Nacional. Depois, contextualizar a percepção das lideranças que participaram da Constituinte sobre os avanços obtidos com a conquista daqueles direitos e sua visão dos desafios de futuro. Assim, formatei o projeto cultural e inscrevi em dois editais públicos em 2011, sem êxito. Insisti no ano seguinte e a proposta foi contemplada pelo Fundo de Apoio à Cultural (FAC/DF) da Secretaria de Estado de Cultura do GDF.
Minha principal motivação foi estar a serviço das resistências de Nações Originárias no Brasil e projetar suas vozes de autodeterminação na televisão, com o objetivo de contrapor o discurso midiático anti-indígena vigente há décadas. Comecei audacioso mesmo, com a veiculação do filme neste incrível meio de comunicação em massa, querendo influenciar parte da opinião pública e agregar novos aliados ao Movimento Indígena. A televisão ainda é mais popular e acessível que a internet, sendo o alcance da TV Câmara privilegiado por permitir a sintonia nos rincões do país, via antena parabólica. Pelos dados auferidos pelo IBOPE Mídia, obtivemos alcance acumulado de mais de 1 milhão de telespectadores nas 25 exibições na programação de 2014 da emissora.
Rádio Yandê - Como foi o processo de produção?
Rodrigo Siqueira: Iniciei a pesquisa em 2011, quando me aproximei de lideranças da UNI para pedir aval ao projeto. Álvaro Tukano foi o mentor, compartilhou comigo lembranças e abriu generosamente seu rico arquivo de memórias escritas, contendo referências essenciais. Ailton Krenak comentou que não tinha conhecimento de filme sobre o tema, apoiando a proposta. Indicou o acervo digitalizado do Programa de Índio (programadeindio.org), que ele produziu pelo Núcleo de Cultura Indígena, com importantes registros jornalísticos dos programas de rádio veiculados pela rádio USP, entre 1985 e 1991. Também mencionou o filme Aos Ventos do Futuro, de Hermano Penna, com documentação de grande mobilização de lideranças em Brasília para o II Encontro Nacional dos Povos Indígenas, realizado na Câmara dos Deputados pela Comissão Permanente do Índio - criada e presidida pelo deputado Mario Juruna.
A pesquisa do filme foi baseada em arquivos de vídeo e áudio, documentos, reportagens e publicações. Para conhecer mais detalhes do processo de participação, pesquisei os anais da Assembleia Nacional (http://www.senado.gov.br/publicacoes/anais/constituinte/7c%20-%20SUBCOMISSÃO%20DOS%20NEGROS,%20POPULAÇÕES%20INDÍGENAS,.pdf) e as matérias sobre a Campanha Povos Indígenas na Constituinte. Outra fonte de consulta também foi o livro Os Povos Indígenas e a Constituinte - 1987/1988, de Rosane Lacerda, publicado pelo CIMI, contendo muitas fotos que depois utilizei no filme.
As principais referências audiovisuais da Constituinte foram cedidas pelo Centro de Documentação (CEDOC) da TV Câmara. Utilizei trechos dos programas jornalísticos Diário da Constituinte, veiculados, diariamente, durante os trabalhos da Assembleia entre 1987 e 1988, com os destaques da imprensa para a participação indígena. Também cederam vídeos e fotos o CIMI, o ISA e seu sócio-fundador Beto Ricardo. Os áudios do Mario Juruna foram obtidos do acervo do Programa de Índio e do arquivo sonoro do CEDI da Câmara dos Deputados. Só finalizei a pesquisa em 2014, durante a finalização do filme.
A pré-produção começou em abril de 2013, ano em que o patrocínio do FAC/DF foi de fato recebido. A ocupação do Plenário da Câmara dos Deputados pelo Movimento no Abril Indígena 2013 impôs a atualização do roteiro, incluindo a forte mobilização contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000. Iniciamos as filmagens em junho, quando estabeleci relação com os membros da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), durante os registros das reuniões do Grupo de Trabalho Questão das Terras Indígenas. O grupo foi criado pelo presidente da Câmara, após a histórica ocupação do Plenário da Casa, composto por parlamentares e lideranças das 5 regiões do país.
Acompanhamos a saga dos representantes da APIB no GT Terras Indígenas por meses, processo de participação que, de certa forma, renovou a constância da atuação de lideranças indígenas no Congresso, como ocorreu durante os debates da Constituinte. Na sequência registramos a Mobilização Nacional Indígena em Defesa da Constituição Federal, em outubro de 2013, no marco dos 25 anos de promulgação, episódio marcante nas filmagens. Em novembro, tive o privilégio de filmar a entrevista conjunta com Álvaro Tukano e Ailton Krenak, no salão verde da Câmara dos Deputados. Finalizamos a produção, entrevistando o Davi Kopenawa, aproveitando sua presença em Brasília para participação em programa da TV Câmara.
A pós-produção foi iniciada na sequência e seguiu até abril de 2014. Tive a honra de contar com o apoio de equipe indígena nesta etapa, pela preocupação de ser fidedigno com as falas em línguas nativas dos Povos Mebengokrê e A'uwe. Patxon Metuktire colaborou na tradução da entrevista do cacique Raoni e falas públicas de outras lideranças tradicionais como a Tuíra; Tsitsina Xavante e Gedeão Butse, no depoimento do pajé José Luiz Tsereté. Como ainda não tinha recebido o patrocínio no Abril Indígena 2013, contei com a parceria generosa do cineasta indígena Kamikia Kisedjê na cessão do material histórico da ocupação do Plenário Ulysses Guimarães - também retratada no filme com imagens da cobertura jornalística, cedidas pelo apoio de produção da TV Câmara. Kamikia também disponibilizou imagens da Mobilização Nacional de outubro, assim como a cineasta Maria Emilia Coelho.
Pela quantidade e qualidade do material documentado e dos arquivos cedidos, optamos por finalizar o documentário com 52 minutos de duração - formato orientado, prioritariamente, para a veiculação em emissoras de televisão. A edição foi um processo exaustivo e só fechamos a montagem do filme no final de março, com a fundamental experiência do meu parceiro de roteiro, o montador Sergio Azevedo, da Argonautas - empresa produtora associada, ao lado da 400 Filmes e Base Audiovisual. Assinam a coprodução a 7G Documenta, produtora independente que idealizei, e a Machado Filmes. A pré-estreia do filme aconteceu no Memorial do MPF, na Procuradoria-Geral da República, no dia 14 de abril. Dia 19, foi a estreia oficial com a veiculação nacional na TV Câmara.
Rádio Yandê - O que você acha que mais marcou na conquista dos direitos constitucionais e nas manifestações de Brasília em 2013 na escolha das cenas do documentário?
Rodrigo Siqueira: A diversidade da presença dos Povos Indígenas no Congresso Nacional, com seus trajes tradicionais e manifestações culturais, são as imagens fortes da Constituinte. Utilizei o material de arquivo disponível, que é essencialmente conteúdo jornalístico, mantendo o áudio original de algumas reportagens para ressaltar a caricatura da cobertura midiática em certos momentos. A discussão sobre os índios "aculturados" também é uma provocação sobre a manutenção inalterada de percepções e discursos conservadores, quase 30 anos depois. Em termos de cenas, considero as mais simbólicas a subida da rampa do Congresso Nacional pelo cacique Raoni, na abertura da sequência da Constituinte, e o emocionante discurso do Ailton Krenak na defesa da emenda popular da UNI.
A Mobilização Nacional Indígena de outubro foi um evento muito forte. Meu sentimento hoje é que filmar ali foi algo tão imprevisível como caçar um tornado. A presença de espírito foi fundamental, pois era impossível acompanhar todos os atos e entrevistar sequer a metade das lideranças de renome presentes. Para a narrativa do filme, o mais importante foi a queima da PEC 215/2000, que funciona como o clímax daquela catarse, representada na concentração de mais de 1.000 indígenas protestando no centro do Poder Federal. Além disso, foi o recurso de evidenciar a dubiedade do discurso de alguns parlamentares sobre o arquivamento desta PEC.
Pessoalmente, o que mais me tocou foi a entrevista com a Valdelice Veron. Eu já sentia a necessidade de explicitar o genocídio continuado do Povo Kaiowa e sua demanda histórica pela demarcação de terras. A entrevista dela foi muito tocante. Ao final, toda a equipe que trabalhava comigo estava embargada em lágrimas. O compromisso com aquelas graves denúncias alterou o roteiro do filme e também desta carreira que inicio como documentarista.
Rádio Yandê - Para você o que significou aquela cena de arquivo do Ailton Krenak pintando o rosto emocionado enquanto falava sobre a questão indígena?
Rodrigo Siqueira:Primeiro, preciso desabafar que este fundamental discurso por pouco ficou de fora do filme. Existe um grave problema de gestão dos acervos públicos de imagens, que principia com a dificuldade de consulta aos conteúdos de emissoras de TV e órgãos que conservam a memória nacional. Por exemplo, a Central de Cópia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) suspendeu os serviços de pesquisa e cessão de imagens, desde 2013. A cobertura da Constituinte foi realizada pela Radiobrás e, teoricamente, o seu acervo foi incorporado à EBC. E por incrível que pareça, não havia nenhum registro do Ailton na decupagem do acervo audiovisual do Congresso Nacional. Outro impeditivo é que, via de regra, o simples acesso é condicionado a pagamento e o licenciamento para reprodução é caro.
Eu só tinha a referência escrita do discurso da defesa da emenda popular da Campanha Povos Indígenas na Constituinte pela UNI, registrado nos anais da ANC, mas sabia da relevância do material para a narrativa do filme por ser imprescindível no contexto de conquista do capítulo “Dos Índios” na Constituição. Só consegui acessar o vídeo devido à cooperação que assinei com a TV Câmara, que me permitiu assistir às fitas de material bruto do acervo do CEDOC e resgatar a marcante intervenção do Krenak. Depois também descobri outra cópia no acervo do ISA, mas foi longa e tensa a sua busca.
O próprio Ailton só tinha visto pequenos trechos e com a sonora ruim, ao assistir o filme na pré-estreia teve a surpresa de revisitar aquele momento - que ele revelou ter desvinculado de sua pessoa, intencionalmente. É muito forte a simbologia de sua imagem, de traje completo branco e o rosto pintado de preto, uma afronta ao discurso do índio aculturado. A fala é de arrepiar, uma presença de espírito impressionante! Sempre que assisto me emociona, é um dos trechos do filme que já me faz chorar algumas vezes. Pra mim representa o luto e a luta, como dizem os parentes Kaiowa. Teve a importância de gravar nos anais da Constituinte a denúncia sobre o histórico de genocídio e ataques aos Povos Indígenas no Brasil.
Foi um momento histórico e fiquei muito feliz de conseguir reproduzir a íntegra do registro no filme, sendo destaque certo nos debates e comentários. Por sua importância, postei, também, no canal de vídeos de divulgação do ÍNDIO CIDADÃO?, pois espero que muitas pessoas sejam tocadas por estas palavras. Com base na pesquisa, avalio que foi o ato de protagonismo mais marcante da ANC. A imagem foi destaque na imprensa nacional e internacional. A repercussão foi tão incrível que ele adquiriu status de parlamentar constituinte no imaginário de muita gente, informação que ainda é equivocadamente reproduzida em diversos sites. Inclusive é o único representante da sociedade civil que compõe o mural de fotos dedicado à Constituinte, no Anexo II da Câmara dos Deputados, locação do depoimento dele na sequência final do filme.
Rádio Yandê - A Valdelice Veron é hoje um símbolo de luta dos Guarani Kaiowá. Por que a escolha dela para conduzir?
Rodrigo Siqueira:Testemunhei a contundente fala da Xamiri Nhuputy na cerimônia de entrega do IV Prêmio Culturas Indígenas, em julho de 2013, no Memorial dos Povos Indígenas. Já tinha visto vídeos dela e outros lideranças Kaiowa, mas fiquei realmente impactado com a força da denúncia sobre o genocídio da sua Nação em marcha no Mato Grosso do Sul. Quando a vi na Mobilização Nacional de 2013, foi a primeira pessoa que busquei para entrevistar.
A escolha dela para conduzir surgiu no processo de edição do filme. Porque tinha memórias de infância impressionantes da participação na Constituinte, acompanhando seu pai, o cacique Marcos Veron - grande liderança que iniciou o processo das retomadas Kaiowa e derramou seu sangue nesta missão. Senti a força dos seus depoimentos, principalmente o testemunho do assassinato do pai, e o comprometimento de dedicar sua vida ao seguimento desta luta.
O principal que intuí foi o potencial para sensibilizar as pessoas que desconhecem ou são contrárias à causa indígena, este é um dos principais objetivos do filme. Qualquer pessoa que ainda guarde um pouco de humanidade vai se sensibilizar com as denúncias que a Valdelice expõe. Ao ouvir sobre aquelas crueldades contra mulheres e crianças Kaiowa e a brutalidade do extermínio de lideranças, mesmo se tiver preconceito contra os indígenas, ela vai quebrar a barreira do outro e sentir na pele aquela ferida aberta. Quando se pensa o discurso audiovisual, é obrigatório calibrar a mira para que atinja seus alvos. Acredito que foi uma escolha acertada, muitas pessoas relatam comoção com as falas da Valdelice no filme.
Rádio Yandê - Você pensa em fazer uma continuação ou um novo projeto de documentário dentro da temática?
Rodrigo Siqueira:No processo de filmagens, percebi que a questão da falta de representatividade direta no Congresso Nacional era o mote para a continuação do tema e já troquei ideias com os entrevistados a respeito. Foi intencional terminar o filme com a fala do Mario Juruna e as reflexões do Ailton, sobre a necessidade de lutar com novos parlamentares indígenas. Estou no processo de produção do curta metragem ÍNDIOS NO PODER (título provisório), projeto aprovado no Edital Curtas 2013 da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nova parceria da Machado Filmes e 7G Documenta.
O roteiro do filme se inicia com o resgate de registros da atuação do Mario Juruna, único deputado índio na história do Parlamento, e das eleições para a Constituinte, quando se consumou a impossibilidade de representatividade, que perdura até hoje. A abordagem contemporânea se baseia nas Eleições 2014, na qual o protagonista que representará as dezenas de candidaturas indígenas é o cacique Ládio Veron da Nação Kaiowa e Guarani. O caso dele é simbólico: uma liderança das retomadas, ameaçado pelos latifundiários do Agronegócio, que luta para se eleger deputado federal para travar o debate político no Congresso, dominado pela Bancada Ruralista. É isso que posso adiantar, em breve teremos novidades.
Mas o trabalho pela divulgação do ÍNDIO CIDADÃO? ainda segue e tenho me dedicado aos desdobramentos do projeto. O filme foi selecionado na IV Mostra Pajé Filmes. Será exibido em abril, em Belo Horizonte, e tem a janela de novos festivais de cinema em 2015. Também tenho a intenção é distribuir para outras emissoras de televisão e aumentar seu alcance. O filme deve ser explorado como ferramenta de conscientização da sociedade, pois as terras indígenas são patrimônio da União e sua preservação interessa a todos nós brasileiros e as futuras gerações que tem o direito constitucional de herdar um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Outro grande desafio é expandir o seu poder de convocatória para a mobilização dos Povos Indígenas. Fizemos a distribuição gratuita do filme para lideranças e organizações, com muitas exibições em assembleias e cursos de formação em terras indígenas e retomadas de diferentes regiões do país. Iniciei diálogo promissor com a Coordenação-Geral de Promoção da Cidadania da FUNAI, visando difundir o filme e promover debates nas suas atividades de mobilização social.
Outro desafio é sua utilização nas escolas da rede de ensino pública e privada, como ferramenta audiovisual educativa, adequada ao conteúdo obrigatório estabelecido na Lei 11.645/2008, proposta traçada desde a concepção do projeto. Já existem instituições de ensino superior se valendo do filme, em graduações regulares e interculturais. Gosto de pensar sua difusão de forma ampla.
''Preciso viver com a esperança em lugar seguro, com atitudes cotidianas que alimentem meus sonhos pelo buen vivir para toda a humanidade e seres do planeta. Me recordei agora do final do filme, perfeito pra encerrar a entrevista. Dedico essa obra à Resistência de todos os Povos Originários e ao novo amanhecer dos curumins e das nossas crianças. Minha gratidão sincera pela oportunidade. E diga ao Povo que avançaremos!'' Rodrigo Siqueira.
Mais informações: http://indiocidadao.org/
FONTE:
Redação Yandê
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
Líder indígena vê influência das tabas de Tom Jobim a Sepultura
Ambientalista, líder indígena, ex-deputado federal, coordenador da Rede Povos da Floresta, Ailton Krenak é um dos principais articuladores dos direitos indígenas. E para ele, é preciso fazer uma reparação histórica, não apenas do genocídio pelo qual os primeiros brasileiros foram submetidos - e ainda são- , mas também em relação à influência e a presença da música indígena em nossa canção, da bossa nova de Tom Jobim ao metal do Sepultura.
"Os pesquisadores como Anthony Seeger, Marlui Miranda e mesmo Roquete Pinto insistem que a base da criação da chamada música popular brasileira ou cancioneiro brasileiro é feita de índio, branco e negro, sem que tenha de ser percebido nesta ordem, claro! Uns tons de negro mais carregado chegam primeiro aos ouvidos que depois de afinados são também alcançados pelos timbres vindos de debaixo do chão, como diz o mestre (Gilberto) Gil, de onde vem o xaxado? vem debaixo do barro do chão... Bené Fonteles, Marlui Miranda, Caetano Veloso e Sepultura, todos, e Tom Jobim, também cantam este timbre vindo das tabas indígenas", defende o líder, que protagonizou uma cena marcante no Congresso Nacional, quando se pintou o rosto com tinta preta de jenipapo, nos anos 80.
Krenak afirma que na cultura indígena, a música e rito, são cantos de guerra, de caçadas rituais "onde são evocados os espíritos dos animais a serem caçados,assim como é cantado o nome dos inimigos que serão guerreados".
"São cantos de cura, onde a palavra cantada é medicina poderosa e veículo de trânsito entre o visível e outros mundos ou paisagens. Músicos como Milton Nascimento e Peter Gabriel já exploraram áreas da sonoridade-musicalidade indígenas em seus trabalhos que alcançaram ótima aceitação de público dando a eles um Grammy na década de 90", aponta.
O líder indígena também lembra da parceria entre Egberto Gismonti e o pajé Sapaín. "Mesmo outros músicos e bandas contemporâneas seguem descobrindo novas sonoridades naquilo que podemos ouvir como música de 'índios'. Egberto Gismonti fez um memorável disco intitulado Sol do Meio Dia com o pajé Sapaím no Xingu, que até hoje continua sendo um marco no diálogo entre as tradições musicais modernas", afirma.
Entre suas preferências particulares, de músicos não-indígenas, Krenak destaca Tom Jobim, compositor e maestro que antecipou as preocupações com temas ambientais, quando o assunto não era recorrente, e Caetano. "Muitas músicas que falam explicitamente de 'índio' me agradam, mas Borzeguim do Tom Jobim é minha preferida sempre e de longe. Tem a canção mágica Um Indio do Caetano, enfim músicas que tem uma poética direta falando de índio são a parte visível da coisa toda, que tem raízes profundas muita além das letras e poesia. (Heitor) Villa-Lobos é coisa de índio, assim como a obra de Tom Jobim foi insistente canção indígena dentro da bossa nova, que todos dizem que tem jazz nas suas origens. Vai dormir com um barulho destes vindo de debaixo do chão", provoca.
FONTE:http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/musica/2013/04/26/324607-lider-indigena-ve-influencia-das-tabas-de-tom-jobim-a-sepultura
27/04/2013 08h24 • Fabiano Alcântara
terça-feira, 16 de abril de 2013
Lideranças indígenas participam do Fórum Social Mundial na Tunísia
Na foto: As lideranças indígenas Ailton Krenak, o tradutor Luiz Guilherme, Tom Goldtooth e Biraci Brasil, do povo yawánawá.
Eles defenderam o uso tradicional das medicinas ancestrais como forma de autodeterminação dos povos.
Ricardo Moebus*
Terminou no último dia 30 de março o Fórum Social Mundial 2013, o primeiro realizado em terras do mundo árabe, na Tunísia, em sua capital Tunis, onde há dois anos atrás deflagrou-se a revolução que deu origem à chamada primavera árabe de 2011.
Esse Fórum, como era de se esperar, teve presença massiva e preponderante em seus debates da temática islâmica, em especial da luta pelo reconhecimento e respeito pelos territórios da Palestina..
Mas houve espaço também para inumeráveis outras temáticas, em aproximadamente mil atividades auto gestionadas por centenas de organizações de todo o mundo. E, dentre essas, teve lugar o debate acerca do exercício das Medicinas Tradicionais como parte integrante e indispensável do direito à auto determinação dos povos originários, autóctones, indígenas.
Esse debate foi proposto pela organização não-governamental Primatas da Montanha, ONG PRIMO, com a participação do cacique Biraci Brasil Yawanawa do estado do Acre, da liderança indígena Ailton Krenak do estado de Minas Gerais e da liderança indígena norte americana Tom Goldtooth.
Tom Goldtooth estava no Fórum Social em campanha mundial contra a implantacao do sistema REED, que vem impedindo as comunidades que aderiram a esse sistema de fazerem o uso tradicional de seus recursos naturais dentro de suas próprias florestas.
Tom esteve com as lideranças indígenas brasileiras Biraci e Ailton, e aderiu ao debate sobre o direito de exercício das Medicinas Tradicionais.
O debate representou uma oportunidade única dentro do Fórum Social Mundial de apresentação das Medicinas Tradicionais também como uma proposta política de efetiva defesa dos modos de vida originários, com autonomia, com acesso, uso sustentável e preservação dos recursos naturais que compõem essas Medicinas Tradicionais.
O debate também marcou historicamente o lançamento internacional da proposta de uma Rede Mundial de Medicinas Multiculturais – Rede 3M, que seguirá sendo articulada a partir das experiências brasileiras e ameríndias.
* Ricardo Moebus é autor do livro “Psico Trópicos” que trata do uso tradicional dos denominados enteógenos ou plantas de conhecimento.
VÍDEOS NO SITE: http://www.fechos.org.br/
FONTE: http://www.juruaonline.com.br/cidades/liderancas-indigenas-participam-do-forum-social-mundial-na-tunisia/
terça-feira, 17 de julho de 2012
Rio+20: Ciudadanía global por el respeto de los derechos humanos
José Pedro Martins
12/07/2012
Cumbre de los Pueblos acuerda mayor movilización en defensa de la vida y el respeto de los bienes comunes.
“Necesitamos, con una movilización mundial, luchar por una reforma completa de la gobernanza socioambiental, pues la actual no responde en modo alguno a los intereses de los pueblos del mundo y de la Madre Tierra”.
Así resumió Ailton Krenak, uno de los más conocidos líderes indígenas de Brasil, miembro de la Red Pueblos del Bosque, el rumbo que a partir de los resultados de la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Desarrollo Sostenible, Rio+20, las organizaciones y movimientos sociales deben dar a su lucha por proteger el medio ambiente en el planeta.
Krenak participó en la Cumbre de los Pueblos por la Justicia Social y Ambiental y en Defensa de los Bienes Comunes que reunió a miles de representantes de organizaciones no gubernamentales y movimientos sociales de todo el mundo, que tuvo lugar en el Parque del Flamengo, en Rio de Janeiro, de forma autónoma y paralela a la oficial Rio+20.
“Están secuestrando simbolismos importantes para el pueblo, en beneficio de intereses corporativos”, afirmó, en referencia a la expresión “economía verde”, uno de los temas oficiales de Rio+20.
El líder indígena hizo esta afirmación en la Arena Socioambiental, principal espacio de diálogo del gobierno brasileño con la sociedad civil en Rio+20.
Para Krenak, ante la falta de firmeza de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) y de los representantes de los países desarrollados, Brasil debió ser más audaz en el liderazgo de las negociaciones en Rio+20.
“Pero lo que está sucediendo en Brasil es la repetición de los actos de la dictadura [militar que gobernó entre 1964 y 1985], cuando grandes proyectos en la Amazonia fueron muy destructivos para los pueblos indígenas y habitantes de los bosques en general”, protestó.
Intereses corporativos
La creciente influencia de las grandes corporaciones en el sistema de la ONU, en consonancia con la búsqueda de la mercantilización de la naturaleza, fue una constante en las críticas que los movimientos sociales y organizaciones no gubernamentales, especialmente en el ámbito de la Cumbre de los Pueblos, hicieron a todo el proceso de Rio+20.
“Las posiciones gubernamentales han sido cada vez más invadidas por estrechos intereses corporativos ligados a industrias contaminantes y sectores empresariales que buscan lucrar con el medio ambiente, el clima y las crisis financieras”, afirmó Nnimmo Bassey, presidente de Amigos de la Tierra Internacional.
La organización lanzó el 19 de junio un informe que denuncia la “captura” de la ONU y de Rio+20 por las grandes corporaciones, citando entre otros ejemplos los casos de la Iniciativa Energía Sostenible para Todos (SE4ALL), el Fondo Internacional de Desarrollo Agrícola (FIDA) y el Convenio sobre la Diversidad Biológica, “cada vez más impulsados por actores sociales interesados en la financiarización de la naturaleza y no por la necesidad de conservar la biodiversidad”.
De hecho, los pueblos indígenas han sido particularmente críticos de los resultados de Rio+20. “La ONU está perdiendo cada vez más presencia real, y con ello aumenta la influencia de las corporaciones en los organismos multilaterales y del sistema de las Naciones Unidas”, señala Krenak.
Actividades y conclusiones
La preparación de un Día Mundial de Huelga General y la movilización de la ciudadanía global contra la militarización de los Estados y territorios, la criminalización de las organizaciones y movimientos sociales, la violencia contra las mujeres y las personas lesbianas, gays, bisexuales, transexuales y transgéneros, y a favor de la garantía del derecho de los pueblos a la tierra y el territorio urbano y rural, el cambio del modelo energético, la reafirmación de los derechos humanos y la democratización de los medios de comunicación.
Estas fueron algunas de las conclusiones de la Cumbre de los Pueblos que tuvo en su agenda cerca de 500 eventos, protagonizados por grupos diversos. Se realizaron también sesiones plenarias, en torno a tres ejes: Causas estructurales y falsas soluciones, Nuestras soluciones y Agenda de Luchas y Campañas. El 21 de junio fue promovida la Asamblea de los Pueblos, para aprobación del documento final e indicación de los próximos pasos de movilización de la ciudadanía planetaria.
“No aceptamos paliativos, que dejen intactas las causas estructurales de los problemas sociales, económicos y ambientales, reproduciendo y agravando las múltiples formas de desigualdades vividas por las mujeres, así como las injusticias socioambientales”, dice el documento “Del Territorio Global de las Mujeres en la Cumbre de los Pueblos para la Conferencia de las Naciones Unidas sobre el Desarrollo Sustentable (Rio+20)”, emitido por la Marcha Mundial de las Mujeres.
“Proponemos el pacto de Rio de Janeiro de los pueblos en lucha para que volvamos a nuestros lugares de origen y todos los días llevemos adelante luchas contra nuestros verdaderos enemigos”, dijo el dirigente de Vía Campesina, João Pedro Stédile, en la manifestación más grande asociada con Rio+20 que tuvo lugar el 21 de junio, cuando más de 80,000 personas marcharon por el centro de Rio de Janeiro.
Diversas acciones se lanzaron durante la marcha, con críticas al curso oficial de Rio+20 y reiterando la necesidad de una mayor movilización global contra la mercantilización de la naturaleza. —Noticias Aliadas.
FONTE: http://www.noticiasaliadas.org/articles.asp?art=6671
sexta-feira, 8 de junho de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Propostas de emendas rasgam a Constituição, diz Krenak
Segunda, 30 de abril de 2012
Ailton Krenak condenou as Propostas de Emenda à Constituição (PEC), pois elas “rasgam a Constituição a cada momento. Parece que há deputados e senadores que – diferentes de um Suplicy (senador Eduardo Suplicy) – não sabem a que vieram, não têm razões para lutar e não respeitam o nosso povo. Deviam ir embora, trocar de atividade e organizar a quadrilha fora do Congresso”, disparou o índio que usou pintura de guerra para denunciar grilagem de terras no Congresso, nos anos 80.
A reportagem é de Antonio Carlos Ribeiro e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 29-04-2012.
Edson Kaiapó, doutorando em educação pela Universidade de São Paulo (USP), lembrou uma cena em que via uma “creche de luxo para cachorros e do outro lado da rua os policiais chutando crianças que dormiam na calçada, gritando: ‘levanta, vocês vão atrapalhar a passagem das pessoas’”. Por isso decidiu pensar na aldeia onde se vive com dignidade e respeito, e da literatura como forma de mostrar nova maneira de lidar com os outros.
Ailton e Edson participaram do I Encontro do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (Nearin) na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na quinta-feira,m 26. O encontro é uma iniciativa do Núcleo de Educação de Adultos (NEAd) e da Cátedra UNESCO de Leitura.
Três mesas de debate reuniram autores de livros, artistas e intelectuais. A primeira mesa tratou da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, a partir da perspectiva indígena, fazendo um balanço da visão ambiental brasileira, com a participação de Ailton Krenak, Manoel Moura e Álvaro Tukano, mediados pelo professor Renato Costa, do NEAd.
A Literatura Indígena e Meio Ambiente, tema da segunda mesa, trouxe uma reflexão de Eliane Potiguara, Edson Kaiapó e Ely Macuxi, mediados pelo literato Ricardo Oiticica, da Cátedra, sobre o papel da literatura produzida por indígena na formação da consciência ambiental brasileira.
A terceira e última mesa tratou do tema da literatura infantil e juvenil, ressaltando a presença do curumim na literatura e do debate sobre educação socioambiental através da literatura. Participaram a antropóloga Melissa Carvalho Gomes Monteiro e o teólogo Antonio Carlos Ribeiro, da Cátedra, com a mediação do artista Cristino Wapichana.
As colocações dos painelistas provocaram perguntas e reações. As diversas respostas enfatizaram o estado da situação das populações indígenas, assentadas e ribeirinhas, diante de governos que se corrompem e da reação dos povos indígenas, especialmente através de artistas e intelectuais que potencializam a participação indígena e seu papel na sociedade, como seu ponto mais forte.
FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/509035-propostasdeemendasrasgamaconsttiuicaodizkrenak
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
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